CÉREBRO SARADO: OS EFEITOS DO
EXERCÍCIO FÍSICO NA SAÚDE CEREBRAL
“Malhar o cérebro” vai além de apenas realizar
ações que enriquecem o intelecto. Fazer atividades
físicas pode oferecer inúmeros benefícios para a
mente. Isso vale não apenas para exercícios
realizados na academia, parques e praias, mas até
mesmo em aulas práticas on-line. Segundo a Dra.
Andrea Deslandes, professora do Instituto de
Psiquiatria e do Programa de Pós-Graduação em
Psiquiatria e Saúde Mental (PROPSAM) da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), essas
ferramentas que demandam a execução de
movimentos em conjunto com uma maior
necessidade de raciocínio, ou seja, que exigem uma
dupla tarefa, têm se mostrado especialmente boas
para o funcionamento cerebral. Mas outros exercícios
também são benéficos para o cérebro. É o caso de
atividades aeróbicas que envolvem movimentos
cíclicos e repetitivos, como caminhada, corrida e
andar bicicleta, e atividades ao ar livre, práticas
aquáticas e até treinamento de força.
Cérebro e exercício estão associados. A
atividade física faz os músculos se contraírem
diversas vezes. Estudos indicam que essas contrações
estimulam a produção de substâncias importantes
para a saúde. “De alguma forma, o músculo produz
substâncias chamadas de miocinas, que são citocinas,
ou seja, proteínas excretadas por células. Elas
favorecerão o funcionamento do cérebro, por
exemplo, criando novos circuitos (neuroplasticidade)
e novos vasos sanguíneos cerebrais”, explica a
profissional. Entre as miocinas, há aquelas que estão
associadas à formação de novos neurônios, que são as
células que compõem o cérebro. Eles são formados
principalmente no hipocampo, área cerebral que está
associada a diferentes funções, entre elas, a memória
e os sentimentos. Outra miocina produzida durante a
prática de exercício físico é a irisina. Estudos em
animais revelam que a irisina melhora a comunicação
entre os neurônios, protege o cérebro contra a perda
da capacidade de armazenar informações e também
parece ajudar a restaurar a memória perdida.
Ademais, o exercício físico atua ainda na
modulação de neurotransmissores, substâncias que
atuam como mensageiros químicos produzidos por
neurônios. “Neurotransmissores como dopamina,
noradrenalina e serotonina, que são aumentados
durante o exercício físico, regulam sono, apetite,
prazer, humor, o que pode justificar como a atividade
física também é capaz de aumentar a motivação e a
atenção”, explicou a Dra. Andrea, que é graduada em
educação física, mestre e doutora em saúde mental.
Os efeitos do exercício se estendem também às
estruturas cerebrais. A Dra. Andrea explicou que,
além do hipocampo, há impactos positivos no corpo
estriado, importante área do circuito motor, e no
córtex pré-frontal, região que está relacionada ao
humor, ao afeto e também às funções executivas.
“Entre as funções executivas, estão o controle
inibitório, a memória operacional e a flexibilidade
cognitiva, habilidades muito importantes para o
convívio em sociedade. O exercício físico vai
modular essa área e também vai beneficiar essas
funções”, explicou a professora. Além disso, o córtex
pré-frontal é uma das primeiras regiões a sofrer perda
neuronal com o envelhecimento, mas o exercício
consegue reduzir a velocidade desse declínio.
Segundo a médica, o exercício físico,
principalmente de intensidade moderada, melhora o
desempenho, por exemplo, das funções cognitivas, ou
seja, percepção, atenção, memória, linguagem,
funções executivas e aprendizagem. Melhora ainda o
humor, reduz a ansiedade e possui um papel protetor
com relação aos transtornos mentais e ao declínio
cognitivo. “Ele também pode servir como uma terapia
adicional no tratamento de transtornos mentais, sendo
que atualmente os estudos mostram a maior evidência
na prevenção e no tratamento dos transtornos
depressivos”, destacou, lembrando que a literatura
também tem apontado benefício no tratamento de
demências, como Alzheimer, nos transtornos de
ansiedade, no transtorno do déficit de atenção com
hiperatividade (TDAH) e no transtorno do espectro
autista (TEA).
Os benefícios da combinação cérebro e
exercício atingem desde crianças até idosos. “Essa é
uma questão que precisa ser trabalhada na sociedade
desde a infância, desde a escola para que as atividades
sejam inclusivas, prazerosas”, destacou a Dra.
Andrea.
Disponível em: <https://www.invivo.fiocruz.br/saude/cerebroe-exercicio/ >. Adaptado. Acesso em: 24 de out. de 2025.
O uso do acento indicativo de crase está CORRETO
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