Diante do achado laboratorial de hipogamaglobulinemia, da a...

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Q1686543 Medicina
Um escolar de 8 anos de idade foi encaminhado pelo otorrinolaringologista para avaliação especializada. Faz seguimento em função de otites e sinusites de repetição desde os 2 anos de idade, com uso recorrente de antibioticoterapia e corticoterapia tópica nasal e oral. No último ano, apresentou cinco otites. Tem antecedente de crises de bronquite, mas, há três anos, está assintomático do ponto de vista pulmonar. Já teve quatro pneumonias tratadas em internação hospitalar, uma delas evoluiu com sepse e necessidade de drenagem torácica de empiema por pneumococo e ele foi internado em unidade de terapia intensiva (UTI) por quatro dias. Nega infecções de outros sistemas orgânicos. A última pneumonia ocorreu aos 4 anos de idade. Filho único de pais atópicos, não consanguíneos, ingressou na escola para alfabetização aos 6 anos de idade. Ao Exame físico, não há alterações dignas de nota, observando-se peso e estatura em z-score (-2). A tomografia de seios da face evidencia ausência de variações anatômicas, de pólipos ou de aumento de cornetos nasais. Hemograma completo não indica alterações para a idade.


Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir.  
Diante do achado laboratorial de hipogamaglobulinemia, da ausência de conversão vacinal para três antígenos e da quantificação periférica de linfócitos CD19 normal, conclui-se que o diagnóstico provável é hipogamaglobulinemia transitória da infância.
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Gabarito: E (Errado)

Tema central: O caso aborda imunodeficiências primárias, especificamente a diferença entre hipogamaglobulinemia transitória da infância (HTI) e defeitos imunológicos mais graves, como os que cursam com falha vacinal e infecções graves recorrentes.

Justificativa da resposta:
Segundo o Manual MSD e o PCDT do Ministério da Saúde, a HTI caracteriza-se por redução transitória de IgG, com resposta vacinal preservada. O caso citado apresenta falha de conversão vacinal para três antígenos e episódios graves de infecção (pneumonias graves, sepse, empiema), além de infecções de repetição além da faixa etária típica para HTI (normalização até 2 anos). Estes achados são incompatíveis com HTI e apontam para uma imunodeficiência primária persistente e mais grave, como uma Agamaglobulinemia ou uma Imunodeficiência Comum Variável (ICV).

Por que as alternativas estão incorretas ou inadequadas:

  • Marcar como "certo" é incorreto porque segundo o PCDT/Ministério da Saúde, pág. 19: “A HTI geralmente apresenta-se com infecções leves, melhora espontânea e resposta vacinal normal”. No caso, além das infecções serem intensas e de repetição, existe perda de resposta vacinal.
  • O diagnóstico de HTI seria aceitável apenas em crianças menores, com quadro clínico leve e resposta vacinal íntegra. Portanto, pela idade (8 anos), gravidade das infecções e perfil laboratorial, não é compatível com HTI.

Dica para concursos: Fique atento a detalhes como persistência dos sintomas, gravidade das infecções e resposta vacinal. Sempre compare com os critérios oficiais presentes em protocolos clínicos e obras de referência como Nelson e Manual MSD, e desconfie da HTI se houver infecções graves ou falha vacinal pós 2 anos de idade.

Em resumo, a hipogamaglobulinemia transitória é benigna, autolimitada e com resposta vacinal normal. O quadro do paciente exige investigação de outras imunodeficiências primárias.

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Comentários

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A questão está errada porque a hipogamaglobulinemia transitória da infância se caracteriza por uma diminuição temporária dos níveis de imunoglobulina, que ocorre em crianças geralmente entre 3 a 24 meses e tende a se normalizar entre 2 a 6 anos de idade. O caso apresentado é de um escolar de 8 anos de idade, que está fora da faixa etária comum para essa condição. Além disso, a hipogamaglobulinemia transitória da infância geralmente não causa infecções graves como a pneumonia que levou o paciente à UTI. O quadro clínico do paciente, com infecções recorrentes de ouvido e sinusite, e uma história de várias pneumonias graves, indica um possível problema de imunidade mais sério do que a hipogamaglobulinemia transitória da infância. Portanto, o diagnóstico provável não é hipogamaglobulinemia transitória da infância.

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