Questões de Concurso Público Prefeitura de Minaçu - GO 2026 para Médico Anestesista

Foram encontradas 9 questões

Q4434251 Português

Leia o Texto 1 para responder à questão.


Morte de Clarice Lispector


enquanto te enterravam no cemitério judeu

do Caju

(e o clarão de teu olhar soterrado

resistindo ainda)

o táxi corria comigo à borda da Lagoa

na direção de Botafogo

as pedras e as nuvens e as árvores

no vento

mostravam alegremente

que não dependem de nós.


GULLAR, Ferreira. Melhores poemas de Ferreira Gullar. 7 ed. Seleção de Alfredo Bosi. São Paulo: Global, 2004. p. 153.

No poema, os versos “as pedras e as nuvens e as árvores / no vento / mostravam alegremente / que não dependem de nós” exemplificam a figura de linguagem denominada
Alternativas
Q4434252 Português

Leia o Texto 1 para responder à questão.


Morte de Clarice Lispector


enquanto te enterravam no cemitério judeu

do Caju

(e o clarão de teu olhar soterrado

resistindo ainda)

o táxi corria comigo à borda da Lagoa

na direção de Botafogo

as pedras e as nuvens e as árvores

no vento

mostravam alegremente

que não dependem de nós.


GULLAR, Ferreira. Melhores poemas de Ferreira Gullar. 7 ed. Seleção de Alfredo Bosi. São Paulo: Global, 2004. p. 153.

A oração “que não dependem de nós”, último verso do poema, exerce a função sintática de 
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Q4434254 Português

Leia o Texto 2 para responder à questão.


Texto 2


Contra o Godzilla digital


        Nos EUA, é assim. Quando um caso judicial é encerrado mediante “acordo”, significa que a parte acusada, sabendo que vai perder, interrompe o processo e consegue abafar a história por um bom dinheiro em sigilo para o acusador. Que vantagem ela leva nisso? Impede que uma derrota pública deságue numa hemorragia de outros processos do gênero. O TikTok, por exemplo, acaba de fazer um “acordo” com um jovem de 15 anos, residente na Flórida, que acusou a rede social de danos à sua saúde mental causados pela dependência dos seus recursos.


        É o segundo “acordo” que o garoto aceitou — o anterior, há alguns meses, foi com o Google, e pelos mesmos motivos. Mas ele ainda tem mais dois em andamento, contra o Meta e o Snapchat, e não importa que, em vez de vencê-los, ele aceite mais “acordos”. Ficará caracterizado que as redes sociais podem ser desafiadas por quem sinta sua saúde lesada por elas. O julgamento já está em curso em Los Angeles e, de seu resultado, devem pipocar inúmeras ações acusando as redes de provocar dependência psíquica.


        Alguém dirá que o garoto é um esperto aproveitador e que, se não quisesse que as redes sociais lhe provocassem dependência, era só “saber usá-las”. Assim como acontece com o álcool e as drogas, os leigos acreditam que seja uma questão de moderação, “força de vontade”. Não aceitam que, uma vez instaurada a dependência, não se trata mais de saber ou não usá-los, e muito menos com moderação. O dependente não tem escolha — por isso é dependente — e ninguém está a salvo de se tornar um.


        Os fabricantes de bebidas e cigarros e os traficantes de drogas sabem do que seus produtos são feitos e os efeitos que provocam a médio prazo. Tanto quanto eles, as redes sociais também sabem do estresse, depressão, ansiedade, insatisfação com o próprio corpo, ideias suicidas, submissão à luz da tela, pavor de se ver sem o celular e outras consequências de seu uso, mesmo “moderado”. É o que as torna trilionárias.


        Um jovem luta contra o Godzilla digital. Eu torço por ele


CASTRO, Ruy. Contra o Godzilla digital. Folha de S. Paulo, São Paulo, 9 ago. 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/08/contra-o-godzilladigital.shtml. Acesso em: 31 ago. 2026.

Considerando a construção da coerência textual e a articulação entre o caso judicial apresentado e a crítica desenvolvida pelo autor, a argumentação do texto sustenta-se 
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Q4434255 Português

Leia o Texto 2 para responder à questão.


Texto 2


Contra o Godzilla digital


        Nos EUA, é assim. Quando um caso judicial é encerrado mediante “acordo”, significa que a parte acusada, sabendo que vai perder, interrompe o processo e consegue abafar a história por um bom dinheiro em sigilo para o acusador. Que vantagem ela leva nisso? Impede que uma derrota pública deságue numa hemorragia de outros processos do gênero. O TikTok, por exemplo, acaba de fazer um “acordo” com um jovem de 15 anos, residente na Flórida, que acusou a rede social de danos à sua saúde mental causados pela dependência dos seus recursos.


