Questões de Concurso Público Prefeitura de Serraria - PB 2019 para Eletricista

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Q4330812 Não definido
Memórias da Casa Velha


        Vou subindo a ladeira calçada de pedras velhas irregulares e escorregadias, ladeada de casas velhas, de paredes desbotadas. Tudo é silêncio e, não fosse aquela mulher, também velha e desbotada, que me espia triste do alto de uma janela, diria que ninguém mora mais aqui, que todos se foram, que muitos morreram e que outros se mudaram.

    Quando chego à última curva, a respiração se faz difícil pelo esforço da subida, mas sinto-me recompensado ao avistar o grande portão aberto em arco. Reconheço-o facilmente, embora suas grades estejam enferrujadas e não brancas, como antigamente.

      Até há pouco chovia. Agora um sol alegre ilumina a copa das árvores, vence a folhagem e espeta seus raios na relva. Mesmo assim, quando entro, sinto a terra úmida debaixo dos meus sapatos.

     Há quantos anos entrei por esta mesma alameda? Vinte, vinte e cinco? Talvez. Lembro-me que ficara impressionado com a majestade do jardim. Seria ele mais belo então? Mais tratado era, por certo. Agora, abandonado, tudo aquilo que perdeu em simetria, em colorido, ganhou em placidez, em santidade. Sim, penso que estou a entrar numa catedral vazia, enquanto caminho devagar, olhando em torno.

     Antes havia marrecos neste laguinho: agora, folhas mortas boiam, sem pressa de chegar à outra margem. Aliás, não eram somente marrecos. Lembro-me de dois cisnes a me olharem espantados, sem compreenderem que aquele menino também os via pela primeira vez. 

   "Um dia um cisne morrerá, por certo‖ quando li o soneto de Salusse, numa antologia de parnasianos, lembreime imediatamente do casal de cisnes que vivia neste lago.

      Se o cisne vivo nunca mais nadou, não sei. Sei que os bichos se foram todos. Apenas os pássaros continuam a usufruir deste jardim. Ouço o chilrear de centenas deles sobre a minha cabeça e, sem me importar com isso, vou subindo na direção da casa.

     Foi o vento na minha nuca ou foi de pura saudade que me veio este tremor? Lá está a varanda grande, cingida de trepadeiras. Minha mãe me segurava pela mão e falava, mas o alvoroço das moças era mais alto que a sua voz. Uma delas (quem seria?) apaixonou-se por meus cabelos louros e, naquela tarde em que aqui estive, penteou-me tantas vezes!

     Quando minha mãe abaixou-se para me beijar e partir, quase chorei na frente das moças. Depois esqueci. Elas brincaram comigo, me deram lanche, me deixaram correr no gramado.

      Olho a casa e penso que a gente que mora lá embaixo, na ladeira, deve andar a inventar coisas, a dizer que ela é mal-assombrada. Triste, coitada. Triste é o que ela é.

     Sei que ninguém mais vem cá e esta roseira deve saber também, mas, sem qualquer vaidade, continua a expor as suas rosas. Quanto àquele canteiro, que as rolinhas estão ciscando, era de crisântemos, mas não se usa mais essa flor.

    O casarão está em ruínas. Nada mais dá ideia de abandono do que esta janela de vidros quebrados ou aquela fonte sem repuxo. Já não há os crisântemos de outrora, a fonte, as moças na varanda, seu riso.

      Tudo é silêncio, tudo é quietude. Somente os pássaros. Os pássaros e as lembranças.

     Pela tarde, à hora do crepúsculo (hoje todos os crepúsculos terminam aqui) minha mãe veio me buscar. Quase a vejo caminhando, a sorrir para mim. Tão moça e tão linda (conta-se que, no seu tempo, foi a mais bonita aluna do Colégio Sion), ela me acenava com um embrulho na mão; o presente que prometera, caso me comportasse bem.

      A alegria que senti ao revê-la! Lembro-me que corri em sua direção e tão afoito, que caí de peito na relva, como um mergulho. O pão com geleia que uma das moças me dera caiu também e lá ficou esquecido.

   Não chorei. Contive as lágrimas como contenho agora, enquanto vou descendo pelo mesmo caminho. Vou devagar, porém. Já não há nem a pressa, nem a alegria de então.


Sérgio Porto, in Antologia Escolar de Crônicas
Pela história contada no texto, percebe-se que o narrador demonstra um sentimento de:
Alternativas
Q4330813 Não definido
Memórias da Casa Velha


        Vou subindo a ladeira calçada de pedras velhas irregulares e escorregadias, ladeada de casas velhas, de paredes desbotadas. Tudo é silêncio e, não fosse aquela mulher, também velha e desbotada, que me espia triste do alto de uma janela, diria que ninguém mora mais aqui, que todos se foram, que muitos morreram e que outros se mudaram.

    Quando chego à última curva, a respiração se faz difícil pelo esforço da subida, mas sinto-me recompensado ao avistar o grande portão aberto em arco. Reconheço-o facilmente, embora suas grades estejam enferrujadas e não brancas, como antigamente.

      Até há pouco chovia. Agora um sol alegre ilumina a copa das árvores, vence a folhagem e espeta seus raios na relva. Mesmo assim, quando entro, sinto a terra úmida debaixo dos meus sapatos.

     Há quantos anos entrei por esta mesma alameda? Vinte, vinte e cinco? Talvez. Lembro-me que ficara impressionado com a majestade do jardim. Seria ele mais belo então? Mais tratado era, por certo. Agora, abandonado, tudo aquilo que perdeu em simetria, em colorido, ganhou em placidez, em santidade. Sim, penso que estou a entrar numa catedral vazia, enquanto caminho devagar, olhando em torno.

     Antes havia marrecos neste laguinho: agora, folhas mortas boiam, sem pressa de chegar à outra margem. Aliás, não eram somente marrecos. Lembro-me de dois cisnes a me olharem espantados, sem compreenderem que aquele menino também os via pela primeira vez. 

   "Um dia um cisne morrerá, por certo‖ quando li o soneto de Salusse, numa antologia de parnasianos, lembreime imediatamente do casal de cisnes que vivia neste lago.

      Se o cisne vivo nunca mais nadou, não sei. Sei que os bichos se foram todos. Apenas os pássaros continuam a usufruir deste jardim. Ouço o chilrear de centenas deles sobre a minha cabeça e, sem me importar com isso, vou subindo na direção da casa.

     Foi o vento na minha nuca ou foi de pura saudade que me veio este tremor? Lá está a varanda grande, cingida de trepadeiras. Minha mãe me segurava pela mão e falava, mas o alvoroço das moças era mais alto que a sua voz. Uma delas (quem seria?) apaixonou-se por meus cabelos louros e, naquela tarde em que aqui estive, penteou-me tantas vezes!

     Quando minha mãe abaixou-se para me beijar e partir, quase chorei na frente das moças. Depois esqueci. Elas brincaram comigo, me deram lanche, me deixaram correr no gramado.

      Olho a casa e penso que a gente que mora lá embaixo, na ladeira, deve andar a inventar coisas, a dizer que ela é mal-assombrada. Triste, coitada. Triste é o que ela é.

     Sei que ninguém mais vem cá e esta roseira deve saber também, mas, sem qualquer vaidade, continua a expor as suas rosas. Quanto àquele canteiro, que as rolinhas estão ciscando, era de crisântemos, mas não se usa mais essa flor.

    O casarão está em ruínas. Nada mais dá ideia de abandono do que esta janela de vidros quebrados ou aquela fonte sem repuxo. Já não há os crisântemos de outrora, a fonte, as moças na varanda, seu riso.

      Tudo é silêncio, tudo é quietude. Somente os pássaros. Os pássaros e as lembranças.

     Pela tarde, à hora do crepúsculo (hoje todos os crepúsculos terminam aqui) minha mãe veio me buscar. Quase a vejo caminhando, a sorrir para mim. Tão moça e tão linda (conta-se que, no seu tempo, foi a mais bonita aluna do Colégio Sion), ela me acenava com um embrulho na mão; o presente que prometera, caso me comportasse bem.

