Questões de Concurso Público Prefeitura de Carrancas - MG 2023 para Fonoaudiólogo

Foram encontradas 40 questões

Q3709056 Fonoaudiologia

Sobre os distúrbios corticais e suas áreas relacionadas com as respectivas funções, analise as proposições abaixo:



I. A área de Broca, situada no giro frontal inferior do hemisfério cerebral dominante, é responsável pela função de emissão, execução, motricidade da fala.



II. A área de Wernicke é responsável pela função de compreensão da mensagem falada e, se lesionada, pode acarretar uma afasia condutiva.



III. A lesão no giro supramarginal, situado no lobo parietal, provoca dislexia e disgrafia.



Após análise, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas
Q3709057 Fonoaudiologia

As fissuras labiopalatinas (FLP) são malformações congênitas de lábio e de palato, consideradas craniofaciais e enquadradas na classificação das displasias. Nesse contexto, analise as proposições abaixo sobre as fissuras submucosas:



I. A fissura submucosa oculta é de difícil diagnóstico clínico, uma vez que as estruturas da cavidade oral estão aparentemente íntegras, sendo o único sinal observável a qualidade vocal predominantemente nasal.



II. Os casos de fissura submucosa apresentam alterações na fala, sendo necessário indicação de cirurgias em todos os casos.



III. Na fissura submucosa, ocorre a clássica tríade: úvula bífida; diástase da musculatura velar, observando-se uma zona translúcida mediana; e chanfradura na borda posterior do palato.



Após análise, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas
Q3709058 Fonoaudiologia

Analise as proposições abaixo sobre a deficiência auditiva sensorioneural:



I. O aparelho de transmissão do som encontra-se normal, havendo alteração na qualidade do som, com melhor conservação da audição para sons agudos com perda de audição mais acentuada em graves.



II. Nos testes de diapasão, o Rinne costuma ser positivo, o Weber lateraliza para o lado melhor e o Schwabach está encurtado.



III. A discriminação auditiva é comprometida de maneira variável e sua alteração é proporcional à perda auditiva, e pode ser um pouco menos acentuada, quando o perfil audiométrico é plano, e mais acentuada quando a lesão é neural.



Após análise, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas
Q3709059 Fonoaudiologia

A despeito dos músculos envolvidos no sistema da deglutição, analise as proposições abaixo:



I. O músculo palato grosso eleva a raiz da língua e tensiona o palato mole, esticando-o e abaixando-o pelo achatamento do seu arco.



II. O músculo constritor superior da faringe exerce em geral uma ação esfinctérica e peristáltica na deglutição.



III. O músculo orbicular dos lábios, por participar ativamente das funções estomatognáticas, é considerado um músculo da mastigação.



Após análise, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas
Q3709060 Fonoaudiologia
Os centros geradores da deglutição atuam recebendo informações sensitivas dos órgãos envolvidos, integrando informações vindas de outras regiões cerebrais e enviando sinais motores para a musculatura efetora. As informações sensoriais, isto é, os sinais aferentes, chegam pelos nervos cranianos V, VII, IX e X. Sobre os nervos cranianos associados ao controle da deglutição, analise as proposições abaixo:


I. O V par craniano é responsável pela sensibilidade da faringe, cavidade oral, mucosa dos 2/3 anteriores da língua, dentes, bochechas e mandíbula. Esse nervo conduz informações sobre consistência e volume do bolo alimentar, sua localização em relação à língua e demais regiões da cavidade oral.


II. O VII par craniano é responsável por sinais aferentes da mucosa da faringe, das fauces, das tonsilas palatinas, da língua e do palato mole.


III. O IX par inerva sensitivamente a mucosa da faringe, da língua e da laringe, sendo que também recebe sinais da sensibilidade gustativa dos 2/3 posteriores da língua.


 Após análise, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3709061 Fonoaudiologia

A paralisia facial periférica (PFP) decorre da lesão neuronal do VII nervo craniano e é referida como a interrupção da informação motora para a musculatura facial. Sobre esse tema, julgue as afirmações a seguir sobre as características clínicas dessa doença como VERDADEIRAS (V) ou FALSAS (F):



(__) A sincinesia mais comumente encontrada nas paralisias faciais periféricas é a olho/boca.



(__) Observa-se a instalação da contratura facial a partir do terceiro dia após o início da paralisia.



(__) O nariz desviado em vírgula para o lado saudável e a bochecha flácida pendendo em "saco" são sinais da face em repouso da PFP.



Após análise, assinale a alternativa cuja ordem de julgamento de cima para baixo está CORRETA:

Alternativas
Q3709062 Fonoaudiologia
Assinale a alternativa que apresenta a CORRETA fixação do frênulo da língua:
Alternativas
Q3709063 Fonoaudiologia
Sobre a seleção das características da amplificação das próteses auditivas, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3709064 Fonoaudiologia
Diversas afecções neurológicas frequentemente cursam com distúrbios na deglutição, como os traumas cranioencefálicos e raquimedulares, as doenças desmielinizantes, neuromusculares, os acidentes vasculares, os distúrbios do movimento, síndromes e infecções do sistema nervoso. Cada uma dessas doenças apresenta características específicas que geram sinais semelhantes nas estruturas do sistema estomatognático, podendo causar um distúrbio de deglutição. A respeito das disfagias neurogênicas, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3709065 Fonoaudiologia
O exame audiométrico deve ser sempre precedido por uma detalhada avaliação acumétrica pelo otorrinolaringologista, utilizando testes básicos de avaliação auditiva em adultos, como diapasões. Associe os nomes dos testes feitos com diapasões na coluna 1 com seu método de realização correspondente apresentado na coluna 2:


Coluna 1
1.Teste de Rinne
2.Teste de Schwabach
3.Teste de Weber


Coluna 2

A. O teste é realizado colocando-se a base do diapasão sobre a mastoide do paciente e do examinador de modo alternado. É possível o paciente escutar o diapasão por um tempo menor que o examinador ou que o examinador o escute por um tempo menor que o paciente.


B. Neste teste, verifica-se em que orelha o paciente escuta melhor o diapasão, quando encostado na fronte ou na região da raiz do nariz ou junto aos dentes incisivos. Antes de fazer esse teste, deve-se verificar em que orelha ele tem melhor audição pela via aérea.


C. O diapasão é colocado a vibrar e é posto pela sua base, na região retroauricular, na parte mais saliente da mastoide (via óssea) e, em seguida, seus arcos são colocados defronte ao meato acústico externo a, mais ou menos, 2 cm desse (via aérea), evitando-se tocar a pele do paciente.


Após análise, assinale a alternativa que apresenta a associação CORRETA.
Alternativas
Q3709066 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



FIM DO MUNDO

Carlos Drummond de Andrade


Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado. Pode ser que sim, e não seria a primeira vez que isso acontece. A falta de sinais estrondosos e visíveis não é prova bastante da continuação. Muitas vezes o mundo acaba em silêncio, ou fazendo um barulho leve de folha. Tempos depois é que se percebe, mas já estamos vivendo em outro mundo, com sua estrutura e seus regulamentos próprios, e ninguém leva lenço aos olhos pelo falecido.



O mundo primitivo dos répteis, o mundo neolítico, o egípcio, o persa, o grego, o romano, o maia... todos esses acabaram, e muitos outros ainda. A história é cemitério de mundos, notando-se que uns tantos acabaram de morte tão acabada que nem sequer figuram lá com uma tabuleta; não se sabe que fim levaram as cinzas.



Pessoas que aí estão vivas assistiram à morte do mundo em agosto de 1914, mas estavam lendo jornal e não compreenderam no momento. Era apenas mais uma guerra na Europa, mas acabou com a belle époque, a douceur de vivre, a respeitabilidade vitoriana, o franco, a supremacia da libra, os suspensórios, o rapé, os conceitos econômicos, políticos e éticos do século XIX − mundo que parecia eterno. Pedaços dele andam por aí, vagando, como o colonialismo, a opressão de grupos financeiros, a servidão civil da mulher, mas pertencem a um contexto liquidado, rabo de lagartixa vibrando depois que o corpo foi abatido.


(...)


Aos sete anos de idade imaginei que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria com ele. Um cometa mal-humorado visitava o espaço. Em certo dia de 1910, sua cauda tocaria a Terra; não haveria mais aula de aritmética, nem missa de domingo, nem obediência aos mais velhos. Essas perspectivas eram boas. Mas também não haveria mais geleia, Tico-Tico, a árvore de moedas que um padrinho surrealista preparava para o afilhado que ia visitá-lo. Ideias que aborreciam. Havia ainda a angústia da morte, o tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando − mas isso, afinal, seria um espetáculo. Preparei-me para morrer, com terror e curiosidade.



O que aconteceu à noite foi maravilhoso. O cometa Halley apareceu mais nítido, mais denso de luz e airosamente deslizou sobre nossas cabeças sem dar confiança de exterminar-nos. No ar frio, o véu dourado baixou ao vale, tornando irreal o contorno dos sobrados, da igreja, das montanhas. Saíamos para a rua banhados de ouro, magníficos e esquecidos da morte, que não houve. Nunca mais houve cometa igual, assim terrível, desdenhoso e belo. (...)



Nem todas as concepções de fim material do mundo terão a magnificência desta que liga a desintegração da Terra ao choque com a cabeleira luminosa de um astro. Concepção antiquada, concordo. Admitia a liquidação do nosso planeta como uma tragédia cósmica que o homem não tinha poder de evitar. Hoje, o excitante é imaginar a possibilidade dessa destruição por obra e graça do homem. A Terra e os cometas devem ter medo de nós.


(Fonte: A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 2008.)


"Havia ainda a angústia da morte, o tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando − mas isso, afinal, seria um espetáculo."


O trecho acima foi reescrito de várias maneiras. Assinale a alternativa em que a forma reescrita se mantém DE ACORDO com a norma padrão da língua portuguesa.

Alternativas
Q3709067 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



FIM DO MUNDO

Carlos Drummond de Andrade


Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado. Pode ser que sim, e não seria a primeira vez que isso acontece. A falta de sinais estrondosos e visíveis não é prova bastante da continuação. Muitas vezes o mundo acaba em silêncio, ou fazendo um barulho leve de folha. Tempos depois é que se percebe, mas já estamos vivendo em outro mundo, com sua estrutura e seus regulamentos próprios, e ninguém leva lenço aos olhos pelo falecido.



O mundo primitivo dos répteis, o mundo neolítico, o egípcio, o persa, o grego, o romano, o maia... todos esses acabaram, e muitos outros ainda. A história é cemitério de mundos, notando-se que uns tantos acabaram de morte tão acabada que nem sequer figuram lá com uma tabuleta; não se sabe que fim levaram as cinzas.



Pessoas que aí estão vivas assistiram à morte do mundo em agosto de 1914, mas estavam lendo jornal e não compreenderam no momento. Era apenas mais uma guerra na Europa, mas acabou com a belle époque, a douceur de vivre, a respeitabilidade vitoriana, o franco, a supremacia da libra, os suspensórios, o rapé, os conceitos econômicos, políticos e éticos do século XIX − mundo que parecia eterno. Pedaços dele andam por aí, vagando, como o colonialismo, a opressão de grupos financeiros, a servidão civil da mulher, mas pertencem a um contexto liquidado, rabo de lagartixa vibrando depois que o corpo foi abatido.


(...)


Aos sete anos de idade imaginei que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria com ele. Um cometa mal-humorado visitava o espaço. Em certo dia de 1910, sua cauda tocaria a Terra; não haveria mais aula de aritmética, nem missa de domingo, nem obediência aos mais velhos. Essas perspectivas eram boas. Mas também não haveria mais geleia, Tico-Tico, a árvore de moedas que um padrinho surrealista preparava para o afilhado que ia visitá-lo. Ideias que aborreciam. Havia ainda a angústia da morte, o tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando − mas isso, afinal, seria um espetáculo. Preparei-me para morrer, com terror e curiosidade.



O que aconteceu à noite foi maravilhoso. O cometa Halley apareceu mais nítido, mais denso de luz e airosamente deslizou sobre nossas cabeças sem dar confiança de exterminar-nos. No ar frio, o véu dourado baixou ao vale, tornando irreal o contorno dos sobrados, da igreja, das montanhas. Saíamos para a rua banhados de ouro, magníficos e esquecidos da morte, que não houve. Nunca mais houve cometa igual, assim terrível, desdenhoso e belo. (...)



Nem todas as concepções de fim material do mundo terão a magnificência desta que liga a desintegração da Terra ao choque com a cabeleira luminosa de um astro. Concepção antiquada, concordo. Admitia a liquidação do nosso planeta como uma tragédia cósmica que o homem não tinha poder de evitar. Hoje, o excitante é imaginar a possibilidade dessa destruição por obra e graça do homem. A Terra e os cometas devem ter medo de nós.


(Fonte: A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 2008.)


"Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado."


Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE, na mesma ordem em que se apresentam, as características das palavras destacadas no trecho acima.

Alternativas
Q3709068 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



FIM DO MUNDO

Carlos Drummond de Andrade


Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado. Pode ser que sim, e não seria a primeira vez que isso acontece. A falta de sinais estrondosos e visíveis não é prova bastante da continuação. Muitas vezes o mundo acaba em silêncio, ou fazendo um barulho leve de folha. Tempos depois é que se percebe, mas já estamos vivendo em outro mundo, com sua estrutura e seus regulamentos próprios, e ninguém leva lenço aos olhos pelo falecido.



O mundo primitivo dos répteis, o mundo neolítico, o egípcio, o persa, o grego, o romano, o maia... todos esses acabaram, e muitos outros ainda. A história é cemitério de mundos, notando-se que uns tantos acabaram de morte tão acabada que nem sequer figuram lá com uma tabuleta; não se sabe que fim levaram as cinzas.



Pessoas que aí estão vivas assistiram à morte do mundo em agosto de 1914, mas estavam lendo jornal e não compreenderam no momento. Era apenas mais uma guerra na Europa, mas acabou com a belle époque, a douceur de vivre, a respeitabilidade vitoriana, o franco, a supremacia da libra, os suspensórios, o rapé, os conceitos econômicos, políticos e éticos do século XIX − mundo que parecia eterno. Pedaços dele andam por aí, vagando, como o colonialismo, a opressão de grupos financeiros, a servidão civil da mulher, mas pertencem a um contexto liquidado, rabo de lagartixa vibrando depois que o corpo foi abatido.


(...)


Aos sete anos de idade imaginei que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria com ele. Um cometa mal-humorado visitava o espaço. Em certo dia de 1910, sua cauda tocaria a Terra; não haveria mais aula de aritmética, nem missa de domingo, nem obediência aos mais velhos. Essas perspectivas eram boas. Mas também não haveria mais geleia, Tico-Tico, a árvore de moedas que um padrinho surrealista preparava para o afilhado que ia visitá-lo. Ideias que aborreciam. Havia ainda a angústia da morte, o tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando − mas isso, afinal, seria um espetáculo. Preparei-me para morrer, com terror e curiosidade.



O que aconteceu à noite foi maravilhoso. O cometa Halley apareceu mais nítido, mais denso de luz e airosamente deslizou sobre nossas cabeças sem dar confiança de exterminar-nos. No ar frio, o véu dourado baixou ao vale, tornando irreal o contorno dos sobrados, da igreja, das montanhas. Saíamos para a rua banhados de ouro, magníficos e esquecidos da morte, que não houve. Nunca mais houve cometa igual, assim terrível, desdenhoso e belo. (...)



Nem todas as concepções de fim material do mundo terão a magnificência desta que liga a desintegração da Terra ao choque com a cabeleira luminosa de um astro. Concepção antiquada, concordo. Admitia a liquidação do nosso planeta como uma tragédia cósmica que o homem não tinha poder de evitar. Hoje, o excitante é imaginar a possibilidade dessa destruição por obra e graça do homem. A Terra e os cometas devem ter medo de nós.


(Fonte: A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 2008.)


Assinale a alternativa em que a palavra destacada no período NÃO possui nenhum sentido específico e nenhuma função sintática definida, integrando uma expressão que serve apenas para realçar o sentido de uma parte da sentença.
Alternativas
Q3709069 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



FIM DO MUNDO

Carlos Drummond de Andrade


Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado. Pode ser que sim, e não seria a primeira vez que isso acontece. A falta de sinais estrondosos e visíveis não é prova bastante da continuação. Muitas vezes o mundo acaba em silêncio, ou fazendo um barulho leve de folha. Tempos depois é que se percebe, mas já estamos vivendo em outro mundo, com sua estrutura e seus regulamentos próprios, e ninguém leva lenço aos olhos pelo falecido.



O mundo primitivo dos répteis, o mundo neolítico, o egípcio, o persa, o grego, o romano, o maia... todos esses acabaram, e muitos outros ainda. A história é cemitério de mundos, notando-se que uns tantos acabaram de morte tão acabada que nem sequer figuram lá com uma tabuleta; não se sabe que fim levaram as cinzas.



Pessoas que aí estão vivas assistiram à morte do mundo em agosto de 1914, mas estavam lendo jornal e não compreenderam no momento. Era apenas mais uma guerra na Europa, mas acabou com a belle époque, a douceur de vivre, a respeitabilidade vitoriana, o franco, a supremacia da libra, os suspensórios, o rapé, os conceitos econômicos, políticos e éticos do século XIX − mundo que parecia eterno. Pedaços dele andam por aí, vagando, como o colonialismo, a opressão de grupos financeiros, a servidão civil da mulher, mas pertencem a um contexto liquidado, rabo de lagartixa vibrando depois que o corpo foi abatido.


(...)


Aos sete anos de idade imaginei que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria com ele. Um cometa mal-humorado visitava o espaço. Em certo dia de 1910, sua cauda tocaria a Terra; não haveria mais aula de aritmética, nem missa de domingo, nem obediência aos mais velhos. Essas perspectivas eram boas. Mas também não haveria mais geleia, Tico-Tico, a árvore de moedas que um padrinho surrealista preparava para o afilhado que ia visitá-lo. Ideias que aborreciam. Havia ainda a angústia da morte, o tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando − mas isso, afinal, seria um espetáculo. Preparei-me para morrer, com terror e curiosidade.



O que aconteceu à noite foi maravilhoso. O cometa Halley apareceu mais nítido, mais denso de luz e airosamente deslizou sobre nossas cabeças sem dar confiança de exterminar-nos. No ar frio, o véu dourado baixou ao vale, tornando irreal o contorno dos sobrados, da igreja, das montanhas. Saíamos para a rua banhados de ouro, magníficos e esquecidos da morte, que não houve. Nunca mais houve cometa igual, assim terrível, desdenhoso e belo. (...)



Nem todas as concepções de fim material do mundo terão a magnificência desta que liga a desintegração da Terra ao choque com a cabeleira luminosa de um astro. Concepção antiquada, concordo. Admitia a liquidação do nosso planeta como uma tragédia cósmica que o homem não tinha poder de evitar. Hoje, o excitante é imaginar a possibilidade dessa destruição por obra e graça do homem. A Terra e os cometas devem ter medo de nós.


(Fonte: A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 2008.)


"não se sabe que fim levaram as cinzas."


Considere as seguintes afirmativas em relação à oração destacada no período acima:


(I) É de natureza substantiva.


(II) É subordinada a uma oração principal.


(III) É coordenada em relação à oração anterior.


(IV) Exerce a função de sujeito.


(V) Exerce a função de objeto direto.


(VI) Exerce a função de complemento nominal.


(VII) É introduzida por um pronome relativo.


(VIII) É introduzida por uma conjunção.


Assinale a alternativa que apresenta TODAS as afirmativas CORRETAS.

