Questões de Concurso Público Prefeitura de Petrolina - PE 2026 para Professor de Anos Finais do Ensino Fundamental - Língua Portuguesa

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Q3885399 Português
Leia o texto a seguir, trecho de uma entrevista concedida pelo linguista Mario Perini a uma revista especializada da área de Linguística. Ele servirá de base para a questão.

Qual a relação entre língua, linguagem e sociedade?

Posso começar dizendo que a relação entre língua e linguagem é que uma “língua” é uma das maneiras como se manifesta exteriormente a capacidade humana a que chamamos “linguagem”. Mas o termo linguagem é também aplicado a outros tipos de sistemas de comunicação, que normalmente não são chamados línguas, como o sistema de sinais de trânsito e a linguagem das abelhas. Assim, linguagem é um conceito muito mais amplo do que língua: a linguagem inclui as línguas entre suas manifestações, mas não apenas as línguas.

Agora, dito isso, podemos afirmar que as relações entre a linguagem (em geral sob a forma das línguas) e a sociedade humana são muitas e muito importantes. Primeiro, observemos que qualquer sociedade minimamente complexa só pode funcionar, e mesmo surgir, através do uso intensivo da linguagem. A sociedade funciona através da cooperação e/ou conflito entre os homens, e a linguagem medeia esses processos de maneira crucial. 

A língua falada por um povo é parte da imagem que esse povo tem de si mesmo, em certos casos ainda mais significativa do que as unidades políticas em que o povo se organiza. Assim, embora a Alemanha e a Itália só se tenham unificado como nações nos meados do século XIX, havia muitos séculos já que os falantes das respectivas línguas se consideravam “alemães” e “italianos”. Pode-se mencionar também fatos atuais como a atitude dos catalães e dos bascos, que insistem em ser diferentes dos demais espanhóis, em grande parte por falarem outra língua. Vemos aí uma tendência a fazer coincidir as fronteiras linguísticas com as fronteiras nacionais. Isso nem sempre acontece, como se pode ver pela persistência das fronteiras entre os países hispano-americanos, mas mesmo assim um mexicano se sente culturalmente mais próximo de um espanhol ou de um uruguaio do que de seus vizinhos americanos falantes de inglês. A língua é, sintomaticamente, um dos instrumentos mais importantes na mão de governantes que, para bem ou para mal, procuram enfatizar a unidade de um povo ou de uma nação.

PERINI, Mário A. Sobre língua, linguagem e Linguística: uma entrevista com Mário A. Perini. ReVEL. Vol. 8, n. 14, 2010. Disponível em: https://www.revel.inf.br/files/entrevistas/revel_14_entrevista_perini.pdf. Acesso em: 12 dez. 2025. 

Durante uma atividade de leitura de histórias em quadrinhos, uma professora do 6º Ano percebe que os alunos interpretam os sentidos dos textos não apenas a partir das palavras escritas, mas também das imagens, dos gestos dos personagens, dos balões e do contexto social representado. Em vez de corrigir imediatamente as interpretações divergentes que foram aparecendo, ela promove uma discussão coletiva, incentivando os alunos a explicitarem como compreenderam a situação narrada e quais elementos utilizaram para construir o sentido. Ao conduzir a aula dessa forma, ela privilegia a compreensão de que a relação entre língua, linguagem e sociedade se dá em um processo no qual os sentidos se constroem a partir da interação entre sujeitos situados socialmente.

Assim, a docente

Alternativas
Q3885400 Português
Leia o texto a seguir, trecho de uma entrevista concedida pelo linguista Mario Perini a uma revista especializada da área de Linguística. Ele servirá de base para a questão.

Qual a relação entre língua, linguagem e sociedade?

Posso começar dizendo que a relação entre língua e linguagem é que uma “língua” é uma das maneiras como se manifesta exteriormente a capacidade humana a que chamamos “linguagem”. Mas o termo linguagem é também aplicado a outros tipos de sistemas de comunicação, que normalmente não são chamados línguas, como o sistema de sinais de trânsito e a linguagem das abelhas. Assim, linguagem é um conceito muito mais amplo do que língua: a linguagem inclui as línguas entre suas manifestações, mas não apenas as línguas.

