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Q3988976 Psiquiatria
Um homem de 65 anos dá entrada em unidade de pronto atendimento acompanhado de sua filha. Ela se queixa de que, há cerca de dois dias, o paciente está “estranho”, pois tem tido percepções que não são compartilhadas pelo restante da família, tais como ouvir vozes de pessoas que não estão presentes e ver bichos andando pelas paredes. Na entrevista, o paciente reclama de haver um fio enrolado em suas pernas e passa o tempo todo tentando desenrolá-lo. O fio é, no entanto, inexistente. A filha nega que ele tenha tido sintomas psiquiátricos previamente e nega comorbidades clínicas. Nega tabagismo ou uso de outras substâncias psicoativas. Nos últimos anos, faz uso de um litro de bebida destilada diariamente. A acompanhante diz, entretanto, que, há cerca de 2 dias, ele reduziu bastante o consumo, na tentativa de abandonar o vício. Ao exame, apresenta-se com mucosas hipocoradas, anictérico, acianótico, sudoreico, desorientado no tempo e no espaço, confuso e ansioso. Pressão arterial é de 150 x 96 mmHg, frequência cardíaca de 132 bpm e frequência respiratória de 24 irpm. Glicemia capilar (HGT): 77 mg/dl. Considerando o exposto, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a principal hipótese diagnóstica e a conduta terapêutica mais adequada. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O decisivo era reconhecer que a redução abrupta do álcool há cerca de 48 horas, em etilista crônico pesado, somada a desorientação, confusão, alucinações visuais e táteis e sinais de hiperatividade autonômica, configura delirium tremens e aponta para a alternativa com manejo em unidade clínica.

Tema central: Delirium tremens
Análise das alternativas
A
Errada
Erra a conduta principal. Embora o diagnóstico esteja correto, delirium tremens não tem como eixo terapêutico risperidona nem encaminhamento primário para unidade psiquiátrica; a base do tratamento é benzodiazepínico + tiamina + manejo em unidade clínica. Além disso, soro glicosado isoladamente não é a medida central do tratamento.
B
Errada
Erra a hipótese diagnóstica. O quadro não sustenta mania por transtorno bipolar nem simples desidratação, porque há relação temporal típica com redução abrupta do álcool, além de desorientação, confusão e sintomas perceptivos dentro de abstinência alcoólica grave. A presença de delirium/alteração do sensório afasta episódio maníaco primário como hipótese principal.
C
Certa
A alternativa C é a correta porque reúne, ao mesmo tempo, a hipótese diagnóstica compatível com o quadro e a conduta inicial adequada para abstinência alcoólica grave. O caso mostra compatibilidade clínico-temporal com delirium tremens: etilista crônico de alto consumo que reduziu bastante a ingesta há cerca de 2 dias e evoluiu com alteração do sensório, desorientação, confusão, alucinações visuais e táteis e hiperatividade autonômica. Nessa situação, a base terapêutica é benzodiazepínico, associado à tiamina e manejo em unidade clínica, com monitorização e suporte, e não tratamento psiquiátrico como eixo principal.
D
Errada
Erra o diagnóstico e o tratamento principal. Não se trata de transtorno psicótico agudo isolado induzido por álcool, porque o caso tem desorientação, confusão e hiperatividade autonômica, o que favorece delirium tremens. Haloperidol intramuscular e encaminhamento para unidade psiquiátrica não correspondem ao manejo principal da abstinência alcoólica grave.
E
Errada
Classifica erroneamente o quadro como abstinência leve. A presença de delirium, alucinações, desorientação e sinais autonômicos intensos, como sudorese, taquicardia e hipertensão, afasta forma leve. A conduta proposta é insuficiente e ainda direciona indevidamente o paciente para unidade psiquiátrica.
Pegadinha da questão
A confusão real era focar nas alucinações e chamar de psicose por álcool, ignorando o dado que define o caso: alteração do sensório com desorientação/confusão e disautonomia após redução abrupta do etanol.
Dica para questões semelhantes
  • Em etilista crônico que reduz abruptamente o consumo e, após cerca de 48 horas, apresenta confusão, desorientação, alucinações e sinais autonômicos, pense primeiro em delirium tremens.
  • Se há alteração global do estado mental, não trate como psicose isolada induzida por álcool.
  • Na abstinência alcoólica grave, o eixo inicial é benzodiazepínico, tiamina e suporte em unidade clínica; antipsicótico não substitui essa conduta.
  • Delirium tremens é emergência clínica potencialmente grave, portanto o destino inicial prioritário não é unidade psiquiátrica.

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