Os principais mecanismos associados à urticária crônica esp...

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Q1686563 Medicina
Uma paciente de 33 anos de idade, previamente hígida, refere que, há cerca de dois meses, vem apresentando placas avermelhadas elevadas muito pruriginosas disseminadas pelo corpo, que duram cerca de 12 horas a 14 horas e somem espontaneamente, sem deixar lesões residuais. Nas crises mais intensas, a paciente percebe os lábios e as pálpebras edemaciados, sendo que esse edema dura até 48 horas. Nega uso contínuo de medicações e nega doenças semelhantes nos familiares. Ao exame, apresenta leve edema em lábio inferior, além de placas polimórficas eritemato-elevadas difusas em tronco e membros, de bordos bem definidos, sem alteração na textura da pele. Constatam-se ausculta cardiopulmonar normal, FC = 98 bpm, FR = 20 irpm, PA = 120 mmHg x 80 mmHg e SatO2 = 98%.


Com relação a esse caso clínico e tendo em vista os conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir. 
Os principais mecanismos associados à urticária crônica espontânea são de natureza autoimune, e a confirmação de tal diagnóstico depende de positividade no teste de ativação de basófilos, no teste do soro autólogo e na detecção de anticorpos IgG anti-IgE ou anti-FceRI, que pode auxiliar na escolha do tratamento para cada paciente.
Alternativas

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Gabarito: E (Errado)

Tema central: Urticária Crônica Espontânea (UCE)

A questão aborda o diagnóstico da urticária crônica espontânea, quadro clínico caracterizado por placas urticariformes recorrentes e angioedema sem causa identificável, conforme relatado pela paciente. Os sintomas típicos são lesões pruriginosas que desaparecem em até 24 horas, acompanhadas, por vezes, de angioedema, como edema de lábios ou pálpebras, que pode durar até 48 horas.

Justificativa da alternativa correta:

A alternativa afirma que a confirmação diagnóstica da UCE depende da positividade em testes laboratoriais (como ativação de basófilos, teste do soro autólogo ou pesquisa de autoanticorpos IgG anti-IgE/anti-FcεRI).

Isto está incorreto. Segundo o Guia Prático da ASBAI (2024), o diagnóstico da UCE é preponderantemente clínico, baseado em uma história típica de lesões de urticária recorrente por mais de seis semanas, além de critérios clínicos, como ausência de lesões residuais e resposta variável ao tratamento com anti-histamínicos. Exames laboratoriais são solicitados apenas para descartar causas associadas ou avaliar comorbidades, não para confirmação de UCE.

Embora haja uma base autoimune em parte dos casos, a identificação de autoanticorpos ou positividade em testes de ativação de basófilos não é obrigatória para fechar o diagnóstico. A realização desses exames é reservada para casos selecionados, sobretudo quando há suspeita de doença autoimune associada, persistência ou refratariedade ao tratamento.

Análise crítica das alternativas:

Certo: Incorreto. Erro conceitual: o diagnóstico não depende desses testes, tampouco de marcadores laboratoriais específicos, sendo a abordagem centrada nos achados clínicos. Tais testes são complementares, não mandatórios.

Errado: Correto. O exame clínico e anamnese direcionada são a base diagnóstica, segundo os manuais da ASBAI e de grandes obras como Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Dicas para a prova:

  • Desconfie de afirmações que tornam exames complementares condição obrigatória para diagnóstico de doenças classicamente clínicas.
  • Palavras como “depende” e “sempre”, quando associadas a testes laboratoriais, costumam ser indícios de pegadinha.
  • Lembre-se: o protocolo brasileiro atual prioriza “exclusão de causas e avaliação clínica” na UCE.

Resumo: Os testes laboratoriais podem ser úteis na investigação, mas não são necessários para confirmar UCE. O diagnóstico é clínico.

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Comentários

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A afirmação é falsa. A urticária crônica espontânea é uma condição que dura seis semanas ou mais e seus mecanismos ainda não são totalmente compreendidos, mas sabe-se que não são todos autoimunes. De fato, uma parcela dos casos está relacionada à presença de autoanticorpos contra IgE ou o receptor de alta afinidade para IgE nos mastócitos e basófilos, mas isso não ocorre em todos os pacientes. Além disso, os testes mencionados, como o teste de ativação de basófilos, o teste do soro autólogo e a detecção de anticorpos IgG anti-IgE ou anti-FcεRI, ainda não são recomendados como rotina para o diagnóstico da urticária crônica espontânea. Isso se deve, principalmente, ao seu alto custo, à falta de disponibilidade em muitos centros e à ausência de correlação direta entre a positividade destes testes e a resposta ao tratamento. Portanto, embora esses testes possam ser úteis em algumas situações, não são critérios definitivos para o diagnóstico ou escolha do tratamento para a urticária crônica espontânea.

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