Agora, dito isso, podemos afirmar que as relações entre a linguagem (em geral sob a forma das línguas) e a sociedade humana são muitas e muito importantes. Primeiro, observemos que qualquer sociedade minimamente complexa só pode funcionar, e mesmo surgir, através do uso intensivo da linguagem. A sociedade funciona através da cooperação e/ou conflito entre os homens, e a linguagem medeia esses processos de maneira crucial. 

A língua falada por um povo é parte da imagem que esse povo tem de si mesmo, em certos casos ainda mais significativa do que as unidades políticas em que o povo se organiza. Assim, embora a Alemanha e a Itália só se tenham unificado como nações nos meados do século XIX, havia muitos séculos já que os falantes das respectivas línguas se consideravam “alemães” e “italianos”. Pode-se mencionar também fatos atuais como a atitude dos catalães e dos bascos, que insistem em ser diferentes dos demais espanhóis, em grande parte por falarem outra língua. Vemos aí uma tendência a fazer coincidir as fronteiras linguísticas com as fronteiras nacionais. Isso nem sempre acontece, como se pode ver pela persistência das fronteiras entre os países hispano-americanos, mas mesmo assim um mexicano se sente culturalmente mais próximo de um espanhol ou de um uruguaio do que de seus vizinhos americanos falantes de inglês. A língua é, sintomaticamente, um dos instrumentos mais importantes na mão de governantes que, para bem ou para mal, procuram enfatizar a unidade de um povo ou de uma nação.

PERINI, Mário A. Sobre língua, linguagem e Linguística: uma entrevista com Mário A. Perini. ReVEL. Vol. 8, n. 14, 2010. Disponível em: https://www.revel.inf.br/files/entrevistas/revel_14_entrevista_perini.pdf. Acesso em: 12 dez. 2025. 

Em uma aula sobre variação linguística, um professor solicita que os alunos relatem situações do cotidiano em que ouviram diferentes maneiras de falar português. Durante os relatos orais, surgem exemplos de variação regional e social, que são discutidos coletivamente. O professor evita classificar as falas como “certas” ou “erradas” e orienta os alunos a refletirem sobre os contextos em que cada forma é utilizada.

Nessa situação, o professor mostra que concebe a língua como prática social historicamente situada, e seu trabalho com a oralidade, a partir dessa concepção, contribui para que os alunos 

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Q3885401 Linguística

A seguir, é reproduzido o trecho de um verbete de dicionário especializado na área dos Estudos da Linguagem. 


[...] relações que todo enunciado mantém com os enunciados produzidos anteriormente, bem como com os enunciados futuros que poderão os destinatários produzirem. Mas o termo é carregado de uma pluralidade de sentidos muitas vezes embaraçantes. [...] Mais ainda: os enunciados longamente desenvolvidos, ainda que emanem de um interlocutor único – por exemplo, o discurso de um orador, o curso de um professor, as reflexões em voz alta de um aluno – apresentam, em sua estrutura interna, semântica e estilística, essa propriedade.


CHARAUDEAU, Patrick; MAINGUENEAU, Dominique.

Dicionário de Análise do Discurso. São Paulo: Contexto, 2004. p. 160. Adaptado.


A que conceito relativo à linguagem esse verbete faz referência?

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Q3885402 Português

No trabalho com as práticas de oralidade, um dos eixos de organização das atividades didáticas refere-se às habilidades de oralização da escrita.

Assinale a alternativa que registra uma atividade que pode contribuir para o desenvolvimento desse tipo de habilidade.

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Q3885403 Português

Leia a tirinha a seguir, que tematiza sobre um perfil de escola. 


