Questões de Concurso Público UFRRJ 2022 para Assistente em Administração

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Q4366359 Português
Texto I


Criados com esgoto a céu aberto, pesquisadores brasileiros mostram ao mundo relação entre saneamento e a Covid-19


      Nem sempre a mudança que queremos ver no mundo vem de “grandes heróis” ou de governos profundamente comprometidos com a agenda climática. Na maioria das vezes, histórias inspiradoras residem ao nosso lado, guardadas e vividas por pessoas que dentro da sua área de atuação decidem fazer o que está ao seu alcance para ver a transformação que desejam no Planeta.

       As regiões Norte e Nordeste do país são palco de uma dessas histórias que conscientizam, inspiram e engajam. E os protagonistas são dois brasileiros que acabam de publicar um artigo sobre a relação entre a falta de saneamento básico e a Covid-19 na Springer Nature, uma das maiores e mais renomadas editoras científicas do mundo.

    Estudantes de universidades públicas, James Thiago Cruz (Mestre em Desenvolvimento Sustentável), de Belém do Pará, e Erleyvaldo Bispo (Graduando em Engenharia Florestal na UFRRJ), de Lagarto, Sergipe, se basearam em sua realidade local para buscar soluções para a falta de saneamento básico. No estudo, eles alertam as populações e os governos dos impactos da ausência de água encanada e limpa e esgotamento sanitário, e da relação dessas carências com a expansão do novo coronavírus.

     O artigo foi desenvolvido, escrito e traduzido para o inglês entre abril e junho de 2020, retratando aquele período da crise sanitária no país. A dupla partiu de uma percepção trazida por estudos internacionais de que o SARS-CoV-2 poderia ter sua transmissão potencializada pela água não-tratada, visto que outros coronavírus antecessores já eram transmitidos por via entérica, ou seja, oral e fecal.

     “A falta de água dificulta o atendimento a medidas de higienização como a lavagem adequada das mãos, lavagem de utensílios domésticos coletivos etc. E os estudos científicos comprovavam a sobrevivência do coronavírus em água de esgoto entre uma e duas semanas, inclusive, em águas de esgoto da Holanda, foi identificada a presença do SARS-CoV-2 antes mesmo de a pandemia eclodir na China”, explicou James.

      A pesquisa evidenciou que as regiões brasileiras com maior número de óbitos e índice de transmissão da Covid-19 eram aquelas cuja população tinha menos acesso à água limpa e saneamento básico.

      “Nosso objetivo era justamente dar visibilidade a essa agenda que é um direito básico dos cidadãos, mas que infelizmente não está sendo garantido a todos no Brasil. Nós somos 70% água, desde o útero de nossa mãe estamos cercados por ela, precisamos valorizar esse bem comum, inclusive a nível educacional”, provoca Erley. 

     O pesquisador e ativista também defende a importância de promover a resiliência dentro das comunidades por meio de informação e incentivos para que todos pensem em soluções inovadoras para este nocivo problema.

     Segundo James, estimular a adoção de políticas públicas e ações por parte da iniciativa privada relacionadas ao saneamento é fundamental. “Com o nosso trabalho queremos estimular movimentos sociais e startups a desenvolverem alternativas e soluções criativas em comunidades que carecem do acesso à água limpa e de qualidade. Também desejamos dar visibilidade às inovações que já estão sendo realizadas no país bem como fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias sociais”, pontua.

     A dupla realizou a coleta e análise de dados sem apoio público ou patrocínio algum, todo investimento na pesquisa partiu de recursos pessoais dos pesquisadores. E este não foi o único desafio enfrentado.

      “Nós fizemos tudo isso durante o auge da pandemia, por isso, não pudemos realizar o trabalho de campo como gostaríamos, com entrevistas etc. Toda coleta de dados dependeu de um bom acesso à internet para conseguirmos as informações que já estavam disponíveis em outros estudos científicos”, comentou James. Como muitos brasileiros, o pesquisador ainda teve de lidar com desafios emocionais, como crise de pânico e ansiedade, que fizeram parte de sua vida durante a quarentena.

      Os dois rapazes estão transformando desafio em aprendizado e resiliência. Mais importante: passam tudo isso adiante. “Nós queremos estimular jovens da periferia bem como as comunidades mais vulneráveis a enxergar o seu potencial de transformar o mundo. Todos têm voz e têm vez”, crava James.


(Adaptado de GASPARINI, Nicole. https://umsoplaneta.globo.com/energia. 17 jun. 2021. Acesso em 25/10/2021.)

A introdução apresentada no 1º parágrafo do texto de Nicole Gasparini, sobre pesquisa envolvendo a relação entre saneamento e a Covid-19, antecipa um ponto relevante da reportagem, que é 

Alternativas
Q4366360 Português
Texto I


Criados com esgoto a céu aberto, pesquisadores brasileiros mostram ao mundo relação entre saneamento e a Covid-19


      Nem sempre a mudança que queremos ver no mundo vem de “grandes heróis” ou de governos profundamente comprometidos com a agenda climática. Na maioria das vezes, histórias inspiradoras residem ao nosso lado, guardadas e vividas por pessoas que dentro da sua área de atuação decidem fazer o que está ao seu alcance para ver a transformação que desejam no Planeta.

       As regiões Norte e Nordeste do país são palco de uma dessas histórias que conscientizam, inspiram e engajam. E os protagonistas são dois brasileiros que acabam de publicar um artigo sobre a relação entre a falta de saneamento básico e a Covid-19 na Springer Nature, uma das maiores e mais renomadas editoras científicas do mundo.

    Estudantes de universidades públicas, James Thiago Cruz (Mestre em Desenvolvimento Sustentável), de Belém do Pará, e Erleyvaldo Bispo (Graduando em Engenharia Florestal na UFRRJ), de Lagarto, Sergipe, se basearam em sua realidade local para buscar soluções para a falta de saneamento básico. No estudo, eles alertam as populações e os governos dos impactos da ausência de água encanada e limpa e esgotamento sanitário, e da relação dessas carências com a expansão do novo coronavírus.

     O artigo foi desenvolvido, escrito e traduzido para o inglês entre abril e junho de 2020, retratando aquele período da crise sanitária no país. A dupla partiu de uma percepção trazida por estudos internacionais de que o SARS-CoV-2 poderia ter sua transmissão potencializada pela água não-tratada, visto que outros coronavírus antecessores já eram transmitidos por via entérica, ou seja, oral e fecal.

     “A falta de água dificulta o atendimento a medidas de higienização como a lavagem adequada das mãos, lavagem de utensílios domésticos coletivos etc. E os estudos científicos comprovavam a sobrevivência do coronavírus em água de esgoto entre uma e duas semanas, inclusive, em águas de esgoto da Holanda, foi identificada a presença do SARS-CoV-2 antes mesmo de a pandemia eclodir na China”, explicou James.

      A pesquisa evidenciou que as regiões brasileiras com maior número de óbitos e índice de transmissão da Covid-19 eram aquelas cuja população tinha menos acesso à água limpa e saneamento básico.

      “Nosso objetivo era justamente dar visibilidade a essa agenda que é um direito básico dos cidadãos, mas que infelizmente não está sendo garantido a todos no Brasil. Nós somos 70% água, desde o útero de nossa mãe estamos cercados por ela, precisamos valorizar esse bem comum, inclusive a nível educacional”, provoca Erley. 

