Quem não gosta de fotos antigas, não busque essas fotos nos ...
Quem folheia um daqueles velhos álbuns de fotografias
logo nota que as pessoas fotografadas prepararam-se longamente
para o registro solene. As roupas são formais, os corpos
alinham-se em simetria, os rostos adotam uma expressão sisuda.
Cada foto corporifica um evento especial, grava um momento
que aspira à eternidade. Parece querer garantir a imortalidade
dos fotografados. Dificilmente alguém ri nessas fotos:
sobra gravidade, cerimônia, ou mesmo uma vaga melancolia.
Nada mais opostos a esse pretendido congelamento do
tempo do que a velocidade, o improviso e a multiplicação das
fotos de hoje, tiradas por meio de celulares. Todo mundo fotografa
tudo, vê o resultado, apaga fotos, tira outras, apaga, torna
a tirar. Intermináveis álbuns virtuais desaparecem a um toque
de dedo, e as pouquíssimas fotografias eventualmente salvas
testemunham não a severa imortalidade dos antigos, mas a
brincadeira instantânea dos modernos. As imagens não são feitas
para durar, mas para brilhar por segundos na minúscula tela
e desaparecer para sempre.
Cada época tem sua própria concepção de tempo e sua
própria forma de interpretá-lo em imagens. É curioso como em
nossa época, caracterizada pela profusão e velocidade das
imagens, estas se apresentem num torvelinho temporal que as
trata sem qualquer respeito. É como se a facilidade contemporânea
de produção e difusão de imagens também levasse a
crer que nenhuma delas merece durar mais que uma rápida
aparição.
(Bernardo Coutinho, inédito)
Evitam-se as viciosas repetições do texto acima substituindo- se os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
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Gabarito comentado
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Gabarito: E
Fundamento decisivo: A questão se resolve pela substituição pronominal com preservação da função sintática e da regência no trecho “não busque essas fotos nos velhos álbuns, nesses velhos álbuns nos quais nossos avós colecionavam aquelas fotos”: “essas fotos” e “aquelas fotos” são objetos diretos, logo devem ser retomados por “as”; já “nesses velhos álbuns nos quais” deve manter a relação preposicionada do relativo, o que a alternativa E faz por “em que”.
- Antes de substituir, identifique a função sintática do termo retomado: objeto direto pede “o, a, os, as”, não “lhes”.
- Em pronomes relativos, preserve a preposição já exigida pela estrutura original: “nos quais” pode corresponder a “em que”.
- Não trate “aonde” como sinônimo geral de “onde” ou “em que”; verifique se há ideia real de movimento.
- Se a alternativa acerta um segmento, confira os outros: uma única troca de função sintática já invalida toda a sequência.
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Comentários
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O erro da letra E reside no fato de que o pronome corre é ONDE, e não, AONDE, pois "nesses velhos álbuns" remonta a ideia de lugar fixo.
BIZU:
Quando não tiver certeza se se trata mesmo de lugar, substitua "onde" por "em que".
LUGAR EM QUE
O relativo onde pressupõe "o lugar onde", o que pode ser dito igualmente como "o lugar em que". Façamos a confirmação com os mesmos exemplos:
- Nasci onde nasceste = Nasci no lugar onde nasceste = Nasci no lugar em que nasceste.
- Todos procuram saber onde a Vera Fischer está = Todos procuram sabero lugar onde a Vera está = Todos procuram saber o lugar em que a Vera está.
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