Leia o texto a seguir:     Embora radicais, nem Fidel Castr...

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Q3332563 História
Leia o texto a seguir:

    Embora radicais, nem Fidel Castro, nem qualquer de seus camaradas eram comunistas, nem (com duas exceções) jamais disseram ter simpatias marxistas de qualquer tipo. Os diplomatas e conselheiros americanos debatiam constantemente se o movimento era ou não pró-comunista, mas claramente concluíram que não era. No entanto, tudo empurrava o movimento fidelista na direção do comunismo.

(Eric J. Hobsbawm, Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. Adaptado)

Entre os fatores que contribuíram para tal aproximação, segundo Hobsbawm, é correto identificar 
Alternativas

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Alternativa correta: A - o anticomunismo dos EUA.

1. Tema central da questão:

Essa questão trata da Revolução Cubana e dos fatores que levaram Fidel Castro e seu movimento a se aproximarem do comunismo, mesmo que, inicialmente, não fossem comunistas. Compreender o contexto internacional da Guerra Fria é fundamental, especialmente as relações entre Cuba, Estados Unidos e União Soviética.

2. Resumo teórico:

Após a vitória da Revolução Cubana em 1959, liderada por Fidel Castro, o governo dos EUA adotou uma postura de antagonismo e isolamento contra o novo regime, temendo a expansão comunista no continente. Esse antagonismo acabou por empurrar Cuba em direção à União Soviética e ao bloco socialista, consolidando o caráter comunista do regime.

Fonte: HOBSBAWM, Eric J. Era dos Extremos. Companhia das Letras, 1995.

3. Justificativa da alternativa correta:

O antagonismo dos EUA foi decisivo: o bloqueio econômico, a hostilidade política e tentativas de intervenção (como a Invasão da Baía dos Porcos) deixaram Cuba cada vez mais isolada no continente. Esse isolamento forçou Fidel Castro a procurar apoio na União Soviética, aproximando-se do comunismo para garantir proteção política, econômica e militar.

4. Análise das alternativas incorretas:

B - Influência revolucionária do Haiti: A Revolução Haitiana (1804) foi importante para a história das Américas, mas não teve papel direto na radicalização comunista cubana no século XX.

C - Crise do capitalismo global: Embora a crise do capitalismo influencie movimentos de esquerda, o contexto cubano foi determinado mais pelo isolamento estadunidense do que por uma crise global.

D - Apoio da China comunista: No início da Revolução Cubana, a aproximação foi com a União Soviética, não com a China, que só ganharia relevância internacionalmente anos depois.

E - Governos de esquerda latino-americanos: Na época, poucos eram de esquerda na América Latina, e não tiveram influência significativa para a guinada cubana ao comunismo.

5. Estratégia de interpretação:

Note que o texto cita fatores que "empurraram" o movimento fidelista ao comunismo, mesmo sem sê-lo originalmente. Procure sempre no enunciado pistas sobre causa e consequência. Pegadinhas comuns incluem citar outros movimentos revolucionários que não têm ligação direta com o contexto da questão.

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Depois da revolução os EUA fechou as portas para Cuba, e forçou que seus aliados também o fizessem. Nisso só sobrou a União Soviética pra Cuba ter uma parceria. Tanto que após o fim da URSS, rolou uma crise pesada lá.

o anticomunismo dos EUA.

houve até um movimento chamado de macartismo, onde comunistas infiltrados nos EUA eram perseguidos para evitar com que a ideia comunista se espalhasse.

Eric Hobsbawm, no livro "Era dos Extremos", desenvolve um argumento crucial sobre a radicalização da Revolução Cubana. A chave para entender a alternativa correta está na frase do texto: "No entanto, tudo empurrava o movimento fidelista na direção do comunismo."

O que "tudo" significa nesse contexto?

Hobsbawm argumenta que a postura dos Estados Unidos foi o fator externo decisivo que forçou Castro a se aliar à União Soviética. A lógica é a seguinte:

  1. Posição Inicial Não-Comunista: Como o texto diz, Castro e a maioria de seus companheiros no Movimento 26 de Julho não eram marxistas. Seu programa inicial era nacionalista, anti-imperialista e reformista (restaurar a constituição de 1940, reforma agrária), não socialista.
  2. A Reação Automática dos EUA: Apesar disso, o governo dos EUA, no contexto da Guerra Fria, enxergou qualquer movimento nacionalista e radical no "quintal" americano como uma potencial ameaça comunista. Essa era uma lente através da qual Washington via o mundo na época.
  3. Pressão e Hostilidade: Movido por esse anticomunismo ideológico, os EUA começaram a pressionar o novo governo cubano. Isso se manifestou de várias formas:
  • Ceticismo e desconfiança diplomática.
  • Oposição às reformas agrárias que afetavam interesses de empresas americanas.
  • Redução da cota de importação de açúcar cubano (o principal produto da ilha).
  • Apoio tácito ou explícito a opositores internos.
  1. A Única Saída: Para um governo revolucionário que buscava sobreviver à hostilidade da maior potência do mundo, o apoio da outra superpotência (a URSS) tornou-se uma questão de sobrevivência. Ao ser tratado como um inimigo comunista pelos EUA, Castro foi empurrado para o campo soviético em busca de apoio econômico, militar e político.

Em resumo, o anticomunismo dos EUA agiu como uma força que fechou todas as outras portas para Cuba, exceto a porta que levava a Moscou. Foi uma profecia que se cumpriu por si mesma.

  • B) A influência revolucionária do Haiti: O Haiti não teve nenhuma influência revolucionária significativa no processo cubano dos anos 1950/60. Esta alternativa não tem base histórica.
  • C) A crise do capitalismo global: Em 1959, o capitalismo global não passava por uma crise generalizada. Pelo contrária, o mundo ocidental vivia o auge dos "Anos Dourados" do pós-guerra, um período de grande crescimento econômico.
  • D) O apoio da China comunista: O apoio da China veio após a Revolução Cubana já ter se declarado socialista e se alinhado ao bloco soviético. Foi uma consequência, e não uma causa, da aproximação com o comunismo.
  • E) Os governos de esquerda latino-americanos: Na época da Revolução Cubana (fins dos anos 1950), a maioria dos governos latino-americanos era conservadora, militar ou alinhada aos EUA. Não havia uma onda de governos de esquerda que pudesse apoiar Cuba em seus primeiros momentos. Pelo contrário, a OEA (Organização dos Estados Americanos), sob influência dos EUA, frequentemente isolou Cuba.

Portanto, a análise de Hobsbawm aponta que foi a postura rígida e anticomunista dos Estados Unidos (alternativa A) o fator externo crucial que canalizou a Revolução Cubana para o campo comunista.

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