Há forma verbal na voz passiva e pleno atendimento às regras...

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Q930876 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Um século de cinema*



    Os cem anos do cinema parecem ter a forma de um ciclo de vida: um nascimento inevitável, o contínuo acúmulo de glórias, na última década, o início de um declínio irreversível e degradante. Isso não significa que não haverá filmes novos dignos de se admirar. Mas tais filmes serão mais que exceções: eles terão de ser heroicas violações das normas e dos procedimentos que hoje regem a produção cinematográfica em toda parte no mundo capitalista e em vias de se tornar capitalista – vale dizer, em toda parte.
    Filmes comuns, feitos tão somente para fins de entretenimento (ou seja, comerciais), continuarão a ser espantosamente tolos; a vasta maioria já não consegue deixar de apelar de forma clamorosa para o seu público, cinicamente visado. Enquanto a finalidade de um grande filme é, hoje, mais que nunca, ser uma proeza única, o cinema comercial instituiu para si uma política de produção cinematográfica inchada, derivativa, uma descarada arte combinatória, na esperança de reproduzir sucessos do passado. Todo filme que espera alcançar o maior público possível é planejado como uma forma de reprodução. O cinema, outrora anunciado como a arte do século XX, parece hoje uma arte decadente.

*Excerto de ensaio escrito pela pensadora norte-americana em 1983.

(SONTAG, Susan. Questão de ênfase. Trad. de Rubens Figueiredo. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 115 e p. 161)
Há forma verbal na voz passiva e pleno atendimento às regras de concordância na frase:
Alternativas

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Tema central da questão: A questão aborda morfologia verbal, exigindo identificação de forma verbal na voz passiva e verificação de correta concordância verbal conforme a norma-padrão.

Comentário da alternativa correta – D:
Em “A arte cinematográfica contemporânea é vista pela autora como um produto cujos parâmetros se confundem com os do mercado mais descarado.”, temos:

  • Voz passiva analítica: “é vista” (verbo ser + particípio “vista”). O sujeito “A arte cinematográfica contemporânea” recebe a ação, preenchendo o critério da passiva.
  • Concordância verbal: O verbo “é” está no singular, concordando corretamente com o sujeito singular. (Regra: o verbo concorda com o núcleo do sujeito – “A arte…” é/foi/vista…)

Segundo Cunha & Cintra, “a voz passiva analítica exige auxiliar ‘ser’ e particípio, com concordância plena entre verbo e sujeito paciente”. Portanto, alternativa D está em perfeita conformidade com a norma.

Análise das alternativas incorretas:

A) “Falta, em nossos dias, qualidades…” – Erro de concordância: é qualidades (plural), deveria ser “faltam”. Além disso, não há voz passiva.

B) “Faltam por vezes o necessário senso crítico…” – O verbo “faltam” deveria estar no singular (o necessário senso crítico), configurando erro de concordância. Sem voz passiva.

C) “Parecem... o número de pessoas” – Sujeito é o número (singular), logo, correto é “parece”. Erro frequente em concursos: pessoas muitas vezes confundem número de + substantivo plural com sujeito no plural. Sem voz passiva.

E) “Não haveria quem imaginassem…” – Quem é sempre singular, então seria “imaginasse”. Falta de concordância e ausência de voz passiva.

Pegadinha frequente: Fique atento! Ao procurar voz passiva, busque verbo “ser” + particípio ou pronomes apassivadores (“se”).

Resumo prático: Uma frase só está correta nesta questão se trouxer voz passiva e concordância plena. Lembre-se: o verbo “ser” seguido do particípio marca a passiva analítica, e deve concordar com o núcleo do sujeito.

Referência: Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo; Bechara, Moderna Gramática Portuguesa.

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Comentários

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adriana campi,  "Por que = por qual" se equivalem

O erro da letra A não seria este: falta(m), em nossos dias, qualidades que pudessem ganhar nossa...?

O "por que" poderia ser trocado por "por qual motivo", uma vez que são equivalentes..

 

d) A arte cinematográfica contemporânea é vista pela autora como um produto cujos parâmetros se confundem com os do mercado mais descarado.

Alguém poderia me mostrar qual o erro da opção E?

Sobre o comentário do colega, a referência dele está incorreta, observem:

b) Às pessoas a quem o cinema comercial se dirige faltam por vezes o necessário senso crítico para reagirem às bobagens que se lhes oferece.

(às bobagens que oferecem)

Não se refere "às bobagens", pois esse constitui objeto direto de "oferecem", que, no caso, o pronome relativo "que".

O real objeto indireto de "oferecem" seria "às pessoas".

Oferece algo: As bobagens (que)

A alguém: Às pessoas.

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Por isso a B está incorreta.

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