      A alegria que senti ao revê-la! Lembro-me que corri em sua direção e tão afoito, que caí de peito na relva, como um mergulho. O pão com geleia que uma das moças me dera caiu também e lá ficou esquecido.

   Não chorei. Contive as lágrimas como contenho agora, enquanto vou descendo pelo mesmo caminho. Vou devagar, porém. Já não há nem a pressa, nem a alegria de então.


Sérgio Porto, in Antologia Escolar de Crônicas
O narrador deixa transparecer que já estivera no local há muitos anos como se confirma na passagem ''Há quantos anos entrei por esta mesma alameda? Vinte, vinte e cinco?'' (4º parágrafo). Assinale a alternativa que apresenta um fragmento do texto que reforça essa afirmativa:
Alternativas
Q4330814 Não definido
Memórias da Casa Velha


        Vou subindo a ladeira calçada de pedras velhas irregulares e escorregadias, ladeada de casas velhas, de paredes desbotadas. Tudo é silêncio e, não fosse aquela mulher, também velha e desbotada, que me espia triste do alto de uma janela, diria que ninguém mora mais aqui, que todos se foram, que muitos morreram e que outros se mudaram.

    Quando chego à última curva, a respiração se faz difícil pelo esforço da subida, mas sinto-me recompensado ao avistar o grande portão aberto em arco. Reconheço-o facilmente, embora suas grades estejam enferrujadas e não brancas, como antigamente.

      Até há pouco chovia. Agora um sol alegre ilumina a copa das árvores, vence a folhagem e espeta seus raios na relva. Mesmo assim, quando entro, sinto a terra úmida debaixo dos meus sapatos.

     Há quantos anos entrei por esta mesma alameda? Vinte, vinte e cinco? Talvez. Lembro-me que ficara impressionado com a majestade do jardim. Seria ele mais belo então? Mais tratado era, por certo. Agora, abandonado, tudo aquilo que perdeu em simetria, em colorido, ganhou em placidez, em santidade. Sim, penso que estou a entrar numa catedral vazia, enquanto caminho devagar, olhando em torno.

     Antes havia marrecos neste laguinho: agora, folhas mortas boiam, sem pressa de chegar à outra margem. Aliás, não eram somente marrecos. Lembro-me de dois cisnes a me olharem espantados, sem compreenderem que aquele menino também os via pela primeira vez. 

   "Um dia um cisne morrerá, por certo‖ quando li o soneto de Salusse, numa antologia de parnasianos, lembreime imediatamente do casal de cisnes que vivia neste lago.

      Se o cisne vivo nunca mais nadou, não sei. Sei que os bichos se foram todos. Apenas os pássaros continuam a usufruir deste jardim. Ouço o chilrear de centenas deles sobre a minha cabeça e, sem me importar com isso, vou subindo na direção da casa.

     Foi o vento na minha nuca ou foi de pura saudade que me veio este tremor? Lá está a varanda grande, cingida de trepadeiras. Minha mãe me segurava pela mão e falava, mas o alvoroço das moças era mais alto que a sua voz. Uma delas (quem seria?) apaixonou-se por meus cabelos louros e, naquela tarde em que aqui estive, penteou-me tantas vezes!

     Quando minha mãe abaixou-se para me beijar e partir, quase chorei na frente das moças. Depois esqueci. Elas brincaram comigo, me deram lanche, me deixaram correr no gramado.

      Olho a casa e penso que a gente que mora lá embaixo, na ladeira, deve andar a inventar coisas, a dizer que ela é mal-assombrada. Triste, coitada. Triste é o que ela é.

     Sei que ninguém mais vem cá e esta roseira deve saber também, mas, sem qualquer vaidade, continua a expor as suas rosas. Quanto àquele canteiro, que as rolinhas estão ciscando, era de crisântemos, mas não se usa mais essa flor.

    O casarão está em ruínas. Nada mais dá ideia de abandono do que esta janela de vidros quebrados ou aquela fonte sem repuxo. Já não há os crisântemos de outrora, a fonte, as moças na varanda, seu riso.

      Tudo é silêncio, tudo é quietude. Somente os pássaros. Os pássaros e as lembranças.