        É o segundo “acordo” que o garoto aceitou — o anterior, há alguns meses, foi com o Google, e pelos mesmos motivos. Mas ele ainda tem mais dois em andamento, contra o Meta e o Snapchat, e não importa que, em vez de vencê-los, ele aceite mais “acordos”. Ficará caracterizado que as redes sociais podem ser desafiadas por quem sinta sua saúde lesada por elas. O julgamento já está em curso em Los Angeles e, de seu resultado, devem pipocar inúmeras ações acusando as redes de provocar dependência psíquica.


        Alguém dirá que o garoto é um esperto aproveitador e que, se não quisesse que as redes sociais lhe provocassem dependência, era só “saber usá-las”. Assim como acontece com o álcool e as drogas, os leigos acreditam que seja uma questão de moderação, “força de vontade”. Não aceitam que, uma vez instaurada a dependência, não se trata mais de saber ou não usá-los, e muito menos com moderação. O dependente não tem escolha — por isso é dependente — e ninguém está a salvo de se tornar um.


        Os fabricantes de bebidas e cigarros e os traficantes de drogas sabem do que seus produtos são feitos e os efeitos que provocam a médio prazo. Tanto quanto eles, as redes sociais também sabem do estresse, depressão, ansiedade, insatisfação com o próprio corpo, ideias suicidas, submissão à luz da tela, pavor de se ver sem o celular e outras consequências de seu uso, mesmo “moderado”. É o que as torna trilionárias.


        Um jovem luta contra o Godzilla digital. Eu torço por ele


CASTRO, Ruy. Contra o Godzilla digital. Folha de S. Paulo, São Paulo, 9 ago. 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/08/contra-o-godzilladigital.shtml. Acesso em: 31 ago. 2026.

No penúltimo parágrafo do texto, a expressão “Tanto quanto eles” contribui para a coesão textual ao retomar 
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Q4434256 Português

Leia o Texto 2 para responder à questão.


Texto 2


Contra o Godzilla digital


        Nos EUA, é assim. Quando um caso judicial é encerrado mediante “acordo”, significa que a parte acusada, sabendo que vai perder, interrompe o processo e consegue abafar a história por um bom dinheiro em sigilo para o acusador. Que vantagem ela leva nisso? Impede que uma derrota pública deságue numa hemorragia de outros processos do gênero. O TikTok, por exemplo, acaba de fazer um “acordo” com um jovem de 15 anos, residente na Flórida, que acusou a rede social de danos à sua saúde mental causados pela dependência dos seus recursos.


        É o segundo “acordo” que o garoto aceitou — o anterior, há alguns meses, foi com o Google, e pelos mesmos motivos. Mas ele ainda tem mais dois em andamento, contra o Meta e o Snapchat, e não importa que, em vez de vencê-los, ele aceite mais “acordos”. Ficará caracterizado que as redes sociais podem ser desafiadas por quem sinta sua saúde lesada por elas. O julgamento já está em curso em Los Angeles e, de seu resultado, devem pipocar inúmeras ações acusando as redes de provocar dependência psíquica.


        Alguém dirá que o garoto é um esperto aproveitador e que, se não quisesse que as redes sociais lhe provocassem dependência, era só “saber usá-las”. Assim como acontece com o álcool e as drogas, os leigos acreditam que seja uma questão de moderação, “força de vontade”. Não aceitam que, uma vez instaurada a dependência, não se trata mais de saber ou não usá-los, e muito menos com moderação. O dependente não tem escolha — por isso é dependente — e ninguém está a salvo de se tornar um.


        Os fabricantes de bebidas e cigarros e os traficantes de drogas sabem do que seus produtos são feitos e os efeitos que provocam a médio prazo. Tanto quanto eles, as redes sociais também sabem do estresse, depressão, ansiedade, insatisfação com o próprio corpo, ideias suicidas, submissão à luz da tela, pavor de se ver sem o celular e outras consequências de seu uso, mesmo “moderado”. É o que as torna trilionárias.


        Um jovem luta contra o Godzilla digital. Eu torço por ele


CASTRO, Ruy. Contra o Godzilla digital. Folha de S. Paulo, São Paulo, 9 ago. 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/08/contra-o-godzilladigital.shtml. Acesso em: 31 ago. 2026.

Considerando o modo como as informações são encadeadas ao longo do texto, a progressão temática é construída pela passagem 
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Q4434257 Português

Leia o Texto 3 para responder à questão.

