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Q1686571 Medicina
Um paciente de 18 anos de idade refere crises de angioedema recorrente, principalmente em face e nas extremidades, sem urticária associada e com ocorrência há vários anos, principalmente em locais de trauma. Relata várias idas ao pronto-socorro (PS) e tratamentos com anti-histamínicos e corticoides tanto por via oral quanto parenteral, mas sem melhora nenhuma; o edema melhora espontaneamente em cerca de 48 horas. Nega doenças prévias ou uso contínuo de medicações. Tem antecedente de laparotomia branca por quadro suspeito de apendicite. Informa que o irmão e duas tias têm o mesmo problema. Chega para avaliação por alergista com edema moderado em lábios após consulta de rotina com dentista, sem outras lesões de pele. O exame físico mostra-se sem outras alterações e, quanto aos sinais vitais, o paciente está afebril, com FC = 92 bpm, PA = 120 mmHg x 80 mmHg, FR = 16 irpm e SatO2 = 99%. A hipótese diagnóstica aventada pelo médico foi de angioedema hereditário (AEH).


Acerca desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir. 
A farmacoterapia do AEH é dividida em três modalidades: profilaxia em longo prazo, profilaxia em curto prazo e tratamento das crises. Em todas elas, a primeira escolha é pela utilização do icatibanto, antagonista competitivo e seletivo do receptor B2 da bradicinina.
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Tema central: A questão trata do tratamento farmacológico do Angioedema Hereditário (AEH), com foco em distinguir o uso correto do icatibanto entre as modalidades terapêuticas: tratamento de crises, profilaxia a curto prazo e profilaxia a longo prazo.

Justificativa para a alternativa correta ("Errado"):

Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde para AEH associado à deficiência de inibidor de C1-esterase:
“O icatibanto é indicado para o tratamento das crises agudas de AEH, sendo um antagonista seletivo do receptor B2 da bradicinina.”
Ou seja, o icatibanto não é utilizado nas profilaxias (nem curto nem longo prazo), estando restrito ao controle das crises agudas.

Para profilaxia, a escolha preferencial recai sobre:

  • Longo prazo: andrógenos atenuados (como danazol) ou concentrado de inibidor de C1-esterase humana (em situações específicas).
  • Curto prazo: administrado antes de procedimentos ou exposições a risco, especialmente com concentrado de C1-INH, para prevenção de crises desencadeadas por procedimentos.​

Portanto: a afirmativa está ERRADA porque a primeira escolha não é o icatibanto em todas as modalidades, mas apenas no tratamento das crises.

Análise de possíveis pegadinhas na questão:

  • Use atenção ao termo “todas elas” (profilaxia e crise): sinaliza abrangência errada do uso do icatibanto.
  • Desconfie de respostas que generalizam condutas específicas para todas as formas de apresentação clínica.

Evidências e referências:
Além do PCDT acima, diretrizes da World Allergy Organization (WAO) (2018) também recomendam icatibanto apenas para crises e não para profilaxias.

Resumo para revisão:
Crises agudas: icatibanto (primeira linha), concentrado de C1-INH, ecalantide.
Profilaxia curto/longo prazo: andrógenos atenuados, ácido tranexâmico, C1-INH (em casos definidos).
Icatibanto não previne crises futuras!

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Comentários

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A assertiva está errada. Embora o icatibanto seja um medicamento utilizado na terapia do Angioedema Hereditário (AEH) por ser um antagonista do receptor B2 da bradicinina, ele não é a primeira escolha em todas as modalidades de tratamento. O icatibanto é utilizado no tratamento agudo das crises de AEH, mas não na profilaxia de longo prazo ou de curto prazo. A terapêutica profilática de longo prazo para AEH pode envolver terapias com inibidores de C1 como a tranexâmica ou danazol. A profilaxia de curto prazo geralmente é realizada antes de procedimentos cirúrgicos ou dentários para prevenir crises de AEH, e os medicamentos utilizados podem incluir concentrados de inibidor de C1. Portanto, o icatibanto não é a primeira escolha de tratamento em todas as modalidades de farmacoterapia do AEH.

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