     O pesquisador e ativista também defende a importância de promover a resiliência dentro das comunidades por meio de informação e incentivos para que todos pensem em soluções inovadoras para este nocivo problema.

     Segundo James, estimular a adoção de políticas públicas e ações por parte da iniciativa privada relacionadas ao saneamento é fundamental. “Com o nosso trabalho queremos estimular movimentos sociais e startups a desenvolverem alternativas e soluções criativas em comunidades que carecem do acesso à água limpa e de qualidade. Também desejamos dar visibilidade às inovações que já estão sendo realizadas no país bem como fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias sociais”, pontua.

     A dupla realizou a coleta e análise de dados sem apoio público ou patrocínio algum, todo investimento na pesquisa partiu de recursos pessoais dos pesquisadores. E este não foi o único desafio enfrentado.

      “Nós fizemos tudo isso durante o auge da pandemia, por isso, não pudemos realizar o trabalho de campo como gostaríamos, com entrevistas etc. Toda coleta de dados dependeu de um bom acesso à internet para conseguirmos as informações que já estavam disponíveis em outros estudos científicos”, comentou James. Como muitos brasileiros, o pesquisador ainda teve de lidar com desafios emocionais, como crise de pânico e ansiedade, que fizeram parte de sua vida durante a quarentena.

      Os dois rapazes estão transformando desafio em aprendizado e resiliência. Mais importante: passam tudo isso adiante. “Nós queremos estimular jovens da periferia bem como as comunidades mais vulneráveis a enxergar o seu potencial de transformar o mundo. Todos têm voz e têm vez”, crava James.


(Adaptado de GASPARINI, Nicole. https://umsoplaneta.globo.com/energia. 17 jun. 2021. Acesso em 25/10/2021.)
A pesquisa dos jovens James e Erleyvaldo reforçou o entendimento, já revelado por outros estudos internacionais, de que
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Q4366361 Português
Texto I


Criados com esgoto a céu aberto, pesquisadores brasileiros mostram ao mundo relação entre saneamento e a Covid-19


      Nem sempre a mudança que queremos ver no mundo vem de “grandes heróis” ou de governos profundamente comprometidos com a agenda climática. Na maioria das vezes, histórias inspiradoras residem ao nosso lado, guardadas e vividas por pessoas que dentro da sua área de atuação decidem fazer o que está ao seu alcance para ver a transformação que desejam no Planeta.

       As regiões Norte e Nordeste do país são palco de uma dessas histórias que conscientizam, inspiram e engajam. E os protagonistas são dois brasileiros que acabam de publicar um artigo sobre a relação entre a falta de saneamento básico e a Covid-19 na Springer Nature, uma das maiores e mais renomadas editoras científicas do mundo.

    Estudantes de universidades públicas, James Thiago Cruz (Mestre em Desenvolvimento Sustentável), de Belém do Pará, e Erleyvaldo Bispo (Graduando em Engenharia Florestal na UFRRJ), de Lagarto, Sergipe, se basearam em sua realidade local para buscar soluções para a falta de saneamento básico. No estudo, eles alertam as populações e os governos dos impactos da ausência de água encanada e limpa e esgotamento sanitário, e da relação dessas carências com a expansão do novo coronavírus.

     O artigo foi desenvolvido, escrito e traduzido para o inglês entre abril e junho de 2020, retratando aquele período da crise sanitária no país. A dupla partiu de uma percepção trazida por estudos internacionais de que o SARS-CoV-2 poderia ter sua transmissão potencializada pela água não-tratada, visto que outros coronavírus antecessores já eram transmitidos por via entérica, ou seja, oral e fecal.

     “A falta de água dificulta o atendimento a medidas de higienização como a lavagem adequada das mãos, lavagem de utensílios domésticos coletivos etc. E os estudos científicos comprovavam a sobrevivência do coronavírus em água de esgoto entre uma e duas semanas, inclusive, em águas de esgoto da Holanda, foi identificada a presença do SARS-CoV-2 antes mesmo de a pandemia eclodir na China”, explicou James.

      A pesquisa evidenciou que as regiões brasileiras com maior número de óbitos e índice de transmissão da Covid-19 eram aquelas cuja população tinha menos acesso à água limpa e saneamento básico.

      “Nosso objetivo era justamente dar visibilidade a essa agenda que é um direito básico dos cidadãos, mas que infelizmente não está sendo garantido a todos no Brasil. Nós somos 70% água, desde o útero de nossa mãe estamos cercados por ela, precisamos valorizar esse bem comum, inclusive a nível educacional”, provoca Erley. 

     O pesquisador e ativista também defende a importância de promover a resiliência dentro das comunidades por meio de informação e incentivos para que todos pensem em soluções inovadoras para este nocivo problema.

     Segundo James, estimular a adoção de políticas públicas e ações por parte da iniciativa privada relacionadas ao saneamento é fundamental. “Com o nosso trabalho queremos estimular movimentos sociais e startups a desenvolverem alternativas e soluções criativas em comunidades que carecem do acesso à água limpa e de qualidade. Também desejamos dar visibilidade às inovações que já estão sendo realizadas no país bem como fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias sociais”, pontua.

     A dupla realizou a coleta e análise de dados sem apoio público ou patrocínio algum, todo investimento na pesquisa partiu de recursos pessoais dos pesquisadores. E este não foi o único desafio enfrentado.

      “Nós fizemos tudo isso durante o auge da pandemia, por isso, não pudemos realizar o trabalho de campo como gostaríamos, com entrevistas etc. Toda coleta de dados dependeu de um bom acesso à internet para conseguirmos as informações que já estavam disponíveis em outros estudos científicos”, comentou James. Como muitos brasileiros, o pesquisador ainda teve de lidar com desafios emocionais, como crise de pânico e ansiedade, que fizeram parte de sua vida durante a quarentena.

      Os dois rapazes estão transformando desafio em aprendizado e resiliência. Mais importante: passam tudo isso adiante. “Nós queremos estimular jovens da periferia bem como as comunidades mais vulneráveis a enxergar o seu potencial de transformar o mundo. Todos têm voz e têm vez”, crava James.


(Adaptado de GASPARINI, Nicole. https://umsoplaneta.globo.com/energia. 17 jun. 2021. Acesso em 25/10/2021.)
O texto I é classificado como reportagem porque 
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Q4366362 Português
Texto I


Criados com esgoto a céu aberto, pesquisadores brasileiros mostram ao mundo relação entre saneamento e a Covid-19


      Nem sempre a mudança que queremos ver no mundo vem de “grandes heróis” ou de governos profundamente comprometidos com a agenda climática. Na maioria das vezes, histórias inspiradoras residem ao nosso lado, guardadas e vividas por pessoas que dentro da sua área de atuação decidem fazer o que está ao seu alcance para ver a transformação que desejam no Planeta.

       As regiões Norte e Nordeste do país são palco de uma dessas histórias que conscientizam, inspiram e engajam. E os protagonistas são dois brasileiros que acabam de publicar um artigo sobre a relação entre a falta de saneamento básico e a Covid-19 na Springer Nature, uma das maiores e mais renomadas editoras científicas do mundo.

