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Uma paciente de 48 anos apresenta quadro progressivo de per...

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Q3988984 Psiquiatria
Uma paciente de 48 anos apresenta quadro progressivo de perda de força e rigidez muscular nos membros inferiores há 3 semanas, com piora que a levou à interrupção das atividades laborais e domésticas na última semana. Refere medo de sair de casa devido à possibilidade de piora dos sintomas em ambientes desconhecidos. Já foi avaliada por cirurgião vascular e neurologista, com exames complementares sem etiologia definida. Demonstra calma e indiferença em relação à gravidade dos sintomas e seu discurso apresenta inconsistências. Nega sintomas depressivos ou ansiosos, com leve comprometimento do sono. Considerando esse quadro clínico, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O elemento decisivo é a inconsistência clínica/discursiva associada a sintoma motor sem etiologia definida.

Tema central: Transtorno de sintomas neurológicos funcionais
Análise das alternativas
A
Errada
Miastenia gravis é uma doença neuromuscular orgânica, com padrão típico de fatigabilidade e fraqueza flutuante. O enunciado não sustenta esse padrão e ainda traz exames sem etiologia definida e inconsistências do quadro/discurso, o que contraria a hipótese de uma doença neurológica específica como essa.
B
Errada
Pseudociese exige falsa crença ou convicção de gravidez associada a sinais e sintomas relacionados à gestação. Não há qualquer elemento de gravidez no caso, o que elimina objetivamente essa alternativa.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o quadro é de sintoma motor de aparência neurológica, com incapacidade funcional relevante, sem causa neurológica identificável nos exames já realizados e com elementos de inconsistência clínica/discursiva. Isso sustenta o transtorno de sintomas neurológicos funcionais. A indiferença diante da gravidade dos sintomas funciona como dado de apoio.
D
Errada
O medo de sair de casa não configura aqui um transtorno ansioso primário, porque ele aparece vinculado à possibilidade de piora dos sintomas motores. Além disso, a própria paciente nega sintomas ansiosos, e o predomínio fenomenológico do caso é neurológico funcional, não ansioso.
E
Errada
Hipocondria, no sentido de ansiedade de doença, pressupõe preocupação persistente em ter uma doença grave. No caso, não há preocupação excessiva com diagnóstico ou medo central de adoecer; há, ao contrário, apresentação de sintoma neurológico manifesto com relativa indiferença afetiva.
Pegadinha da questão
A confusão real era tomar o medo de sair de casa como prova de transtorno ansioso e, ao mesmo tempo, achar que o diagnóstico funcional se baseia só em exames normais. O que decide é o predomínio de sintoma neurológico funcional com inconsistência/incompatibilidade clínica.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o caso trouxer sintoma motor ou sensitivo de aparência neurológica, procure primeiro incompatibilidade ou inconsistência clínica com doença neurológica reconhecida.
  • Exames sem etiologia definida reforçam hipótese funcional, mas não bastam sozinhos para fechar o diagnóstico.
  • Se o medo ou a evitação aparecerem como reação ao sintoma principal, isso não autoriza diagnosticar transtorno ansioso primário.
  • Indiferença diante de sintoma grave é dado de apoio; não deve ser tratada como critério isolado ou obrigatório.

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