O verbo indicado entre parênteses deverá ser flexionado num...

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Q402990 Português
Atenção: As questões de números 9 a 15 referem-se ao texto que segue.

O espírito das leis


     - O mais difícil, em certos processos, não é julgar os fatos expostos. É julgar os fatos ocultos.
     Foi o que ouvi, há muito tempo, quando eu ainda pensava em fazer Direito, de um parente juiz. Estranhei a expressão “fatos ocultos”, que me cheirou a esoterismo, mas ele explicou:
     - A gente costuma estudar um caso, avaliar as razões das partes, pesar os dados levantados, consultar minuciosamente a legislação e a jurisprudência, para, enfim, dar a sentença. Mas há situações em que a intuição e a experiência de um juiz fazem-no sentir que a verdade profunda do caso não foi exposta. Por vezes, ao ouvir os litigantes, esse sentimento cresce ainda mais. Aí a tarefa fica difícil. Objetivamente, um juiz não pode ignorar o que está nos autos; subjetivamente, no entanto, ele sabe que há mais complexidade na situação a ser julgada do que fazem ver as palavras do processo. Esses são os fatos ocultos; essa é a verdade que sofreu um processo de camuflagem da parte do impetrante, do impetrado ou de ambos.
     - E o que faz você numa situação dessa?
     - Ele parou de falar por um tempo, dando a impressão de que não iria responder. Mas acabou esclarecendo:
     - Aplico a lei, naturalmente. É tudo o que devo e posso fazer. No entanto, para isso preciso também sentir o que se entende por espírito da lei, aquilo que nem sempre está nela explicitado com todas as letras, mas constitui, sem qualquer dúvida, o que a justifica e a legitima em sua profundidade. Como vê, às vezes julgo fatos ocultos com o concurso do espírito...
     Foi uma manifestação de bom humor, não um gracejo; foi uma lição que me ficou, que me parece útil para muitas situações da nossa vida.

(Etelvino Corrêa e Souza, inédito)



O verbo indicado entre parênteses deverá ser flexionado numa forma do plural para preencher corretamente a lacuna da frase:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A questão cobra concordância verbal: deve-se escolher a frase em que o verbo precisa ir ao plural. Isso ocorre em “Nem sempre se ...... num processo judicial os fatos que correspondem à verdade do caso em julgamento.”, porque “se” apassiva o verbo transitivo direto “levantar” e “os fatos” funciona como sujeito paciente plural; assim, a forma correta é “se levantam”.

Tema central: Concordância verbal
Análise das alternativas
A
Errada
Não há sujeito plural expresso que imponha plural ao verbo. A base indica que, na transposição finita, a construção assume valor de indeterminação do sujeito: “atribui-se aos fatos expostos o valor...”. A confusão possível está em tomar “aos fatos expostos” como sujeito, mas esse termo não funciona como núcleo determinante da concordância verbal.
B
Errada
O verbo deve ficar no singular porque o sujeito é “A aplicação mecânica das leis e dos casos de jurisprudência”, e seu núcleo é “aplicação”, singular. Os termos “das leis e dos casos de jurisprudência” apenas completam esse nome e não transformam o sujeito em plural. Portanto, a forma correta é “implica”.
C
Errada
A forma correta é singular: “Costuma ocorrer...”. A oração introduzida por “que” não exige plural no verbo “costumar”, e “em muitos processos” não é sujeito, mas adjunto adverbial. Logo, não há elemento plural que determine a flexão verbal no plural.
D
Errada
No sentido de “caber” ou “competir”, “assistir” é transitivo indireto. Em “assistir aos juízes o dever”, o sujeito é “o dever”, que está no singular, e “aos juízes” é objeto indireto. Por isso, a concordância correta é singular: “assiste”. O erro está em tomar “aos juízes” como sujeito.
E
Certa
Na alternativa E, há passiva sintética: o verbo “levantar” é transitivo direto, o “se” funciona como partícula apassivadora e o termo “os fatos” exerce a função de sujeito paciente. Como esse sujeito está no plural, a concordância verbal também deve ficar no plural: “se levantam”. É a única alternativa em que há sujeito plural determinando obrigatoriamente a flexão plural do verbo.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tratar qualquer verbo com “se” como indeterminação do sujeito e confundir termos no plural que não são sujeito — como complementos preposicionados ou adjuntos — com o elemento que realmente comanda a concordância.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de flexionar o verbo, localize o sujeito verdadeiro da oração e identifique seu núcleo.
  • Se houver “se”, verifique se ele apassiva um verbo transitivo direto ou apenas indetermina o sujeito.
  • Não faça concordância com termo preposicionado, adjunto adverbial ou complemento nominal.
  • Em verbos de regência específica, como “assistir” no sentido de “caber”, confirme se o termo plural é sujeito ou objeto indireto.

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Comentários

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Letra E: Fatos são levantados.

a) atribui-se o valor

b) A aplicacao mecanica nem sempre IMPLICA

c) Costuma OCORRER que a verdade profunda de um caso permaneca camuflada (DOIS VERBOS = LOCUCAO VERBAL)

d) ASSISTE aos juizes o dever....

e) Nem sempre se LEVANTAM num processo os fatos...

GABARITO E


A questão pede o verbo que irá para o plural. As alternativas estão com os sujeitos POSPOSTOS ao verbo (verbo + sujeito). Vamos analisar: (os grifos em vermelho são os SUJEITOS)


A) -se (atribuir) aos fatos expostos o valor de uma verdade que nem sempre eles representam. 

O que atribui aos fatos expostos? O VALOR DE UMA VERDADE. (sujeito no singular, verbo no singular)

B) A aplicação mecânica das leis e dos casos de jurisprudência nem sempre ...... (implicar) uma sentença justa. 

O que nem sempre implica? A APLICAÇÃO MECÂNICA. (sujeito no singular, verbo no singular)

C) (costumar) ocorrer, em muitos processos, que a verdade profunda de um caso permaneça camuflada. 

O que costuma ocorrer em muitos processos? QUE A VERDADE PROFUNDA DE UM CASO PERMANEÇA CAMUFLADA. (sujeito no singular, verbo no singular)

D) (assistir) aos juízes o dever de intuir a verdade que pode estar camuflada pela linguagem de um processo. 

O que assiste aos juízes? O DEVER DE INTUIR A VERDADE. (sujeito no singular, verbo no singular)

E) Nem sempre se ...... (levantar) num processo judicial os fatos que correspondem à verdade do caso em julgamento. 

O que nem sempre se levantam em um processo judicial? OS FATOS QUE CORRESPONDEM À VERDADE DO CASO EM JULGAMENTO. (sujeito no plural, verbo no plural)


bons estudos

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