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Q2397863 Português
       Numa manhã, Donana acordou me chamando de Carmelita, dizendo que iria dar um jeito em tudo, que eu não me preocupasse, que não precisaria mais viajar. Àquela época eu tinha doze anos e Belonísia se aproximava dos onze. Vi Donana nas manhãs seguintes chamar Belonísia de Carmelita também. Minha irmã apenas ria da confusão. Olhávamos uma para a outra e nos deixávamos caçoar pela desordem que se instaurou nos falares de Donana. Em seus pensamentos, Fusco havia se formado uma onça, pedia para que tivéssemos cuidado. Nos convidava a caminhar pelas veredas por onde iriamos buscar meu pal que, haviam dito, estava dormindo aos pés de um jatobá ao lado da onça mansa que o cão havia se tomado. Sabíamos que nosso paí estava na roça, trabalhando todos os dias, então as coisas que minha avó falava não faziam sentido. Mesmo assim, minha mãe pedia que a acompanhássemos, que vigiássemos para que não lhe sucedesse nenhum acidente ou se perdesse em meio à mala.


(Adaptado de: VIEIRA JÚNIOR, Itamar. Torto Arado. São Paulo, Cia. das Letras, 2019)
A respeito do trecho acima, atente para as afirmações I, II e III.

I. A narradora, ela também uma personagem, observa, do seu ponto de vista, qual seja, o de uma menina de 12 anos, o processo de perda cognitiva da personagem Donana.

II. A narradora reprova a altitude de Belonísia, que debochava da confusão mental de Donana.

III. A narradora conclui, com ironia, que a mãe tinha o hábito de pedir às filhas que seguissem o pai para não perdê-lo de vista durante o turno de trabalho na roça.

Está correto o que se afirma em
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E) I, apenas.

Tema central: Interpretação de texto literário e análise do narrador.

A questão exige a leitura atenta e compreensão do foco narrativo (primeira pessoa) e da postura subjetiva da narradora. Também explora a identificação de reprovação, ironia e atitudes dos personagens a partir do ponto de vista da criança envolvida nos fatos.

Afirmação I (CORRETA):

A narradora, sendo uma menina de 12 anos, descreve, a partir do seu olhar e linguagem, as mudanças comportamentais e cognitivas de Donana. O uso de “eu” indica o narrador-personagem, e sua observação, atenta e pessoal, revela o estranhamento frente à desordem mental crescente da avó.

Conceito em gramática normativa (Bechara): O narrador em primeira pessoa relata a história segundo sua ótica e sentimentos, marcando subjetividade e parcialidade.

Afirmação II (INCORRETA):

Não há reprovação da narradora quanto à atitude de Belonísia. O texto afirma que “minha irmã apenas ria da confusão” e que ambas “se deixavam caçoar pela desordem”. Ou seja, a reação é de aceitação e participação, não de crítica. Palavras-chave como "apenas ria" e "nos deixávamos caçoar" sinalizam espontaneidade, não julgamento.

Afirmação III (INCORRETA):

Não há ironia na conclusão sobre a mãe. A preocupação materna com Donana é autêntica e protetora, não há tom sarcástico ou de deboche, requisito essencial para caracterizar ironia (segundo Cunha & Cintra, ironia consiste em afirmar o oposto do que se pensa, geralmente de modo crítico/humorístico).

Resumo das estratégias de prova:

  • Leia atentamente as ações e reações do narrador, buscando por adjetivos ou advérbios que indiquem julgamento ou sentimento.
  • Cuidado com termos como "reprova" ou "ironiza": só marque se houver explícito desagrado ou sarcasmo no texto.

Citação útil: “O narrador-personagem observa e interpreta o mundo a partir de sua vivência e limitação de conhecimento” (CUNHA & CINTRA).

Apenas a alternativa I está correta. Parabéns por ter chegado até aqui! Esta análise reforça a importância de leitura minuciosa e sensível ao texto, especialmente em temas literários e subjetivos.

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Comentários

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I. A narradora, ela também uma personagem, observa, do seu ponto de vista, qual seja, o de uma menina de 12 anos, o processo de perda cognitiva da personagem Donana. (V)

Àquela época eu tinha doze anos e Belonísia se aproximava dos onze

II. A narradora reprova a altitude de Belonísia, que debochava da confusão mental de Donana. (F)

Olhávamos (narradora e Belonísia) uma para a outra e nos deixávamos caçoar pela desordem que se instaurou nos falares de Donana.

III. A narradora conclui, com ironia, que a mãe linha o hábito de pedir às filhas que seguissem o pal para não perdê-lo de vista durante o turno de trabalho na roça. (F)

Mesmo assim, minha mãe pedia que a (Donana) acompanhássemos, que vigiássemos para que não lhe sucedesse nenhum acidente ou se perdesse em meio à mala.

Alternativa correta: E.

Corrigindo alternativa por alternativa:

  1. Correto;
  2. Incorreto, pois caçoava junto à irmã da condição da avó: "Olhávamos uma para a outra e nos deixávamos caçoar pela desordem que se instaurou nos falares de Donana.";
  3. Incorreto, pois a mãe da personagem orientava as filhas a seguirem a avó, numa tentativa de fiscalizá-la em suas andanças desconfiadas ocasionadas pela demência: "Mesmo assim, minha mãe pedia que a acompanhássemos, que vigiássemos para que não lhe sucedesse nenhum acidente ou se perdesse em meio à mala."

Livro muito bom, recomendo.

Quantos erros de digitação (do QCONCURSOS, não da prova)!!

Acho que o QC usa aplicativo/site que transforma texto de imagem em texto digitado, mas falta fazer uma boa revisão depois. Tem sido bastante recorrente.

Olá! Vocês participam de algum grupo de concurseiros no Whatsapp ou Telegram ? Tô me sentindo meio sozinha nessa jornada e gostaria de participar de um grupo.

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