Imagem associada para resolução da questão

No que diz respeito à aula de português, a tirinha representa uma situação em que as práticas de leitura são orientadas exclusivamente por uma concepção com foco no/na 

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Q3885404 Português
Estabelecer pontes entre o clássico e o contemporâneo é uma forma de legitimar a literatura como espaço de reflexão sobre a identidade nacional. Um professor do 9º Ano, por exemplo, que planeja ler alguns contos de Machado de Assis e propõe um contraponto com letras de rap nacional que descrevem a vida de hoje na periferia revela uma visão de ensino de literatura que
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Q3885405 Português
Na avaliação da produção escrita dos textos dos alunos, o professor deve observar, para elaboração de um diagnóstico mais consistente, aspectos relacionados a(à)
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Q3885406 Pedagogia

O ensino de Língua Portuguesa, no eixo da produção de textos escritos, a partir de uma perspectiva enunciativodiscursiva, conforme preconizado pelos documentos oficiais como BNCC e PCN, orienta o professor para um trabalho com a escrita a partir de múltiplas especificidades.

Assinale a alternativa que registra uma síntese dessa proposta de ensino. 

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Q3885407 Português

A seguir, são reproduzidos os conteúdos de alguns encontros do curso Escrita Literária, ministrado pelo autor pernambucano Marcelino Freire:


Imagem associada para resolução da questão

Imagem associada para resolução da questão

Apesar de ser um curso voltado prioritariamente para escritores, ele também pode oferecer importantes indicativos para o trabalho do professor de Língua Portuguesa com a escrita literária. Assim, podemos observar, nos conteúdos do curso, orientações que revelam uma concepção de ensino de escrita literária como

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Q3885408 Português

 Leia o texto a seguir.


[...] a prática de [análise linguística] se efetiva quando leitura, escrita e [análise linguística] são trabalhadas de maneira complementar [...]. As atividades de [análise linguística] devem possibilitar, pois, o desenvolvimento da reflexão sobre o uso da língua, materializado no gênero. Uma atividade reflexiva sobre a língua/linguagem deve possibilitar ao sujeito o desenvolvimento da competência comunicativa e discursiva para falar, escutar, ler e escrever nas diferentes situações de comunicação. Para isso, torna-se pertinente a mobilização de saberes de diversas teorias: gêneros textuais, da gramática, linguística textual, argumentação, semântica e pragmática [...] 

(Dutra; Régis, 2017, p. 550).


As reflexões das autoras sobre o eixo das práticas de análise linguística dão destaque a uma característica importante desse eixo. Que característica é essa? 

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Q3885409 Português

Para trabalhar com o estudo do poema no 8º Ano, a professora seleciona um texto que brinca com a disposição visual das palavras a partir de imagens, explorando a poesia concreta e a intertextualidade.

Ela escolhe, então, o poema a seguir: 


Imagem associada para resolução da questão



Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/vai-carlos-ser-lego-na-vida/. Acesso em: 04 jan. 2026.


O poema visual não se entrega numa leitura linear; ele pede que o olho passeie, que o leitor brinque com a forma. Ao adotar esse poema nas atividades de sala de aula, com foco na natureza estética do texto literário, um exercício que explore as práticas de análise linguística deve explorar

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Q3885410 Português

Observe o meme a seguir:


Imagem associada para resolução da questão


Disponível em: https://pt.memedroid.com/memes/detail/1618569?refGallery=tags&page=4&tag=portugu%C3%AAs&goComments=1. Acesso em: 20 dez. 2025.


As ideias do meme registram um perfil de professor de português pautado numa concepção de ensino baseada na 

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Q3885411 Português

A inteligência artificial não deve ser vista como uma ameaça à docência, mas como uma ferramenta capaz de potencializar o aprendizado personalizado. No entanto, sua implementação exige que a escola desenvolva no aluno uma curadoria crítica para que ele não se torne um mero consumidor passivo de algoritmos.

Para isso, é preciso que a aula de Língua Portuguesa promova uma 

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Q3885412 Português

Na era da superabundância de informações, o desafio não é achar dados, mas filtrá-los. O aluno precisa aprender a checar a autoria, a data e o veículo de publicação para não replicar desinformação.