    Estudantes de universidades públicas, James Thiago Cruz (Mestre em Desenvolvimento Sustentável), de Belém do Pará, e Erleyvaldo Bispo (Graduando em Engenharia Florestal na UFRRJ), de Lagarto, Sergipe, se basearam em sua realidade local para buscar soluções para a falta de saneamento básico. No estudo, eles alertam as populações e os governos dos impactos da ausência de água encanada e limpa e esgotamento sanitário, e da relação dessas carências com a expansão do novo coronavírus.

     O artigo foi desenvolvido, escrito e traduzido para o inglês entre abril e junho de 2020, retratando aquele período da crise sanitária no país. A dupla partiu de uma percepção trazida por estudos internacionais de que o SARS-CoV-2 poderia ter sua transmissão potencializada pela água não-tratada, visto que outros coronavírus antecessores já eram transmitidos por via entérica, ou seja, oral e fecal.

     “A falta de água dificulta o atendimento a medidas de higienização como a lavagem adequada das mãos, lavagem de utensílios domésticos coletivos etc. E os estudos científicos comprovavam a sobrevivência do coronavírus em água de esgoto entre uma e duas semanas, inclusive, em águas de esgoto da Holanda, foi identificada a presença do SARS-CoV-2 antes mesmo de a pandemia eclodir na China”, explicou James.

      A pesquisa evidenciou que as regiões brasileiras com maior número de óbitos e índice de transmissão da Covid-19 eram aquelas cuja população tinha menos acesso à água limpa e saneamento básico.

      “Nosso objetivo era justamente dar visibilidade a essa agenda que é um direito básico dos cidadãos, mas que infelizmente não está sendo garantido a todos no Brasil. Nós somos 70% água, desde o útero de nossa mãe estamos cercados por ela, precisamos valorizar esse bem comum, inclusive a nível educacional”, provoca Erley. 

     O pesquisador e ativista também defende a importância de promover a resiliência dentro das comunidades por meio de informação e incentivos para que todos pensem em soluções inovadoras para este nocivo problema.

     Segundo James, estimular a adoção de políticas públicas e ações por parte da iniciativa privada relacionadas ao saneamento é fundamental. “Com o nosso trabalho queremos estimular movimentos sociais e startups a desenvolverem alternativas e soluções criativas em comunidades que carecem do acesso à água limpa e de qualidade. Também desejamos dar visibilidade às inovações que já estão sendo realizadas no país bem como fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias sociais”, pontua.

     A dupla realizou a coleta e análise de dados sem apoio público ou patrocínio algum, todo investimento na pesquisa partiu de recursos pessoais dos pesquisadores. E este não foi o único desafio enfrentado.

      “Nós fizemos tudo isso durante o auge da pandemia, por isso, não pudemos realizar o trabalho de campo como gostaríamos, com entrevistas etc. Toda coleta de dados dependeu de um bom acesso à internet para conseguirmos as informações que já estavam disponíveis em outros estudos científicos”, comentou James. Como muitos brasileiros, o pesquisador ainda teve de lidar com desafios emocionais, como crise de pânico e ansiedade, que fizeram parte de sua vida durante a quarentena.

      Os dois rapazes estão transformando desafio em aprendizado e resiliência. Mais importante: passam tudo isso adiante. “Nós queremos estimular jovens da periferia bem como as comunidades mais vulneráveis a enxergar o seu potencial de transformar o mundo. Todos têm voz e têm vez”, crava James.


(Adaptado de GASPARINI, Nicole. https://umsoplaneta.globo.com/energia. 17 jun. 2021. Acesso em 25/10/2021.)
“O pesquisador e ativista também defende a importância de promover a resiliência dentro das comunidades por meio de informação e incentivos para que todos pensem em soluções inovadoras para este nocivo problema” (8º parágrafo).
A palavra em destaque pode ser substituída, sem perda de sentido na frase, pelo termo
Alternativas
Q4366363 Português
Texto I


Criados com esgoto a céu aberto, pesquisadores brasileiros mostram ao mundo relação entre saneamento e a Covid-19


      Nem sempre a mudança que queremos ver no mundo vem de “grandes heróis” ou de governos profundamente comprometidos com a agenda climática. Na maioria das vezes, histórias inspiradoras residem ao nosso lado, guardadas e vividas por pessoas que dentro da sua área de atuação decidem fazer o que está ao seu alcance para ver a transformação que desejam no Planeta.

       As regiões Norte e Nordeste do país são palco de uma dessas histórias que conscientizam, inspiram e engajam. E os protagonistas são dois brasileiros que acabam de publicar um artigo sobre a relação entre a falta de saneamento básico e a Covid-19 na Springer Nature, uma das maiores e mais renomadas editoras científicas do mundo.

    Estudantes de universidades públicas, James Thiago Cruz (Mestre em Desenvolvimento Sustentável), de Belém do Pará, e Erleyvaldo Bispo (Graduando em Engenharia Florestal na UFRRJ), de Lagarto, Sergipe, se basearam em sua realidade local para buscar soluções para a falta de saneamento básico. No estudo, eles alertam as populações e os governos dos impactos da ausência de água encanada e limpa e esgotamento sanitário, e da relação dessas carências com a expansão do novo coronavírus.

     O artigo foi desenvolvido, escrito e traduzido para o inglês entre abril e junho de 2020, retratando aquele período da crise sanitária no país. A dupla partiu de uma percepção trazida por estudos internacionais de que o SARS-CoV-2 poderia ter sua transmissão potencializada pela água não-tratada, visto que outros coronavírus antecessores já eram transmitidos por via entérica, ou seja, oral e fecal.

     “A falta de água dificulta o atendimento a medidas de higienização como a lavagem adequada das mãos, lavagem de utensílios domésticos coletivos etc. E os estudos científicos comprovavam a sobrevivência do coronavírus em água de esgoto entre uma e duas semanas, inclusive, em águas de esgoto da Holanda, foi identificada a presença do SARS-CoV-2 antes mesmo de a pandemia eclodir na China”, explicou James.

      A pesquisa evidenciou que as regiões brasileiras com maior número de óbitos e índice de transmissão da Covid-19 eram aquelas cuja população tinha menos acesso à água limpa e saneamento básico.

      “Nosso objetivo era justamente dar visibilidade a essa agenda que é um direito básico dos cidadãos, mas que infelizmente não está sendo garantido a todos no Brasil. Nós somos 70% água, desde o útero de nossa mãe estamos cercados por ela, precisamos valorizar esse bem comum, inclusive a nível educacional”, provoca Erley. 

     O pesquisador e ativista também defende a importância de promover a resiliência dentro das comunidades por meio de informação e incentivos para que todos pensem em soluções inovadoras para este nocivo problema.

     Segundo James, estimular a adoção de políticas públicas e ações por parte da iniciativa privada relacionadas ao saneamento é fundamental. “Com o nosso trabalho queremos estimular movimentos sociais e startups a desenvolverem alternativas e soluções criativas em comunidades que carecem do acesso à água limpa e de qualidade. Também desejamos dar visibilidade às inovações que já estão sendo realizadas no país bem como fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias sociais”, pontua.

     A dupla realizou a coleta e análise de dados sem apoio público ou patrocínio algum, todo investimento na pesquisa partiu de recursos pessoais dos pesquisadores. E este não foi o único desafio enfrentado.

