Questões de Concurso Público Prefeitura de Vitória do Mearim - MA 2026 para Assistente Social na Educação

Questões Discursivas

Foram encontradas 15 questões

Q3899184 Serviço Social
Texto 01

Brasileiros na Finlândia desabafam sobre viver no país mais feliz do mundo: enfrentam solidão, desemprego, invernos escuros, frios, depressão e pensam até em voltar para casa mesmo com toda segurança, dinheiro e benefícios sociais garantidos

Há oito anos seguidos, a Finlândia ocupa o topo do ranking da ONU que mede a felicidade, combinando distribuição de renda, seguridade social, confiança nas instituições e serviços públicos robustos. Para muitos brasileiros na Finlândia, no entanto, o país mais feliz do mundo é também cenário de silêncio intenso, relações sociais raras, invernos longos e escuros e um tipo de solidão que se instala mesmo quando a conta bancária e a segurança parecem sob controle.

Desde 2022, por exemplo, Aim tenta se adaptar à vida em Tampere, no centro do país, enquanto enfrenta a falta de luz de novembro, o desemprego e a dependência de auxílios do Estado. Outros brasileiros na Finlândia, como Maria em Helsinque e Gabriela, que decidiu voltar ao Brasil após quatro anos e meio, relatam que a estabilidade material não impediu a chegada da tristeza, da depressão e da vontade de ir embora.

A narrativa oficial fala de um país com segurança, igualdade, saúde pública universal, educação gratuita e uma rede de proteção social forte, capaz de garantir uma vida simples, porém digna, em contato permanente com a natureza.

Os índices de felicidade medem essa satisfação média, baseada menos na euforia e mais na estabilidade emocional e social.

Para muitos brasileiros na Finlândia, contudo, essa base segura convive com um cotidiano de paisagens cinzentas, poucas pessoas na rua, silêncio quase absoluto e uma vida social contida, distante da sociabilidade ruidosa e espontânea do Brasil. O artista Rafael traduz esse contraste em telas de cores discretas, onde predominam branco, cinza e um pouco de azul, ao associar a beleza da natureza local à presença constante da solidão e da saudade de outras terras. A experiência do professor Babel, que chegou em 2016 com a família e se tornou referência para famílias brasileiras em Helsinque, ilustra o impacto do silêncio. Ele descreve percursos de um quilômetro encontrando apenas uma pessoa com cachorro, num ambiente frio, escuro e quase sem ruído, até perceber um zumbido interno, resultado de um nível de quietude ao qual não estava acostumado. Ao longo dos anos, Babel percebeu que a sociedade finlandesa parece exigir dos imigrantes uma espécie de versão suavizada de si mesmos, menos expansiva, menos ruidosa, mais contida. 

Muitos brasileiros na Finlândia relatam que passam a falar mais baixo, rir menos, evitar gestos que possam ser vistos como excessivos. Maria, que vive em Helsinque há três anos, teme perder justamente a sociabilidade que sempre considerou parte central de sua identidade, ao se ver rindo menos alto, fazendo menos piadas e calculando cada frase para não cometer gafes culturais. Essa adaptação constante, somada ao idioma difícil e ao clima, cria uma sensação de identidade em suspensão, como se uma parte da vida tivesse ficado congelada do lado de fora, no país de origem, enquanto o corpo tenta se encaixar em novas regras não ditas.

Apesar da boa fama do mercado de trabalho qualificado, o desemprego na Finlândia vive o maior patamar em 15 anos e atinge de forma mais dura os estrangeiros, segundo os relatos. Aim descobriu após a mudança que a ideia de conseguir emprego apenas com inglês não corresponde à realidade: mesmo na capital, Helsinque, encontrar um posto sem falar finlandês é muito difícil. Ela hoje está desempregada, vive com o auxílio estatal em torno de 500 a 600 euros, enquanto aprende o idioma e o marido cursa mestrado com uma bolsa menor que o benefício de desemprego. O casal consegue pagar as contas, mas vive com a perspectiva de que, se a sequência de trabalhos temporários e pedidos de auxílio se mantiver por dois, três ou cinco anos, talvez seja preciso deixar o país, mesmo gostando da segurança e da estrutura local.

Aos 42 anos, Maria também relata ter tido de se reinventar profissionalmente, voltando a estudar para poder trabalhar em outra área. Recomeçar a carreira após os 40, num mercado que valoriza a fluência em finlandês e exige requalificação completa, amplia a sensação de vulnerabilidade e de atraso de vida para alguns brasileiros na Finlândia.

Os relatos convergem em um ponto: o inverno. Meses com pouquíssima luz solar, temperaturas negativas, neve persistente e ruas vazias formam o cenário que muitos brasileiros associam à pior fase do ano. Em cidades pequenas no interior, como Kajaani, a paisagem é composta por florestas, poucos espaços urbanizados e uma sensação permanente de isolamento, com ruas vazias às 10h30 da manhã sob neve e sensação térmica abaixo de zero.

