Questões de Concurso Público UEPB 2024 para Técnico em Enfermagem do Trabalho

Foram encontradas 20 questões

Q3202110 Português

A leitura do Texto I é necessária para responder à questão:


TEXTO I


O Mágico


André Ricardo Aguiar


    Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.

    Agora vivia num quartinho alugado, perto da boate onde ele, com destreza, fazia mil e uma mágicas de enganar a vista, o dito ilusionismo para alguns. Desaparecia e aparecia com o espectador e sabia muito bem esticar o suspense; as inevitáveis e mirabolantes estripulias com cartas de baralhos; o truque de mover objetos. E em tudo isso o pouco rendimento, o suado resultado que mal pagava as contas – e que mal alimentava o coelho da cartola. Também sonhava com Carolina, a filha do dono do estabelecimento. Ia e vinha entre as mesas, atendendo os clientes. 

    Lembrava bem da cidade em que nasceu, da prima que se espantou com a primeira mágica, do beijo roubado no crepúsculo, da estranheza em pouco mais que um fim de semana ver o pai desaparecer numa curva da estrada e nunca mais aparecer, amargo número incompleto.

    Estava nas reminiscências naquela manhã, quando treinava os números daquele dia, e, num momento raro, pegou o coelho, o pôs na cartola e o viu sumir. A mão sentiu a penugem ir aos poucos se desfazendo numa matéria mínima até pouco restar, a não ser pelos entre os dedos. Depois, olhou para o fundo da cartola, para os lados, para a sala e nada.

    Demorou muito a cair em si. Não era apenas a cartola. Qualquer coisa que pudesse se ocultar por ele, podia sim, sumir. E não mais voltar. Esperou dias pela volta do coelhinho e nada. Sentiu ânsias de vômito e teve a impressão de uma bola de pelos efervescentes subir a garganta, e nada.

    Na boate, a platéia (SIC.) entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na platéia (SIC.), aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização. Ninguém reclamava o fechamento do círculo. Achavam que quem desaparecia, ia para os bastidores e de lá, talvez pegar a lateral da boate e ir embora. O dono do estabelecimento, vez ou outra, preocupado, perguntava mesmo, onde o sujeito? E ele, vestindo a roupa comum, desconversava dizendo, está na mesa perto do balcão, é só conferir. E dizia com poucas palavras, já anunciando que o silêncio era o que faltava vestir para ir cuidar da vida. 

    Mágica. Não tinha a capacidade, esta sim, necessária, de fazer aparecer coisas. Dinheiro no bolso ou na cartola, por exemplo. Só desaparecia. Sabia, pois sonhou com isso, que as pessoas que desapareciam, forçosamente apareciam em outros lugares. Os solitários caíam em antigas aldeias festivas e geralmente eram solicitados a cantar ou tocar. Os tímidos ou feios terminavam em serviço social, os hospitais do outro lado do mundo, os contratavam para atender pacientes. Os que estavam terrivelmente molestados, com pouco tempo de vida, iam para as guerras fronteiriças, e na luta, descobriam um sentido imediato de vida. Morriam úteis, sem saber se foi a bala ou o tumor.

    Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão. E programou seu último número, às ocultas.

    Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine. Olhou para a platéia (SIC.) na luz difusa e com um gesto, chamou a filha do dono do estabelecimento. Tudo combinado, ela veio às pressas, enquanto o pai estava ocupado, com urgências de última hora. E quando entrou na cabine, o mágico suspirou aliviado e sem muita cerimônia, para surpresa do público, também entrou, uma maleta nas mãos. Fechou e entrou no abafado mundo do seu talento. Escuro estava. Tateou até encontrar uma mão trêmula e febril. Podia ser Carolina ou a ilusão que lhe convinha, não importa.

    Desaparecer sempre era um bom começo.


ANDRÉ RICARDO AGUIAR nasceu em Itabaiana, Paraíba e ficou tempo suficiente nesta zona rural para adquirir o olhar para as coisas mais básicas da vida, tempo e memória. Veio para João Pessoa, tomou contato com livros e bibliotecas e nunca mais parou de beber da fonte. Passou por jornalismo e letras e através de muitas amizades, integrou os movimentos culturais do fim de século, além de colaborar com jornais e revistas, entre eles, Correio das Artes, sua estreia. Participou de concursos literários, fundou o selo Trema, junto com Antonio Mariano e José Caetano e ajudou a fundar o Clube do Conto da Paraíba. Começou na poesia, publicando AFlor em Construção (Idéia), Alvenaria (Ed. UFPB). Em seguida, o livro de crônicas de viagem Bagagem Lírica (Sal da Terra) e os infantis O rato que roeu o rei (Rocco) e Pequenas Reinações. Tem inéditos outros livros.

Fonte: https://clubedoconto.blogspot.com/search/label/Conto 

 

Releia o trecho: “Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.”


Considerando o ensinamento do caixeiro-viajante ao mágico, expresso no texto, qual conceito fundamental orienta a prática do ilusionismo do protagonista?

Alternativas
Q3202111 Português

A leitura do Texto I é necessária para responder à questão:


TEXTO I


O Mágico


André Ricardo Aguiar


    Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.

