Leia o texto a seguir: A revolta de 1710 faz parte de u...
A revolta de 1710 faz parte de um conjunto de eventos – de ruptura da ordem colonial e movimentação contra a autoridade régia – que a historiografia do século XIX designou como Guerra dos Mascates. Seu ponto de partida materializou a reação da elite açucareira pernambucana, representada por Olinda, diante da pressão dos comerciantes do Recife, que eram pejorativamente apelidados de “mascates”, para a criação de uma Câmara Municipal independente.
(Lilia Moritz Schwarz; Heloisa Murgel Starling, Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. Adaptado)
A revolta citada no trecho foi, na América Portuguesa, a primeira a
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Alternativa correta: E
1. Tema central da questão:
A questão aborda a Guerra dos Mascates (1710-1711), um episódio de conflito entre os senhores de engenho de Olinda e os comerciantes do Recife, na Capitania de Pernambuco, durante o período colonial brasileiro. É fundamental conhecer o contexto social e político colonial, marcado por lutas de poder local e disputas entre elites.
2. Resumo teórico:
No início do século XVIII, Olinda concentrava a aristocracia rural (senhores de engenho), enquanto o Recife era dominado por comerciantes (os chamados "mascates"). Os comerciantes, enriquecidos com o comércio do açúcar, buscavam autonomia política e desejavam criar uma Câmara Municipal separada da de Olinda. O conflito expressou tensões entre interesses econômicos e políticos, e envolveu discussões sobre formas de governo e autogoverno local. (Fonte: Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Starling, "Brasil: uma biografia")
3. Justificativa da alternativa correta:
A alternativa E está correta porque a revolta foi a primeira a conjugar a defesa da independência, autogoverno e a preferência pela forma republicana em oposição à monarquia portuguesa. Os "mascates" defendiam autonomia política e inspiraram-se nas ideias de autogoverno, princípios que, mais tarde, seriam retomados em outros movimentos emancipacionistas, como a Inconfidência Mineira.
4. Análise das alternativas incorretas:
- A – Incorreta. A abolição da escravidão não foi pretendida pela revolta, pois ambas as elites (Olinda e Recife) dependiam do trabalho escravo.
- B – Incorreta. As ideias de liberdade e igualdade social, no sentido revolucionário, não foram incorporadas; tratava-se de disputa entre grupos de elite, sem participação popular ampla.
- C – Incorreta. Não houve proposta de fim do pacto colonial e liberdade comercial plena; o cerne era a autonomia política local.
- D – Incorreta. Não houve proposta de coletivização das terras, pois o modelo econômico continuava baseado no latifúndio e monocultura do açúcar.
5. Estratégias de interpretação:
Destacar palavras-chave no enunciado, como “primeira a”, “autogoverno” e “preferência pela forma republicana”, ajuda a filtrar alternativas. Evite ser atraído por opções que tragam temas anacrônicos, como abolição da escravidão ou coletivização das terras.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo
Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
O trecho fala da Revolta de 1710, que foi um movimento de ruptura da ordem colonial e de resistência contra a autoridade régia. O evento está inserido no contexto da chamada Guerra dos Mascates, que envolveu a elite açucareira pernambucana, representada pela cidade de Olinda, e os comerciantes do Recife, que eram chamados pejorativamente de “mascates”.
A revolta é descrita como um movimento de contestação ao domínio do sistema colonial e ao controle do Império português sobre as economias locais, com os comerciantes do Recife buscando uma maior autonomia e independência. Eles pleiteavam a criação de uma Câmara Municipal independente, o que se relaciona diretamente com a ideia de autogoverno e de independência política em relação à metrópole portuguesa. Esse desejo de maior liberdade e autonomia é essencial para compreender a revolta como um movimento de independência, que também refletia um apoio à ideia de autogoverno dentro da colônia.
"Contudo, e apesar de a sedição de 1710 ter sido um conflito municipal, as ideias se movimentaram além de Pernambuco. Os sediciosos de Olinda conjugaram pela primeira vez na América portuguesa independência a autogoverno e declararam preferir a forma republicana ao governo dos reis. Cerca de sessenta anos depois, o termo “autogoverno” já fazia parte do vocabulário político da colônia — e era utilizado com incômoda frequência, para infelicidade da metrópole."
Em 19/02/26 às 18:55, você respondeu a opção E.
Você acertou!
Clique para visualizar este comentário
Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo