M.F.A., mulher de 76 anos, diabética e hipertensa, procura ...

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Q3995541 Medicina
M.F.A., mulher de 76 anos, diabética e hipertensa, procura atendimento por dor intensa em repouso no pé esquerdo há 2 semanas, que piora à noite. Apresenta lesão ulcerada no hálux esquerdo com sinais de necrose seca. ITB: 0,38. Exame físico revela ausência de pulsos distais. Duplex scan demonstra oclusão da artéria femoral superficial à esquerda. Está em uso de estatina e AAS. Segundo a diretriz ACC/AHA 2024, qual é a abordagem prioritária para essa paciente? Assinalar a melhor alternativa entre as proposições abaixo.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Dor isquêmica em repouso há 2 semanas, úlcera com necrose seca, ITB 0,38, ausência de pulsos distais e oclusão da artéria femoral superficial configuram CLTI. Pela diretriz ACC/AHA 2024, pacientes com CLTI devem ser avaliados para revascularização para prevenir perda do membro, o que torna a alternativa A a correta.

Tema central: CLTI e revascularização
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o quadro não é de claudicação estável nem de manejo apenas clínico: há dor em repouso associada a perda tecidual isquêmica e doença oclusiva objetiva, caracterizando CLTI. Nesse cenário, a diretriz ACC/AHA 2024 estabelece que todos os pacientes devem ser avaliados para revascularização, e que a revascularização deve ser utilizada para prevenir perda do membro. Esse é o objetivo terapêutico prioritário no caso.
B
Errada
Está errada porque tratamento clínico isolado não responde à ameaça imediata ao membro na CLTI. A paciente já usa AAS e estatina, e aumentar estatina pode integrar prevenção cardiovascular secundária, mas não corrige a hipoperfusão grave evidenciada por dor em repouso, necrose seca, ITB 0,38 e oclusão arterial. O critério decisivo aqui é salvamento do membro por restauração de fluxo.
C
Errada
Está errada porque necrose seca, por si só, não indica antibiótico empírico. O enunciado não descreve sinais clínicos de infecção local ou sistêmica. O problema central é isquemia arterial crítica do membro, não infecção demonstrada. Dar antibiótico e observar evolução deixaria sem tratamento a causa determinante da perda tecidual, que é a hipoperfusão.
D
Errada
Está errada porque amputação digital como medida inicial ignora a prioridade de salvamento do membro por revascularização quando há possibilidade de restaurar fluxo. Além disso, remover tecido sem corrigir a perfusão compromete a cicatrização e pode ampliar a perda tecidual. Pela base, amputação inicial fica reservada a situações como tecido inviável extenso, infecção não controlada, impossibilidade de revascularização ou falha terapêutica, o que não foi estabelecido no enunciado.
Pegadinha da questão
A banca mistura sinais clássicos de CLTI com alternativas de claudicação estável, infecção e amputação local para testar se o candidato reconhece que dor em repouso mais perda tecidual isquêmica muda a prioridade para revascularização.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver dor em repouso associada a úlcera, necrose ou gangrena e doença arterial oclusiva documentada, pense primeiro em CLTI, não em claudicação.
  • ITB muito baixo, ausência de pulsos e perda tecidual indicam hipoperfusão grave; nesse contexto, a prioridade deixa de ser ajuste medicamentoso isolado e passa a ser revascularização.
  • Necrose seca não equivale automaticamente à infecção; antibiótico exige evidência infecciosa.
  • Antes de aceitar amputação inicial, verifique se o enunciado mostra impossibilidade de salvamento do membro ou contraindicação à revascularização.

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