    Agora vivia num quartinho alugado, perto da boate onde ele, com destreza, fazia mil e uma mágicas de enganar a vista, o dito ilusionismo para alguns. Desaparecia e aparecia com o espectador e sabia muito bem esticar o suspense; as inevitáveis e mirabolantes estripulias com cartas de baralhos; o truque de mover objetos. E em tudo isso o pouco rendimento, o suado resultado que mal pagava as contas – e que mal alimentava o coelho da cartola. Também sonhava com Carolina, a filha do dono do estabelecimento. Ia e vinha entre as mesas, atendendo os clientes. 

    Lembrava bem da cidade em que nasceu, da prima que se espantou com a primeira mágica, do beijo roubado no crepúsculo, da estranheza em pouco mais que um fim de semana ver o pai desaparecer numa curva da estrada e nunca mais aparecer, amargo número incompleto.

    Estava nas reminiscências naquela manhã, quando treinava os números daquele dia, e, num momento raro, pegou o coelho, o pôs na cartola e o viu sumir. A mão sentiu a penugem ir aos poucos se desfazendo numa matéria mínima até pouco restar, a não ser pelos entre os dedos. Depois, olhou para o fundo da cartola, para os lados, para a sala e nada.

    Demorou muito a cair em si. Não era apenas a cartola. Qualquer coisa que pudesse se ocultar por ele, podia sim, sumir. E não mais voltar. Esperou dias pela volta do coelhinho e nada. Sentiu ânsias de vômito e teve a impressão de uma bola de pelos efervescentes subir a garganta, e nada.

    Na boate, a platéia (SIC.) entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na platéia (SIC.), aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização. Ninguém reclamava o fechamento do círculo. Achavam que quem desaparecia, ia para os bastidores e de lá, talvez pegar a lateral da boate e ir embora. O dono do estabelecimento, vez ou outra, preocupado, perguntava mesmo, onde o sujeito? E ele, vestindo a roupa comum, desconversava dizendo, está na mesa perto do balcão, é só conferir. E dizia com poucas palavras, já anunciando que o silêncio era o que faltava vestir para ir cuidar da vida. 

    Mágica. Não tinha a capacidade, esta sim, necessária, de fazer aparecer coisas. Dinheiro no bolso ou na cartola, por exemplo. Só desaparecia. Sabia, pois sonhou com isso, que as pessoas que desapareciam, forçosamente apareciam em outros lugares. Os solitários caíam em antigas aldeias festivas e geralmente eram solicitados a cantar ou tocar. Os tímidos ou feios terminavam em serviço social, os hospitais do outro lado do mundo, os contratavam para atender pacientes. Os que estavam terrivelmente molestados, com pouco tempo de vida, iam para as guerras fronteiriças, e na luta, descobriam um sentido imediato de vida. Morriam úteis, sem saber se foi a bala ou o tumor.

    Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão. E programou seu último número, às ocultas.

    Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine. Olhou para a platéia (SIC.) na luz difusa e com um gesto, chamou a filha do dono do estabelecimento. Tudo combinado, ela veio às pressas, enquanto o pai estava ocupado, com urgências de última hora. E quando entrou na cabine, o mágico suspirou aliviado e sem muita cerimônia, para surpresa do público, também entrou, uma maleta nas mãos. Fechou e entrou no abafado mundo do seu talento. Escuro estava. Tateou até encontrar uma mão trêmula e febril. Podia ser Carolina ou a ilusão que lhe convinha, não importa.

    Desaparecer sempre era um bom começo.


ANDRÉ RICARDO AGUIAR nasceu em Itabaiana, Paraíba e ficou tempo suficiente nesta zona rural para adquirir o olhar para as coisas mais básicas da vida, tempo e memória. Veio para João Pessoa, tomou contato com livros e bibliotecas e nunca mais parou de beber da fonte. Passou por jornalismo e letras e através de muitas amizades, integrou os movimentos culturais do fim de século, além de colaborar com jornais e revistas, entre eles, Correio das Artes, sua estreia. Participou de concursos literários, fundou o selo Trema, junto com Antonio Mariano e José Caetano e ajudou a fundar o Clube do Conto da Paraíba. Começou na poesia, publicando AFlor em Construção (Idéia), Alvenaria (Ed. UFPB). Em seguida, o livro de crônicas de viagem Bagagem Lírica (Sal da Terra) e os infantis O rato que roeu o rei (Rocco) e Pequenas Reinações. Tem inéditos outros livros.

Fonte: https://clubedoconto.blogspot.com/search/label/Conto 

 

Releia o trecho: “Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine”.


Qual foi o motivo predominante que levou o mágico a escolher apresentar o número da cabine no final da última noite?

Alternativas
Q3202112 Português

A leitura do Texto I é necessária para responder à questão:


TEXTO I


O Mágico


André Ricardo Aguiar


    Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.

    Agora vivia num quartinho alugado, perto da boate onde ele, com destreza, fazia mil e uma mágicas de enganar a vista, o dito ilusionismo para alguns. Desaparecia e aparecia com o espectador e sabia muito bem esticar o suspense; as inevitáveis e mirabolantes estripulias com cartas de baralhos; o truque de mover objetos. E em tudo isso o pouco rendimento, o suado resultado que mal pagava as contas – e que mal alimentava o coelho da cartola. Também sonhava com Carolina, a filha do dono do estabelecimento. Ia e vinha entre as mesas, atendendo os clientes. 

    Lembrava bem da cidade em que nasceu, da prima que se espantou com a primeira mágica, do beijo roubado no crepúsculo, da estranheza em pouco mais que um fim de semana ver o pai desaparecer numa curva da estrada e nunca mais aparecer, amargo número incompleto.

