Dario vem apressado, guarda-chuva no braço
esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o passo
até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega,
senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. Descansa na
pedra o cachimbo.
Dois ou três passantes à sua volta indagam se
não está bem. Dario abre a boca, move os lábios, não se
ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve
sofrer de ataque.
[...]
A última boca repete. Ele morreu, ele morreu. A
gente começa a se dispersar. Dario levou duas horas para
morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos
que alcançam vê-lo, todo o ar de um defunto.
Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para
lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não
consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu.
Apenas um homem morto e a multidão se espalha, as
mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores
com almofadas para descansar os cotovelos.
Um menino de cor e descalço vem com uma vela,
que acende ao lado do cadáver. Parece morto há muitos
anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.
Fecham-se uma __ uma as janelas. Três horas
depois, lá está Dario __ espera do rabecão. A cabeça
agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem __ aliança. O toco de vela apaga-se __ primeiras gotas da chuva,
que volta ___ cair.
(trecho do conto Uma vela para Dario, de Dalton Trevisan)
Assinale a alternativa que preenche, correta e
respectivamente, as lacunas do último parágrafo do texto
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