Tendo em vista a estrutura de composição do texto 01, verifi...

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Q3458852 Português
Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda a questão a que a ele se refere.

Texto 01
O que fazer para suportar essa tal felicidade?

Um dia me fizeram a pergunta: “Você é sempre assim, insuportavelmente feliz?”. Confesso que fiquei sem ação. Naquele momento não consegui encontrar uma resposta, pois na minha cabeça eu precisava ainda definir: O que seria ser feliz? Qual seria o peso do advérbio sempre? Insuportável para quem?

        Na hora só consegui pedir desculpas. Sim, me desculpei por parecer feliz e até insuportável. Para minha sorte, a ausência dessa resposta não pesou no resultado da entrevista. Entrevista? Exatamente. Essa dúvida quanto ao meu estado constante de felicidade aconteceu no meio de um processo seletivo para uma grande empresa. Apesar de não encontrar a resposta, eu fui contratada. Agora, depois de tantos anos, essa pergunta voltou a ressoar em minha mente e resolvi, então, tentar entender as suas partes.

        Sou avessa aos determinismos e reducionismos quando se tratam de fenômenos existenciais humanos. Palavras como “sempre” e “nunca” nos aprisionam a uma condição imutável e de permanência. E nos impedem de transitar pelo “quase” ou pelo “talvez”, que nos permitem a dúvida, a crise, a possibilidade de escolher novos caminhos e provocar a mudança. Definitivamente o “sempre” não me representa. No insuportável, evidencia-se o peso da subjetividade. Assim como a dor, o nível de tolerância acontecerá a partir do conteúdo interno de cada um, bem como o impacto que isso gera. De fato, não podemos nos culpar pelo outro não se sentir à vontade com a nossa suposta felicidade. [...]

        Com alguns anos de atraso, encontrei a resposta. Se a felicidade está na tomada de consciência de que não existe um estado de permanência e as oscilações acontecem e fazem parte irremediável da existência, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é sentir a minha humanidade, me permitir chorar nas adversidades, rir ou chorar de alegria, e sorrir quando dou de cara com um novo desafio, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é ter uma relação familiar e com amigos, onde cuidamos para que uma convivência de respeito seja a prioridade, apesar das diferenças, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é me permitir o silêncio e as pausas necessárias para que eu possa me escutar e organizar as minhas ideias, mesmo que por alguns minutos, sim, eu sou feliz! Se a felicidade está em viver a fé, exercitando a prática do bem, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é um projeto de vida que exige escolhas e ação, sim, eu sou feliz!

        Portanto, a felicidade não é uma estética. Não está no sorriso. Está no sentir e no sentido que encontramos para viver, mesmo quando as lágrimas se manifestam. Acredito que a felicidade está em encontrarmos espaços que nos comportem, nos ampliem e não mais tentar entrar em lugares que nos reduzam, porque se é para ser, que sejamos inteiros e de verdade.

Fonte: MORAIS, Elizabeth dos Santos. O que fazer para suportar essa tal felicidade?
Disponível em: vidasimples.co/voce-simples/. Acesso em: 18 abr. 2025. Adaptado.
Tendo em vista a estrutura de composição do texto 01, verifica-se a presença de
I- discurso direto. II- subjetividade. III- interrogação. IV- conotação. V- denotação.
Estão CORRETOS os itens
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E – I, II, III, IV e V.

Tema central: A questão avalia a interpretação de texto e o reconhecimento de recursos discursivos como discurso direto, subjetividade, interrogação, conotação e denotação.

1. Discurso Direto (I): Identifica-se quando há a reprodução literal da fala de alguém, geralmente entre aspas ou travessão. No texto: “Você é sempre assim, insuportavelmente feliz?”. Norma-padrão: Conforme Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), discurso direto apresenta exatamente o que foi dito.

2. Subjetividade (II): É marcada pela primeira pessoa e expressão de sentimentos (“Confesso que fiquei sem ação.”). O texto é uma reflexão pessoal da autora. Em regra, textos subjetivos expõem visões e emoções particulares (Cunha & Cintra).

3. Interrogação (III): Ocorre pela presença de perguntas, seja para provocar reflexão ou avançar a argumentação (“O que seria ser feliz?”). Isso caracteriza interrogação na estrutura textual.

4. Conotação (IV): Palavras ou expressões em sentido figurado (“insuportavelmente feliz”, “essa tal felicidade”, “não é uma estética”). Segundo Infante, conotação amplia o sentido literal, sugerindo emoção ou subjetividade.

5. Denotação (V): Também há emprego literal de termos, especialmente nas passagens em que a autora define conceitos, como “a felicidade está na tomada de consciência...”. Conforma-se à definição gramatical da linguagem objetiva.

Análise das alternatvas incorretas:

A), B), C), D) - Todas omitem elementos que realmente aparecem no texto. Se o candidato não identificar adequadamente cada recurso textual, pode confundir-se, especialmente entre conotação e denotação, e entre discurso direto e indireto. Por isso, atenção às falas diretas e às variações de sentido!

Dica para provas: Ao buscar esses recursos, procure no texto frases entre aspas (direto), opiniões e sentimentos (subjetividade), perguntas explícitas (interrogação), imagens ou comparações figuradas (conotação) e trechos objetivos (denotação).

A identificação correta desses elementos é essencial para interpretar com precisão e evitar pegadinhas comuns em provas de concurso.

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