      “Nós fizemos tudo isso durante o auge da pandemia, por isso, não pudemos realizar o trabalho de campo como gostaríamos, com entrevistas etc. Toda coleta de dados dependeu de um bom acesso à internet para conseguirmos as informações que já estavam disponíveis em outros estudos científicos”, comentou James. Como muitos brasileiros, o pesquisador ainda teve de lidar com desafios emocionais, como crise de pânico e ansiedade, que fizeram parte de sua vida durante a quarentena.

      Os dois rapazes estão transformando desafio em aprendizado e resiliência. Mais importante: passam tudo isso adiante. “Nós queremos estimular jovens da periferia bem como as comunidades mais vulneráveis a enxergar o seu potencial de transformar o mundo. Todos têm voz e têm vez”, crava James.


(Adaptado de GASPARINI, Nicole. https://umsoplaneta.globo.com/energia. 17 jun. 2021. Acesso em 25/10/2021.)
“O artigo foi desenvolvido, escrito e traduzido para o inglês entre abril e junho de 2020, retratando aquele período da crise sanitária no país” (4º parágrafo).
O termo em destaque foi utilizado para
Alternativas
Q4366364 Português
Texto I


Criados com esgoto a céu aberto, pesquisadores brasileiros mostram ao mundo relação entre saneamento e a Covid-19


      Nem sempre a mudança que queremos ver no mundo vem de “grandes heróis” ou de governos profundamente comprometidos com a agenda climática. Na maioria das vezes, histórias inspiradoras residem ao nosso lado, guardadas e vividas por pessoas que dentro da sua área de atuação decidem fazer o que está ao seu alcance para ver a transformação que desejam no Planeta.

       As regiões Norte e Nordeste do país são palco de uma dessas histórias que conscientizam, inspiram e engajam. E os protagonistas são dois brasileiros que acabam de publicar um artigo sobre a relação entre a falta de saneamento básico e a Covid-19 na Springer Nature, uma das maiores e mais renomadas editoras científicas do mundo.

    Estudantes de universidades públicas, James Thiago Cruz (Mestre em Desenvolvimento Sustentável), de Belém do Pará, e Erleyvaldo Bispo (Graduando em Engenharia Florestal na UFRRJ), de Lagarto, Sergipe, se basearam em sua realidade local para buscar soluções para a falta de saneamento básico. No estudo, eles alertam as populações e os governos dos impactos da ausência de água encanada e limpa e esgotamento sanitário, e da relação dessas carências com a expansão do novo coronavírus.

     O artigo foi desenvolvido, escrito e traduzido para o inglês entre abril e junho de 2020, retratando aquele período da crise sanitária no país. A dupla partiu de uma percepção trazida por estudos internacionais de que o SARS-CoV-2 poderia ter sua transmissão potencializada pela água não-tratada, visto que outros coronavírus antecessores já eram transmitidos por via entérica, ou seja, oral e fecal.

     “A falta de água dificulta o atendimento a medidas de higienização como a lavagem adequada das mãos, lavagem de utensílios domésticos coletivos etc. E os estudos científicos comprovavam a sobrevivência do coronavírus em água de esgoto entre uma e duas semanas, inclusive, em águas de esgoto da Holanda, foi identificada a presença do SARS-CoV-2 antes mesmo de a pandemia eclodir na China”, explicou James.

      A pesquisa evidenciou que as regiões brasileiras com maior número de óbitos e índice de transmissão da Covid-19 eram aquelas cuja população tinha menos acesso à água limpa e saneamento básico.

      “Nosso objetivo era justamente dar visibilidade a essa agenda que é um direito básico dos cidadãos, mas que infelizmente não está sendo garantido a todos no Brasil. Nós somos 70% água, desde o útero de nossa mãe estamos cercados por ela, precisamos valorizar esse bem comum, inclusive a nível educacional”, provoca Erley. 

     O pesquisador e ativista também defende a importância de promover a resiliência dentro das comunidades por meio de informação e incentivos para que todos pensem em soluções inovadoras para este nocivo problema.

     Segundo James, estimular a adoção de políticas públicas e ações por parte da iniciativa privada relacionadas ao saneamento é fundamental. “Com o nosso trabalho queremos estimular movimentos sociais e startups a desenvolverem alternativas e soluções criativas em comunidades que carecem do acesso à água limpa e de qualidade. Também desejamos dar visibilidade às inovações que já estão sendo realizadas no país bem como fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias sociais”, pontua.

     A dupla realizou a coleta e análise de dados sem apoio público ou patrocínio algum, todo investimento na pesquisa partiu de recursos pessoais dos pesquisadores. E este não foi o único desafio enfrentado.

      “Nós fizemos tudo isso durante o auge da pandemia, por isso, não pudemos realizar o trabalho de campo como gostaríamos, com entrevistas etc. Toda coleta de dados dependeu de um bom acesso à internet para conseguirmos as informações que já estavam disponíveis em outros estudos científicos”, comentou James. Como muitos brasileiros, o pesquisador ainda teve de lidar com desafios emocionais, como crise de pânico e ansiedade, que fizeram parte de sua vida durante a quarentena.

      Os dois rapazes estão transformando desafio em aprendizado e resiliência. Mais importante: passam tudo isso adiante. “Nós queremos estimular jovens da periferia bem como as comunidades mais vulneráveis a enxergar o seu potencial de transformar o mundo. Todos têm voz e têm vez”, crava James.


(Adaptado de GASPARINI, Nicole. https://umsoplaneta.globo.com/energia. 17 jun. 2021. Acesso em 25/10/2021.)
“No estudo, eles alertam as populações e os governos dos impactos da ausência de água encanada e limpa e esgotamento sanitário (...)” (3º parágrafo)
Modificando a parte inicial da frase para “No estudo, eles alertam às populações e aos governos” e levando em conta a regência do verbo alertar, o restante do trecho deveria apresentar a seguinte alteração: 
Alternativas
Q4366365 Português
Texto I


Criados com esgoto a céu aberto, pesquisadores brasileiros mostram ao mundo relação entre saneamento e a Covid-19


      Nem sempre a mudança que queremos ver no mundo vem de “grandes heróis” ou de governos profundamente comprometidos com a agenda climática. Na maioria das vezes, histórias inspiradoras residem ao nosso lado, guardadas e vividas por pessoas que dentro da sua área de atuação decidem fazer o que está ao seu alcance para ver a transformação que desejam no Planeta.

       As regiões Norte e Nordeste do país são palco de uma dessas histórias que conscientizam, inspiram e engajam. E os protagonistas são dois brasileiros que acabam de publicar um artigo sobre a relação entre a falta de saneamento básico e a Covid-19 na Springer Nature, uma das maiores e mais renomadas editoras científicas do mundo.

    Estudantes de universidades públicas, James Thiago Cruz (Mestre em Desenvolvimento Sustentável), de Belém do Pará, e Erleyvaldo Bispo (Graduando em Engenharia Florestal na UFRRJ), de Lagarto, Sergipe, se basearam em sua realidade local para buscar soluções para a falta de saneamento básico. No estudo, eles alertam as populações e os governos dos impactos da ausência de água encanada e limpa e esgotamento sanitário, e da relação dessas carências com a expansão do novo coronavírus.

     O artigo foi desenvolvido, escrito e traduzido para o inglês entre abril e junho de 2020, retratando aquele período da crise sanitária no país. A dupla partiu de uma percepção trazida por estudos internacionais de que o SARS-CoV-2 poderia ter sua transmissão potencializada pela água não-tratada, visto que outros coronavírus antecessores já eram transmitidos por via entérica, ou seja, oral e fecal.

