Questões de Concurso Público Prefeitura de Buriti Alegre - GO 2026 para Professor de Libras

Foram encontradas 7 questões

Q4303745 Não definido
Texto 1


Soneto da hora final


Será assim, amiga: um certo dia,
Estando nós a contemplar o poente,
Sentiremos no rosto, de repente,
O beijo leve de uma aragem fria.

Tu me olharás silenciosamente,
E eu te olharei também, com nostalgia,
E partiremos, tontos de poesia,
Para a porta de treva aberta em frente.

Ao transpor as fronteiras do Segredo,
Eu, calmo, te direi: — Não tenhas medo.
E tu, tranquila, me dirás: — Sê forte.

E como dois antigos namorados,
Noturnamente tristes e enlaçados,
Nós entraremos nos jardins da morte.


    MORAES, Vinicius de. Soneto da hora final. In: MORAES, Vinicius de. Livro

    de sonetos: 1957/1967. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo:

    Companhia das Letras, 2009. p. 30.

    Nos versos “Sentiremos no rosto, de repente, / O beijo leve de uma aragem fria.”, o emprego das vírgulas, segundo as regras de pontuação, justifica-se por um fenômeno sintático. Esse mesmo fenômeno justifica o uso das vírgulas em:
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    Q4303748 Não definido
    Texto 2

    Tempo de sentir


    Para escrever e, também, para ler, é preciso deixar de lado o celular


          É sempre interessante ouvir o que dizem os escritores sobre seu processo criativo. Afinal, como as ideias se transformam em um texto? Recentemente, Itamar Vieira Junior, autor do premiado Torto Arado e de outras obras literárias, disse que “o celular é o grande inimigo de quem escreve” e acrescentou que, “no momento da escrita, todas as distrações precisam ser eliminadas”. O conselho, à primeira vista, pode parecer óbvio, mas, no fundo, é provocativo. Somos capazes de deixar de lado o celular?

        Não apenas a escrita depende de sossego e concentração. Esses são requisitos também para uma boa leitura. Como adentrar o universo de um romance sem deixar de lado todo o resto? Às vezes, tenho a impressão de que muita gente lê a crítica ou o resumo do livro, mas não vive a experiência de sorver, uma a uma, as palavras e frases que compõem o tecido literário. [...]

        Para escrever e, também, para ler, é preciso um pouco de solidão. Estar só é diferente de saber-se irremediavelmente só e desamparado. Coisas distintas. Esse estar só, no entanto, vai deixando de existir. Basta nos pegarmos sós que logo alcançamos o celular para saber se alguém nos enviou mensagem ou se, ao menos, publicou alguma novidade nas redes sociais. Com milhares de “amigos”, o que não nos falta são notícias.

        No meio disso tudo, uma moça bonita ensina a usar o delineador (como parece fácil!), um sujeito engraçado mostra como limpar o ventilador, uma mocinha empoderada garante que qualquer um pode trocar o seu varal de teto, depois vêm os gatinhos, vídeos que já chegam com milhares de curtidas (seremos apenas mais um a dar o “like” para as fofuras) e, de repente tomamos conhecimento da morte do papa, de um bolo envenenado que matou várias pessoas, de um novo remédio para emagrecer – e isso sem falar nos anúncios, que se imiscuem até no meio das notícias. [...]

       Estamos presos a esse hábito coletivo. Queremos informação rápida sobre uma infinidade de assuntos, alguns importantes, outros não, e estamos sempre com pressa. Quando diz que, para escrever, é preciso afastar o celular, Itamar Vieira Junior mostra como é difícil o seu ofício nos dias de hoje e, ao mesmo tempo, provoca o leitor: é preciso sair dessa rotina do celular também para ler um bom livro. E livro é livro, filme é filme, experiências diversas.


