Quem não gosta de fotos antigas, não busque essas fotos nos ...

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Q24185 Português
Velocidade das imagens

Quem folheia um daqueles velhos álbuns de fotografias
logo nota que as pessoas fotografadas prepararam-se longamente
para o registro solene. As roupas são formais, os corpos
alinham-se em simetria, os rostos adotam uma expressão sisuda.
Cada foto corporifica um evento especial, grava um momento
que aspira à eternidade. Parece querer garantir a imortalidade
dos fotografados. Dificilmente alguém ri nessas fotos:
sobra gravidade, cerimônia, ou mesmo uma vaga melancolia.
Nada mais opostos a esse pretendido congelamento do
tempo do que a velocidade, o improviso e a multiplicação das
fotos de hoje, tiradas por meio de celulares. Todo mundo fotografa
tudo, vê o resultado, apaga fotos, tira outras, apaga, torna
a tirar. Intermináveis álbuns virtuais desaparecem a um toque
de dedo, e as pouquíssimas fotografias eventualmente salvas
testemunham não a severa imortalidade dos antigos, mas a
brincadeira instantânea dos modernos. As imagens não são feitas
para durar, mas para brilhar por segundos na minúscula tela
e desaparecer para sempre.

Cada época tem sua própria concepção de tempo e sua
própria forma de interpretá-lo em imagens. É curioso como em
nossa época, caracterizada pela profusão e velocidade das
imagens, estas se apresentem num torvelinho temporal que as
trata sem qualquer respeito. É como se a facilidade contemporânea
de produção e difusão de imagens também levasse a
crer que nenhuma delas merece durar mais que uma rápida
aparição.

(Bernardo Coutinho, inédito)
Quem não gosta de fotos antigas, não busque essas fotos nos velhos álbuns, nesses velhos álbuns nos quais nossos avós colecionavam aquelas fotos com todo o amor.
Evitam-se as viciosas repetições do texto acima substituindo- se os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A questão se resolve pela substituição pronominal com preservação da função sintática e da regência no trecho “não busque essas fotos nos velhos álbuns, nesses velhos álbuns nos quais nossos avós colecionavam aquelas fotos”: “essas fotos” e “aquelas fotos” são objetos diretos, logo devem ser retomados por “as”; já “nesses velhos álbuns nos quais” deve manter a relação preposicionada do relativo, o que a alternativa E faz por “em que”.

Tema central: substituição pronominal
Análise das alternativas
A
Errada
Erra em dois pontos centrais. “busque a elas” troca objeto direto por pronome tônico preposicionado, inadequado para substituir “essas fotos” no padrão exigido. Além disso, “em cujos” não serve aqui, porque “cujo” não tem valor locativo simples e exige relação de posse com estrutura própria, que não é a do trecho.
B
Errada
Acerta os objetos diretos em “as busque” e “as colecionavam”, mas erra o relativo: “aonde” é impróprio nesse contexto, porque a relação é locativa estática, vinculada a “em álbuns”, sem ideia de movimento para destino. A preservação correta da estrutura é “em que”.
C
Errada
O problema decisivo está no uso de “lhes” em “lhes busque” e “colecionavam-lhes”. No trecho, tanto “essas fotos” quanto “aquelas fotos” são objetos diretos, e “lhes” é pronome de objeto indireto. Mesmo com “nos quais” correto, a alternativa cai pelo erro de função sintática dos pronomes.
D
Errada
Repete o erro de “busque a elas”, inadequado para substituir objeto direto, e volta a errar no último segmento com “lhes colecionavam”, embora “aquelas fotos” seja objeto direto. Ainda que “onde” possa sugerir valor locativo, a alternativa já está invalidada pelos erros pronominais.
E
Certa
A alternativa E mantém, ao mesmo tempo, os três pontos exigidos pela estrutura do trecho. Primeiro, retoma “essas fotos” com “as”, porque o termo exerce função de objeto direto de “buscar”. Depois, substitui “nesses velhos álbuns nos quais” por “em que”, preservando a preposição “em” e a retomada relativa de “velhos álbuns”. Por fim, retoma “aquelas fotos” por “as”, porque esse termo é objeto direto de “colecionavam”. A sequência, portanto, elimina a repetição sem alterar função sintática nem regência.
Pegadinha da questão
A banca explora confusões clássicas de morfossintaxe: usar “lhes” para retomar objeto direto, aceitar “a elas” no lugar de pronome oblíquo átono e trocar o relativo com preposição por formas inadequadas como “aonde” e “cujo”.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de substituir, identifique a função sintática do termo retomado: objeto direto pede “o, a, os, as”, não “lhes”.
  • Em pronomes relativos, preserve a preposição já exigida pela estrutura original: “nos quais” pode corresponder a “em que”.
  • Não trate “aonde” como sinônimo geral de “onde” ou “em que”; verifique se há ideia real de movimento.
  • Se a alternativa acerta um segmento, confira os outros: uma única troca de função sintática já invalida toda a sequência.

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Comentários

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O erro da letra E reside no fato de que o pronome corre é ONDE, e não, AONDE, pois "nesses velhos álbuns" remonta a ideia de lugar fixo.

BIZU:

Quando não tiver certeza se se trata mesmo de lugar, substitua "onde" por "em que".

LUGAR EM QUE

O relativo onde pressupõe "o lugar onde", o que pode ser dito igualmente como "o lugar em que". Façamos a confirmação com os mesmos exemplos:

  • Nasci onde nasceste = Nasci no lugar onde nasceste = Nasci no lugar em que nasceste.
  • Todos procuram saber onde a Vera Fischer está = Todos procuram sabero lugar onde a Vera está = Todos procuram saber o lugar em que a Vera está.

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