Questões de Concurso Público UEA 2025 para Sistema de Ingresso Seriado - 2ª Série do Ensino Médio - Prova de Acompanhamento II

Foram encontradas 8 questões

Q3921806 Português
Para responder à questão, leia o capítulo IV do romance Quincas Borba, de Machado de Assis.


     Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. [...]

    Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho não se despegou do cérebro de Quincas Borba, — nem antes, nem depois da moléstia que lentamente o comeu. Quincas Borba tivera ali alguns parentes, mortos já agora em 1867; o último foi o tio que o deixou por herdeiro de seus bens. Rubião ficou sendo o único amigo do filósofo. Regia então uma escola de meninos, que fechou para tratar do enfermo. Antes de professor, metera ombros a algumas empresas, que foram a pique. [...]

    A opinião ostensiva do médico era que a doença do Quincas Borba iria saindo devagar. Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-lhe qual era o verdadeiro estado do amigo. Ouviu que estava perdido, completamente perdido; mas, que o fosse animando. Para que tornar-lhe a morte mais aflitiva pela certeza...?

    — Lá isso, não, atalhou Rubião; para ele, morrer é negócio fácil. Nunca leu um livro que ele escreveu, há anos, não sei que negócio de filosofia...

     — Não; mas filosofia é uma coisa, e morrer de verdade é outra; adeus.


(Quincas Borba, 2012.)
Contida na fala do médico de Quincas Borba de que “filosofia é uma coisa, e morrer de verdade é outra” (5o parágrafo) está a seguinte oposição:
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Q3921809 Português
Para responder à questão, leia o capítulo IV do romance Quincas Borba, de Machado de Assis.


     Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. [...]

    Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho não se despegou do cérebro de Quincas Borba, — nem antes, nem depois da moléstia que lentamente o comeu. Quincas Borba tivera ali alguns parentes, mortos já agora em 1867; o último foi o tio que o deixou por herdeiro de seus bens. Rubião ficou sendo o único amigo do filósofo. Regia então uma escola de meninos, que fechou para tratar do enfermo. Antes de professor, metera ombros a algumas empresas, que foram a pique. [...]

    A opinião ostensiva do médico era que a doença do Quincas Borba iria saindo devagar. Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-lhe qual era o verdadeiro estado do amigo. Ouviu que estava perdido, completamente perdido; mas, que o fosse animando. Para que tornar-lhe a morte mais aflitiva pela certeza...?

    — Lá isso, não, atalhou Rubião; para ele, morrer é negócio fácil. Nunca leu um livro que ele escreveu, há anos, não sei que negócio de filosofia...

     — Não; mas filosofia é uma coisa, e morrer de verdade é outra; adeus.


(Quincas Borba, 2012.)
“Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho não se despegou do cérebro de Quincas Borba, — nem antes, nem depois da moléstia que lentamente o comeu.” (2° parágrafo)

No contexto em que se insere, a conjunção sublinhada expressa ideia de
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Q3921810 Português
Examine o meme publicado pelo perfil @artesdepressao no Instagram em 15.10.2024. O meme foi criado a partir da pintura intitulada “Sir Michael Foster” (1869), do artista inglês John Collier (1850-1934).

Q5.png (298×313)

Para obter seu efeito de humor, o meme explora, sobretudo, o recurso expressivo denominado 
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Q3921812 Português
Para responder à questão, leia o início do capítulo VI do romance Iracema, do escritor José de Alencar.


    Martim vai a passo e passo por entre os altos juazeiros que cercam a cabana do Pajé.

    Era o tempo em que o doce aracati1 chega do mar e derrama a deliciosa frescura pelo árido sertão. A planta respira; um suave arrepio erriça2 a verde coma3 da floresta.

    O cristão contempla o ocaso do sol. A sombra, que desce dos montes e cobre o vale, penetra sua alma. Lembra-se do lugar onde nasceu, dos entes queridos que ali deixou. Sabe ele se tornará a vê-los algum dia?

    Em torno carpe4 a natureza o dia que expira. Soluça a onda trépida5 e lacrimosa; geme a brisa na folhagem [...].

    Iracema parou em face do jovem guerreiro:

    — É a presença de Iracema que perturba a serenidade no rosto do estrangeiro?

    Martim pousou brandos olhos na face da virgem:

    — Não, filha de Araquém; tua presença alegra como a luz da manhã. Foi a lembrança da pátria que trouxe a saudade ao coração presago6 .

    — Uma noiva te espera?

     O forasteiro desviou os olhos. Iracema dobrou a cabeça sobre a espádua como a tenra7 palma da carnaúba, quando a chuva peneira8 na várzea.

    — Ela não é mais doce do que Iracema, a virgem dos lábios de mel, nem mais formosa! murmurou o estrangeiro.

