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Q3332554 História
Leia o texto a seguir:

    É flagrante o anacronismo do procedimento que consiste em transpor o espaço nacional contemporâneo aos mapas coloniais para tirar conclusões sobre a Terra de Santa Cruz. Terra que não era toda uma só.

(Luiz Felipe de Alencastro, O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. Adaptado)

De acordo com o autor, tal anacronismo se deve ao fato de que
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Alternativa Correta: C

O tema central desta questão gira em torno do conceito de anacronismo histórico, que se refere à análise de eventos passados com base em padrões contemporâneos. No contexto apresentado, o autor Luiz Felipe de Alencastro destaca a inadequação de aplicar a estrutura territorial e econômica atual ao período colonial brasileiro. É essencial compreender as nuances históricas e geográficas do Brasil colonial para resolver esta questão.

Resumo Teórico: Durante a colonização do Brasil, o território não era unificado como hoje. Em vez disso, ele era composto por regiões com desenvolvimentos históricos e econômicos distintos. A Amazônia, por exemplo, estava desvinculada do centro econômico escravista, que envolvia principalmente o Nordeste e o Sudeste, devido a suas características geográficas e comerciais específicas.

Justificativa da Alternativa Correta (C): A alternativa C é a correta porque aponta para o fato de que a Amazônia e regiões vizinhas eram historicamente dissociadas do "miolo negreiro" do Brasil. Isso se deve à geografia comercial da época, onde o foco econômico estava na exploração escravista e agrícola, concentrada em outras áreas do país. Esta dissociação é uma realidade histórica, refletindo a falta de integração entre essas regiões no passado colonial.

Análise das Alternativas Incorretas:

A: A autonomia das capitanias hereditárias não se traduziu em uma separação territorial tão evidente quanto sugerido. Havia, sim, limites e rivalidades, mas o conceito de recortes territoriais como apresentado não se aplica ao "anacronismo" mencionado.

B: A questão escravista era predominante no Brasil colonial, mas a separação entre o litoral nordestino e o do Rio de Janeiro não é atribuída a isso de forma direta e histórica conforme sugerido.

D: Apesar de a economia do ouro ter tido um papel central, não resultou no isolamento de Minas Gerais das outras regiões da colônia. O fluxo comercial com outras áreas, incluindo o Rio de Janeiro, era significativo.

E: A navegação fluvial existia e era um importante meio de ligação entre diversas regiões, especialmente na Amazônia e em outras áreas ribeirinhas. A afirmação de que não havia tal navegação é incorreta.

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Comentários

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A letra C está correta porque o autor critica a visão anacrônica de transpor as fronteiras contemporâneas para a época colonial, ignorando as distinções geográficas e comerciais. O trecho indica que a Amazônia e as regiões vizinhas estavam dissociadas do miolo negreiro do Brasil, ou seja, essas áreas não faziam parte diretamente das rotas comerciais de escravizados, que estavam concentradas principalmente no litoral, onde o tráfico negreiro se intensificava.

Essa separação geográfica e comercial fazia com que a estrutura territorial do Brasil colonial fosse muito diferente da percepção contemporânea de um país unificado, o que configura o anacronismo ao aplicar conceitos e divisões atuais ao período colonial.

"Terra que não era toda uma só. Por causa do sistema de ventos, das correntes e do comércio predominantes no Atlântico Sul, até o final do século xvii, e mesmo depois dessa data, a costa Leste-Oeste (a Amazônia propriamente dita, o Maranhão, o Pará, o Piauí e o Ceará) permanece dissociada do miolo negreiro do Brasil, enquanto Angola se agrega fortemente a ele. Longe de qualquer devaneio da burocracia reinol, a criação do Estado do Grão-Pará e Maranhão decidi da em 1621, com um governo separado do Estado do Brasil, responde perfeita mente ao esquadro da geografia comercial da época da navegação a vela."

Gab: C

Essa conclusão é sustentada pelos seguintes pontos presentes nas fontes:

Geografia comercial e navegação a vela: A integração do território era dificultada pelo sistema de ventos e correntes no Atlântico Sul. Esse contexto tornava a navegação de certas regiões do norte (Maranhão, Pará, Piauí e Ceará) mais fácil em direção a Lisboa do que em direção ao restante do Brasil.

Dissociação territorial: Por causa desses fatores geográficos, a Amazônia propriamente dita e as regiões da costa Leste-Oeste permaneciam isoladas do centro econômico e escravista (o "miolo negreiro") do sul e nordeste.

Integração com Angola: Curiosamente, enquanto o norte brasileiro estava dissociado, Angola se agregava fortemente ao Brasil devido ao tráfico de escravos, formando um espaço econômico e social bipolar no Atlântico Sul.

Estrutura administrativa separada: O autor ressalta que o estabelecimento do Estado do Pará e Maranhão em 1621, com governo separado do Estado do Brasil, não foi um erro burocrático, mas uma resposta lógica à "geografia comercial da época da navegação a vela".

Surgimento da territorialidade: Uma verdadeira territorialidade e integração interna no Brasil só começaram a emergir tardiamente, após a exploração do ouro em Minas Gerais no século XVIII.

Portanto, a ideia de uma "Terra de Santa Cruz" como uma unidade nacional coesa desde o início é anacrônica porque ignora que, na época, a colônia era um arquipélago de zonas econômicas dispersas com pouca ou nenhuma comunicação entre si.

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