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Q1686527 Medicina
Um lactente de 8 meses de vida chega ao serviço de emergência com quadro de lesões urticariformes em face e tronco, angioedema de pálpebra direita e lábios, vômito seguido de tosse seca, rouquidão e agitação motora, de início súbito há 20 minutos, cerca de 10 minutos após o almoço. Na refeição, ingeriu chuchu, batata inglesa, cenoura, arroz e ovo mexido. Já estava habituado ao consumo desses alimentos, mas, há uma semana, apresentou bolinhas avermelhadas e pruriginosas no rosto e no corpo após ingerir ovo cozido no almoço, que melhoraram após cerca de 20 minutos com banho. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, corado, hidratado, afebril, eupneico, acianótico, com tosse seca repetitiva e rouquidão leve, sem estridor, choroso e irritado. Constatam-se MVF sem RA, FR = 41 irpm, SatO2 = 96% em ar ambiente, BRNF sem sopros, hemodinamicamente estável, abdome inocente, ativo e reativo, sem sinais meníngeos.


Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir. 
Caso a criança se estabilize na primeira hora após a admissão na emergência, é indicado alta do serviço de emergência com seguimento de tratamento domiciliar.
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Tema central: A questão aborda a conduta e critérios de alta hospitalar após episódio de anafilaxia em pediatria.

Análise clínica: O quadro apresentado pelo lactente (urticária, angioedema, vômitos, tosse seca, rouquidão) é altamente sugestivo de anafilaxia — uma reação alérgica aguda e potencialmente fatal, predominante em crianças após ingestão alimentar. Anafilaxia pode se manifestar em dois episódios: inicial e outro horas depois, fenômeno denominado reação bifásica.

Justificativa da alternativa correta — “E) Errado”: Mesmo após estabilização clínica, não se recomenda alta imediata. Diretrizes, como a da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) e do Guia de Anafilaxia Pediátrica do Hospital Israelita Albert Einstein, indicam:

  • Observação hospitalar por 4 a 6 horas nos casos leves, para vigilância de possíveis reações bifásicas;
  • Manutenção por 24 horas em quadros graves ou sintomáticos após primeira dose de adrenalina.

Por que não se pode dar alta precoce? O fenômeno da reação bifásica acontece em até 10% dos casos, podendo surgir após melhora clínica aparente. A criança necessita de monitoramento médico para detecção precoce de recorrência dos sintomas e manejo imediato.

Trecho das diretrizes: “Os casos graves devem permanecer 24 horas em observação intra-hospitalar, já os leves de 4-6 horas são suficientes.” (SPSP)

Análise da alternativa incorreta – “C) Certo”: Alta precoce, mesmo após melhora no serviço de emergência, contraria evidências científicas e protocolos, pois:

  • Desconsidera a possibilidade de piora/recrudescência dos sintomas;
  • Pode colocar pacientes pediátricos em risco sem suporte imediato.

Estratégia de prova: Fique atento às palavras-chave como “estabilizar na primeira hora” ou “alta imediata”, que geralmente indicam pegadinha, já que protocolares exigem período de observação.

Resumo fundamental: Uma vez estabilizada a anafilaxia, observe o tempo mínimo hospitalar estabelecido em diretrizes. Alta precoce não é conduta segura nem recomendada em pediatria.

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Comentários

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A resposta correta é que este item está errado. O quadro clínico descrito no texto indica Anafilaxia alimentar, que é uma reação alérgica grave e pode ser fatal. A anafilaxia requer atendimento médico imediato e monitoramento após o episódio, pois os sintomas podem reaparecer. Mesmo que o lactente se estabilize na primeira hora após a admissão na emergência, a alta hospitalar não é indicada. Isso ocorre porque a Anafilaxia é uma condição que pode reaparecer horas após o primeiro episódio, mesmo sem uma nova exposição ao alergênio. Ademais, é necessário uma investigação cuidadosa para identificar o alergênio (neste caso, possivelmente o ovo), para que possa ser evitado no futuro. Portanto, o seguimento do tratamento e monitoramento não deve ser apenas domiciliar, e sim, também hospitalar.

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