     Pela tarde, à hora do crepúsculo (hoje todos os crepúsculos terminam aqui) minha mãe veio me buscar. Quase a vejo caminhando, a sorrir para mim. Tão moça e tão linda (conta-se que, no seu tempo, foi a mais bonita aluna do Colégio Sion), ela me acenava com um embrulho na mão; o presente que prometera, caso me comportasse bem.

      A alegria que senti ao revê-la! Lembro-me que corri em sua direção e tão afoito, que caí de peito na relva, como um mergulho. O pão com geleia que uma das moças me dera caiu também e lá ficou esquecido.

   Não chorei. Contive as lágrimas como contenho agora, enquanto vou descendo pelo mesmo caminho. Vou devagar, porém. Já não há nem a pressa, nem a alegria de então.


Sérgio Porto, in Antologia Escolar de Crônicas
 Pode-se deduzir do texto que o narrador ficou na casa velha, no passado, durante: 
Alternativas
Q4330815 Não definido
Memórias da Casa Velha


        Vou subindo a ladeira calçada de pedras velhas irregulares e escorregadias, ladeada de casas velhas, de paredes desbotadas. Tudo é silêncio e, não fosse aquela mulher, também velha e desbotada, que me espia triste do alto de uma janela, diria que ninguém mora mais aqui, que todos se foram, que muitos morreram e que outros se mudaram.

    Quando chego à última curva, a respiração se faz difícil pelo esforço da subida, mas sinto-me recompensado ao avistar o grande portão aberto em arco. Reconheço-o facilmente, embora suas grades estejam enferrujadas e não brancas, como antigamente.

      Até há pouco chovia. Agora um sol alegre ilumina a copa das árvores, vence a folhagem e espeta seus raios na relva. Mesmo assim, quando entro, sinto a terra úmida debaixo dos meus sapatos.

     Há quantos anos entrei por esta mesma alameda? Vinte, vinte e cinco? Talvez. Lembro-me que ficara impressionado com a majestade do jardim. Seria ele mais belo então? Mais tratado era, por certo. Agora, abandonado, tudo aquilo que perdeu em simetria, em colorido, ganhou em placidez, em santidade. Sim, penso que estou a entrar numa catedral vazia, enquanto caminho devagar, olhando em torno.

     Antes havia marrecos neste laguinho: agora, folhas mortas boiam, sem pressa de chegar à outra margem. Aliás, não eram somente marrecos. Lembro-me de dois cisnes a me olharem espantados, sem compreenderem que aquele menino também os via pela primeira vez. 

   "Um dia um cisne morrerá, por certo‖ quando li o soneto de Salusse, numa antologia de parnasianos, lembreime imediatamente do casal de cisnes que vivia neste lago.

      Se o cisne vivo nunca mais nadou, não sei. Sei que os bichos se foram todos. Apenas os pássaros continuam a usufruir deste jardim. Ouço o chilrear de centenas deles sobre a minha cabeça e, sem me importar com isso, vou subindo na direção da casa.

     Foi o vento na minha nuca ou foi de pura saudade que me veio este tremor? Lá está a varanda grande, cingida de trepadeiras. Minha mãe me segurava pela mão e falava, mas o alvoroço das moças era mais alto que a sua voz. Uma delas (quem seria?) apaixonou-se por meus cabelos louros e, naquela tarde em que aqui estive, penteou-me tantas vezes!

     Quando minha mãe abaixou-se para me beijar e partir, quase chorei na frente das moças. Depois esqueci. Elas brincaram comigo, me deram lanche, me deixaram correr no gramado.

      Olho a casa e penso que a gente que mora lá embaixo, na ladeira, deve andar a inventar coisas, a dizer que ela é mal-assombrada. Triste, coitada. Triste é o que ela é.

     Sei que ninguém mais vem cá e esta roseira deve saber também, mas, sem qualquer vaidade, continua a expor as suas rosas. Quanto àquele canteiro, que as rolinhas estão ciscando, era de crisântemos, mas não se usa mais essa flor.