Considerando essas ideias, leia atentamente a manchete a seguir:


Imagem associada para resolução da questão


Disponível em: https://g1.globo.com/fato-ou-fake/noticia/2025/12/18/e-fake-que-amazonia-nao-contribui-para-equilibrar-climado-mundo.ghtml. Acesso em: 20 dez. 2025. 


Um professor solicita que os alunos pesquisem sobre um tema polêmico na internet, mas pede que eles justifiquem suas posições e referenciem suas fontes. Considerando os conhecimentos sobre cultura digital, a pesquisa e as TDICs em sala de aula, com que objetivo primordial o site reproduzido na manchete poderia ser usado nessa atividade?

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Q3885413 Português

Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), “A proliferação do discurso de ódio também é tematizada em todos os anos, e habilidades relativas ao trato e respeito com o diferente e com a participação ética e respeitosa em discussões e debates de ideias são consideradas” 

(Brasil, 2018, p. 136-137, adaptado).


Considerando essa orientação e a quarta competência específica de Linguagens para o Ensino Fundamental, uma atividade de ensino de língua portuguesa propôs que o estudante usasse efetivamente a língua envolvendo necessariamente a defesa ativa de pontos de vista éticos e humanos.Para isso, o professor elaborou exercícios com o objetivo de

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Q3885414 Pedagogia
De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a prática de análise linguística/semiótica deve envolver a reflexão consciente sobre a materialidade dos textos para compreender seus efeitos de sentido. Uma habilidade desse documento que exemplifica, de maneira predominante, essa prática de linguagem é:
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Q3885415 Português

A seguir, é apresentada a descrição de um dos campos de atuação do componente de Língua Portuguesa da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Fundamental:


Trata-se, em relação a este Campo, de ampliar e qualificar a participação das crianças, adolescentes e jovens nas práticas relativas ao trato com a informação e opinião, que estão no centro da esfera [...]. Para além de construir conhecimentos e desenvolver habilidades envolvidas na escuta, leitura e produção de textos que circulam no campo, o que se pretende é propiciar experiências que permitam desenvolver nos adolescentes e jovens a sensibilidade para que se interessem pelos fatos que acontecem na sua comunidade, na sua cidade e no mundo e afetam as vidas das pessoas, incorporem em suas vidas a prática de escuta, leitura e produção de textos pertencentes a gêneros da esfera [...] em diferentes fontes, veículos e mídias, e desenvolvam autonomia e pensamento crítico para se situar em relação a interesses e posicionamentos diversos e possam produzir textos [...] e participar de discussões e debates de forma ética e respeitosa (Brasil, 2028, p. 140).


A que campo de atuação esse trecho se refere? 

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Q3885416 Pedagogia

Leia o texto abaixo e depois responda à questão: 


“A problemática das relações entre escola e cultura é inerente a todo processo educativo. Não há educação que não esteja imersa na cultura da humanidade e, particularmente, do momento histórico em que se situa. A reflexão sobre esta temática é co-extensiva ao próprio desenvolvimento do pensamento pedagógico. Não se pode conceber uma experiência pedagógica "desculturizada", em que a referência cultural não esteja presente. A escola é, sem dúvida, uma instituição cultural. Portanto, as relações entre escola e cultura não podem ser concebidas como entre dois pólos independentes, mas sim como universos entrelaçados, como uma teia tecida no cotidiano e com fios e nós profundamente articulados. Se partimos dessas afirmações, se aceitamos a íntima associação entre escola e cultura, se vemos suas relações como intrinsecamente constitutivas do universo educacional, cabe indagar por que hoje essa constatação parece se revestir de novidade, sendo mesmo vista por vários autores como especialmente desafiadora para as práticas educativas.”


Fonte: Moreira, A. F. B., & Candau, V. M.. (2003). Educação escolar e cultura(s): construindo caminhos. Revista Brasileira De Educação, (23), 156–168. https://doi.org/10.1590/S1413-24782003000200012



A partir da leitura do texto, avalie as afirmações a seguir:


I. A educação não formal é caracterizada por ter intencionalidade e sistematização, ocorrendo em espaços como ONGs, museus e movimentos sociais, com foco em temas específicos e de interesse dos participantes.