    — A flor da mata é formosa quando tem rama que a abrigue e tronco onde se enlace. Iracema não vive n’alma de um guerreiro: nunca sentiu a frescura do seu sorriso.

    Emudeceram ambos, com os olhos no chão, escutando a palpitação dos seios que batiam opressos.


(Iracema, 2006.)


1 aracati: brisa do vento.

2 erriçar: arrepiar.

3 coma: copa de árvores frondosas.

4 carpir: lamentar.

5 trépido: trêmulo.

6 presago: que adivinha.

7 tenro: delicado.

8 peneirar: chuviscar.
A voz do personagem Martim parece se mesclar intimamente à voz do narrador no seguinte trecho:
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Q3921813 Português
Para responder à questão, leia o início do capítulo VI do romance Iracema, do escritor José de Alencar.


    Martim vai a passo e passo por entre os altos juazeiros que cercam a cabana do Pajé.

    Era o tempo em que o doce aracati1 chega do mar e derrama a deliciosa frescura pelo árido sertão. A planta respira; um suave arrepio erriça2 a verde coma3 da floresta.

    O cristão contempla o ocaso do sol. A sombra, que desce dos montes e cobre o vale, penetra sua alma. Lembra-se do lugar onde nasceu, dos entes queridos que ali deixou. Sabe ele se tornará a vê-los algum dia?

    Em torno carpe4 a natureza o dia que expira. Soluça a onda trépida5 e lacrimosa; geme a brisa na folhagem [...].

    Iracema parou em face do jovem guerreiro:

    — É a presença de Iracema que perturba a serenidade no rosto do estrangeiro?

    Martim pousou brandos olhos na face da virgem:

    — Não, filha de Araquém; tua presença alegra como a luz da manhã. Foi a lembrança da pátria que trouxe a saudade ao coração presago6 .

    — Uma noiva te espera?

     O forasteiro desviou os olhos. Iracema dobrou a cabeça sobre a espádua como a tenra7 palma da carnaúba, quando a chuva peneira8 na várzea.

    — Ela não é mais doce do que Iracema, a virgem dos lábios de mel, nem mais formosa! murmurou o estrangeiro.

    — A flor da mata é formosa quando tem rama que a abrigue e tronco onde se enlace. Iracema não vive n’alma de um guerreiro: nunca sentiu a frescura do seu sorriso.

    Emudeceram ambos, com os olhos no chão, escutando a palpitação dos seios que batiam opressos.


(Iracema, 2006.)


1 aracati: brisa do vento.

2 erriçar: arrepiar.

3 coma: copa de árvores frondosas.

4 carpir: lamentar.

5 trépido: trêmulo.

6 presago: que adivinha.

7 tenro: delicado.

8 peneirar: chuviscar.
O narrador faz uso da figura de linguagem conhecida como personificação (figura pela qual o narrador empresta características humanas a seres inanimados, a animais, a mortos ou a ausentes) no seguinte trecho:
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Q3921819 Português
    Atualmente, os artistas que se posicionam contra a ascensão da inteligência artificial (IA) lembram, em muitos aspectos, o movimento ludista do século XIX. Os ludistas foram trabalhadores ingleses que, durante a Revolução Industrial, passaram a destruir máquinas nas fábricas. Eles não estavam contra a tecnologia em si, mas sim contra o uso que estava sendo feito dela. Eles quebravam as máquinas, mas não queriam acabar com a Revolução Industrial. Muitos dos ludistas eram artesãos experientes, com grande domínio técnico de seus ofícios. O que os revoltava era ver esse conhecimento ser descartado.

(Vítor Soares. https://aventurasnahistoria.com.br, 01.04.2025. Adaptado.)

A comparação feita no excerto entre os artistas da atualidade e os ludistas do século XIX deve-se ao fato de que, nos contextos em que estão inseridos, ambos os grupos 
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Q3921823 Português
Leia os versos da canção “Menino das laranjas”, composta por Theo de Barros e gravada por Elis Regina em 1965.

Q18.png (266×260)
(www.letras.mus.br)

Em relação à sociedade brasileira da década de 1960, os versos expressam a
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Q3921825 Português
    Ao menos 148 pessoas foram resgatadas de trabalho análogo à escravidão em fazendas de cacau, no Brasil, nos últimos 15 anos. Boa parte das operações ocorreram no Pará e na Bahia, os maiores polos nacionais. As violações aos direitos humanos incluem também ameaças de patrões, condições degradantes de moradia e higiene, servidão por dívidas e até trabalho infantil. Segundo o Ministério Público do Trabalho, as duas figuras centrais nessa cadeia de crimes são os donos das fazendas e os chamados “atravessadores” — intermediários que fazem a ponte entre os fazendeiros e as grandes empresas de moagem.

(André Campos e João Cesar Diaz. https://reporterbrasil.org.br, 27.08.2020. Adaptado.)

A notícia retrata
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Respostas
1: A
2: B
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4: C
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