Questões de Concurso Público USP 2024 para Educador - Especialidade: Matemática - Edital nº 5
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“O problemático na disciplinaridade é que ela se exerce desde um espaço-tempo privilegiado – a modernidade europeia – que, assim, se institui como norma, como referência e fonte de esclarecimento destinada a ordenar tanto o mundo natural como o social. Tudo o mais que possa existir entre o céu e a Terra são “outros”, em geral, tidos com exóticos, incompletos, anormais, deficitários e necessitando de coordenação, controle, correção e suprimento. A contribuição desse tipo de análise para a escolarização, o currículo e a pedagogia é inestimável, uma vez que nos alerta para a necessidade de conceber os campos como territórios de disputa, como arenas sociais em que estão em jogo as próprias identidades. É nesse espaço que se afirmam e se fortalecem as diferenças utilizadas como argumentos lógicos, naturais, que têm funcionado como justificativa para a desigualdade e a exclusão.”
COSTA, Marisa Vorraber. Poder, discurso e política cultural: contribuições dos Estudos Culturais ao campo do currículo. In: LOPES, A. C.; MACEDO, E. (org.). Currículo: debates contemporâneos. São Paulo: Cortez, 2002, p. 142 143
“O problemático na disciplinaridade é que ela se exerce desde um espaço-tempo privilegiado – a modernidade europeia – que, assim, se institui como norma, como referência e fonte de esclarecimento destinada a ordenar tanto o mundo natural como o social. Tudo o mais que possa existir entre o céu e a Terra são “outros”, em geral, tidos com exóticos, incompletos, anormais, deficitários e necessitando de coordenação, controle, correção e suprimento. A contribuição desse tipo de análise para a escolarização, o currículo e a pedagogia é inestimável, uma vez que nos alerta para a necessidade de conceber os campos como territórios de disputa, como arenas sociais em que estão em jogo as próprias identidades. É nesse espaço que se afirmam e se fortalecem as diferenças utilizadas como argumentos lógicos, naturais, que têm funcionado como justificativa para a desigualdade e a exclusão.”
COSTA, Marisa Vorraber. Poder, discurso e política cultural: contribuições dos Estudos Culturais ao campo do currículo. In: LOPES, A. C.; MACEDO, E. (org.). Currículo: debates contemporâneos. São Paulo: Cortez, 2002, p. 142 143
Um dos conceitos fundamentais da teoria do desenvolvimento de Vygotsky é a zona de desenvolvimento proximal: “A zona de desenvolvimento proximal provê psicólogos e educadores de um instrumento através do qual se pode entender o curso interno do desenvolvimento. Usando esse método podemos dar conta não somente dos ciclos e processos de maturação que já foram completados, como também daqueles processos que estão em estado de formação, ou seja, que estão apenas começando a amadurecer e a se desenvolver”. (Vygotsky, A formação social da mente, p. 113)
Tendo por base essa orientação, qual das alternativas explicita corretamente o conceito de zona de desenvolvimento proximal?
Segundo José Sergio Fonseca de Carvalho, o termo disciplina deriva etimologicamente da palavra latina “disco”, que significa “aprendo”. De acordo com o autor: “Sua raiz encontra-se na ideia de uma submissão do aprendiz às regras e estruturas do que pretende aprender ou à autoridade do mestre, como aquele que inicia o discípulo em uma arte ou área de conhecimento. [...] Assim, parece-me que a trajetória para entendermos os problemas da disciplina e da indisciplina escolar consiste na explicitação do vínculo entre a noção de disciplina como área do conhecimento e a de disciplina como comportamentos / procedimentos, vínculo que é próprio e específico da relação escolar”.
CARVALHO, J. S. F. O Sentido da (in)disciplina. In: AQUINO, Júlio Groppa (org.) Indisciplina na Escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996, p. 132
O termo disciplina é ambivalente, como se depreende do trecho transcrito, o que requer do educador a compreensão de que:
“E talvez a pergunta que move esse exercício seja: o que professores e coordenadores teriam para contar sobre suas experiências de participação no projeto pedagógico de sua escola? E como desdobramento dessa pergunta: que sentidos um projeto pedagógico tem hoje para a escola?”
MATE, Cecilia H. Projeto pedagógico: sentidos e significados para a escola. In: ALMEIDA, L.R., PLACCO, V.M.N (orgs.). O coordenador pedagógico: provocações e possibilidades de atuação. São Paulo: Loyola, 2012, p. 133
Para a autora, em seu exercício de pensamento, o principal fator que dificulta a participação dos professores na elaboração do projeto político pedagógico (PPP) da escola é:
“As práticas de aprendizagem social e emocional são heterogêneas e precisam de contextualização adequada. Elas exigem experiências de aprendizagem conscientemente elaboradas, vínculo com os professores, experiências positivas entre pares, compreensão intergeracional e envolvimento da comunidade. A atenção plena (mindfulness), a compaixão e a investigação critica apoiam uma poderosa aprendizagem social e emocional. Deve-se reconhecer, no entanto, que essa aprendizagem impõe exigências extras aos professores e que eles devem ser apoiados para realizar esse trabalho. Ao olharmos para 2050, não podemos nos dar ao luxo de investir pouco na aprendizagem social e emocional – ela é fundamental para a criatividade humana, moralidade, julgamento e ação para enfrentar os desafios futuros.”