Alternativas
Q3709070 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



FIM DO MUNDO

Carlos Drummond de Andrade


Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado. Pode ser que sim, e não seria a primeira vez que isso acontece. A falta de sinais estrondosos e visíveis não é prova bastante da continuação. Muitas vezes o mundo acaba em silêncio, ou fazendo um barulho leve de folha. Tempos depois é que se percebe, mas já estamos vivendo em outro mundo, com sua estrutura e seus regulamentos próprios, e ninguém leva lenço aos olhos pelo falecido.



O mundo primitivo dos répteis, o mundo neolítico, o egípcio, o persa, o grego, o romano, o maia... todos esses acabaram, e muitos outros ainda. A história é cemitério de mundos, notando-se que uns tantos acabaram de morte tão acabada que nem sequer figuram lá com uma tabuleta; não se sabe que fim levaram as cinzas.



Pessoas que aí estão vivas assistiram à morte do mundo em agosto de 1914, mas estavam lendo jornal e não compreenderam no momento. Era apenas mais uma guerra na Europa, mas acabou com a belle époque, a douceur de vivre, a respeitabilidade vitoriana, o franco, a supremacia da libra, os suspensórios, o rapé, os conceitos econômicos, políticos e éticos do século XIX − mundo que parecia eterno. Pedaços dele andam por aí, vagando, como o colonialismo, a opressão de grupos financeiros, a servidão civil da mulher, mas pertencem a um contexto liquidado, rabo de lagartixa vibrando depois que o corpo foi abatido.


(...)


Aos sete anos de idade imaginei que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria com ele. Um cometa mal-humorado visitava o espaço. Em certo dia de 1910, sua cauda tocaria a Terra; não haveria mais aula de aritmética, nem missa de domingo, nem obediência aos mais velhos. Essas perspectivas eram boas. Mas também não haveria mais geleia, Tico-Tico, a árvore de moedas que um padrinho surrealista preparava para o afilhado que ia visitá-lo. Ideias que aborreciam. Havia ainda a angústia da morte, o tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando − mas isso, afinal, seria um espetáculo. Preparei-me para morrer, com terror e curiosidade.



O que aconteceu à noite foi maravilhoso. O cometa Halley apareceu mais nítido, mais denso de luz e airosamente deslizou sobre nossas cabeças sem dar confiança de exterminar-nos. No ar frio, o véu dourado baixou ao vale, tornando irreal o contorno dos sobrados, da igreja, das montanhas. Saíamos para a rua banhados de ouro, magníficos e esquecidos da morte, que não houve. Nunca mais houve cometa igual, assim terrível, desdenhoso e belo. (...)



Nem todas as concepções de fim material do mundo terão a magnificência desta que liga a desintegração da Terra ao choque com a cabeleira luminosa de um astro. Concepção antiquada, concordo. Admitia a liquidação do nosso planeta como uma tragédia cósmica que o homem não tinha poder de evitar. Hoje, o excitante é imaginar a possibilidade dessa destruição por obra e graça do homem. A Terra e os cometas devem ter medo de nós.


(Fonte: A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 2008.)


"Nem todas as concepções de fim material do mundo terão a magnificência desta que liga a desintegração da Terra ao choque com a cabeleira luminosa de um astro."


As palavras destacadas no trecho acima, na mesma ordem em que se encontram, são SINÔNIMAS  de

Alternativas
Q3709071 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



FIM DO MUNDO

Carlos Drummond de Andrade


Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado. Pode ser que sim, e não seria a primeira vez que isso acontece. A falta de sinais estrondosos e visíveis não é prova bastante da continuação. Muitas vezes o mundo acaba em silêncio, ou fazendo um barulho leve de folha. Tempos depois é que se percebe, mas já estamos vivendo em outro mundo, com sua estrutura e seus regulamentos próprios, e ninguém leva lenço aos olhos pelo falecido.



O mundo primitivo dos répteis, o mundo neolítico, o egípcio, o persa, o grego, o romano, o maia... todos esses acabaram, e muitos outros ainda. A história é cemitério de mundos, notando-se que uns tantos acabaram de morte tão acabada que nem sequer figuram lá com uma tabuleta; não se sabe que fim levaram as cinzas.



Pessoas que aí estão vivas assistiram à morte do mundo em agosto de 1914, mas estavam lendo jornal e não compreenderam no momento. Era apenas mais uma guerra na Europa, mas acabou com a belle époque, a douceur de vivre, a respeitabilidade vitoriana, o franco, a supremacia da libra, os suspensórios, o rapé, os conceitos econômicos, políticos e éticos do século XIX − mundo que parecia eterno. Pedaços dele andam por aí, vagando, como o colonialismo, a opressão de grupos financeiros, a servidão civil da mulher, mas pertencem a um contexto liquidado, rabo de lagartixa vibrando depois que o corpo foi abatido.


(...)


Aos sete anos de idade imaginei que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria com ele. Um cometa mal-humorado visitava o espaço. Em certo dia de 1910, sua cauda tocaria a Terra; não haveria mais aula de aritmética, nem missa de domingo, nem obediência aos mais velhos. Essas perspectivas eram boas. Mas também não haveria mais geleia, Tico-Tico, a árvore de moedas que um padrinho surrealista preparava para o afilhado que ia visitá-lo. Ideias que aborreciam. Havia ainda a angústia da morte, o tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando − mas isso, afinal, seria um espetáculo. Preparei-me para morrer, com terror e curiosidade.