    O casarão está em ruínas. Nada mais dá ideia de abandono do que esta janela de vidros quebrados ou aquela fonte sem repuxo. Já não há os crisântemos de outrora, a fonte, as moças na varanda, seu riso.

      Tudo é silêncio, tudo é quietude. Somente os pássaros. Os pássaros e as lembranças.

     Pela tarde, à hora do crepúsculo (hoje todos os crepúsculos terminam aqui) minha mãe veio me buscar. Quase a vejo caminhando, a sorrir para mim. Tão moça e tão linda (conta-se que, no seu tempo, foi a mais bonita aluna do Colégio Sion), ela me acenava com um embrulho na mão; o presente que prometera, caso me comportasse bem.

      A alegria que senti ao revê-la! Lembro-me que corri em sua direção e tão afoito, que caí de peito na relva, como um mergulho. O pão com geleia que uma das moças me dera caiu também e lá ficou esquecido.

   Não chorei. Contive as lágrimas como contenho agora, enquanto vou descendo pelo mesmo caminho. Vou devagar, porém. Já não há nem a pressa, nem a alegria de então.


Sérgio Porto, in Antologia Escolar de Crônicas
Em relação à linguagem do texto, pode-se afirmar que foi empregada, principalmente, a variedade: 
Alternativas
Q4330816 Não definido
Memórias da Casa Velha


        Vou subindo a ladeira calçada de pedras velhas irregulares e escorregadias, ladeada de casas velhas, de paredes desbotadas. Tudo é silêncio e, não fosse aquela mulher, também velha e desbotada, que me espia triste do alto de uma janela, diria que ninguém mora mais aqui, que todos se foram, que muitos morreram e que outros se mudaram.

    Quando chego à última curva, a respiração se faz difícil pelo esforço da subida, mas sinto-me recompensado ao avistar o grande portão aberto em arco. Reconheço-o facilmente, embora suas grades estejam enferrujadas e não brancas, como antigamente.

      Até há pouco chovia. Agora um sol alegre ilumina a copa das árvores, vence a folhagem e espeta seus raios na relva. Mesmo assim, quando entro, sinto a terra úmida debaixo dos meus sapatos.

     Há quantos anos entrei por esta mesma alameda? Vinte, vinte e cinco? Talvez. Lembro-me que ficara impressionado com a majestade do jardim. Seria ele mais belo então? Mais tratado era, por certo. Agora, abandonado, tudo aquilo que perdeu em simetria, em colorido, ganhou em placidez, em santidade. Sim, penso que estou a entrar numa catedral vazia, enquanto caminho devagar, olhando em torno.

     Antes havia marrecos neste laguinho: agora, folhas mortas boiam, sem pressa de chegar à outra margem. Aliás, não eram somente marrecos. Lembro-me de dois cisnes a me olharem espantados, sem compreenderem que aquele menino também os via pela primeira vez. 

   "Um dia um cisne morrerá, por certo‖ quando li o soneto de Salusse, numa antologia de parnasianos, lembreime imediatamente do casal de cisnes que vivia neste lago.

      Se o cisne vivo nunca mais nadou, não sei. Sei que os bichos se foram todos. Apenas os pássaros continuam a usufruir deste jardim. Ouço o chilrear de centenas deles sobre a minha cabeça e, sem me importar com isso, vou subindo na direção da casa.

     Foi o vento na minha nuca ou foi de pura saudade que me veio este tremor? Lá está a varanda grande, cingida de trepadeiras. Minha mãe me segurava pela mão e falava, mas o alvoroço das moças era mais alto que a sua voz. Uma delas (quem seria?) apaixonou-se por meus cabelos louros e, naquela tarde em que aqui estive, penteou-me tantas vezes!

     Quando minha mãe abaixou-se para me beijar e partir, quase chorei na frente das moças. Depois esqueci. Elas brincaram comigo, me deram lanche, me deixaram correr no gramado.

      Olho a casa e penso que a gente que mora lá embaixo, na ladeira, deve andar a inventar coisas, a dizer que ela é mal-assombrada. Triste, coitada. Triste é o que ela é.

