Questões de Concurso Público INEP 2024 para História
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SONTAG, S. apud SARLO, B. Tempo Passado: cultura da memória e guinada subjetiva. São Paulo: Companhia das letras de Belo Horizonte/UFMG, 2007, p. 22.
Muita gente já ouviu seus pais e avós comentarem sobre como era viver em uma ditadura. Na intenção de problematizar essas memórias, uma professora de História decidiu organizar com seus alunos a realização de entrevistas com pessoas da comunidade que tenham vivido o período entre as décadas de 1960 e 1970. A dificuldade da tarefa consiste em selecionar os entrevistados, visto que os sujeitos escolhidos para participar da atividade passaram por experiências muito diferentes e têm opiniões divergentes sobre como era a vida nessa época.
Nessa situação, para enfrentar esse desafio, a professora deve orientar seus alunos a verificar
“O que estão tentando fazer hoje no Brasil não é revisionismo, nem a construção de novas versões. É fraude. Fraudar fatos é uma boa maneira de se investir contra a democracia. A História tem uma função estratégica para a nossa vida pública. Ela define um referencial concreto e rigoroso para averiguação dos fatos que se relatam, indica qual a relevância das evidências que tornam esse fato verificável e deixa claro que fato histórico não é invenção. Se a confiança na veracidade histórica for eliminada, as pessoas acreditam no que querem ou no mais conveniente; tudo se resume a uma questão de opinião e à melhor versão em curso – é o passado às avessas.”
STARLING, H. O Brasil republicano entre autoritarismos e democracia. Entrevista concedida a Antonio Gasparetto Júnior e Wagner Teixeira. Locus - Revista de história, Juiz de Fora, v.25, n. 2, p. 349, 2019 (adaptado).
Para enfrentar o problema apontado pela autora, professores podem ensinar os estudantes a utilizar métodos e técnicas próprios da pesquisa histórica adaptados ao meio digital, como
Considerando a composição plural da turma como um parâmetro de pesquisa, já que nela encontram-se alunos brancos, negros, indígenas e também de ascendência asiática, a professora apresentou a seguinte questão norteadora: “Somente os negros foram escravizados?”
Nessa situação, a proposta de intervenção da professora permitirá que os estudantes reconheçam as seguintes características da escravidão:
O Presidente do Benin, Patrice Talon, inaugurou em 2022 a exposição “Arte do Benin ontem e hoje”, com 26 obras devolvidas pela França em 2021, quase 130 anos depois de terem sido roubadas pelas forças coloniais. A devolução de artefatos pela França surge à medida que crescem os apelos na África para que os países ocidentais devolvam os despojos coloniais dos seus museus e coleções privadas.
Disponível em: https://www.dw.com/pt-002/Benin-exibe-obras-de-arte-devolvidaspela-frança/a-60849202 . Acesso em: 28 maio 2024 (adaptado).
TEXTO 2
Com a Revolução Francesa se construirá o conceito de patrimônio histórico nacional e após se darão os primeiros acordos de devolução de bens culturais. A França revolucionária terá a perspectiva progressista de socializar ao povo o acesso aos bens culturais antes restritos, mas o expansionismo napoleônico se apropriará dos bens culturais alheios. Davam uma aparência de legalidade através de tratados de paz, ilegítimos, pois conseguidos com o uso da força e em condições de desigualdade, caso similar da relação entre ex-metrópoles e ex-colônias.
FERREIRA, C. S. Restituição dos bens culturais retirados no contexto do colonialismo: instrumento de desenvolvimento e de diálogo intercultural. Cadernos de Sociomuseologia, v. 47, n. 3, p. 109 - 129, 2014 (adaptado).
A partir das ideias apresentadas nos Textos 1 e 2, um professor de História propôs aos alunos do Ensino Médio uma pesquisa em acervos virtuais museológicos europeus sobre bens culturais provenientes de ex-colônias africanas, nas condições descritas nos textos, a fim de que os estudantes identifiquem objetos e se posicionem criticamente diante do colonialismo.
Assim, a proposta pedagógica utilizada pelo professor permitirá aos alunos a compreensão de que as reivindicações de países africanos, como Benin, são justificadas pelo argumento da
Nesse caso, a avaliação formativa é significativa, pois permite ao professor
Para ampliar o entendimento de estudantes do Ensino Médio sobre as modificações da realidade social no Ocidente e no Brasil, decorrentes dos impactos do crescimento econômico chinês, o professor de História deve destacar
No século XIX, intelectuais se reuniram no Rio de Janeiro formando um grupo que, entre as décadas de 1830 e 1860, especializou-se na criação e disseminação de falsificações documentais. Seus principais alvos eram políticos e figuras públicas da época. As notícias falsas criadas por eles muitas vezes eram republicadas em outros jornais e revistas, sendo aceitas como verdadeiras pelo público.
VEIGA, E. A “fábrica de fake news” que funcionou no Rio no século 19. DW, 14 de out. de 2020. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/. Acesso em:15 abr. 2024 (adaptado).
TEXTO 2
Atualmente, a manipulação de informações ganhou novas ferramentas, que afetam diretamente a escola, com o advento da tecnologia de inteligência artificial (IA). Nos Estados Unidos, foi reportado o uso de aplicativos de IA por estudantes para criar imagens pornográficas falsas de suas colegas, fenômeno conhecido como “deepnudes”. No Brasil, casos semelhantes já foram registrados e preocupam autoridades. Especialistas alertam para os severos impactos dessas ações na saúde mental, reputação e segurança das vítimas.
SINGER, N. Deepnudes: uso de imagens pornográficas criadas por IA vira epidemia nas escolas dos EUA. O Globo. 10 de abr. de 2024. Disponível em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/. Acesso em: 15 abr. 2024 (adaptado).
Nesse contexto, em uma aula de História que explore a manipulação da informação desde o século XIX até a era digital, para desenvolver nos estudantes uma postura crítica e investigativa sobre essas informações, é recomendável ao professor
A fotografia acima ganhou o mundo e foi capa das principais revistas de circulação mundial – Life, Vu, Paris-Sair e Regards – nos anos de 1936 e 1937.
LIMA, S. F.; CARVALHO, V. C. Fotografias: usos sociais e historiográficos. In: PINSKY, C. B. (Org.). Fontes Históricas. São Paulo: Contexto, 2006 (adaptado).
Dessa forma, considerando-se o ponto de vista da análise e reflexão sobre documentos feita no âmbito da História, é recomendável que a fotografia de guerra de Robert Capa seja abordada por um professor com foco na
Considerando a perspectiva de construção de uma abordagem de História Ambiental, que dialogue com outras disciplinas das humanidades, assinale a opção que apresenta corretamente a relação entre as categorias trabalhadas pelo professor e os objetivos e desenvolvimento de habilidades da área de História.
O que é K-Pop: a história do gênero que mudou a indústria da música. Disponível em: https://revistaquem.globo.com/entretenimento/k-pop/noticia/2022/11/o-que-e-k-pop-ahistoria-do-genero-que-mudou-a-industria-da-musica.ghtml. Acesso em: 15 maio 2024 (adaptado).
Em uma aula destinada a uma turma do Ensino Médio, para expandir e diversificar a compreensão dos estudantes sobre fenômenos relacionados à internacionalização da cultura de massa, a partir da experiência coreana mencionada no texto, é recomendável que a professora
O Ser-Um chamou-se de Maa Ngala. Então ele criou a ‘Fan”, um ovo maravilhoso com nove divisões no qual introduziu os nove estados fundamentais da existência. Quando o ovo primordial chocou, dele nasceram vinte seres fabulosos que constituíram a totalidade do universo, a soma total das forças existentes do conhecimento possível. Mas, aí!, nenhuma dessas vinte primeiras criaturas revelou-se apta a tornar-se o interlocutor (kuma-nyon) que Maa Ngala havia desejado para si. Assim, ele tomou de uma parcela de cada uma dessas vinte criaturas existentes e misturou-as; então, insuflando na mistura uma centelha de seu próprio hálito ígneo, criou um novo Ser, o Homem, a quem, deu uma parte de seu próprio nome: Maa.
HAMPATÉ-BÂ, A. A tradição viva. In: KI-ZERBO, J. (ed.) História Geral da África I: metodologia e pré-história da África. Brasília: UNESCO, 2011. p. 170-171 (adaptado).
Considerando-se que um professor de História da 2ª série do Ensino Médio tenha selecionado o mito de criação apresentado acima para abordar o papel da oralidade entre diversos povos africanos, é correto afirmar que, a partir desse texto, o docente poderá explicar que a tradição oral relaciona-se com
BRASIL. Ministério da Igualdade Racial. Lançado projeto de reconhecimento de lugares de memória dos africanos escravizados no Brasil. Disponível em: https://www.gov.br/igualdaderacial/ pt-br/assuntos/. Acesso em: 8 maio 2024 (adaptado).