    NICOLETI, Thaís. Tempo de sentir. Folha de São Paulo, 30 abr. 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/thaisnicoleti/2025/04/tempo-de-sentir.shtml. Acesso em: 04 jul. 2026.
    No desenvolvimento do texto, o quarto parágrafo contribui para a progressão temática ao
    Alternativas
    Q4303749 Não definido
    Texto 2

    Tempo de sentir


    Para escrever e, também, para ler, é preciso deixar de lado o celular


          É sempre interessante ouvir o que dizem os escritores sobre seu processo criativo. Afinal, como as ideias se transformam em um texto? Recentemente, Itamar Vieira Junior, autor do premiado Torto Arado e de outras obras literárias, disse que “o celular é o grande inimigo de quem escreve” e acrescentou que, “no momento da escrita, todas as distrações precisam ser eliminadas”. O conselho, à primeira vista, pode parecer óbvio, mas, no fundo, é provocativo. Somos capazes de deixar de lado o celular?

        Não apenas a escrita depende de sossego e concentração. Esses são requisitos também para uma boa leitura. Como adentrar o universo de um romance sem deixar de lado todo o resto? Às vezes, tenho a impressão de que muita gente lê a crítica ou o resumo do livro, mas não vive a experiência de sorver, uma a uma, as palavras e frases que compõem o tecido literário. [...]

        Para escrever e, também, para ler, é preciso um pouco de solidão. Estar só é diferente de saber-se irremediavelmente só e desamparado. Coisas distintas. Esse estar só, no entanto, vai deixando de existir. Basta nos pegarmos sós que logo alcançamos o celular para saber se alguém nos enviou mensagem ou se, ao menos, publicou alguma novidade nas redes sociais. Com milhares de “amigos”, o que não nos falta são notícias.

        No meio disso tudo, uma moça bonita ensina a usar o delineador (como parece fácil!), um sujeito engraçado mostra como limpar o ventilador, uma mocinha empoderada garante que qualquer um pode trocar o seu varal de teto, depois vêm os gatinhos, vídeos que já chegam com milhares de curtidas (seremos apenas mais um a dar o “like” para as fofuras) e, de repente tomamos conhecimento da morte do papa, de um bolo envenenado que matou várias pessoas, de um novo remédio para emagrecer – e isso sem falar nos anúncios, que se imiscuem até no meio das notícias. [...]

       Estamos presos a esse hábito coletivo. Queremos informação rápida sobre uma infinidade de assuntos, alguns importantes, outros não, e estamos sempre com pressa. Quando diz que, para escrever, é preciso afastar o celular, Itamar Vieira Junior mostra como é difícil o seu ofício nos dias de hoje e, ao mesmo tempo, provoca o leitor: é preciso sair dessa rotina do celular também para ler um bom livro. E livro é livro, filme é filme, experiências diversas.


    NICOLETI, Thaís. Tempo de sentir. Folha de São Paulo, 30 abr. 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/thaisnicoleti/2025/04/tempo-de-sentir.shtml. Acesso em: 04 jul. 2026.
    Na organização do último parágrafo do texto, predomina a sequência textual
    Alternativas
    Q4303750 Não definido




    BECK, Alexandre. Armandinho. [Tirinha]. 2017. Disponível em: https://www.facebook.com/tirasarmandinho/posts/2457406454304646. Acesso em: 06 jul. 2026
    O texto permite inferir que Pudim
    Alternativas
    Q4303751 Não definido




    BECK, Alexandre. Armandinho. [Tirinha]. 2017. Disponível em: https://www.facebook.com/tirasarmandinho/posts/2457406454304646. Acesso em: 06 jul. 2026
    A construção de sentido do texto decorre principalmente da
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    Q4303752 Não definido
    Texto 4


    O fim do livro de papel


           Só 122 livros. Era o que a Universidade de Cambridge tinha em 1427. Eram manuscritos lindos, que valiam cada um o preço de uma casa. Isso foi três décadas antes de a Bíblia de Gutenberg chegar às ruas. Depois dela, os livros deixaram de ser obras artesanais exclusivas de milionários e viraram o que viraram. Graças a uma novidade: a prensa de tipos móveis, que era capaz de fazer milhares de cópias no tempo que um monge levava para terminar um manuscrito.

