Sonho dos viajantes compulsivos, a moeda única pode
diminuir cada vez mais as barreiras geográficas, só que
questões culturais e econômicas podem jogar a ideia no ralo
Por Augusto Decker e Pedro Borg
Sim: Com a integração crescente dos sistemas
financeiros, é possível imaginar uma moeda única ou regional,
como é o euro hoje.
Por que sim?
A ideia de uma moeda única vem sendo defendida como
uma maneira de transformar a tendência de integração
financeira internacional em realidade, uma vez que hoje a
economia trabalha quase sem fronteiras. Seria um cenário dos
sonhos para viajantes compulsivos, já que as tediosas idas às
casas de câmbio seriam extintas.
Além da questão da praticidade, existe a vantagem de
que acabariam os problemas de especulação cambial – como os
chamados ataques especulativos que ocorreram ao longo da
história. Não faria sentido tentar desvalorizar uma moeda única.
“Um mundo com uma única moeda evitaria
especulação. A diferença seria na oferta de preços. Em países
mais ricos, haveria mais dinheiro. Logo, as coisas seriam mais
caras. O oposto aconteceria em países mais pobres”, defende a
futuróloga brasileira Lala Deheinzelin.
Não: Como atingir um consenso global de uma política
monetária única? Muitos interesses e barreiras teriam de ser
amplamente debatidos.
Por que não?
Os futurologistas acreditam na hipótese da moeda única.
Mas nenhum dos economistas entrevistados pensa que esse seja
o caminho para melhorar a situação financeira mundial. “O
controle do dinheiro será de quem controla sua emissão”, alerta
o mestre em economia Rubens Sawaya. “Independente se for
uma instituição, um país ou a ONU, quem controlar essa moeda
controlará a liquidez do dinheiro no mundo.”
É como se, dessa maneira, todo o dinheiro no mundo
tivesse o mesmo valor, o que configura um problema para
países da periferia mundial, diz o economista. É a taxa de
câmbio, ou a moeda mais barata, que faz os países mais pobres
conseguirem manter seu produto competitivo ante os
produzidos em países com economias maiores. “A vantagem de
não ter uma moeda única é controlar a liquidez dos seus ativos
em relação aos ativos de outros países”, explica Sawaya.
A noção de que seria quase impossível chegar a uma
moeda global também é corroborada pelo economista Gerson
Caner. Para ele, o caminho passa por moedas regionais, como
o euro. “Uma moeda global tem uma série de obstáculos
geopolíticos e culturais. Ela mexeria com conceitos
macroeconômicos arraigados, além do funcionamento de
bancos centrais”, explica. “Imagine as nações mais poderosas
tendo de negociar uma paridade única de uma moeda global?”
Disponível em https://infograficos.estadao.com.br/focas/por-minhaconta/materia/e-possivel-uma-moeda-so/
Analise: “quem controlar essa moeda controlará a
liquidez do dinheiro no mundo” e assinale a
alternativa que apresenta a classificação correta
desta oração.