Leia o texto a seguir: Recentemente, historiadores, ent...
Recentemente, historiadores, entre os quais se destacam João Fragoso e Manolo Florentino, enfatizaram a importância da acumulação de capitais, por parte de um reduzido, mas poderoso grupo, cuja base de atuação era o Rio de Janeiro, embora não se limitasse a ele. Desde a primeira metade do século XVIII, constatamos um processo de acumulação urbana propiciado, em boa medida, por capitais investidos no tráfico de escravos.
(Boris Fausto, História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2015. Adaptado)
A perspectiva destacada no trecho complexifica uma visão consagrada da historiografia sobre o período colonial, reconhecida por enfatizar
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Alternativa correta: D
1. Tema central da questão
A questão aborda a historiografia da economia colonial brasileira, em especial como a atuação do tráfico de escravizados e a acumulação de capitais no Rio de Janeiro modificam a compreensão tradicional sobre o período. O aluno deve reconhecer os principais modelos econômicos e as interpretações clássicas sobre a estrutura colonial.
2. Resumo teórico
Por muito tempo, a historiografia destacou que o Brasil colonial estava moldado por grandes propriedades rurais, mão de obra escrava e economia voltada à exportação, sobretudo de açúcar e ouro. Este modelo é chamado de plantation e é apontado em obras clássicas como as de Caio Prado Júnior e Sérgio Buarque de Holanda. Recentemente, porém, autores como João Fragoso e Manolo Florentino têm ressaltado a importância do acúmulo de riqueza urbana e do tráfico negreiro, ampliando o debate sobre as dinâmicas econômicas do período (Fonte: Boris Fausto, História do Brasil).
3. Justificativa da alternativa correta (D)
A alternativa D sintetiza a visão tradicional: fazendas de grande porte, uso intenso da escravidão e economia baseada na exportação de poucos produtos primários (como açúcar e ouro), caracterizando o Brasil como uma colônia de exploração. O texto apresentado busca justamente complexificar essa leitura, ao mostrar que havia também acúmulo de capital urbano e outras dinâmicas pouco valorizadas na visão clássica.
4. Análise das alternativas incorretas
- A: Exagera a ampliação do mercado interno, enquanto a historiografia tradicional vê o Brasil colonial como voltado ao exterior.
- B: Aponta deslocamentos e estabilidade familiar, temas laterais e não centrais do modelo econômico colonial.
- C: Destaca a diversidade produtiva, mas o foco clássico era a monocultura exportadora, não a variedade.
- E: Ressalta relações com a bacia do Prata e Andes, que são elementos secundários na análise tradicional.
5. Estratégia de interpretação
Fique atento a palavras que remetem à visão tradicional, como "grande propriedade", "escravidão" e "exportação". Pegadinhas comuns incluem respostas que trazem fenômenos econômicos mais recentes ou regionalizações não centrais ao modelo colonial.
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Comentários
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O trecho fala sobre a acumulação de capitais por um grupo pequeno, mas poderoso, a partir do tráfico de escravos, que gerou grande riqueza e concentrações de poder no Rio de Janeiro, além de não se limitar a esse centro urbano. Essa acumulação de riquezas está associada à grande propriedade, à escravidão e à vinculação com o exterior. A perspectiva indicada no texto destaca um processo de acumulação de riquezas que não se limita ao desenvolvimento de um mercado interno ou à expansão da pecuária, mas sim ao papel crucial do tráfico de escravos no sistema econômico colonial. A elite que controlava esse tráfico usava o trabalho escravo, especialmente nas grandes propriedades agrícolas, para exportar produtos primários (como açúcar, ouro e, eventualmente, café) para o mercado externo.
A vinculação com o exterior era uma característica central do sistema econômico colonial brasileiro, que se baseava em grandes propriedades agrícolas e na escravidão para gerar lucros a partir da exportação de produtos primários.
Entre C e D levei em conta a parte do texto que diz um reduzido e poderoso grupo. Obs não sou da área de história
Estudei bastante, mas estou vendo que ainda é pouco. "só sei que nada sei"
Entendi que há duas visões sobre o Brasil:
- tradicional: sistema de plantation - latifúndio, trabalho escravo, monocultura (açúcar, ou café, ou algodão) para exportação.
- clássica: além dos citados acima, há acumulação de capital ganho com o tráfico de escravos
A alternativa D é o sistema de plantation = tradicional.
No final do enunciado diz que o enunciado complexifica a visão consagrada (tradicional), pois acrescentou o ganho com os escravos ao sistema tradicional.
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