     “A falta de água dificulta o atendimento a medidas de higienização como a lavagem adequada das mãos, lavagem de utensílios domésticos coletivos etc. E os estudos científicos comprovavam a sobrevivência do coronavírus em água de esgoto entre uma e duas semanas, inclusive, em águas de esgoto da Holanda, foi identificada a presença do SARS-CoV-2 antes mesmo de a pandemia eclodir na China”, explicou James.

      A pesquisa evidenciou que as regiões brasileiras com maior número de óbitos e índice de transmissão da Covid-19 eram aquelas cuja população tinha menos acesso à água limpa e saneamento básico.

      “Nosso objetivo era justamente dar visibilidade a essa agenda que é um direito básico dos cidadãos, mas que infelizmente não está sendo garantido a todos no Brasil. Nós somos 70% água, desde o útero de nossa mãe estamos cercados por ela, precisamos valorizar esse bem comum, inclusive a nível educacional”, provoca Erley. 

     O pesquisador e ativista também defende a importância de promover a resiliência dentro das comunidades por meio de informação e incentivos para que todos pensem em soluções inovadoras para este nocivo problema.

     Segundo James, estimular a adoção de políticas públicas e ações por parte da iniciativa privada relacionadas ao saneamento é fundamental. “Com o nosso trabalho queremos estimular movimentos sociais e startups a desenvolverem alternativas e soluções criativas em comunidades que carecem do acesso à água limpa e de qualidade. Também desejamos dar visibilidade às inovações que já estão sendo realizadas no país bem como fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias sociais”, pontua.

     A dupla realizou a coleta e análise de dados sem apoio público ou patrocínio algum, todo investimento na pesquisa partiu de recursos pessoais dos pesquisadores. E este não foi o único desafio enfrentado.

      “Nós fizemos tudo isso durante o auge da pandemia, por isso, não pudemos realizar o trabalho de campo como gostaríamos, com entrevistas etc. Toda coleta de dados dependeu de um bom acesso à internet para conseguirmos as informações que já estavam disponíveis em outros estudos científicos”, comentou James. Como muitos brasileiros, o pesquisador ainda teve de lidar com desafios emocionais, como crise de pânico e ansiedade, que fizeram parte de sua vida durante a quarentena.

      Os dois rapazes estão transformando desafio em aprendizado e resiliência. Mais importante: passam tudo isso adiante. “Nós queremos estimular jovens da periferia bem como as comunidades mais vulneráveis a enxergar o seu potencial de transformar o mundo. Todos têm voz e têm vez”, crava James.


(Adaptado de GASPARINI, Nicole. https://umsoplaneta.globo.com/energia. 17 jun. 2021. Acesso em 25/10/2021.)
Observe as frases:
I) As regiões Norte e Nordeste não têm acesso a saneamento. II) Eu me referi às populações das regiões Norte e Nordeste anteriormente.
Ao unir os períodos I e II em uma única frase usando o pronome CUJA, a sentença correta seria: 
Alternativas
Q4366366 Português
Texto II
Isenção de ânimo


Tendo comprado um apartamento, foi à repartição dar entrada nos papéis requerendo isenção do imposto de transmissão. Um funcionário pálido e de bigodinho antipático o atendeu. Depois de examinar os documentos, sorriu sadicamente:

_ O senhor não vai conseguir isenção.

_ Posso saber por quê?

_ Porque – explicou o homenzinho, juntando os dedos no ar e escandindo as palavras com precisão – estou aqui para selecionar os papéis.

_ Isso não quer dizer que eu não consiga a isenção.

_ Perdão: e quem disse que os seus papéis estão em ordem?

_ Então examine e veja se não estão.

O funcionário começou a examinar meticulosamente os papéis com um sorriso de quem diz: “Já lhe mostro... Já lhe mostro...” E mostrou mesmo:

_ Olhe aqui: falta reconhecer a firma deste documento.

Continuou a procurar, mas não encontrou qualquer outra irregularidade.

_ Ainda assim, posso assegurar-lhe que não vai conseguir – afirmou, com delicadeza profissional.

_ Não vou conseguir por quê?

_ Não se exalte. Não se exalte. Estou aqui para selecionar... 

_ Pois se não conseguir vou à Justiça, faço valer os meus direitos. O senhor vai ver só.

_ Duvidê-ó-dó... – suspirou o funcionário.

E voltou-se polidamente para outro cidadão que esperava a sua vez:

_ O senhor? Em que posso ser útil?

_ Dar entrada nestes papéis – disse o homem com truculência.

_ Isenção? Deixa ver aqui... O senhor não vai conseguir.

─ Por quê?

_ O documento diz aqui: “Por ter servido durante a guerra...” servido! e não prestado serviço. Meu amigo, há uma diferença entre servir e prestar serviço. Servir é compulsório; prestar serviço quer dizer: fazer algum serviço vo-lun-ta-ria-men-te. O senhor não vai conseguir.

_ Se não conseguir, eu pago o imposto – resignou-se o homem.

_O problema é seu – encerrou o funcionário: ─ Estou aqui para selecionar os papéis.


(Adaptado de SABINO, Fernando. In: A mulher do vizinho. 9 ed. RJ: Record, s/data, p.42-44.)

A palavra “isenção”, presente no título do texto, apresenta vários sentidos no Dicionário Online de Português (www.dicio.com.br). Entre os sentidos apresentados a seguir, que tomam por base esse Dicionário, aquele que expressa a atitude do funcionário da repartição diante dos dois contribuintes é 
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Q4366367 Português
Texto II
Isenção de ânimo


Tendo comprado um apartamento, foi à repartição dar entrada nos papéis requerendo isenção do imposto de transmissão. Um funcionário pálido e de bigodinho antipático o atendeu. Depois de examinar os documentos, sorriu sadicamente:

_ O senhor não vai conseguir isenção.

_ Posso saber por quê?

_ Porque – explicou o homenzinho, juntando os dedos no ar e escandindo as palavras com precisão – estou aqui para selecionar os papéis.

_ Isso não quer dizer que eu não consiga a isenção.

_ Perdão: e quem disse que os seus papéis estão em ordem?

_ Então examine e veja se não estão.

O funcionário começou a examinar meticulosamente os papéis com um sorriso de quem diz: “Já lhe mostro... Já lhe mostro...” E mostrou mesmo:

_ Olhe aqui: falta reconhecer a firma deste documento.

Continuou a procurar, mas não encontrou qualquer outra irregularidade.

_ Ainda assim, posso assegurar-lhe que não vai conseguir – afirmou, com delicadeza profissional.

_ Não vou conseguir por quê?

_ Não se exalte. Não se exalte. Estou aqui para selecionar... 

_ Pois se não conseguir vou à Justiça, faço valer os meus direitos. O senhor vai ver só.

_ Duvidê-ó-dó... – suspirou o funcionário.

E voltou-se polidamente para outro cidadão que esperava a sua vez:

_ O senhor? Em que posso ser útil?

_ Dar entrada nestes papéis – disse o homem com truculência.

_ Isenção? Deixa ver aqui... O senhor não vai conseguir.

─ Por quê?

_ O documento diz aqui: “Por ter servido durante a guerra...” servido! e não prestado serviço. Meu amigo, há uma diferença entre servir e prestar serviço. Servir é compulsório; prestar serviço quer dizer: fazer algum serviço vo-lun-ta-ria-men-te. O senhor não vai conseguir.