 Texto 3

 A honra passada a limpo
     
Sou compulsiva, eu sei. Limpeza e arrumação.     
Todos os dias boto a mesa, tiro a mesa. Café, almoço, jantar. E pilhas de louças na pia, e espumas redentoras.
Todos os dias entro nos quartos, desfaço camas, desarrumo berços, lençóis ao alto como vela. Para tudo arrumar depois, alisando colchas de crochê.
Sou caprichosa, eu sei. Desce o pó sobre os móveis. Que eu colho na flanela. Escurecem-se as pratas. Que eu esfrego com a camurça. A aranha tece. Que eu enxoto. A traça rói. Que eu esmago. O cupim voa. Que eu afogo na água da tigela sob a luz.
E de vassoura em punho gasto tapetes persas.
Sou perseverante, eu sei. À mesa que ponho ninguém senta. Nas camas que arrumo ninguém dorme. Não há ninguém nesta casa, vazia há tanto tempo.
 Mas sem tarefas domésticas, como preencher de feminina honradez a minha vida?

 COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgados. Rio de Janeiro: Rocco, 1986

Considerando a relação entre a enumeração das tarefas domésticas, a revelação da casa vazia e a pergunta final, a ironia presente no texto produz uma crítica social relacionada 
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Q4434258 Português

Leia o Texto 3 para responder à questão.

 Texto 3

 A honra passada a limpo
     
Sou compulsiva, eu sei. Limpeza e arrumação.     
Todos os dias boto a mesa, tiro a mesa. Café, almoço, jantar. E pilhas de louças na pia, e espumas redentoras.
Todos os dias entro nos quartos, desfaço camas, desarrumo berços, lençóis ao alto como vela. Para tudo arrumar depois, alisando colchas de crochê.
Sou caprichosa, eu sei. Desce o pó sobre os móveis. Que eu colho na flanela. Escurecem-se as pratas. Que eu esfrego com a camurça. A aranha tece. Que eu enxoto. A traça rói. Que eu esmago. O cupim voa. Que eu afogo na água da tigela sob a luz.
E de vassoura em punho gasto tapetes persas.
Sou perseverante, eu sei. À mesa que ponho ninguém senta. Nas camas que arrumo ninguém dorme. Não há ninguém nesta casa, vazia há tanto tempo.
 Mas sem tarefas domésticas, como preencher de feminina honradez a minha vida?

 COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgados. Rio de Janeiro: Rocco, 1986

No texto, a repetição de estruturas sintáticas semelhantes contribui para a construção da coesão textual  
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Q4434259 Português

Leia o Texto 3 para responder à questão.

 Texto 3

 A honra passada a limpo
     
Sou compulsiva, eu sei. Limpeza e arrumação.     
Todos os dias boto a mesa, tiro a mesa. Café, almoço, jantar. E pilhas de louças na pia, e espumas redentoras.
Todos os dias entro nos quartos, desfaço camas, desarrumo berços, lençóis ao alto como vela. Para tudo arrumar depois, alisando colchas de crochê.
Sou caprichosa, eu sei. Desce o pó sobre os móveis. Que eu colho na flanela. Escurecem-se as pratas. Que eu esfrego com a camurça. A aranha tece. Que eu enxoto. A traça rói. Que eu esmago. O cupim voa. Que eu afogo na água da tigela sob a luz.
E de vassoura em punho gasto tapetes persas.
Sou perseverante, eu sei. À mesa que ponho ninguém senta. Nas camas que arrumo ninguém dorme. Não há ninguém nesta casa, vazia há tanto tempo.
 Mas sem tarefas domésticas, como preencher de feminina honradez a minha vida?

 COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgados. Rio de Janeiro: Rocco, 1986

Na última frase do texto, a conjunção “mas” apresenta o valor semântico de 
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Q4434260 Português

Leia o texto a seguir.


        Uma flor, o Quincas Borba. Nunca em minha infância, nunca em toda a minha vida, achei um menino mais gracioso, inventivo e travesso. Era a flor, e não já da escola, senão de toda a cidade. A mãe, viúva, com alguma cousa de seu, adorava o filho e trazia-o amimado, asseado, enfeitado, com um vistoso pajem atrás, um pajem que nos deixava gazear a escola, ir caçar ninhos de pássaros, ou perseguir lagartixas nos morros do Livramento e da Conceição, ou simplesmente arruar, à toa, como dous peraltas sem emprego.


ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê Editorial, 1998. p. 94.


Releia o trecho “A mãe, viúva, com alguma cousa de seu, adorava o filho e trazia-o amimado, asseado, enfeitado, com um vistoso pajem atrás”. Nesse trecho, considerando a construção em torno da forma verbal “trazia-o”, o pronome oblíquo “o” e os termos “amimado, asseado, enfeitado” exercem, respectivamente, as funções sintáticas de

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Respostas
1: B
2: C
3: A
4: D
5: A
6: C
7: D
8: A
9: A