II. A educação informal é assistemática e difusa, constituindo-se nas interações cotidianas, sendo a família e os grupos de convívio primário seus principais agentes de transmissão de valores e cultura.

III. A educação formal, dada sua natureza institucional e sua autonomia em relação às experiências cotidianas, deve atuar como o principal instrumento de correção das culturas juvenis e populares transmitidas nos ambientes informais.


É CORRETO o que se afirma em 

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Q3885417 Pedagogia

Leia o texto abaixo:


As teorias modernas da educação hoje apresentam-se em várias versões, variando das abordagens tradicionais às mais avançadas, conforme se situem em relação aos seus temas básicos: a natureza do ato educativo, a relação entre sociedade e educação, os objetivos e conteúdos da formação, as formas institucionalizadas de ensino, a relação educativa. A literatura internacional e a nacional dispõem de conhecidas classificações de teorias da educação ora chamadas de tendências ou correntes, ora de paradigmas.[...] Sem pretender retomar as abordagens teóricas que resultam nas classificações de teorias pedagógicas, são modernas a pedagogia tradicional, a pedagogia renovada, o tecnicismo educacional e todas as pedagogias críticas inspiradas na tradição moderna como a pedagogia libertária, a pedagogia libertadora, a pedagogia crítico-social. Um olhar sobre as práticas pedagógicas correntes nas escolas brasileiras mostra que tais tendências continuam ativas e estáveis, mantendo seu núcleo teórico forte, ainda que as pesquisas dos últimos anos venham mostrando outras nuances, outros focos de compreensão teórica, outras formas de aplicabilidade pedagógica. A meu ver, não há outras boas razões para alterar essa classificação. Isso não significa que não se apontem novas tendências, algumas já experimentadas em nível operacional, outras ainda restritas ao mundo acadêmico.


Fonte: LIBÂNEO, J. C. As teorias pedagógicas modernas revisitadas pelo debate contemporâneo na educação. In: LIBÂNEO, J. C.; SANTOS, A. (org). Educação na era do conhecimento em rede e transdisciplinaridade. Campinas: Alínea, 2005. p. 15-58. 


O autor Carlos Libâneo destaca-se na discussão sobre as Tendências Pedagógicas. 

Considerando as discussões tradicionais e contemporâneas sobre o assunto conforme a percepção desse autor, associe a Coluna A às descrições das práticas educativas na Coluna B.


Coluna A

1. Liberal Tradicional 

2. Corrente Racional-Tecnológica (Neotecnicista)

3. Progressista Crítico-Social dos Conteúdos 



Coluna B

( ) O planejamento escolar é orientado por matrizes de referência e metas de produtividade. O docente atua como um gestor de recursos instrucionais, buscando a máxima eficiência do ensino por meio de objetivos instrucionais operacionais e mensuráveis, priorizando a eficácia dos meios sobre fins éticos ou políticos.


( ) O ensino centra-se na transmissão de conteúdos e modelos culturais, considerados essenciais e cruciais para a formação moral e intelectual do aluno. A autoridade docente é a garantia da assimilação dos modelos exemplares. A autoridade docente é a garantia da assimilação dos modelos exemplares, sendo a avaliação focada na reprodução exata das informações repassadas. 


( ) A prática pedagógica assume a responsabilidade de garantir a apropriação do acervo cultural e científico da humanidade. A vivência imediata dos estudantes é confrontada com o saber sistematizado, permitindo a superação do senso comum e uma leitura estruturada e transformadora da realidade.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA da associação.

Alternativas
Q3885418 Pedagogia

LEIA O TEXTO ABAIXO E, EM SEGUIDA, RESPONDA A QUESTÃO


A ESCOLA AFASTADA DA VIDA

Antonio Perez Esclarín


        Derrubaram a velha escola e, em seu lugar, ergueram uma escola moderníssima e valiosa. Construída com ricos materiais, o luxo e a elegância brilhavam por todos os lugares. Nada lhe faltava: laboratórios, biblioteca, centros de orientação… Não obstante, os alunos definhavam de tédio e se sentiam estranhos, como em uma jaula dourada.