_ Se não conseguir, eu pago o imposto – resignou-se o homem.

_O problema é seu – encerrou o funcionário: ─ Estou aqui para selecionar os papéis.


(Adaptado de SABINO, Fernando. In: A mulher do vizinho. 9 ed. RJ: Record, s/data, p.42-44.)

 “Bigodinho” (1º parágrafo) e “homenzinho” (4º parágrafo) são substantivos usados pelo narrador no grau diminutivo.
Levando em conta, no panorama geral do texto, a imagem que o narrador passa ao leitor sobre a personalidade pessimista do funcionário da repartição, pode-se concluir que o grau diminutivo foi utilizado para expressar
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Q4366368 Português
Texto II
Isenção de ânimo


Tendo comprado um apartamento, foi à repartição dar entrada nos papéis requerendo isenção do imposto de transmissão. Um funcionário pálido e de bigodinho antipático o atendeu. Depois de examinar os documentos, sorriu sadicamente:

_ O senhor não vai conseguir isenção.

_ Posso saber por quê?

_ Porque – explicou o homenzinho, juntando os dedos no ar e escandindo as palavras com precisão – estou aqui para selecionar os papéis.

_ Isso não quer dizer que eu não consiga a isenção.

_ Perdão: e quem disse que os seus papéis estão em ordem?

_ Então examine e veja se não estão.

O funcionário começou a examinar meticulosamente os papéis com um sorriso de quem diz: “Já lhe mostro... Já lhe mostro...” E mostrou mesmo:

_ Olhe aqui: falta reconhecer a firma deste documento.

Continuou a procurar, mas não encontrou qualquer outra irregularidade.

_ Ainda assim, posso assegurar-lhe que não vai conseguir – afirmou, com delicadeza profissional.

_ Não vou conseguir por quê?

_ Não se exalte. Não se exalte. Estou aqui para selecionar... 

_ Pois se não conseguir vou à Justiça, faço valer os meus direitos. O senhor vai ver só.

_ Duvidê-ó-dó... – suspirou o funcionário.

E voltou-se polidamente para outro cidadão que esperava a sua vez:

_ O senhor? Em que posso ser útil?

_ Dar entrada nestes papéis – disse o homem com truculência.

_ Isenção? Deixa ver aqui... O senhor não vai conseguir.

─ Por quê?

_ O documento diz aqui: “Por ter servido durante a guerra...” servido! e não prestado serviço. Meu amigo, há uma diferença entre servir e prestar serviço. Servir é compulsório; prestar serviço quer dizer: fazer algum serviço vo-lun-ta-ria-men-te. O senhor não vai conseguir.

_ Se não conseguir, eu pago o imposto – resignou-se o homem.

_O problema é seu – encerrou o funcionário: ─ Estou aqui para selecionar os papéis.


(Adaptado de SABINO, Fernando. In: A mulher do vizinho. 9 ed. RJ: Record, s/data, p.42-44.)

“Duvidê-ó-dó” e “vo-lun-ta-ria-men-te” são palavras escritas dessa forma, pelo narrador do texto, para indicar o modo como o funcionário da repartição falava com as pessoas que atendia. Das formas verbais e expressões adverbiais a seguir, retiradas do texto e que se referem ao funcionário da repartição, aquelas que explicam esse modo de falar são
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Q4366369 Português
Texto II
Isenção de ânimo


Tendo comprado um apartamento, foi à repartição dar entrada nos papéis requerendo isenção do imposto de transmissão. Um funcionário pálido e de bigodinho antipático o atendeu. Depois de examinar os documentos, sorriu sadicamente:

_ O senhor não vai conseguir isenção.

_ Posso saber por quê?

_ Porque – explicou o homenzinho, juntando os dedos no ar e escandindo as palavras com precisão – estou aqui para selecionar os papéis.

_ Isso não quer dizer que eu não consiga a isenção.

_ Perdão: e quem disse que os seus papéis estão em ordem?

_ Então examine e veja se não estão.

O funcionário começou a examinar meticulosamente os papéis com um sorriso de quem diz: “Já lhe mostro... Já lhe mostro...” E mostrou mesmo:

_ Olhe aqui: falta reconhecer a firma deste documento.

Continuou a procurar, mas não encontrou qualquer outra irregularidade.

_ Ainda assim, posso assegurar-lhe que não vai conseguir – afirmou, com delicadeza profissional.

_ Não vou conseguir por quê?

_ Não se exalte. Não se exalte. Estou aqui para selecionar... 

_ Pois se não conseguir vou à Justiça, faço valer os meus direitos. O senhor vai ver só.

_ Duvidê-ó-dó... – suspirou o funcionário.

E voltou-se polidamente para outro cidadão que esperava a sua vez:

_ O senhor? Em que posso ser útil?

_ Dar entrada nestes papéis – disse o homem com truculência.

_ Isenção? Deixa ver aqui... O senhor não vai conseguir.

─ Por quê?

_ O documento diz aqui: “Por ter servido durante a guerra...” servido! e não prestado serviço. Meu amigo, há uma diferença entre servir e prestar serviço. Servir é compulsório; prestar serviço quer dizer: fazer algum serviço vo-lun-ta-ria-men-te. O senhor não vai conseguir.

_ Se não conseguir, eu pago o imposto – resignou-se o homem.

_O problema é seu – encerrou o funcionário: ─ Estou aqui para selecionar os papéis.


(Adaptado de SABINO, Fernando. In: A mulher do vizinho. 9 ed. RJ: Record, s/data, p.42-44.)

“- O senhor não vai conseguir isenção.
_ Posso saber por quê?” (2º e 3º parágrafos). É correto unir as duas falas de diálogo e reescrever a indagação da seguinte forma:
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Q4366370 Português
Texto II
Isenção de ânimo


Tendo comprado um apartamento, foi à repartição dar entrada nos papéis requerendo isenção do imposto de transmissão. Um funcionário pálido e de bigodinho antipático o atendeu. Depois de examinar os documentos, sorriu sadicamente:

_ O senhor não vai conseguir isenção.

_ Posso saber por quê?

_ Porque – explicou o homenzinho, juntando os dedos no ar e escandindo as palavras com precisão – estou aqui para selecionar os papéis.

_ Isso não quer dizer que eu não consiga a isenção.

_ Perdão: e quem disse que os seus papéis estão em ordem?

_ Então examine e veja se não estão.

O funcionário começou a examinar meticulosamente os papéis com um sorriso de quem diz: “Já lhe mostro... Já lhe mostro...” E mostrou mesmo:

_ Olhe aqui: falta reconhecer a firma deste documento.

Continuou a procurar, mas não encontrou qualquer outra irregularidade.

_ Ainda assim, posso assegurar-lhe que não vai conseguir – afirmou, com delicadeza profissional.

_ Não vou conseguir por quê?

_ Não se exalte. Não se exalte. Estou aqui para selecionar... 

_ Pois se não conseguir vou à Justiça, faço valer os meus direitos. O senhor vai ver só.

_ Duvidê-ó-dó... – suspirou o funcionário.

E voltou-se polidamente para outro cidadão que esperava a sua vez:

_ O senhor? Em que posso ser útil?

_ Dar entrada nestes papéis – disse o homem com truculência.

