TEXTO II
O que é o metaverso?
O Facebook quer um dia ser visto como uma
empresa de metaverso, um mundo paralelo baseado na
realidade virtual que pode ser o futuro da internet. O dia
foi longo. Você passou a manhã indo de uma reunião
para a outra, e, no intervalo entre duas delas, bateu um
papo com uma colega no corredor sobre um show a que
ambas vão assistir, à noite. Vocês se encontram no local
do show depois do trabalho, ansiosas para ver ao vivo a
banda favorita de K-pop. Quando o show acaba, você
compra uma camiseta e tenta esquecer que acabou de
ver o ex-namorado por lá.
Seria apenas um dia normal não fosse um
aspecto: você fez tudo isso sem sair de casa, pois você
esteve no metaverso.
O metaverso não tem um criador único ou
mesmo uma definição. Ele pode ser vagamente definido
como uma realidade digital, relacionada à World Wide
Web, mas com elementos de redes sociais, realidade
aumentada, games on-line e criptomoedas que permitem
aos usuários agir e interagir virtualmente.
O conceito ainda está na sua infância, mas o
potencial é enorme, e alguns analistas afirmam que o
metaverso é o futuro da internet.
“Estou plenamente convencido de que o
metaverso será uma nova economia muito maior do que
a nossa atual economia”, afirmou o presidente da
fabricante de processadores gráficos Nvidia, Jensen
Hang.
A Nvidia, uma empresa cujos investimentos no
metaverso já levaram alguns especialistas a afirmarem
que ela um dia poderá valer mais do que a Apple, é
apenas uma das muitas empresas que tentam se impor
nessa nova corrida do ouro. Outras são a Epic Games e
a veterana Microsoft.
O Facebook também já está investindo há anos
em realidade virtual e em realidade aumentada para o
metaverso. O presidente do Facebook, Mark Zuckerberg,
disse esperar que, um dia, as pessoas deixem de ver a
empresa como uma rede social e passem a vê-la como
uma empresa de metaverso. Nesta semana ele elevou
ainda mais seus investimentos ao anunciar a contratação
de 10 mil pessoas na Europa para ajudar a desenvolver
o metaverso.
“Em vez de apenas ver o conteúdo, você está
dentro dele”, explicou Zuckerberg numa entrevista ao
blog de tecnologia The Verge, contrastando a ideia do metaverso com as atuais páginas bidimensionais da
internet.
Variações do metaverso já existem há anos, seja
nas redes sociais, na realidade virtual e nos games online, seja no mundo das criptomoedas.
Jogos interativos ou de construção de mundos,
como Second Life, Fortnite, Minecraft e Roblox, têm,
todos, elementos do metaverso. Neles, os usuários
podem trabalhar e colaborar, participar de eventos e
trocar dinheiro real por mercadorias e serviços virtuais.
Porém, até aqui esses são mundos fechados.
Visionários do metaverso preveem uma realidade virtual
na qual alguém pode se mover livremente entre esses
diferentes mundos digitais. Usuários poderiam até
mesmo ter uma única identidade virtual, na forma de um
avatar, e o capital em dinheiro que eles têm num mundo
valeria também no outro. Todo mundo pagaria usando
uma criptomoeda universalmente aceita.
A questão dos pagamentos é especialmente
relevante para as criptomoedas. Essas moedas virtuais
fazem cada vez mais sucesso, em parte porque mais
pessoas já ouviram falar em tokens não fungíveis (NFTs),
uma tecnologia que pode desempenhar um papel-chave
no metaverso.
NFT é um tipo de ativo digital que representa algo
único, portanto não pode ser substituído por outra coisa.
Eles são verificados e armazenados por meio da
tecnologia blockchain.
Um NFT de uma imagem digital, CryptoPunk
#7523, foi vendido em junho de 2021 por 11,8 milhões de
dólares. No início deste mês, a Dolce & Gabbana vendeu
uma coleção de roupas em forma de NFTs. Alguns dos
itens podem ser vestidos por avatares.
Em mundos virtuais que já foram criados,
usuários estão pagando centenas de milhares de dólares
em criptomoedas para comprar NFTs de imóveis digitais.
A empresa leiloeira Sotheby's recentemente adquiriu seu
próprio bloco de imóveis digitais, que ela usou para
construir uma réplica de suas galerias em Londres e
realizar um show de artes virtuais.
As transações com a maioria dos NFTs, bem
como as posses deles, estão registradas na blockchain
Ethereum, a rede que hospeda ether, a segunda
criptomoeda mais usada (a primeira é o bitcoin.
CryptoPunk #7523 foi paga em ether). Isso faz com que
NFTs e Ethereum estejam numa posição vantajosa para
que se tornem a espinha dorsal do metaverso. Isso
poderia legitimar as criptomoedas como forma de
pagamento, acelerando a aceitação delas pelo público
em geral.
Provavelmente ainda vão se passar décadas até
a funcionalidade total do metaverso ser alcançada.
Tecnologias centrais, em especial de realidade
aumentada, ainda precisam se tornar mais comuns, e além disso o metaverso traz consigo inúmeras questões
legais.
E, para criá-lo, será necessário um grau de
cooperação tecnológica entre as empresas que parece
irreal quando se pensa, por exemplo, nos inúmeros
modelos de cabos para carregar telefones celulares.
Mas também é verdade que a covid-19
impulsionou o desenvolvimento do metaverso. Esforços
de digitalização tiveram um grande impulso depois de a
crise sanitária ter obrigado milhões de pessoas em todo
o mundo a trabalharem de casa, e plataformas como
Slack ou Teams familiarizaram as pessoas com
conceitos centrais do metaverso. Muitas empresas já
estão tentando recriar digitalmente, para quem trabalha
em casa, a espontaniedade das interações humanas nos
escritórios.
O metaverso ainda está na sua infância, mas a
Bloomberg Intelligence, o braço de pesquisas do
conglomerado Bloomberg, calculou, em julho, que ele
poderá ser um mercado de 800 bilhões de dólares já em
2024.
Disponível em: https://istoe.com.br/o-que-e-ometaverso/ (Adaptado)