É necessária a solicitação de ecocardiograma para avaliar a...

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Q1686500 Medicina
Considere um recém-nascido (RN) do sexo masculino, com 24 horas de vida, nascido de parto vaginal, a termo, com peso ao nascer de 3.335 g, Apgar 9, no 1° minuto e 10, no 5° . Durante o exame físico, o pediatra nota uma musculatura abdominal muito flácida, com a pele dessa região enrugada, aparência de “ameixa seca”, em batráquio. Apresenta aparelho cardiopulmonar normal, genitália masculina com ambos os testículos criptorquídicos. FR = 50 irpm, FC = 120 bpm e SatO2 = 98%. O RN evoluiu com retenção urinária e aumento das escórias renais.


Acerca desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir.  
É necessária a solicitação de ecocardiograma para avaliar anomalias cardíacas que estão presentes em 10% dos casos.
Alternativas

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Tema central: A questão aborda a Síndrome de Prune-Belly (SPB), rara condição congênita caracterizada por:
1. Ausência ou deficiência da musculatura abdominal, resultando em pele enrugada (“ameixa seca”);
2. Anomalias do trato urinário (ex: retenção urinária, hidronefrose);
3. Criptorquidia bilateral (testículos não descidos).
Outras malformações podem ocorrer, porém a tríade acima é fundamental para o diagnóstico.

Justificativa da alternativa correta:
A afirmação analisa a necessidade rotineira de ecocardiograma pelo risco de anomalias cardíacas na SPB, alegando prevalência de 10%. Essa informação é INCORRETA. As melhores evidências (ex: revisão de 534 casos) apontam que a prevalência real de anomalias cardíacas é bem menor, em torno de 2-3%. Portanto, não se justifica solicitar ecocardiograma apenas por suspeita de SPB, exceto se houver sinais clínicos de cardiopatia (cianose, sopro, instabilidade hemodinâmica).

Análise crítica da alternativa incorreta:
A alternativa está errada porque:

  • Superestima o risco de cardiopatias em SPB, citando 10%, valor não respaldado na literatura médica.
  • Aplica conduta imprecisa: exames complementares devem ser individualizados e guiados por achados clínicos. Protocolos de triagem universal com base em prevalência não sustentada só elevam custos e sobrecarregam o sistema de saúde.
Exemplo: Segundo Nelson Tratado de Pediatria (21ª edição, capítulo 571), “cardiopatias congênitas ocorrem em uma minoria dos casos de síndrome de Prune-Belly, razão pela qual o rastreio universal não é indicado...”.

Dicas para a prova:
Preste atenção: números exagerados ou genéricos (“10%”, “sempre”, “todos”) sem respaldo epidemiológico são comuns como pegadinhas em concursos!

Resumo – Diretriz:
Não se solicita ecocardiograma rotineiramente em todo RN com SPB. A indicação deve ser clínica e individualizada.

Gabarito: E (Errado)

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Comentários

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A afirmação está errada. Neste caso clínico, o exame físico do recém-nascido revelou um aparelho cardiopulmonar normal, ou seja, não há indicações ou sintomas que justifiquem a necessidade de um ecocardiograma para avaliar possíveis anomalias cardíacas. Apesar de ser verdadeiro que 10% dos casos de recém-nascidos podem apresentar algum tipo de anomalia cardíaca, a conduta médica deve sempre ser baseada nos achados clínicos do paciente em questão. Assim, mesmo que exista uma porcentagem de risco, não é indicada a realização do ecocardiograma sem sintomas ou sinais clínicos que o justifiquem. Vale salientar que toda intervenção médica deve levar em conta a relação risco-benefício para o paciente.

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