    Estava nas reminiscências naquela manhã, quando treinava os números daquele dia, e, num momento raro, pegou o coelho, o pôs na cartola e o viu sumir. A mão sentiu a penugem ir aos poucos se desfazendo numa matéria mínima até pouco restar, a não ser pelos entre os dedos. Depois, olhou para o fundo da cartola, para os lados, para a sala e nada.

    Demorou muito a cair em si. Não era apenas a cartola. Qualquer coisa que pudesse se ocultar por ele, podia sim, sumir. E não mais voltar. Esperou dias pela volta do coelhinho e nada. Sentiu ânsias de vômito e teve a impressão de uma bola de pelos efervescentes subir a garganta, e nada.

    Na boate, a platéia (SIC.) entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na platéia (SIC.), aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização. Ninguém reclamava o fechamento do círculo. Achavam que quem desaparecia, ia para os bastidores e de lá, talvez pegar a lateral da boate e ir embora. O dono do estabelecimento, vez ou outra, preocupado, perguntava mesmo, onde o sujeito? E ele, vestindo a roupa comum, desconversava dizendo, está na mesa perto do balcão, é só conferir. E dizia com poucas palavras, já anunciando que o silêncio era o que faltava vestir para ir cuidar da vida. 

    Mágica. Não tinha a capacidade, esta sim, necessária, de fazer aparecer coisas. Dinheiro no bolso ou na cartola, por exemplo. Só desaparecia. Sabia, pois sonhou com isso, que as pessoas que desapareciam, forçosamente apareciam em outros lugares. Os solitários caíam em antigas aldeias festivas e geralmente eram solicitados a cantar ou tocar. Os tímidos ou feios terminavam em serviço social, os hospitais do outro lado do mundo, os contratavam para atender pacientes. Os que estavam terrivelmente molestados, com pouco tempo de vida, iam para as guerras fronteiriças, e na luta, descobriam um sentido imediato de vida. Morriam úteis, sem saber se foi a bala ou o tumor.

    Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão. E programou seu último número, às ocultas.

    Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine. Olhou para a platéia (SIC.) na luz difusa e com um gesto, chamou a filha do dono do estabelecimento. Tudo combinado, ela veio às pressas, enquanto o pai estava ocupado, com urgências de última hora. E quando entrou na cabine, o mágico suspirou aliviado e sem muita cerimônia, para surpresa do público, também entrou, uma maleta nas mãos. Fechou e entrou no abafado mundo do seu talento. Escuro estava. Tateou até encontrar uma mão trêmula e febril. Podia ser Carolina ou a ilusão que lhe convinha, não importa.

    Desaparecer sempre era um bom começo.


ANDRÉ RICARDO AGUIAR nasceu em Itabaiana, Paraíba e ficou tempo suficiente nesta zona rural para adquirir o olhar para as coisas mais básicas da vida, tempo e memória. Veio para João Pessoa, tomou contato com livros e bibliotecas e nunca mais parou de beber da fonte. Passou por jornalismo e letras e através de muitas amizades, integrou os movimentos culturais do fim de século, além de colaborar com jornais e revistas, entre eles, Correio das Artes, sua estreia. Participou de concursos literários, fundou o selo Trema, junto com Antonio Mariano e José Caetano e ajudou a fundar o Clube do Conto da Paraíba. Começou na poesia, publicando AFlor em Construção (Idéia), Alvenaria (Ed. UFPB). Em seguida, o livro de crônicas de viagem Bagagem Lírica (Sal da Terra) e os infantis O rato que roeu o rei (Rocco) e Pequenas Reinações. Tem inéditos outros livros.

Fonte: https://clubedoconto.blogspot.com/search/label/Conto 

 

Releia o trecho: “O mágico, após sair de sua terra, vivia realizando truques em uma boate. Em uma de suas apresentações, ele decide realizar um número especial, o truque da cabine, no final da noite”.


Avalie as afirmações a seguir relacionadas ao truque da cabine do mágico na última noite:


I- O mágico escolheu apresentar o número da cabine no final para surpreender a plateia.


II- A escolha de realizar o truque da cabine no final foi motivada por falhas técnicas nos números anteriores.


III- A cartola, essencial para o truque da cabine, estava jogada no palco, influenciando na decisão do mágico.


IV- O mágico programou o truque da cabine como um gesto de pirraça para com a plateia.


V- O cansaço do mágico na última noite, impactou diretamente no sucesso do truque da cabine.



É CORRETO o que se afirma em:

Alternativas
Q3202113 Português

A leitura do Texto I é necessária para responder à questão:


TEXTO I


O Mágico


André Ricardo Aguiar


    Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.

    Agora vivia num quartinho alugado, perto da boate onde ele, com destreza, fazia mil e uma mágicas de enganar a vista, o dito ilusionismo para alguns. Desaparecia e aparecia com o espectador e sabia muito bem esticar o suspense; as inevitáveis e mirabolantes estripulias com cartas de baralhos; o truque de mover objetos. E em tudo isso o pouco rendimento, o suado resultado que mal pagava as contas – e que mal alimentava o coelho da cartola. Também sonhava com Carolina, a filha do dono do estabelecimento. Ia e vinha entre as mesas, atendendo os clientes. 

    Lembrava bem da cidade em que nasceu, da prima que se espantou com a primeira mágica, do beijo roubado no crepúsculo, da estranheza em pouco mais que um fim de semana ver o pai desaparecer numa curva da estrada e nunca mais aparecer, amargo número incompleto.