       

     O diretor não podia ocultar seu desconcerto, pois estava convencido de que a antiga apatia dos alunos se devia às pobres condições da velha escola e pensava que, na nova, tudo se modificaria.

       

     Um dia, um sábio pedagogo visitou a escola e, depois de escutar a queixa do diretor, levou-o a uma estação de trens que contava com todos os avanços tecnológicos e era uma obra-prima arquitetônica, mas tinha um único e gravíssimo problema: tinham-na construído longe dos trilhos. Por ali, não passava nenhum trem.

        

        — Tudo muito bonito e moderno, disse o diretor, mas para que serve uma estação longe dos trens?

      

      — E para que serve sua nova e luxuosa escola, se continua longe da vida? Creio que li em uma das obras de Tony de Mello a história do paraquedista que caiu na copa de uma árvore sem ter a menor ideia de onde se encontrava. Antes de poder desembaraçar-se dos ramos da árvore, passou por ali um caminhante, e o paraquedista lhe perguntou:

       

     — O senhor poderia, por favor, dizer-me onde estou?

      

      — O senhor se encontra em uma árvore.

     

       — Por acaso o senhor é professor? — Como soube?

     

       — Porque o que diz é verdade, mas não me serve de nada.


        Mostra-se, também, pertinente a história de um menino realmente habilidoso que vivia sempre inventando, consertando coisas, desmontando e voltando a montar aparelhos, plantando sementes, recolhendo ninhos, fabricando carrinhos… e costumava dizer: “Agora tenho de abandonar a aprendizagem por um grande período de tempo, porque tenho de ir à escola”.

        

        Uma das maiores fatalidades da escola atual é seu afastamento da vida. O mundo escolar construiu um mundo artificial dentro do mundo real, e a maioria das coisas que se exigem e se aprendem na escola só serve para permanecer ou continuar ascendendo em uma corrida de obstáculos que, com demasiada frequência, não leva a lugar algum. A escola gira e gira em um mundo irreal e sem importância, de conhecimentos mortos, em que o saber, em vez de ser capacidade para viver com maior plenitude, é concebido como acúmulo de dados desconexos, datas, conceitos, fórmulas, números… recital de um rito sem sentido.

       

        Só educaremos para a vida se a escola, os programas, os conteúdos estiverem imersos na realidade e na vida cotidiana do aluno, de sua família, do bairro, do povoado, da cidade, do país. O autêntico planejamento parte da experiência, dos saberes, dos sentimentos e das necessidades dos alunos, de tal modo a mergulhar a prática escolar na prática social cotidiana de sua vida. Abramos à vida os portões e as janelas das escolas. Deixemos que a realidade invada os programas. Não esqueçamos que só é possível preparar para a vida no âmbito da própria vida. Não nos queixemos da apatia dos alunos, se o ideal de nossas escolas parece ser o silêncio e a paz dos cemitérios. 



ESCLARÍN, Antonio Perez. Educar valores e o valor de educar: parábolas. São Paulo: Paulus, 2002.


Releia o trecho abaixo: 


"A escola gira e gira em um mundo irreal e sem importância, de conhecimentos mortos, em que o saber... é concebido como acúmulo de dados desconexos, datas, conceitos, fórmulas, números… recital de um rito sem sentido." 


Para que a escola possa aproximar-se da vida, como sugere o autor, é necessário que o professor realize a transformação do conhecimento científico e cultural, denominado de "Saber Sábio", em conteúdo a ser ensinado nas escolas, o "Saber Ensinado".

No campo da Didática, o nome que se atribui a essa etapa de recontextualização e adaptação do saber para o ensino é 

Alternativas
Respostas
21: D
22: D
23: A
24: E
25: E
26: D
27: B
28: A
29: B
30: A
31: D
32: C
33: E
34: E
35: C
36: B
37: C
38: C
39: B
40: B