O que aconteceu à noite foi maravilhoso. O cometa Halley apareceu mais nítido, mais denso de luz e airosamente deslizou sobre nossas cabeças sem dar confiança de exterminar-nos. No ar frio, o véu dourado baixou ao vale, tornando irreal o contorno dos sobrados, da igreja, das montanhas. Saíamos para a rua banhados de ouro, magníficos e esquecidos da morte, que não houve. Nunca mais houve cometa igual, assim terrível, desdenhoso e belo. (...)



Nem todas as concepções de fim material do mundo terão a magnificência desta que liga a desintegração da Terra ao choque com a cabeleira luminosa de um astro. Concepção antiquada, concordo. Admitia a liquidação do nosso planeta como uma tragédia cósmica que o homem não tinha poder de evitar. Hoje, o excitante é imaginar a possibilidade dessa destruição por obra e graça do homem. A Terra e os cometas devem ter medo de nós.


(Fonte: A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 2008.)


Em relação ao texto "Fim do mundo", é INCORRETO afirmar que
Alternativas
Q3709072 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



FIM DO MUNDO

Carlos Drummond de Andrade


Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado. Pode ser que sim, e não seria a primeira vez que isso acontece. A falta de sinais estrondosos e visíveis não é prova bastante da continuação. Muitas vezes o mundo acaba em silêncio, ou fazendo um barulho leve de folha. Tempos depois é que se percebe, mas já estamos vivendo em outro mundo, com sua estrutura e seus regulamentos próprios, e ninguém leva lenço aos olhos pelo falecido.



O mundo primitivo dos répteis, o mundo neolítico, o egípcio, o persa, o grego, o romano, o maia... todos esses acabaram, e muitos outros ainda. A história é cemitério de mundos, notando-se que uns tantos acabaram de morte tão acabada que nem sequer figuram lá com uma tabuleta; não se sabe que fim levaram as cinzas.



Pessoas que aí estão vivas assistiram à morte do mundo em agosto de 1914, mas estavam lendo jornal e não compreenderam no momento. Era apenas mais uma guerra na Europa, mas acabou com a belle époque, a douceur de vivre, a respeitabilidade vitoriana, o franco, a supremacia da libra, os suspensórios, o rapé, os conceitos econômicos, políticos e éticos do século XIX − mundo que parecia eterno. Pedaços dele andam por aí, vagando, como o colonialismo, a opressão de grupos financeiros, a servidão civil da mulher, mas pertencem a um contexto liquidado, rabo de lagartixa vibrando depois que o corpo foi abatido.


(...)


Aos sete anos de idade imaginei que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria com ele. Um cometa mal-humorado visitava o espaço. Em certo dia de 1910, sua cauda tocaria a Terra; não haveria mais aula de aritmética, nem missa de domingo, nem obediência aos mais velhos. Essas perspectivas eram boas. Mas também não haveria mais geleia, Tico-Tico, a árvore de moedas que um padrinho surrealista preparava para o afilhado que ia visitá-lo. Ideias que aborreciam. Havia ainda a angústia da morte, o tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando − mas isso, afinal, seria um espetáculo. Preparei-me para morrer, com terror e curiosidade.



O que aconteceu à noite foi maravilhoso. O cometa Halley apareceu mais nítido, mais denso de luz e airosamente deslizou sobre nossas cabeças sem dar confiança de exterminar-nos. No ar frio, o véu dourado baixou ao vale, tornando irreal o contorno dos sobrados, da igreja, das montanhas. Saíamos para a rua banhados de ouro, magníficos e esquecidos da morte, que não houve. Nunca mais houve cometa igual, assim terrível, desdenhoso e belo. (...)



Nem todas as concepções de fim material do mundo terão a magnificência desta que liga a desintegração da Terra ao choque com a cabeleira luminosa de um astro. Concepção antiquada, concordo. Admitia a liquidação do nosso planeta como uma tragédia cósmica que o homem não tinha poder de evitar. Hoje, o excitante é imaginar a possibilidade dessa destruição por obra e graça do homem. A Terra e os cometas devem ter medo de nós.


(Fonte: A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 2008.)


"Pessoas que aí estão vivas assistiram à morte do mundo em agosto de 1914, mas estavam lendo jornal e não compreenderam no momento."

Assinale a alternativa em que a forma reescrita do trecho acima NÃO altera o seu significado básico original.
Alternativas
Q3709073 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



FIM DO MUNDO

Carlos Drummond de Andrade


Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado. Pode ser que sim, e não seria a primeira vez que isso acontece. A falta de sinais estrondosos e visíveis não é prova bastante da continuação. Muitas vezes o mundo acaba em silêncio, ou fazendo um barulho leve de folha. Tempos depois é que se percebe, mas já estamos vivendo em outro mundo, com sua estrutura e seus regulamentos próprios, e ninguém leva lenço aos olhos pelo falecido.