     Sei que ninguém mais vem cá e esta roseira deve saber também, mas, sem qualquer vaidade, continua a expor as suas rosas. Quanto àquele canteiro, que as rolinhas estão ciscando, era de crisântemos, mas não se usa mais essa flor.

    O casarão está em ruínas. Nada mais dá ideia de abandono do que esta janela de vidros quebrados ou aquela fonte sem repuxo. Já não há os crisântemos de outrora, a fonte, as moças na varanda, seu riso.

      Tudo é silêncio, tudo é quietude. Somente os pássaros. Os pássaros e as lembranças.

     Pela tarde, à hora do crepúsculo (hoje todos os crepúsculos terminam aqui) minha mãe veio me buscar. Quase a vejo caminhando, a sorrir para mim. Tão moça e tão linda (conta-se que, no seu tempo, foi a mais bonita aluna do Colégio Sion), ela me acenava com um embrulho na mão; o presente que prometera, caso me comportasse bem.

      A alegria que senti ao revê-la! Lembro-me que corri em sua direção e tão afoito, que caí de peito na relva, como um mergulho. O pão com geleia que uma das moças me dera caiu também e lá ficou esquecido.

   Não chorei. Contive as lágrimas como contenho agora, enquanto vou descendo pelo mesmo caminho. Vou devagar, porém. Já não há nem a pressa, nem a alegria de então.


Sérgio Porto, in Antologia Escolar de Crônicas
A figura de linguagem que sobressai na passagem ''Agora um sol alegre ilumina a copa das árvores, vence a folhagem e espeta seus raios na relva.'' (3º parágrafo) está apontada na opção: 
Alternativas
Q4330817 Não definido
Memórias da Casa Velha


        Vou subindo a ladeira calçada de pedras velhas irregulares e escorregadias, ladeada de casas velhas, de paredes desbotadas. Tudo é silêncio e, não fosse aquela mulher, também velha e desbotada, que me espia triste do alto de uma janela, diria que ninguém mora mais aqui, que todos se foram, que muitos morreram e que outros se mudaram.

    Quando chego à última curva, a respiração se faz difícil pelo esforço da subida, mas sinto-me recompensado ao avistar o grande portão aberto em arco. Reconheço-o facilmente, embora suas grades estejam enferrujadas e não brancas, como antigamente.

      Até há pouco chovia. Agora um sol alegre ilumina a copa das árvores, vence a folhagem e espeta seus raios na relva. Mesmo assim, quando entro, sinto a terra úmida debaixo dos meus sapatos.

     Há quantos anos entrei por esta mesma alameda? Vinte, vinte e cinco? Talvez. Lembro-me que ficara impressionado com a majestade do jardim. Seria ele mais belo então? Mais tratado era, por certo. Agora, abandonado, tudo aquilo que perdeu em simetria, em colorido, ganhou em placidez, em santidade. Sim, penso que estou a entrar numa catedral vazia, enquanto caminho devagar, olhando em torno.

     Antes havia marrecos neste laguinho: agora, folhas mortas boiam, sem pressa de chegar à outra margem. Aliás, não eram somente marrecos. Lembro-me de dois cisnes a me olharem espantados, sem compreenderem que aquele menino também os via pela primeira vez. 

   "Um dia um cisne morrerá, por certo‖ quando li o soneto de Salusse, numa antologia de parnasianos, lembreime imediatamente do casal de cisnes que vivia neste lago.

      Se o cisne vivo nunca mais nadou, não sei. Sei que os bichos se foram todos. Apenas os pássaros continuam a usufruir deste jardim. Ouço o chilrear de centenas deles sobre a minha cabeça e, sem me importar com isso, vou subindo na direção da casa.

     Foi o vento na minha nuca ou foi de pura saudade que me veio este tremor? Lá está a varanda grande, cingida de trepadeiras. Minha mãe me segurava pela mão e falava, mas o alvoroço das moças era mais alto que a sua voz. Uma delas (quem seria?) apaixonou-se por meus cabelos louros e, naquela tarde em que aqui estive, penteou-me tantas vezes!

     Quando minha mãe abaixou-se para me beijar e partir, quase chorei na frente das moças. Depois esqueci. Elas brincaram comigo, me deram lanche, me deixaram correr no gramado.

