Leia o texto a seguir: Mais um exemplo bem conhecido: v...
Mais um exemplo bem conhecido: vencedores e vencidos. Os espanhóis conquistaram o México. Portanto, são os homens maus. Os índios foram conquistados. Portanto, são os homens bons. Esse raciocínio é um mau caminho para a compreensão de um fenômeno histórico. Só podemos analisar a conquista da América por meio de uma complexa política de alianças. Sem o apoio de grupos indígenas, Cortés não teria conquistado a cidade do México.
(Janice Theodoro, “Educação para um mundo em transformação”. Em: Leandro Karnal (org.), História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. São Paulo: Contexto, 2015. Adaptado)
O texto critica uma concepção de História baseada em uma estrutura de pensamento
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Alternativa correta: B - binária.
Tema central da questão:
A questão aborda formas de interpretar a História e destaca a crítica a uma visão simplificadora, que divide acontecimentos em polos opostos – como “bons” e “maus”, ou “vencedores” e “vencidos”. Esse é um ponto fundamental nos estudos históricos, pois uma análise superficial pode limitar a compreensão das complexidades dos processos históricos.
Resumo teórico:
Uma estrutura binária na interpretação histórica significa analisar os eventos em termos dualistas, simplificando-os em dois lados opostos e mutuamente excludentes. No exemplo do texto, ver os espanhóis apenas como “maus” e os indígenas apenas como “bons” é uma redução de uma realidade muito mais complexa, pois houve alianças, interesses múltiplos e diferentes grupos envolvidos. A historiografia moderna incentiva o rompimento dessas dualidades, buscando uma análise multidimensional (cf. Leandro Karnal, História na Sala de Aula, Contexto, 2015).
Justificativa da alternativa correta:
A alternativa B - binária é a correta porque ela traduz exatamente o tipo de raciocínio criticado no texto: dividir atores históricos em “bons” e “maus”, “vencedores” e “vencidos”, ignorando a complexidade das relações, como as alianças entre indígenas e espanhóis na conquista da América. O enunciado pede para identificar qual estrutura de pensamento é criticada, e o binarismo é justamente isso: uma dicotomia simplificadora.
Análise das alternativas incorretas:
A - materialista: O materialismo, em História, está ligado principalmente à análise das relações econômicas e sociais (como no materialismo histórico de Marx). O texto não discute causas econômicas ou sociais diretas, mas sim a forma de dividir os atores históricos.
C - etnocêntrica: Uma visão etnocêntrica julga outras culturas a partir dos valores da sua própria. Embora comum em abordagens históricas, neste caso o texto não trata da superioridade de uma cultura sobre outra, mas da simplificação dos papéis dos atores históricos.
D - positivista: O positivismo histórico valoriza a objetividade e a cronologia dos fatos. Embora também seja uma corrente criticada por simplificações, ela não necessariamente implica uma divisão binária entre “bons” e “maus”, mas sim uma confiança exagerada em fatos objetivos e lineares.
E - humanista: A abordagem humanista valoriza o ser humano como centro da análise histórica, promovendo empatia e compreensão ampla. Não se refere à simplificação binária; pelo contrário, busca complexidade e diversidade nas análises.
Estratégias para interpretar e evitar pegadinhas:
- Observe palavras-chave no texto: termos como “bons”, “maus”, “vencedores”, “vencidos” sugerem divisões dicotômicas.
- Leia com atenção o que está sendo criticado e relacione com o significado de cada termo das alternativas.
- Desconfie de alternativas que pareçam técnicas, mas que não se encaixem exatamente no contexto apresentado.
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Comentários
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O texto critica uma visão simplista e maniqueísta da história, que divide os eventos em "bons" e "maus" com base no resultado da conquista. A autora argumenta que a conquista da América foi um processo complexo, com alianças e interesses diversos, e que não se pode reduzir a análise histórica a uma dicotomia maniqueísta entre conquistadores e conquistados.
Elaboração:
O texto de Janice Theodoro aponta para o problema de se analisar a história a partir de uma perspectiva binária, onde os vencedores são automaticamente considerados os "maus" e os vencidos, os "bons". O exemplo da conquista do México, onde os espanhóis são vistos como conquistadores e os índios como conquistados, ilustra essa visão simplista.
No entanto, a autora ressalta que a conquista foi um processo muito mais complexo, envolvendo alianças estratégicas entre grupos indígenas e espanhóis. A conquista da capital asteca, por exemplo, só foi possível com o apoio de diversos povos indígenas que eram dominados pelos astecas e buscavam se libertar desse domínio.
Dessa forma, o texto critica a interpretação da história que se baseia em um maniqueísmo, ou seja, na divisão do mundo em dois campos opostos (bem e mal). A autora defende que a análise histórica deve levar em consideração a complexidade dos processos históricos, as relações de poder e as diversas motivações dos grupos envolvidos, abandonando a visão simplista de vencedores e vencidos.
O texto enfatiza a importância de se considerar as alianças e os interesses de diferentes grupos na análise da conquista da América, destacando que o apoio de povos indígenas foi fundamental para o sucesso da empreitada espanhola. (pesquisada a resposta no Google)
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