R.A.M., homem de 65 anos, submetido a revascularização femor...

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Q3995545 Medicina
R.A.M., homem de 65 anos, submetido a revascularização femoropoplítea com prótese sintética há 4 meses, apresenta febre, calafrios e dor intensa em membro inferior direito. Ao exame físico, há rubor, calor local e saída de secreção purulenta pela ferida operatória. Hemoculturas foram colhidas, e o paciente encontra-se hemodinamicamente instável, com sinais de sepse. De acordo com as diretrizes de 2020, qual é a conduta prioritária indicada neste caso? Assinalar a melhor alternativa entre as proposições abaixo.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Pela diretriz ESVS 2020 e pelo princípio de controle de foco em infecção associada a prótese, a presença de prótese vascular sintética com secreção purulenta, sinais flogísticos locais e sepse com instabilidade hemodinâmica caracteriza infecção protética grave que exige antibiótico empírico de amplo espectro e remoção cirúrgica urgente do enxerto infectado.

Tema central: Infecção de enxerto vascular
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inverte a prioridade clínica. Em paciente com sepse e instabilidade hemodinâmica por provável infecção protética, repetir hemoculturas em 48 horas não substitui antibiótico imediato nem controle de foco. As hemoculturas têm papel diagnóstico e devem ser colhidas antes do antibiótico quando isso não atrasa a terapia, mas não justificam adiar a remoção do enxerto infectado.
B
Errada
Está errada porque trata o quadro como infecção superficial de ferida, quando o enunciado aponta para infecção profunda associada à prótese: secreção purulenta sobre enxerto vascular, sinais flogísticos importantes, febre, calafrios e sepse. Curativo e observação não controlam foco infeccioso em material protético e são inadequados em contexto de instabilidade hemodinâmica.
C
Errada
Está errada por dois motivos médicos objetivos: manter o enxerto infectado contraria o princípio de controle de foco em sepse associada a prótese, e antifúngico empírico isolado não é a conduta inicial padrão nesse cenário. A base sustenta cobertura antibacteriana de amplo espectro imediata e remoção urgente do material infectado, não preservação da prótese com terapia antifúngica isolada.
D
Certa
A alternativa D é a única que atende ao critério decisivo do caso: sepse em provável infecção de enxerto vascular protético. A diretriz ESVS 2020 sustenta terapia antimicrobiana intensiva inicial com antibióticos de amplo espectro e, na maioria dos casos, remoção do material protético infectado com desbridamento. Isso é especialmente importante porque a prótese sintética infectada pode manter foco persistente por biofilme, o que torna inadequado esperar resposta a medidas conservadoras isoladas.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre infecção superficial de ferida operatória e infecção de enxerto vascular. O contexto protético somado à sepse e à instabilidade hemodinâmica muda completamente a conduta: a prioridade deixa de ser observação ou investigação seriada e passa a ser antibiótico imediato com controle cirúrgico do foco.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver prótese vascular, secreção purulenta e sinais sistêmicos, pense em infecção protética até prova em contrário, não apenas em infecção superficial da ferida.
  • Em sepse com instabilidade hemodinâmica, hemocultura ajuda, mas não pode atrasar antibiótico nem controle de foco.
  • Material protético infectado sugere biofilme; por isso, medidas conservadoras isoladas costumam ser inadequadas em quadro grave.
  • Quando a questão citar diretriz específica, use o critério formal dela: antibiótico de amplo espectro na fase aguda e remoção do enxerto infectado na maioria dos casos.

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