_ Isenção? Deixa ver aqui... O senhor não vai conseguir.

─ Por quê?

_ O documento diz aqui: “Por ter servido durante a guerra...” servido! e não prestado serviço. Meu amigo, há uma diferença entre servir e prestar serviço. Servir é compulsório; prestar serviço quer dizer: fazer algum serviço vo-lun-ta-ria-men-te. O senhor não vai conseguir.

_ Se não conseguir, eu pago o imposto – resignou-se o homem.

_O problema é seu – encerrou o funcionário: ─ Estou aqui para selecionar os papéis.


(Adaptado de SABINO, Fernando. In: A mulher do vizinho. 9 ed. RJ: Record, s/data, p.42-44.)

 “Tendo comprado um apartamento, foi à repartição dar entrada nos papéis requerendo isenção do imposto de transmissão” (1º parágrafo).
A oração destacada acima pode ser substituída, sem perda de sentido por,
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Q4366371 Português
Texto III Escravo em Papelópolis

Ó burocratas! Que ódio vos tenho, e se fosse apenas ódio É ainda o sentimento Da vida que perdi sendo um dos vossos.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Farewell. RJ: Record, 1996, p.59.)

Sendo o eu-lírico também um burocrata, se optasse por utilizar a concordância ideológica, o pronome do verbo “ter”, no 2º verso, seria modificado para: “Que ódio tenho de 
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Q4366372 Português
Linguagem verbal e não verbal, bom humor, ironia e abordagem de temas atuais são alguns dos elementos que constituem o gênero textual charge, cuja intencionalidade principal é fazer uma crítica. Sobre a essência da crítica presente na charge em questão, é correto afirmar que 
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Q4366373 Português

Existe um erro de concordância verbal na 1ª fala da charge, que está em desacordo com a regra de que quando o sujeito for

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Q4366374 Português
Imagem associada para resolução da questão

Tomando por base os elementos não-verbais mais evidentes no cartum, pode-se dizer que sua principal mensagem se refere ao/à (s)
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Q4366375 Português
Texto IV
Machado de Assis e a administração pública brasileira


       Falar da importância de Machado de Assis pode, à primeira vista, parecer uma brincadeira, visto tratar-se de um fato inquestionável. Poeta e romancista, Machado de Assis se destacou muito na sociedade brasileira do século XIX, apesar de sua origem nas camadas populares. Filho de operário e morador do que hoje seria considerado como periferia da antiga capital da República, o destino profissional e social de Machado de Assis foi, sem dúvida, uma exceção, diferente do destino de vários outros Joaquim, Francisco ou José de sua geração.

      Importante também é lembrar a passagem de Machado de Assis nas instituições públicas do Estado, pois foi também funcionário público, de aprendiz na Tipografia Nacional a diretor do Ministério da Aviação. Por isso, conhecia bem o interior da administração estatal, tanto os privilégios dos altos cargos quanto a exploração e os sonhos de ascensão funcional dos “barnabés”. Sonhos esses que muitas vezes viravam pesadelo, quando tais funcionários precisavam “devolver” algum cargo comissionado, assumido na interinidade, pois a ascensão funcional era de difícil realização.

       Irônica realidade e, talvez, o recorte dado à discussão surpreenda o leitor, principalmente se você fizer coro às vozes que ressoam pela mídia e que divulgam a imagem de o funcionário público ser uma espécie de parasita do Estado.

      Mas não é assim, e também não era no período Imperial. Nem todos aqueles que trabalham nas instituições do Estado sugam ou sugaram os recursos públicos, e Machado de Assis pôde mostrar isso ao descrever o cotidiano de algumas de suas personagens.
Ficção? Não. Apesar do caráter não científico de obras literárias, é a realidade conhecida que alimenta o imaginário dos autores, os quais a descrevem com novas cores, contornos e odores ao desenharem o cenário de suas histórias.

       Lembremo-nos de “Dom Casmurro”, publicado no anoitecer do século XIX. Falo de Pádua, o pai de Capitu. Funcionário público em repartição dependente do Ministério da Guerra. Barnabé. Não ganhava bem...

      E, surpreenda-se, caro leitor: Pádua levava serviço para casa! Provavelmente, um esforço para obter reconhecimento profissional.

       Uma obra de ficção! Talvez seja o que você esteja pensando. Não só. No passado isso acontecia muito, bem como na atualidade. Mas, vejo que me interroga, querendo saber onde eu quero chegar.

     Vemos que a reflexão e a crítica acerca da administração pública brasileira são contribuições importantes da obra de Machado de Assis. As provocações feitas pelo autor incentivam uma revisão de valores e de comportamentos, mostrando aos jovens e adultos da atualidade a responsabilidade de todos na construção de uma sociedade diferente e mais democrática.


(Adaptado de CARDOSO, Luzia Magalhães. Sem data. https: http://www.hgb.rj.saude.gov.br/artigos. Acesso em 26/10/2021.)
 A autora do texto IV constrói uma argumentação em defesa do (a) (s)
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Q4366376 Português
Texto IV
Machado de Assis e a administração pública brasileira


       Falar da importância de Machado de Assis pode, à primeira vista, parecer uma brincadeira, visto tratar-se de um fato inquestionável. Poeta e romancista, Machado de Assis se destacou muito na sociedade brasileira do século XIX, apesar de sua origem nas camadas populares. Filho de operário e morador do que hoje seria considerado como periferia da antiga capital da República, o destino profissional e social de Machado de Assis foi, sem dúvida, uma exceção, diferente do destino de vários outros Joaquim, Francisco ou José de sua geração.

      Importante também é lembrar a passagem de Machado de Assis nas instituições públicas do Estado, pois foi também funcionário público, de aprendiz na Tipografia Nacional a diretor do Ministério da Aviação. Por isso, conhecia bem o interior da administração estatal, tanto os privilégios dos altos cargos quanto a exploração e os sonhos de ascensão funcional dos “barnabés”. Sonhos esses que muitas vezes viravam pesadelo, quando tais funcionários precisavam “devolver” algum cargo comissionado, assumido na interinidade, pois a ascensão funcional era de difícil realização.

       Irônica realidade e, talvez, o recorte dado à discussão surpreenda o leitor, principalmente se você fizer coro às vozes que ressoam pela mídia e que divulgam a imagem de o funcionário público ser uma espécie de parasita do Estado.

      Mas não é assim, e também não era no período Imperial. Nem todos aqueles que trabalham nas instituições do Estado sugam ou sugaram os recursos públicos, e Machado de Assis pôde mostrar isso ao descrever o cotidiano de algumas de suas personagens.
Ficção? Não. Apesar do caráter não científico de obras literárias, é a realidade conhecida que alimenta o imaginário dos autores, os quais a descrevem com novas cores, contornos e odores ao desenharem o cenário de suas histórias.

       Lembremo-nos de “Dom Casmurro”, publicado no anoitecer do século XIX. Falo de Pádua, o pai de Capitu. Funcionário público em repartição dependente do Ministério da Guerra. Barnabé. Não ganhava bem...

      E, surpreenda-se, caro leitor: Pádua levava serviço para casa! Provavelmente, um esforço para obter reconhecimento profissional.

       Uma obra de ficção! Talvez seja o que você esteja pensando. Não só. No passado isso acontecia muito, bem como na atualidade. Mas, vejo que me interroga, querendo saber onde eu quero chegar.