Gabriela, que viveu quatro anos e meio na Finlândia com o marido e a filha, decidiu voltar ao Brasil antes do Natal. Ela conta que nunca havia tido depressão no Brasil e entrou em um quadro depressivo profundo logo no primeiro inverno, repetido ano após ano com a combinação de frio intenso, escuridão prolongada e sensação de solidão extrema. Ao final, concluiu que insistir em ficar já não fazia sentido, apesar da boa qualidade de vida e da segurança. A mesma lógica aparece na fala de outra brasileira que migrou com duas filhas pequenas para uma cidade de 36 mil habitantes no centro do país. A principal preocupação, diz ela, era como garantir o básico para as crianças, mas a ausência de comunidade pesa: entre uma cidade e outra, na paisagem de floresta, as relações de vizinhança são escassas e muitos moradores evitam até cruzar com o vizinho no corredor para não ter de trocar cumprimentos, o oposto do que o brasileiro aprende desde cedo.

A experiência dos brasileiros na Finlândia se entrelaça a um fenômeno global. A Organização Mundial da Saúde classifica a solidão como um problema de saúde pública, estimando que uma em cada seis pessoas no mundo se considera solitária, com impactos diretos sobre doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais e declínio cognitivo. Calcula-se cerca de 100 mortes por hora associadas ao isolamento, além de prejuízos amplos à saúde mental. Reino Unido e Japão já criaram políticas específicas para enfrentar a solidão. Na Finlândia, quase 60 por cento da população afirma se sentir só, pelo menos de vez em quando, com relatos mais frequentes entre pessoas de menor renda. Quase 47 por cento dos domicílios do país são formados por pessoas que moram sozinhas, proporção muito maior que a do Brasil, onde os lares unipessoais não chegam a 20 por cento. Viver sozinho não é sinônimo automático de solidão, mas indica uma sociedade na qual a vida individualizada se tornou padrão.

Especialistas lembram que os finlandeses, em média, conseguem manter níveis de satisfação altos mesmo morando sozinhos, enquanto brasileiros podem estar habituados a outro patamar de vida social, com mais convivência e proximidade, o que torna a adaptação mais difícil. A solidão, explicam, é um sentimento que vai e vem, como fome ou sono, e pode aparecer até em ambientes cheios de gente, mas se torna mais aguda quando não há rede de apoio local.

Nem todos os brasileiros na Finlândia vivem o país da mesma forma. Alguns, que chegaram ainda no ensino médio ou na faculdade, dizem ter conseguido construir redes de amizade com finlandeses, colegas e famílias locais, sentindo-se acolhidos em bairros mais diversos e em cidades maiores como Helsinque. Para esses, a solidão aparece em momentos específicos, mas não domina o cotidiano.

Outros seguem em dúvida. Há quem, como Aim, aceite a proteção do Estado e o tempo para aprender o idioma, mas projete uma possível saída caso a instabilidade no trabalho persista por mais alguns anos. Há quem, como Gabriela, encerre o ciclo, organize malas e volte ao Brasil com a sensação de que a vida não cabe nos invernos longos e silenciosos. E há ainda quem permaneça, tentando equilibrar o conforto material, a natureza presente e o peso da saudade.

No fim, o país mais feliz do mundo pode ser, para diferentes brasileiros na Finlândia, tanto um laboratório de bem-estar social quanto um espelho ampliado das próprias fragilidades emocionais, expectativas de vida e necessidades de pertencimento, obrigando cada um a medir se a felicidade estatística compensa o custo íntimo da solidão.

(Texto de autoria de Bruno Teles. Coluna Economia do Site Click Petróleo e Gás. Publicado em 16/12/2025).