Comissão Internacional sobre os futuros da educação. Reimaginar nossos futuros juntos: um novo contrato social para a educação. Brasília: UNESCO e Fundação SM, 2022, p. 66
Como a integração entre conhecimento e sentimento pode promover a diversidade e heterogeneidade do ambiente de aprendizagem?
“O objetivo geral dos cursos de Licenciatura da USP está em consonância com o objetivo geral da formação em nível de Graduação na Universidade de São Paulo. Assim, os cursos de licenciatura se orientam pelo objetivo de formar docentes como sujeitos críticos e responsáveis, agentes de transformação da realidade brasileira, comprometidas/os com a busca de respostas aos desafios e problemas existentes no cenário educacional nacional.”
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Programa de Formação de Professoras e Professores. São Paulo: USP/PRG, 2023
Tendo em vista o objetivo geral do Programa de Formação de Professoras e Professores da Universidade de São Paulo, qual alternativa expressa corretamente dois dos objetivos específicos em torno dos quais se articulam os projetos político-pedagógicos das licenciaturas na universidade?
“Penso que é negada não só a diversidade de alunos, mas também a de professores. De alguma forma, o coordenador pedagógico espera que seu grupo seja homogêneo, que aceite enquadrar-se no que o sistema entende como professor, padronizando seus saberes ou mesmo recusando os para impor os seus, negando suas individualidades, suas crenças e seus valores.”
SOUZA, V. L. T. In: PLACCO, Vera M.N. Souza, ALMEIDA, Laurinda R. O Coordenador pedagógico e o cotidiano da escola. São Paulo: Edições Loyola, 2003, p. 97-98
Para que o coordenador pedagógico equilibre as tensões entre unidade e diversidade, entre autonomia e dependência, entre harmonia e conflito, é fundamental
“Defenderei que os programas de formação têm de desenvolver três ‘famílias de competências’ – saber relacionar e saber relacionar-se, saber organizar e saber organizar-se, saber analisar e saber analisar-se – que são essenciais para que os professores se situem no novo espaço público da educação. Na sua definição, utilizo as formas transitivas e pronominais dos verbos, para sublinhar que os professores são, ao mesmo tempo, objectos e sujeitos da formação”.
NÓVOA, António. A formação de professores e o trabalho pedagógico. Lisboa: Educa, 2002, p.22
Qual é o papel dos programas de formação de professores na construção do novo espaço público da educação?
De acordo com Zabala, “a organização dos conteúdos na escola deu lugar a diversas formas de relação e colaboração entre as diferentes disciplinas que foram consideradas matérias de estudo” (ZABALA, Antoni. A prática pedagógica: como ensinar. Porto Alegre: Artmed. 1998, p. 143). Uma das formas de interação entre as disciplinas é chamada de interdisciplinaridade e envolve as dimensões curricular, didática e pedagógica. A falta de integração entre essas dimensões pode comprometer o caráter estritamente interdisciplinar da ação, ainda que seja desejável a manutenção da tensão entre as especializações disciplinares.
Assinale a alternativa que define corretamente o emprego destas dimensões ao ensino interdisciplinar.
“Os professores estão por demais preocupados com suas metodologias. Seguidamente solicitam ‘receitas de avaliação’. No entanto, de nada valem as orientações metodológicas se não estiverem fundamentadas em uma concepção libertadora de avaliação. O ‘como fazer’ é decorrente do ‘por que fazer’. Então, a pergunta fundamental é ‘por que avaliamos? ’ ou ‘a serviço de quem avaliamos?’ Se a resposta a essas questões não tiver como enfoque principal o educando como ser social e político, sujeito do seu próprio desenvolvimento, de nada valerão as inovações que vierem a ser introduzidas”.
HOFFMANN, Jussara. Avaliação: Mito & Desafio. Porto Alegre: Educação e Realidade. 10ª ed. 1993, p. 93
“Entre as metodologias sugeridas para desenvolver o currículo inscrevem-se a necessidade de se propor aos alunos tarefas de aprendizagem mais diversificadas e relacionadas com a vida real, a utilização de materiais manipulativos, o envolvimento em projetos destinados a resolver situações problemáticas ou o recurso ao trabalho de grupo. A concretização dessas recomendações exige novas formas de avaliar. Uma prática de avaliação tradicional, quase exclusivamente baseada em testes de papel e lápis, seria insuficiente e até totalmente desajustada, pois tenderia a ignorar todas as competências que vão além da aquisição de conhecimentos”.
FERNANDES, Domingos. Avaliar para aprender: fundamentos, práticas e políticas. SP: Editora da Unesp, 2009, p. 91
Ambos os excertos convergem para uma concepção de avaliação
Diante da leitura de Caraça (1998), o professor elaborou uma história para iniciar a aula do 8º ano que dizia assim: “Em uma corrida, temos apenas dois participantes: um corredor muito veloz e uma tartaruga. Cada um tem uma condição para correr. A tartaruga vai correr na sua velocidade normal. O corredor terá o tamanho do seu passo igual à metade do percurso que falta para terminar a corrida. A pergunta do professor para os seus estudantes será: Quem ganha a corrida e por quê?”
Com base na leitura do livro, qual discussão matemática o professor pretende desenvolver com seus alunos ao elaborar essa história?