Considerando essa informação, assinale a opção que apresenta os desdobramentos do referido projeto no âmbito do ensino de História na Educação Básica.
A partir dessa situação, assinale a opção que contém uma explicação para a crítica dos estudantes.
Jan Van der Straet (1525–1605), Amerigo Vespucci Discovers America, late sixteenth century. Disponível em: https://www.britishmuseum.org/collection/object/P_1957-0413-35. Acesso em: 18 jul. 2024.
Essa fonte iconográfica é um recurso valioso em sala de aula. Produzida no final do século XVI, ela representa o encontro entre europeus e povos nativos, bem como a nomeação do novo território com a versão feminina do nome do navegador.
Nesse sentido, a análise dessa imagem em sala de aula possibilita o entendimento, pelos estudantes, de como a arte europeia do referido período representou
História para ninar gente grande. Samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira, 2019. In: DE ALMEIDA JESUS, A. C. Carnaval e “A História que a História Não Conta”: Uma Análise dos Sambas de Enredo. LICERE - Revista do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Estudos do Lazer, v. 23, n. 1, p. 157, 2020.
A Estação Primeira de Mangueira, em 2019, foi campeã do grupo especial com o enredo apresentado acima, que teve como objetivo questionar uma perspectiva de História e contar uma versão diferente dos acontecimentos, a qual
LONG, N. As estruturas agrárias da América Latina, 1930-1990. In: BETHELL, L. História da América Latina a América Latina após 1930: economia e sociedade. São Paulo: EdUSP, 2005. p. 437 (adaptado).
Tendo como referência as ideias do texto de Norman Long sobre a reversão da reforma agrária no Chile após o golpe de 1973, assinale a opção que apresenta a abordagem pedagógica que favorece a produção de conhecimentos e a autonomia discente em um plano de aula sobre as mudanças nas estruturas agrárias na América Latina.
PEREIRA L. L. C. Nos arquivos da Polícia Política. Reflexões sobre uma experiência de pesquisa no DOPS do Rio de Janeiro. Acervo, Rio de Janeiro, v. 27, n. 1, p. 254-267, jan./jun. 2014.
Desde 2015, os arquivos da Comissão Nacional da Verdade, que investigou as violações de direitos humanos no Brasil entre 1946 e 1988, estão disponíveis para consulta online no site do Arquivo Nacional. Os documentos foram extraídos de arquivos produzidos pelo Estado brasileiro e por órgãos militares de inteligência e espionagem, entretanto, dadas suas condições de produção, eles revelam mais sobre a polícia da época e sobre a violação de direitos humanos do que sobre as pessoas investigadas e os crimes a elas imputados. Por isso, o seu uso escolar demanda uma abordagem sensível, respeitosa e que encoraje a reflexão crítica sobre “o que” era documentado e sobre “como” foi documentado.
Nesse caso, a maneira adequada de promover a autonomia dos estudantes no trabalho com as fontes documentais desse tipo de acervo é orientá-los a
Levando-se em consideração a situação exposta, a avaliação adequada para esses alunos é a
O sábio que introduziu algarismos arábicos no Ocidente e nos salvou de multiplicar CXXIII por XI. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/. Acesso em: 01 jun. 2024 (adaptado).
Considerando-se o caso descrito, é correto afirmar que o processo de construção do conhecimento na Europa Medieval foi caracterizado por uma relação entre Ocidente e Oriente, denominada
MAIA, C. J.; SILVA, T. B. Alterosa para a família do Brasil: breve história de uma revista. Revista Caminhos da História, v. 15, n. 2, p. 97 - 111, 2010 (adaptado).
Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx. Acesso em: 17 set. 2024.
Uma professora de História, ao ministrar uma aula sobre o Brasil dos anos 1950, projetou imagens da Revista Alterosa que evidenciam a construção de um imaginário de “casamento dos sonhos”, sem divórcio, e a associação da saúde com a beleza, constituindo um ideal de mulher moderna e perfeita.
Ao trabalhar essas imagens, a professora solicitou que os alunos confrontassem as representações de gênero nos anos 1950 e na contemporaneidade, o que lhes permitirá compreender melhor as relações de gênero e a construção do masculino e do feminino.
Nesse caso, no que diz respeito às representações presentes na sociedade dos anos 1950, a professora e os estudantes devem considerar