A questao refere-se ao texto 01
A incorporação de dados da Organização Mundial da Saúde e de exemplos internacionais, como políticas adotadas no Reino Unido e no Japão, permite inferir que o autor pretende:
Alternativas
Q3902287 Serviço Social
No exercício profissional em uma Secretaria Municipal de Educação, o assistente social identifica que a carência de profissionais especializados e a precarização da infraestrutura escolar têm comprometido a permanência e o rendimento de alunos em situação de vulnerabilidade social. Ao participar da elaboração do Plano Plurianual (PPA), o profissional argumenta que o município deve garantir o aporte financeiro necessário para viabilizar as condições de ensino e o acompanhamento socioassistencial escolar. A argumentação do assistente social, ao defender a garantia de aporte financeiro no Plano Plurianual (PPA) para assegurar condições de ensino e acompanhamento socioassistencial a alunos em situação de vulnerabilidade, fundamenta-se em qual princípio norteador das políticas públicas voltadas à infância e juventude: 
Alternativas
Q3902288 Serviço Social
No exercício de suas atribuições em uma Secretaria Municipal de Educação, um assistente social identifica que a carência de equipes multiprofissionais e a falta de investimentos em programas de combate à evasão escolar têm prejudicado o direito à aprendizagem de crianças e adolescentes da rede pública. Ao participar do processo de planejamento orçamentário, o profissional depara-se com o argumento da gestão de que não há dotação orçamentária suficiente para a expansão dessas ações.
Nesse cenário, a fundamentação ética e técnica para a defesa da destinação privilegiada de recursos públicos e a primazia no recebimento de proteção e socorro para este público deve estar ancorada, prioritariamente, no princípio da:
Alternativas
Q3902289 Serviço Social
Durante o acompanhamento de uma família em situação de extrema vulnerabilidade socioeconômica, identifica-se risco de afastamento da criança do convívio familiar exclusivamente em razão da precariedade material. Nessa situação, a atuação profissional alinhada ao ECA exige que o assistente social:
Alternativas
Q3902290 Serviço Social
Durante o acompanhamento escolar de um adolescente trabalhador, a assistente social identifica que a escola não oferece ensino noturno regular, o que tem dificultado sua permanência na educação básica. À luz do ECA, essa situação revela descumprimento do dever estatal de assegurar:
Alternativas
Q3902292 Serviço Social
No atendimento a adolescentes em conflito com a lei, especialmente nas Medidas Socioeducativas em meio aberto, o instrumento central que orienta o acompanhamento técnico e a ressocialização é: 
Alternativas
Q3902293 Serviço Social
Durante o acompanhamento de uma criança, o assistente social identifica indícios de maus-tratos físicos no ambiente familiar. Considerando o sigilo profissional e as obrigações legais previstas no ECA, a conduta correta é: 
Alternativas
Q3902294 Serviço Social
Em uma unidade básica de saúde localizada em área periférica, observa-se baixa procura por atendimento por parte de usuários em situação de rua, apesar da existência de oferta regular de serviços. Diante desse cenário, a intervenção do assistente social encontra respaldo direto no princípio do SUS que orienta a remoção de barreiras sociais e culturais ao acesso. Trata-se do princípio da: 
Alternativas
Q3902295 Serviço Social
Em um hospital de média complexidade, o assistente social identifica que determinados usuários, vítimas de violência, demandam atenção prioritária em relação a outros pacientes, em razão de maior vulnerabilidade social. Essa conduta profissional está diretamente alinhada ao princípio do SUS que pressupõe tratar desigualmente os desiguais, segundo suas necessidades específicas. Esse princípio denomina-se:
Alternativas
Q3902296 Serviço Social
No âmbito das diretrizes organizativas do Sistema Único de Saúde (SUS), a descentralização constitui um pilar fundamental para a democratização da gestão e a municipalização das ações. Sob a perspectiva da prática profissional do assistente social e considerando o projeto ético-político do Serviço Social, a descentralização no SUS deve ser compreendida como:
Alternativas
Q3902297 Serviço Social
No processo de trabalho do assistente social no SUS, uma de suas atribuições centrais é subsidiar a gestão da política de saúde por meio da produção de informações qualificadas sobre a população atendida. Essa atividade insere-se no eixo de atuação denominado: 
Alternativas
Q3902298 Serviço Social
Um paciente diagnosticado com tuberculose apresenta sucessivas interrupções no tratamento, motivadas pela insegurança alimentar vivenciada por sua família. Diante dessa situação, a intervenção do assistente social voltada ao acesso a políticas de alimentação configura-se, tecnicamente, como:
Alternativas
Q3902299 Serviço Social
Durante o atendimento a uma família em situação de extrema vulnerabilidade, o assistente social identifica desemprego recorrente, moradia precária e insegurança alimentar. Ao analisar essa realidade, o profissional compreende que tais situações não decorrem de falhas individuais, mas de determinações estruturais da sociedade capitalista. Essa compreensão expressa o entendimento da Questão Social como: 
Alternativas
Q3902300 Serviço Social
No atendimento a uma mulher negra em situação de pobreza e violência doméstica, o assistente social incorpora a análise das relações de gênero e raça para compreender a complexidade da demanda apresentada. Essa postura profissional fundamenta-se na perspectiva da:
Alternativas
Q3902301 Serviço Social
Ao realizar uma visita domiciliar, o assistente social identifica condições habitacionais extremamente precárias que não haviam sido relatadas pelo usuário durante o atendimento institucional. A utilização desse instrumento justifica-se, tecnicamente, porque a visita domiciliar: 
Alternativas
Respostas
1: D
2: B
3: A
4: C
5: C
6: B
7: C
8: C
9: B
10: B
11: A
12: D
13: C
14: A
15: B