O mundo primitivo dos répteis, o mundo neolítico, o egípcio, o persa, o grego, o romano, o maia... todos esses acabaram, e muitos outros ainda. A história é cemitério de mundos, notando-se que uns tantos acabaram de morte tão acabada que nem sequer figuram lá com uma tabuleta; não se sabe que fim levaram as cinzas.



Pessoas que aí estão vivas assistiram à morte do mundo em agosto de 1914, mas estavam lendo jornal e não compreenderam no momento. Era apenas mais uma guerra na Europa, mas acabou com a belle époque, a douceur de vivre, a respeitabilidade vitoriana, o franco, a supremacia da libra, os suspensórios, o rapé, os conceitos econômicos, políticos e éticos do século XIX − mundo que parecia eterno. Pedaços dele andam por aí, vagando, como o colonialismo, a opressão de grupos financeiros, a servidão civil da mulher, mas pertencem a um contexto liquidado, rabo de lagartixa vibrando depois que o corpo foi abatido.


(...)


Aos sete anos de idade imaginei que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria com ele. Um cometa mal-humorado visitava o espaço. Em certo dia de 1910, sua cauda tocaria a Terra; não haveria mais aula de aritmética, nem missa de domingo, nem obediência aos mais velhos. Essas perspectivas eram boas. Mas também não haveria mais geleia, Tico-Tico, a árvore de moedas que um padrinho surrealista preparava para o afilhado que ia visitá-lo. Ideias que aborreciam. Havia ainda a angústia da morte, o tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando − mas isso, afinal, seria um espetáculo. Preparei-me para morrer, com terror e curiosidade.



O que aconteceu à noite foi maravilhoso. O cometa Halley apareceu mais nítido, mais denso de luz e airosamente deslizou sobre nossas cabeças sem dar confiança de exterminar-nos. No ar frio, o véu dourado baixou ao vale, tornando irreal o contorno dos sobrados, da igreja, das montanhas. Saíamos para a rua banhados de ouro, magníficos e esquecidos da morte, que não houve. Nunca mais houve cometa igual, assim terrível, desdenhoso e belo. (...)



Nem todas as concepções de fim material do mundo terão a magnificência desta que liga a desintegração da Terra ao choque com a cabeleira luminosa de um astro. Concepção antiquada, concordo. Admitia a liquidação do nosso planeta como uma tragédia cósmica que o homem não tinha poder de evitar. Hoje, o excitante é imaginar a possibilidade dessa destruição por obra e graça do homem. A Terra e os cometas devem ter medo de nós.


(Fonte: A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 2008.)


"Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado."


Em relação às palavras destacadas no trecho acima, na mesma ordem em que se encontram, qual é a função que elas exercem no período?

Alternativas
Q3709074 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



FIM DO MUNDO

Carlos Drummond de Andrade


Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado. Pode ser que sim, e não seria a primeira vez que isso acontece. A falta de sinais estrondosos e visíveis não é prova bastante da continuação. Muitas vezes o mundo acaba em silêncio, ou fazendo um barulho leve de folha. Tempos depois é que se percebe, mas já estamos vivendo em outro mundo, com sua estrutura e seus regulamentos próprios, e ninguém leva lenço aos olhos pelo falecido.



O mundo primitivo dos répteis, o mundo neolítico, o egípcio, o persa, o grego, o romano, o maia... todos esses acabaram, e muitos outros ainda. A história é cemitério de mundos, notando-se que uns tantos acabaram de morte tão acabada que nem sequer figuram lá com uma tabuleta; não se sabe que fim levaram as cinzas.



Pessoas que aí estão vivas assistiram à morte do mundo em agosto de 1914, mas estavam lendo jornal e não compreenderam no momento. Era apenas mais uma guerra na Europa, mas acabou com a belle époque, a douceur de vivre, a respeitabilidade vitoriana, o franco, a supremacia da libra, os suspensórios, o rapé, os conceitos econômicos, políticos e éticos do século XIX − mundo que parecia eterno. Pedaços dele andam por aí, vagando, como o colonialismo, a opressão de grupos financeiros, a servidão civil da mulher, mas pertencem a um contexto liquidado, rabo de lagartixa vibrando depois que o corpo foi abatido.


(...)


Aos sete anos de idade imaginei que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria com ele. Um cometa mal-humorado visitava o espaço. Em certo dia de 1910, sua cauda tocaria a Terra; não haveria mais aula de aritmética, nem missa de domingo, nem obediência aos mais velhos. Essas perspectivas eram boas. Mas também não haveria mais geleia, Tico-Tico, a árvore de moedas que um padrinho surrealista preparava para o afilhado que ia visitá-lo. Ideias que aborreciam. Havia ainda a angústia da morte, o tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando − mas isso, afinal, seria um espetáculo. Preparei-me para morrer, com terror e curiosidade.