          Foi uma revolução sem igual na história e blá, blá, blá. Só que uma revolução que já acabou. Há 10 anos, pelo menos. Quando a internet começou a crescer para valer, ficou claro que ela passaria uma borracha na história do papel impresso e começaria outra. Mas aconteceu justamente o que ninguém esperava: nada. A internet nunca arranhou o prestígio nem as vendas dos livros. Muito pelo contrário. O segundo negócio on-line que mais deu certo (depois do Google) é uma livraria, a Amazon. Se um extraterrestre pousasse na Terra hoje, acharia que nada disso faz sentido. Por que o livro não morreu? Como uma plataforma que, se comparada à internet, é tão arcaica quanto folhas de pergaminho ou tábuas de argila continua firme?

           Você sabe por quê. Ler um livro inteiro no computador é insuportável. A melhor tecnologia para uma leitura profunda e demorada continua sendo tinta preta em papel branco. Tudo embalado num pacote portátil e fácil de manusear. Igual à Bíblia de Gutenberg. Isso sem falar em outro ingrediente: quem gosta de ler sente um afeto físico pelos livros. Curte tocar neles, sentir o fluxo das páginas, exibir a estante cheia. Uma relação de fetiche. Amor até.

          Mas esse amor só dura porque ainda não apareceu nada melhor que um livro para a atividade de ler um livro. Se aparecer… Se aparecer, não: quando aparecer. Depois do CD, que já morreu, e do DVD, que está respirando com a ajuda de aparelhos, o livro impresso é o próximo da lista.  


    VERSIGNASSI, Alexandre. O fim do livro de papel. Superinteressante, 23 mar.
    2010. Disponível em: https://super.abril.com.br/tecnologia/o-fim-do-livro-depapel/. Acesso em: 06 jul. 2026.
    No terceiro parágrafo, na passagem “acharia que nada disso faz sentido”, o pronome demonstrativo “isso”, na contração prepositiva “disso”, contribui para a coesão textual ao retomar a
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    Q4303753 Não definido
    Texto 4


    O fim do livro de papel


           Só 122 livros. Era o que a Universidade de Cambridge tinha em 1427. Eram manuscritos lindos, que valiam cada um o preço de uma casa. Isso foi três décadas antes de a Bíblia de Gutenberg chegar às ruas. Depois dela, os livros deixaram de ser obras artesanais exclusivas de milionários e viraram o que viraram. Graças a uma novidade: a prensa de tipos móveis, que era capaz de fazer milhares de cópias no tempo que um monge levava para terminar um manuscrito.

          Foi uma revolução sem igual na história e blá, blá, blá. Só que uma revolução que já acabou. Há 10 anos, pelo menos. Quando a internet começou a crescer para valer, ficou claro que ela passaria uma borracha na história do papel impresso e começaria outra. Mas aconteceu justamente o que ninguém esperava: nada. A internet nunca arranhou o prestígio nem as vendas dos livros. Muito pelo contrário. O segundo negócio on-line que mais deu certo (depois do Google) é uma livraria, a Amazon. Se um extraterrestre pousasse na Terra hoje, acharia que nada disso faz sentido. Por que o livro não morreu? Como uma plataforma que, se comparada à internet, é tão arcaica quanto folhas de pergaminho ou tábuas de argila continua firme?

           Você sabe por quê. Ler um livro inteiro no computador é insuportável. A melhor tecnologia para uma leitura profunda e demorada continua sendo tinta preta em papel branco. Tudo embalado num pacote portátil e fácil de manusear. Igual à Bíblia de Gutenberg. Isso sem falar em outro ingrediente: quem gosta de ler sente um afeto físico pelos livros. Curte tocar neles, sentir o fluxo das páginas, exibir a estante cheia. Uma relação de fetiche. Amor até.

          Mas esse amor só dura porque ainda não apareceu nada melhor que um livro para a atividade de ler um livro. Se aparecer… Se aparecer, não: quando aparecer. Depois do CD, que já morreu, e do DVD, que está respirando com a ajuda de aparelhos, o livro impresso é o próximo da lista.  


    VERSIGNASSI, Alexandre. O fim do livro de papel. Superinteressante, 23 mar.
    2010. Disponível em: https://super.abril.com.br/tecnologia/o-fim-do-livro-depapel/. Acesso em: 06 jul. 2026.
    No texto, a afirmação de que “o livro impresso é o próximo da lista” não entra em contradição com a defesa de que o papel ainda constitui o suporte mais adequado para a leitura profunda porque o autor sustenta que a
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