     Vemos que a reflexão e a crítica acerca da administração pública brasileira são contribuições importantes da obra de Machado de Assis. As provocações feitas pelo autor incentivam uma revisão de valores e de comportamentos, mostrando aos jovens e adultos da atualidade a responsabilidade de todos na construção de uma sociedade diferente e mais democrática.


(Adaptado de CARDOSO, Luzia Magalhães. Sem data. https: http://www.hgb.rj.saude.gov.br/artigos. Acesso em 26/10/2021.)
Sobre a relação feita no texto IV entre Machado de Assis e a administração pública brasileira, é correto afirmar que, em sua essência, o conteúdo do texto de Luzia Magalhães Cardoso enfatiza que o citado escritor, em suas obras,
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Q4366377 Português
Texto IV
Machado de Assis e a administração pública brasileira


       Falar da importância de Machado de Assis pode, à primeira vista, parecer uma brincadeira, visto tratar-se de um fato inquestionável. Poeta e romancista, Machado de Assis se destacou muito na sociedade brasileira do século XIX, apesar de sua origem nas camadas populares. Filho de operário e morador do que hoje seria considerado como periferia da antiga capital da República, o destino profissional e social de Machado de Assis foi, sem dúvida, uma exceção, diferente do destino de vários outros Joaquim, Francisco ou José de sua geração.

      Importante também é lembrar a passagem de Machado de Assis nas instituições públicas do Estado, pois foi também funcionário público, de aprendiz na Tipografia Nacional a diretor do Ministério da Aviação. Por isso, conhecia bem o interior da administração estatal, tanto os privilégios dos altos cargos quanto a exploração e os sonhos de ascensão funcional dos “barnabés”. Sonhos esses que muitas vezes viravam pesadelo, quando tais funcionários precisavam “devolver” algum cargo comissionado, assumido na interinidade, pois a ascensão funcional era de difícil realização.

       Irônica realidade e, talvez, o recorte dado à discussão surpreenda o leitor, principalmente se você fizer coro às vozes que ressoam pela mídia e que divulgam a imagem de o funcionário público ser uma espécie de parasita do Estado.

      Mas não é assim, e também não era no período Imperial. Nem todos aqueles que trabalham nas instituições do Estado sugam ou sugaram os recursos públicos, e Machado de Assis pôde mostrar isso ao descrever o cotidiano de algumas de suas personagens.
Ficção? Não. Apesar do caráter não científico de obras literárias, é a realidade conhecida que alimenta o imaginário dos autores, os quais a descrevem com novas cores, contornos e odores ao desenharem o cenário de suas histórias.

       Lembremo-nos de “Dom Casmurro”, publicado no anoitecer do século XIX. Falo de Pádua, o pai de Capitu. Funcionário público em repartição dependente do Ministério da Guerra. Barnabé. Não ganhava bem...

      E, surpreenda-se, caro leitor: Pádua levava serviço para casa! Provavelmente, um esforço para obter reconhecimento profissional.

       Uma obra de ficção! Talvez seja o que você esteja pensando. Não só. No passado isso acontecia muito, bem como na atualidade. Mas, vejo que me interroga, querendo saber onde eu quero chegar.

     Vemos que a reflexão e a crítica acerca da administração pública brasileira são contribuições importantes da obra de Machado de Assis. As provocações feitas pelo autor incentivam uma revisão de valores e de comportamentos, mostrando aos jovens e adultos da atualidade a responsabilidade de todos na construção de uma sociedade diferente e mais democrática.


(Adaptado de CARDOSO, Luzia Magalhães. Sem data. https: http://www.hgb.rj.saude.gov.br/artigos. Acesso em 26/10/2021.)
“Por isso, conhecia bem o interior da administração estatal, tanto os privilégios dos altos cargos quanto a exploração e os sonhos de ascensão funcional dos “barnabés” (2º parágrafo).
O uso das aspas na palavra “barnabé “se justifica por mostrar um (a)
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Q4366378 Português
Texto IV
Machado de Assis e a administração pública brasileira


       Falar da importância de Machado de Assis pode, à primeira vista, parecer uma brincadeira, visto tratar-se de um fato inquestionável. Poeta e romancista, Machado de Assis se destacou muito na sociedade brasileira do século XIX, apesar de sua origem nas camadas populares. Filho de operário e morador do que hoje seria considerado como periferia da antiga capital da República, o destino profissional e social de Machado de Assis foi, sem dúvida, uma exceção, diferente do destino de vários outros Joaquim, Francisco ou José de sua geração.

      Importante também é lembrar a passagem de Machado de Assis nas instituições públicas do Estado, pois foi também funcionário público, de aprendiz na Tipografia Nacional a diretor do Ministério da Aviação. Por isso, conhecia bem o interior da administração estatal, tanto os privilégios dos altos cargos quanto a exploração e os sonhos de ascensão funcional dos “barnabés”. Sonhos esses que muitas vezes viravam pesadelo, quando tais funcionários precisavam “devolver” algum cargo comissionado, assumido na interinidade, pois a ascensão funcional era de difícil realização.

       Irônica realidade e, talvez, o recorte dado à discussão surpreenda o leitor, principalmente se você fizer coro às vozes que ressoam pela mídia e que divulgam a imagem de o funcionário público ser uma espécie de parasita do Estado.

      Mas não é assim, e também não era no período Imperial. Nem todos aqueles que trabalham nas instituições do Estado sugam ou sugaram os recursos públicos, e Machado de Assis pôde mostrar isso ao descrever o cotidiano de algumas de suas personagens.
Ficção? Não. Apesar do caráter não científico de obras literárias, é a realidade conhecida que alimenta o imaginário dos autores, os quais a descrevem com novas cores, contornos e odores ao desenharem o cenário de suas histórias.

       Lembremo-nos de “Dom Casmurro”, publicado no anoitecer do século XIX. Falo de Pádua, o pai de Capitu. Funcionário público em repartição dependente do Ministério da Guerra. Barnabé. Não ganhava bem...

      E, surpreenda-se, caro leitor: Pádua levava serviço para casa! Provavelmente, um esforço para obter reconhecimento profissional.

       Uma obra de ficção! Talvez seja o que você esteja pensando. Não só. No passado isso acontecia muito, bem como na atualidade. Mas, vejo que me interroga, querendo saber onde eu quero chegar.

     Vemos que a reflexão e a crítica acerca da administração pública brasileira são contribuições importantes da obra de Machado de Assis. As provocações feitas pelo autor incentivam uma revisão de valores e de comportamentos, mostrando aos jovens e adultos da atualidade a responsabilidade de todos na construção de uma sociedade diferente e mais democrática.


(Adaptado de CARDOSO, Luzia Magalhães. Sem data. https: http://www.hgb.rj.saude.gov.br/artigos. Acesso em 26/10/2021.)
“Irônica realidade e, talvez, o recorte dado à discussão surpreenda o leitor, principalmente se você fizer coro às vozes que ressoam pela mídia e que divulgam a imagem de o funcionário público ser uma espécie de parasita do Estado” (3º parágrafo).
A presença do acento grave, indicador de crase, se mantém correta ao substituir o termo em destaque por
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Respostas
1: D
2: D
3: E
4: B
5: D
6: A
7: D
8: A
9: E
10: C
11: X
12: B
13: C
14: D
15: A
16: B
17: B
18: C
19: C
20: B