O que aconteceu à noite foi maravilhoso. O cometa Halley apareceu mais nítido, mais denso de luz e airosamente deslizou sobre nossas cabeças sem dar confiança de exterminar-nos. No ar frio, o véu dourado baixou ao vale, tornando irreal o contorno dos sobrados, da igreja, das montanhas. Saíamos para a rua banhados de ouro, magníficos e esquecidos da morte, que não houve. Nunca mais houve cometa igual, assim terrível, desdenhoso e belo. (...)



Nem todas as concepções de fim material do mundo terão a magnificência desta que liga a desintegração da Terra ao choque com a cabeleira luminosa de um astro. Concepção antiquada, concordo. Admitia a liquidação do nosso planeta como uma tragédia cósmica que o homem não tinha poder de evitar. Hoje, o excitante é imaginar a possibilidade dessa destruição por obra e graça do homem. A Terra e os cometas devem ter medo de nós.


(Fonte: A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 2008.)


"Aos sete anos de idade imaginei(1) que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria(2) com ele. Um cometa mal-humorado visitava(3) o espaço."



Analise as formas verbais destacadas no trecho acima, devidamente identificadas por números. A seguir, associe cada forma verbal ao tempo e ao sentido expressos nas colunas abaixo, assinalando a alternativa que apresenta a correspondência CORRETA.



Coluna 1 (tempos verbais):


(a) Futuro do pretérito do indicativo


(b) Pretérito imperfeito do indicativo


(c) Pretérito perfeito do indicativo



Coluna 2 (sentidos):


(I) Ação que transcorreu num passado indeterminado.


(II) Ação que transcorreu num passado determinado.


(III) Ação futura presa a alguma condição ou hipótese.

Alternativas
Q3709075 Português

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FIM DO MUNDO

Carlos Drummond de Andrade


Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado. Pode ser que sim, e não seria a primeira vez que isso acontece. A falta de sinais estrondosos e visíveis não é prova bastante da continuação. Muitas vezes o mundo acaba em silêncio, ou fazendo um barulho leve de folha. Tempos depois é que se percebe, mas já estamos vivendo em outro mundo, com sua estrutura e seus regulamentos próprios, e ninguém leva lenço aos olhos pelo falecido.



O mundo primitivo dos répteis, o mundo neolítico, o egípcio, o persa, o grego, o romano, o maia... todos esses acabaram, e muitos outros ainda. A história é cemitério de mundos, notando-se que uns tantos acabaram de morte tão acabada que nem sequer figuram lá com uma tabuleta; não se sabe que fim levaram as cinzas.



Pessoas que aí estão vivas assistiram à morte do mundo em agosto de 1914, mas estavam lendo jornal e não compreenderam no momento. Era apenas mais uma guerra na Europa, mas acabou com a belle époque, a douceur de vivre, a respeitabilidade vitoriana, o franco, a supremacia da libra, os suspensórios, o rapé, os conceitos econômicos, políticos e éticos do século XIX − mundo que parecia eterno. Pedaços dele andam por aí, vagando, como o colonialismo, a opressão de grupos financeiros, a servidão civil da mulher, mas pertencem a um contexto liquidado, rabo de lagartixa vibrando depois que o corpo foi abatido.


(...)


Aos sete anos de idade imaginei que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria com ele. Um cometa mal-humorado visitava o espaço. Em certo dia de 1910, sua cauda tocaria a Terra; não haveria mais aula de aritmética, nem missa de domingo, nem obediência aos mais velhos. Essas perspectivas eram boas. Mas também não haveria mais geleia, Tico-Tico, a árvore de moedas que um padrinho surrealista preparava para o afilhado que ia visitá-lo. Ideias que aborreciam. Havia ainda a angústia da morte, o tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando − mas isso, afinal, seria um espetáculo. Preparei-me para morrer, com terror e curiosidade.



O que aconteceu à noite foi maravilhoso. O cometa Halley apareceu mais nítido, mais denso de luz e airosamente deslizou sobre nossas cabeças sem dar confiança de exterminar-nos. No ar frio, o véu dourado baixou ao vale, tornando irreal o contorno dos sobrados, da igreja, das montanhas. Saíamos para a rua banhados de ouro, magníficos e esquecidos da morte, que não houve. Nunca mais houve cometa igual, assim terrível, desdenhoso e belo. (...)



Nem todas as concepções de fim material do mundo terão a magnificência desta que liga a desintegração da Terra ao choque com a cabeleira luminosa de um astro. Concepção antiquada, concordo. Admitia a liquidação do nosso planeta como uma tragédia cósmica que o homem não tinha poder de evitar. Hoje, o excitante é imaginar a possibilidade dessa destruição por obra e graça do homem. A Terra e os cometas devem ter medo de nós.


(Fonte: A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 2008.)


"A história é cemitério de mundos, notando-se que uns tantos acabaram de morte tão acabada que nem sequer figuram lá com uma tabuleta"


A oração destacada no período acima possui o sentido de

Alternativas
Respostas
1: A
2: E
3: B
4: A
5: B
6: C
7: B
8: A
9: E
10: E
11: E
12: C
13: A
14: A
15: A
16: C
17: D
18: D
19: E
20: A