    Estava nas reminiscências naquela manhã, quando treinava os números daquele dia, e, num momento raro, pegou o coelho, o pôs na cartola e o viu sumir. A mão sentiu a penugem ir aos poucos se desfazendo numa matéria mínima até pouco restar, a não ser pelos entre os dedos. Depois, olhou para o fundo da cartola, para os lados, para a sala e nada.

    Demorou muito a cair em si. Não era apenas a cartola. Qualquer coisa que pudesse se ocultar por ele, podia sim, sumir. E não mais voltar. Esperou dias pela volta do coelhinho e nada. Sentiu ânsias de vômito e teve a impressão de uma bola de pelos efervescentes subir a garganta, e nada.

    Na boate, a platéia (SIC.) entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na platéia (SIC.), aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização. Ninguém reclamava o fechamento do círculo. Achavam que quem desaparecia, ia para os bastidores e de lá, talvez pegar a lateral da boate e ir embora. O dono do estabelecimento, vez ou outra, preocupado, perguntava mesmo, onde o sujeito? E ele, vestindo a roupa comum, desconversava dizendo, está na mesa perto do balcão, é só conferir. E dizia com poucas palavras, já anunciando que o silêncio era o que faltava vestir para ir cuidar da vida. 

    Mágica. Não tinha a capacidade, esta sim, necessária, de fazer aparecer coisas. Dinheiro no bolso ou na cartola, por exemplo. Só desaparecia. Sabia, pois sonhou com isso, que as pessoas que desapareciam, forçosamente apareciam em outros lugares. Os solitários caíam em antigas aldeias festivas e geralmente eram solicitados a cantar ou tocar. Os tímidos ou feios terminavam em serviço social, os hospitais do outro lado do mundo, os contratavam para atender pacientes. Os que estavam terrivelmente molestados, com pouco tempo de vida, iam para as guerras fronteiriças, e na luta, descobriam um sentido imediato de vida. Morriam úteis, sem saber se foi a bala ou o tumor.

    Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão. E programou seu último número, às ocultas.

    Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine. Olhou para a platéia (SIC.) na luz difusa e com um gesto, chamou a filha do dono do estabelecimento. Tudo combinado, ela veio às pressas, enquanto o pai estava ocupado, com urgências de última hora. E quando entrou na cabine, o mágico suspirou aliviado e sem muita cerimônia, para surpresa do público, também entrou, uma maleta nas mãos. Fechou e entrou no abafado mundo do seu talento. Escuro estava. Tateou até encontrar uma mão trêmula e febril. Podia ser Carolina ou a ilusão que lhe convinha, não importa.

    Desaparecer sempre era um bom começo.


ANDRÉ RICARDO AGUIAR nasceu em Itabaiana, Paraíba e ficou tempo suficiente nesta zona rural para adquirir o olhar para as coisas mais básicas da vida, tempo e memória. Veio para João Pessoa, tomou contato com livros e bibliotecas e nunca mais parou de beber da fonte. Passou por jornalismo e letras e através de muitas amizades, integrou os movimentos culturais do fim de século, além de colaborar com jornais e revistas, entre eles, Correio das Artes, sua estreia. Participou de concursos literários, fundou o selo Trema, junto com Antonio Mariano e José Caetano e ajudou a fundar o Clube do Conto da Paraíba. Começou na poesia, publicando AFlor em Construção (Idéia), Alvenaria (Ed. UFPB). Em seguida, o livro de crônicas de viagem Bagagem Lírica (Sal da Terra) e os infantis O rato que roeu o rei (Rocco) e Pequenas Reinações. Tem inéditos outros livros.

Fonte: https://clubedoconto.blogspot.com/search/label/Conto 

 

Releia o trecho: “Ao confessar seu amor proibido, Carolina motiva o mágico a programar seu último número”.


Analise as afirmações relacionadas à motivação do mágico para programar seu último número:


I- A revelação do amor proibido confessado por Carolina foi a principal razão para o mágico programar seu último número.


II- O mágico programou seu último número devido ao cansaço e à pressa de encerrar a última noite.


III- O último número do mágico foi programado, porque ele desejava encerrar sua carreira de mágico.


IV- Carolina concordou em participar do último número do mágico.


V- O mágico, ao programar o último número, seguiu o conselho do caixeiro-viajante.



É CORRETO o que se afirma em:

Alternativas
Q3202114 Português

A leitura do Texto I é necessária para responder à questão:


TEXTO I


O Mágico


André Ricardo Aguiar


    Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.

    Agora vivia num quartinho alugado, perto da boate onde ele, com destreza, fazia mil e uma mágicas de enganar a vista, o dito ilusionismo para alguns. Desaparecia e aparecia com o espectador e sabia muito bem esticar o suspense; as inevitáveis e mirabolantes estripulias com cartas de baralhos; o truque de mover objetos. E em tudo isso o pouco rendimento, o suado resultado que mal pagava as contas – e que mal alimentava o coelho da cartola. Também sonhava com Carolina, a filha do dono do estabelecimento. Ia e vinha entre as mesas, atendendo os clientes. 

    Lembrava bem da cidade em que nasceu, da prima que se espantou com a primeira mágica, do beijo roubado no crepúsculo, da estranheza em pouco mais que um fim de semana ver o pai desaparecer numa curva da estrada e nunca mais aparecer, amargo número incompleto.

    Estava nas reminiscências naquela manhã, quando treinava os números daquele dia, e, num momento raro, pegou o coelho, o pôs na cartola e o viu sumir. A mão sentiu a penugem ir aos poucos se desfazendo numa matéria mínima até pouco restar, a não ser pelos entre os dedos. Depois, olhou para o fundo da cartola, para os lados, para a sala e nada.

    Demorou muito a cair em si. Não era apenas a cartola. Qualquer coisa que pudesse se ocultar por ele, podia sim, sumir. E não mais voltar. Esperou dias pela volta do coelhinho e nada. Sentiu ânsias de vômito e teve a impressão de uma bola de pelos efervescentes subir a garganta, e nada.

    Na boate, a platéia (SIC.) entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na platéia (SIC.), aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização. Ninguém reclamava o fechamento do círculo. Achavam que quem desaparecia, ia para os bastidores e de lá, talvez pegar a lateral da boate e ir embora. O dono do estabelecimento, vez ou outra, preocupado, perguntava mesmo, onde o sujeito? E ele, vestindo a roupa comum, desconversava dizendo, está na mesa perto do balcão, é só conferir. E dizia com poucas palavras, já anunciando que o silêncio era o que faltava vestir para ir cuidar da vida. 

    Mágica. Não tinha a capacidade, esta sim, necessária, de fazer aparecer coisas. Dinheiro no bolso ou na cartola, por exemplo. Só desaparecia. Sabia, pois sonhou com isso, que as pessoas que desapareciam, forçosamente apareciam em outros lugares. Os solitários caíam em antigas aldeias festivas e geralmente eram solicitados a cantar ou tocar. Os tímidos ou feios terminavam em serviço social, os hospitais do outro lado do mundo, os contratavam para atender pacientes. Os que estavam terrivelmente molestados, com pouco tempo de vida, iam para as guerras fronteiriças, e na luta, descobriam um sentido imediato de vida. Morriam úteis, sem saber se foi a bala ou o tumor.

    Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão. E programou seu último número, às ocultas.

    Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine. Olhou para a platéia (SIC.) na luz difusa e com um gesto, chamou a filha do dono do estabelecimento. Tudo combinado, ela veio às pressas, enquanto o pai estava ocupado, com urgências de última hora. E quando entrou na cabine, o mágico suspirou aliviado e sem muita cerimônia, para surpresa do público, também entrou, uma maleta nas mãos. Fechou e entrou no abafado mundo do seu talento. Escuro estava. Tateou até encontrar uma mão trêmula e febril. Podia ser Carolina ou a ilusão que lhe convinha, não importa.

    Desaparecer sempre era um bom começo.


ANDRÉ RICARDO AGUIAR nasceu em Itabaiana, Paraíba e ficou tempo suficiente nesta zona rural para adquirir o olhar para as coisas mais básicas da vida, tempo e memória. Veio para João Pessoa, tomou contato com livros e bibliotecas e nunca mais parou de beber da fonte. Passou por jornalismo e letras e através de muitas amizades, integrou os movimentos culturais do fim de século, além de colaborar com jornais e revistas, entre eles, Correio das Artes, sua estreia. Participou de concursos literários, fundou o selo Trema, junto com Antonio Mariano e José Caetano e ajudou a fundar o Clube do Conto da Paraíba. Começou na poesia, publicando AFlor em Construção (Idéia), Alvenaria (Ed. UFPB). Em seguida, o livro de crônicas de viagem Bagagem Lírica (Sal da Terra) e os infantis O rato que roeu o rei (Rocco) e Pequenas Reinações. Tem inéditos outros livros.

Fonte: https://clubedoconto.blogspot.com/search/label/Conto 

 

O texto "O Mágico" apresenta um foco narrativo específico ao contar a história do protagonista. A partir deste contexto é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3202115 Português

A leitura do Texto I é necessária para responder à questão:


TEXTO I


O Mágico


André Ricardo Aguiar


    Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.

    Agora vivia num quartinho alugado, perto da boate onde ele, com destreza, fazia mil e uma mágicas de enganar a vista, o dito ilusionismo para alguns. Desaparecia e aparecia com o espectador e sabia muito bem esticar o suspense; as inevitáveis e mirabolantes estripulias com cartas de baralhos; o truque de mover objetos. E em tudo isso o pouco rendimento, o suado resultado que mal pagava as contas – e que mal alimentava o coelho da cartola. Também sonhava com Carolina, a filha do dono do estabelecimento. Ia e vinha entre as mesas, atendendo os clientes. 

    Lembrava bem da cidade em que nasceu, da prima que se espantou com a primeira mágica, do beijo roubado no crepúsculo, da estranheza em pouco mais que um fim de semana ver o pai desaparecer numa curva da estrada e nunca mais aparecer, amargo número incompleto.

    Estava nas reminiscências naquela manhã, quando treinava os números daquele dia, e, num momento raro, pegou o coelho, o pôs na cartola e o viu sumir. A mão sentiu a penugem ir aos poucos se desfazendo numa matéria mínima até pouco restar, a não ser pelos entre os dedos. Depois, olhou para o fundo da cartola, para os lados, para a sala e nada.

    Demorou muito a cair em si. Não era apenas a cartola. Qualquer coisa que pudesse se ocultar por ele, podia sim, sumir. E não mais voltar. Esperou dias pela volta do coelhinho e nada. Sentiu ânsias de vômito e teve a impressão de uma bola de pelos efervescentes subir a garganta, e nada.

    Na boate, a platéia (SIC.) entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na platéia (SIC.), aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização. Ninguém reclamava o fechamento do círculo. Achavam que quem desaparecia, ia para os bastidores e de lá, talvez pegar a lateral da boate e ir embora. O dono do estabelecimento, vez ou outra, preocupado, perguntava mesmo, onde o sujeito? E ele, vestindo a roupa comum, desconversava dizendo, está na mesa perto do balcão, é só conferir. E dizia com poucas palavras, já anunciando que o silêncio era o que faltava vestir para ir cuidar da vida. 

    Mágica. Não tinha a capacidade, esta sim, necessária, de fazer aparecer coisas. Dinheiro no bolso ou na cartola, por exemplo. Só desaparecia. Sabia, pois sonhou com isso, que as pessoas que desapareciam, forçosamente apareciam em outros lugares. Os solitários caíam em antigas aldeias festivas e geralmente eram solicitados a cantar ou tocar. Os tímidos ou feios terminavam em serviço social, os hospitais do outro lado do mundo, os contratavam para atender pacientes. Os que estavam terrivelmente molestados, com pouco tempo de vida, iam para as guerras fronteiriças, e na luta, descobriam um sentido imediato de vida. Morriam úteis, sem saber se foi a bala ou o tumor.

    Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão. E programou seu último número, às ocultas.

    Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine. Olhou para a platéia (SIC.) na luz difusa e com um gesto, chamou a filha do dono do estabelecimento. Tudo combinado, ela veio às pressas, enquanto o pai estava ocupado, com urgências de última hora. E quando entrou na cabine, o mágico suspirou aliviado e sem muita cerimônia, para surpresa do público, também entrou, uma maleta nas mãos. Fechou e entrou no abafado mundo do seu talento. Escuro estava. Tateou até encontrar uma mão trêmula e febril. Podia ser Carolina ou a ilusão que lhe convinha, não importa.

    Desaparecer sempre era um bom começo.


ANDRÉ RICARDO AGUIAR nasceu em Itabaiana, Paraíba e ficou tempo suficiente nesta zona rural para adquirir o olhar para as coisas mais básicas da vida, tempo e memória. Veio para João Pessoa, tomou contato com livros e bibliotecas e nunca mais parou de beber da fonte. Passou por jornalismo e letras e através de muitas amizades, integrou os movimentos culturais do fim de século, além de colaborar com jornais e revistas, entre eles, Correio das Artes, sua estreia. Participou de concursos literários, fundou o selo Trema, junto com Antonio Mariano e José Caetano e ajudou a fundar o Clube do Conto da Paraíba. Começou na poesia, publicando AFlor em Construção (Idéia), Alvenaria (Ed. UFPB). Em seguida, o livro de crônicas de viagem Bagagem Lírica (Sal da Terra) e os infantis O rato que roeu o rei (Rocco) e Pequenas Reinações. Tem inéditos outros livros.

Fonte: https://clubedoconto.blogspot.com/search/label/Conto 

 

O texto "O Mágico" apresenta uma narrativa rica, abordando diversos aspectos gramaticais, incluindo orações subordinadas. No contexto do trecho fornecido abaixo, identifique a oração subordinada e classifique-a quanto à sua função sintática.


"Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão."

Alternativas
Q3202116 Português

A leitura do Texto I é necessária para responder à questão:


TEXTO I


O Mágico


André Ricardo Aguiar


    Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.

    Agora vivia num quartinho alugado, perto da boate onde ele, com destreza, fazia mil e uma mágicas de enganar a vista, o dito ilusionismo para alguns. Desaparecia e aparecia com o espectador e sabia muito bem esticar o suspense; as inevitáveis e mirabolantes estripulias com cartas de baralhos; o truque de mover objetos. E em tudo isso o pouco rendimento, o suado resultado que mal pagava as contas – e que mal alimentava o coelho da cartola. Também sonhava com Carolina, a filha do dono do estabelecimento. Ia e vinha entre as mesas, atendendo os clientes. 

    Lembrava bem da cidade em que nasceu, da prima que se espantou com a primeira mágica, do beijo roubado no crepúsculo, da estranheza em pouco mais que um fim de semana ver o pai desaparecer numa curva da estrada e nunca mais aparecer, amargo número incompleto.

    Estava nas reminiscências naquela manhã, quando treinava os números daquele dia, e, num momento raro, pegou o coelho, o pôs na cartola e o viu sumir. A mão sentiu a penugem ir aos poucos se desfazendo numa matéria mínima até pouco restar, a não ser pelos entre os dedos. Depois, olhou para o fundo da cartola, para os lados, para a sala e nada.

    Demorou muito a cair em si. Não era apenas a cartola. Qualquer coisa que pudesse se ocultar por ele, podia sim, sumir. E não mais voltar. Esperou dias pela volta do coelhinho e nada. Sentiu ânsias de vômito e teve a impressão de uma bola de pelos efervescentes subir a garganta, e nada.

    Na boate, a platéia (SIC.) entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na platéia (SIC.), aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização. Ninguém reclamava o fechamento do círculo. Achavam que quem desaparecia, ia para os bastidores e de lá, talvez pegar a lateral da boate e ir embora. O dono do estabelecimento, vez ou outra, preocupado, perguntava mesmo, onde o sujeito? E ele, vestindo a roupa comum, desconversava dizendo, está na mesa perto do balcão, é só conferir. E dizia com poucas palavras, já anunciando que o silêncio era o que faltava vestir para ir cuidar da vida. 

    Mágica. Não tinha a capacidade, esta sim, necessária, de fazer aparecer coisas. Dinheiro no bolso ou na cartola, por exemplo. Só desaparecia. Sabia, pois sonhou com isso, que as pessoas que desapareciam, forçosamente apareciam em outros lugares. Os solitários caíam em antigas aldeias festivas e geralmente eram solicitados a cantar ou tocar. Os tímidos ou feios terminavam em serviço social, os hospitais do outro lado do mundo, os contratavam para atender pacientes. Os que estavam terrivelmente molestados, com pouco tempo de vida, iam para as guerras fronteiriças, e na luta, descobriam um sentido imediato de vida. Morriam úteis, sem saber se foi a bala ou o tumor.

    Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão. E programou seu último número, às ocultas.

    Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine. Olhou para a platéia (SIC.) na luz difusa e com um gesto, chamou a filha do dono do estabelecimento. Tudo combinado, ela veio às pressas, enquanto o pai estava ocupado, com urgências de última hora. E quando entrou na cabine, o mágico suspirou aliviado e sem muita cerimônia, para surpresa do público, também entrou, uma maleta nas mãos. Fechou e entrou no abafado mundo do seu talento. Escuro estava. Tateou até encontrar uma mão trêmula e febril. Podia ser Carolina ou a ilusão que lhe convinha, não importa.

    Desaparecer sempre era um bom começo.


ANDRÉ RICARDO AGUIAR nasceu em Itabaiana, Paraíba e ficou tempo suficiente nesta zona rural para adquirir o olhar para as coisas mais básicas da vida, tempo e memória. Veio para João Pessoa, tomou contato com livros e bibliotecas e nunca mais parou de beber da fonte. Passou por jornalismo e letras e através de muitas amizades, integrou os movimentos culturais do fim de século, além de colaborar com jornais e revistas, entre eles, Correio das Artes, sua estreia. Participou de concursos literários, fundou o selo Trema, junto com Antonio Mariano e José Caetano e ajudou a fundar o Clube do Conto da Paraíba. Começou na poesia, publicando AFlor em Construção (Idéia), Alvenaria (Ed. UFPB). Em seguida, o livro de crônicas de viagem Bagagem Lírica (Sal da Terra) e os infantis O rato que roeu o rei (Rocco) e Pequenas Reinações. Tem inéditos outros livros.

Fonte: https://clubedoconto.blogspot.com/search/label/Conto 

 

O texto "O Mágico" apresenta uma variedade de recursos linguísticos, incluindo onomatopeias. Identifique a onomatopeia presente no trecho abaixo, utilizada para descrever o momento do truque de desaparecimento no texto:


"Na boate, a plateia entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na plateia, aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização."

Alternativas
Q3202117 Português
O Texto II sugere uma nova versão da Barbie, fugindo dos padrões estereotipados geralmente associados a esse produto, representando uma mulher comum em situações do cotidiano. Com base na descrição fornecida no texto em questão, assinale a alternativa que expressa a crítica social implícita na representação da Barbie Brasileira:
Alternativas
Q3202118 Português
O Texto II apresenta uma representação crítica da Barbie, afastando-se dos estereótipos tradicionais associados à boneca da empresa Mattel (branca, loira, corpo perfeitamente esculpido, chegando a ser inverossímil com as proporções de uma humana real, circunscrevendo um ideal de beleza quase inalcançável), construindo uma caricatura bem-humorada para fazer uma crítica aos padrões socais de beleza e de comportamento. Com base nas características estruturais do texto e considerando a combinação de elementos visuais e verbais, é CORRETO afirmar que o texto:
Alternativas
Q3202119 Português

O Texto II representa a Barbie Brasileira de maneira crítica, abordando temas como a pressão social, problemas financeiros e desafios de saúde. Com base na sátira da Barbie Brasileira no texto em questão, identifique as assertivas que melhor refletem a crítica pretendida no texto sobre a realidade da mulher brasileira, considerando aspectos como pressões sociais, questões financeiras e saúde.



I- A Barbie Brasileira é apresentada como uma figura idealizada, sem enfrentar desafios comuns da vida adulta, contrariando a realidade.


II- O texto destaca a Barbie Brasileira como um modelo positivo de superação, mostrando que ela, aos 30 anos, já superou desafios financeiros e de saúde.


III- A representação da Barbie Brasileira critica a idealização das mulheres, abordando de forma crítica os desafios comuns enfrentados na vida adulta, como problemas financeiros e de saúde.


IV- O texto apresenta a Barbie Brasileira como uma figura trágica, sofrendo precocemente com problemas de saúde e financeiros, sem romantizar uma mensagem de superação.


V- A Barbie Brasileira do cartoon é retratada como uma personagem irreal, exagerando as complexidades da vida adulta, superestimando a realidade brasileira.



É CORRETO o que afirma apenas em: 

Alternativas
Q3467325 Segurança e Saúde no Trabalho
Paciente do sexo masculino, 38 anos, técnico de enfermagem, procura um ambulatório de saúde mental com as seguintes queixas: forte sentimento de tensão emocional; sensação de esgotamento e falta de energia; desmotivação para trabalhar; comportamento frio e impessoal em relação à pessoas e situações; insatisfação e desanimo. O psiquiatra que o atende diz que seu quadro é compatível com Burnout e o considera incapacitado temporariamente para o trabalho, afastando-o de suas atividades laborais. Considerando o caso em questão, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q3467326 Enfermagem
Um colega se engasga com um pedaço de carne durante o horário de almoço na empresa onde você trabalha, evoluindo com: tosse silenciosa, cianose, incapacidade de falar ou respirar e segura o pescoço com as mãos (demonstrando o sinal universal da asfixia). Qual manobra você deve realizar para desobstrução desta via aérea por corpo estranho, enquanto a vítima ainda está consciente? 
Alternativas
Q3467327 Segurança e Saúde no Trabalho

A vacinação é uma medida que visa prevenir o adoecimento dos trabalhadores da saúde e ela está prevista na Norma Regulamentadora n° 32 (NR-32), que tem como finalidade estabelecer as diretrizes básicas para implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral. No que diz respeito a vacinação dos trabalhadores, de acordo com a NR32, analise as afirmativas abaixo:


I- A todo trabalhador dos serviços de saúde deve ser fornecido, gratuitamente, programa de imunização contra tétano, difteria, hepatite B e os estabelecidos no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).

II- O empregador pode oferecer, de forma facultativa, vacinas eficazes contra outros agentes biológicos a que os trabalhadores estão, ou poderão estar, expostos.

III- O empregador deve fazer o controle da eficácia da vacinação sempre que for recomendado pelo Ministério da Saúde e seus órgãos, e providenciar, se necessário, seu reforço.

IV- O empregador deve assegurar que os trabalhadores sejam informados das vantagens e dos efeitos colaterais, assim como dos riscos a que estarão expostos por falta ou recusa de vacinação, devendo, nestes casos, guardar documento comprobatório e mantê-lo disponível à inspeção do trabalho.

V- A vacinação deve ser registrada no prontuário clínico individual do trabalhador, previsto na NR-07 e deve ser fornecido ao trabalhador comprovante das vacinas recebidas.


É CORRETO o que se afirma apenas em: 

Alternativas
Q3467328 Segurança e Saúde no Trabalho

A Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (PNSST) tem por objetivos a promoção da saúde e a melhoria da qualidade de vida do trabalhador e a prevenção de acidentes e de danos à saúde advindos, relacionados ao trabalho ou que ocorram no curso dele, por meio da eliminação ou redução dos riscos nos ambientes de trabalho. APNSST tem por princípios:


I- Universalidade.

II- Equidade, regionalização, hierarquização e descentralização.

III- Precedência das ações de promoção, proteção e prevenção sobre as de assistência, reabilitação e reparação.

IV- Diálogo social.

V- Integralidade.


É CORRETO o que se afirma em:

Alternativas
Q3467329 Segurança e Saúde no Trabalho
Os locais de trabalho, pela própria natureza da atividade desenvolvida e pelas características de organização, relações interpessoais, manipulação ou exposição a agentes físicos, químicos, biológicos, situações de deficiência ergonômica ou riscos de acidentes podem comprometer a saúde e a segurança do trabalhador em curto, médio e longo prazo, provocando lesões imediatas, doenças ou a morte. Considerando a classificação dos fatores de riscos para a saúde e a segurança dos trabalhadores, presentes ou relacionados ao trabalho, relacione as colunas 1 e 2 abaixo. 


Imagem associada para resolução da questão


Marque a alternativa que corresponde à sequência CORRETA, de cima para baixo
Alternativas
Q3467330 Segurança e Saúde no Trabalho
As doenças e os agravos à saúde relacionados ao trabalho (Dart) são danos à integridade física ou mental do indivíduo em consequência ao exercício profissional ou às condições adversas em que o trabalho foi realizado. Na elaboração da Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT), adota-se o conceito de "doenças relacionadas com o trabalho", considerando a utilização de três categorias propostas por Schilling. Sobre o assunto em questão, é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3467331 Segurança e Saúde no Trabalho
Equipamento de Proteção Individual (EPI) é todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado a proteção contra riscos capazes de ameaçar a sua segurança e a sua saúde. De acordo com o disposto na Norma Regulamentadora nº 6 (Equipamento de Proteção Individual - NR-06), assinale a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q3467332 Enfermagem
A enfermagem do trabalho é uma especialidade destinada ao cuidado daquele que trabalha, portanto, preocupa-se com trabalhadores. De acordo com a Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986 e
Alternativas
Q3467333 Segurança e Saúde no Trabalho
A implementação e a manutenção de ações e programas de promoção de saúde no local de trabalho conduzem a resultados positivos para a organização, pois promovem estilos de vida saudáveis, previnem doenças, contribuem para a saúde ocupacional e melhoram o clima organizacional (Farias et al., 2022). Segundo o modelo de História Natural da Doença de Leavell e Clark, assinale a alternativa que corresponde a uma ação de promoção da saúde, a ser possivelmente implementada pela equipe de enfermagem em saúde ocupacional. 
Alternativas
Q3467334 Segurança e Saúde no Trabalho
A Segurança do trabalho pode ser entendida como o conjunto de medidas que visam minimizar os acidentes de trabalho. Acidente do trabalho, por sua vez, é aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, ou perda, ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. Sobre Segurança e Acidente do trabalho, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Respostas
1: D
2: E
3: E
4: B
5: B
6: D
7: B
8: A
9: C
10: E
11: E
12: E
13: D
14: B
15: B
16: D
17: B
18: C
19: E
20: B