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Q3332585 História
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A escravidão perpetua na história brasileira, assinalando seu caráter não anacrônico às relações sociais brasileiras.

(Tiago Muniz Cavalcanti; Rafael Garcia Rodrigues, Trabalho escravo contemporâneo: hoje, o mesmo de ontem. Veredas do Direito, Belo Horizonte, Dom Helder, v. 20, 2023. Adaptado)

De acordo com os autores, o trabalho escravo contemporâneo
Alternativas

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Gabarito Comentado:

A alternativa correta é a C. Vamos entender o motivo.

Tema Central: A questão aborda o trabalho escravo contemporâneo, um tema que exige conhecimento sobre a permanência de práticas análogas à escravidão na economia moderna. Esse assunto é relevante tanto para a compreensão histórica quanto para a análise crítica de questões sociais atuais.

Resumo Teórico: O trabalho escravo contemporâneo não é um resquício do passado distante, mas sim uma prática integrada ao atual sistema econômico. De acordo com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), trabalho análogo à escravidão envolve situações de coerção, exploração extrema e restrição da liberdade de escolha do indivíduo. A permanência dessas práticas reflete uma adaptação aos métodos produtivos modernos, em vez de um afastamento das práticas capitalistas.

Justificativa da Alternativa C: A alternativa C está correta porque descreve que o trabalho escravo não é um fenômeno marginal, mas sim parte integrante do sistema produtivo moderno. Ele se ajusta à lógica capitalista, permanecendo dentro dos mecanismos de produção e acumulação de capital, conforme apontado por estudos acadêmicos contemporâneos, como o dos autores mencionados no enunciado.

Análise das Alternativas Incorretas:

A - A alternativa sugere que o trabalho escravo está restrito a áreas rurais e distantes, o que é uma visão limitada. Na realidade, essas práticas podem estar presentes em diversos setores da economia, inclusive os mais dinâmicos.

B - Esta opção menciona uma convivência entre formas de trabalho assalariado e escravista como resultado de "modernização incompleta", mas não reconhece que o trabalho escravo está adaptado e integrado ao sistema atual, e não se trata apenas de resquícios de práticas pré-capitalistas.

D - A proposta de que o trabalho escravo perdeu suas marcas de violência é incorreta. O trabalho análogo à escravidão ainda envolve coerção e exploração, longe de ser um mero instrumento de apadrinhamento.

E - Concentra-se exclusivamente em um tipo de exploração relacionada ao trabalho doméstico, mas a questão é mais ampla e abrange diversas formas e setores, não se limitando ao trabalho doméstico.

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Comentários

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C • A escravidão contemporânea está ligada à modernidade capitalista bem como ajustado a seu sistema produtivo, ou seja, ela permeia ao capital onde aqueles que possuem o monopólio dos meios de produção explora a mão de obra de terceiros, fazendo com que haja hipóteses de trabalhos análogos à escravidão.

Vale uma observação acerca da "alternativa a"; embora de fato a escravidão moderna, ou como o código penal brasileiro classifica de "trabalho análogo à escravidão", ocorra majoritariamente ao espaço rural brasileiro, notamos que no espaço urbano essa prática é muito comum, principalmente quando nos deparamos ao trabalho doméstico.

Na minha interpretação, a escravidão acontece exatamente a margem da modernidade capitalista. São os menos favorecidos que estão na base da pirâmide que estão sendo escravizados, como o próprio enunciado está dizendo: "A escravidão perpétua na história brasileira..."

Os maiores focos da escravidão moderna no Brasil estão distribuídos entre os meios rural e urbano, com o setor agropecuário historicamente liderando o número de resgates. No entanto, dados recentes de 2025 indicam que, pela primeira vez, as atividades urbanas concentraram a maioria dos casos de trabalho escravo no país.

Setor Urbano

  • Construção Civil: Frequentemente ligada à construção de edifícios, onde trabalhadores são submetidos a alojamentos precários e falta de segurança.
  • Indústria Têxtil (Confecção): Oficinas de costura, muitas vezes utilizando mão de obra de imigrantes em jornadas exaustivas e servidão por dívida.
  • Trabalho Doméstico: Um dos focos mais difíceis de fiscalizar por ocorrer dentro de residências. Em 2024, operações específicas resgataram dezenas de vítimas que viviam há décadas sem salário ou liberdade. 

Agência Brasil

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