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Q2067647 Medicina
Mulher de 42 anos, previamente hígida, está no pós-operatório de mamoplastia redutora, em leito de semi-intensiva. Há cerca de 2 horas iniciou intensa dor próximo à incisão cirúrgica e foi realizada dipirona 1000 mg com morfina 10 mg, via endovenosa, com boa resposta analgésica. Você é chamado agora no plantão para reavaliá-la, pois a paciente está com dessaturação respirando em ar ambiente, segundo a técnica de enfermagem que percebeu essa alteração durante aferição regular dos sinais vitais. Exame físico: saturação periférica de O2 85%, frequência cardíaca 90 bpm, pressão arterial 120/76 mmHg, hipocorada 2+/4, com alguns roncos bilateralmente nas bases. Gasometria arterial: pO2 61 mmHg; pCO2 69 mmHg. Pouco antes do quadro atual foram colhidos exames gerais de admissão na UTI: hemoglobina 9,9 g/dL, Ddímero 1500 ng/mL, troponina normal. Eletrocardiograma e radiografia de tórax: sem alterações notáveis. Em relação ao diagnóstico, assinale a alternativa correta.
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Tema central: A questão aborda o diagnóstico diferencial da insuficiência respiratória aguda no pós-operatório, destacando sinais clínicos e gasométricos que sugerem hipoventilação induzida por opioides.

Alternativa correta: A) Insuficiência respiratória por hipoventilação

A paciente, após receber morfina e dipirona endovenosas no pós-operatório, evoluiu com hipoxemia (pO₂ 61 mmHg, SpO₂ 85%) e hipercapnia (pCO₂ 69 mmHg), além de certa sedação discreta, mas sem sinais de choque ou insuficiência cardíaca. Segundo o Protocolo de Insuficiência Respiratória Aguda do HUWC: “A hipoventilação, quando grave, pode causar redução na PaO₂ [...] juntamente com PaCO₂ > 50 mmHg”. Este quadro caracteriza insuficiência respiratória hipercápnica (tipo II) e está fortemente associado à depressão respiratória por opioides, conforme descrito na literatura (Revista Brasileira de Anestesiologia).

Análise das alternativas incorretas:

B) Tromboembolismo pulmonar: O TEP pode causar hipoxemia, mas comumente apresenta queda do CO₂ (hipocapnia) devido à hiperventilação compensatória. A ausência de achados radiográficos/eletrocardiográficos e contexto pós-analgésico tornam o diagnóstico improvável.

C) Metemoglobinemia: Cursa com hipoxemia e cianose sem resposta à oxigenoterapia, mas não provoca hipercapnia. Não é esperada após uso de morfina, nem está associada à cirurgia plástica ou dor aguda.

D) Cor anêmico: A paciente apresenta anemia leve (Hb 9,9 g/dL), mas a anemia isoladamente não justifica hipercapnia marcada nem quadro de insuficiência respiratória aguda. O diagnóstico central depende dos distúrbios gasométricos pós-opioide.

Dica de interpretação: Em provas, atente-se a situações em que exposições medicamentosas recentes antecedem rebaixamento da ventilação, especialmente pós-operatórios com opioides. O achado de hipercapnia acentuada direciona para hipoventilação!

Diretriz importante: Segundo o PCDT da Insuficiência Respiratória, “devem ser consideradas causas extra-pulmonares (como depressão do centro respiratório) em pacientes com elevação do CO₂ sem sinais de doença pulmonar primária”.

Resumo: O quadro clínico e laboratorial aponta inequívoca depressão respiratória secundária à hipoventilação induzida por opioide, justificando a alternativa A.

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Comentários

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A resposta correta é a alternativa A - Insuficiência respiratória por hipoventilação. A paciente apresenta uma queda na saturação de oxigênio, hipocromia e roncos bilaterais nas bases do pulmão, indicando uma possível insuficiência respiratória. Além disso, a gasometria arterial apresenta uma baixa pressão parcial de oxigênio (pO2) e uma pressão parcial de dióxido de carbono (pCO2) elevada, o que indica uma possível acidose respiratória secundária à hipoventilação. É importante avaliar as causas dessa insuficiência respiratória, como a presença de obstrução das vias aéreas, depressão do sistema respiratório por efeitos dos medicamentos ou outras possíveis alterações.

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