      Olho a casa e penso que a gente que mora lá embaixo, na ladeira, deve andar a inventar coisas, a dizer que ela é mal-assombrada. Triste, coitada. Triste é o que ela é.

     Sei que ninguém mais vem cá e esta roseira deve saber também, mas, sem qualquer vaidade, continua a expor as suas rosas. Quanto àquele canteiro, que as rolinhas estão ciscando, era de crisântemos, mas não se usa mais essa flor.

    O casarão está em ruínas. Nada mais dá ideia de abandono do que esta janela de vidros quebrados ou aquela fonte sem repuxo. Já não há os crisântemos de outrora, a fonte, as moças na varanda, seu riso.

      Tudo é silêncio, tudo é quietude. Somente os pássaros. Os pássaros e as lembranças.

     Pela tarde, à hora do crepúsculo (hoje todos os crepúsculos terminam aqui) minha mãe veio me buscar. Quase a vejo caminhando, a sorrir para mim. Tão moça e tão linda (conta-se que, no seu tempo, foi a mais bonita aluna do Colégio Sion), ela me acenava com um embrulho na mão; o presente que prometera, caso me comportasse bem.

      A alegria que senti ao revê-la! Lembro-me que corri em sua direção e tão afoito, que caí de peito na relva, como um mergulho. O pão com geleia que uma das moças me dera caiu também e lá ficou esquecido.

   Não chorei. Contive as lágrimas como contenho agora, enquanto vou descendo pelo mesmo caminho. Vou devagar, porém. Já não há nem a pressa, nem a alegria de então.


Sérgio Porto, in Antologia Escolar de Crônicas
Quanto aos tipos de sujeito, assinale a alternativa que apresenta correta classificação do verbo em destaque no fragmento "Há quantos anos entrei por esta mesma alameda?" (4º parágrafo)
Alternativas
Q4330818 Não definido
Memórias da Casa Velha


        Vou subindo a ladeira calçada de pedras velhas irregulares e escorregadias, ladeada de casas velhas, de paredes desbotadas. Tudo é silêncio e, não fosse aquela mulher, também velha e desbotada, que me espia triste do alto de uma janela, diria que ninguém mora mais aqui, que todos se foram, que muitos morreram e que outros se mudaram.

    Quando chego à última curva, a respiração se faz difícil pelo esforço da subida, mas sinto-me recompensado ao avistar o grande portão aberto em arco. Reconheço-o facilmente, embora suas grades estejam enferrujadas e não brancas, como antigamente.

      Até há pouco chovia. Agora um sol alegre ilumina a copa das árvores, vence a folhagem e espeta seus raios na relva. Mesmo assim, quando entro, sinto a terra úmida debaixo dos meus sapatos.

     Há quantos anos entrei por esta mesma alameda? Vinte, vinte e cinco? Talvez. Lembro-me que ficara impressionado com a majestade do jardim. Seria ele mais belo então? Mais tratado era, por certo. Agora, abandonado, tudo aquilo que perdeu em simetria, em colorido, ganhou em placidez, em santidade. Sim, penso que estou a entrar numa catedral vazia, enquanto caminho devagar, olhando em torno.

     Antes havia marrecos neste laguinho: agora, folhas mortas boiam, sem pressa de chegar à outra margem. Aliás, não eram somente marrecos. Lembro-me de dois cisnes a me olharem espantados, sem compreenderem que aquele menino também os via pela primeira vez. 

   "Um dia um cisne morrerá, por certo‖ quando li o soneto de Salusse, numa antologia de parnasianos, lembreime imediatamente do casal de cisnes que vivia neste lago.

      Se o cisne vivo nunca mais nadou, não sei. Sei que os bichos se foram todos. Apenas os pássaros continuam a usufruir deste jardim. Ouço o chilrear de centenas deles sobre a minha cabeça e, sem me importar com isso, vou subindo na direção da casa.

     Foi o vento na minha nuca ou foi de pura saudade que me veio este tremor? Lá está a varanda grande, cingida de trepadeiras. Minha mãe me segurava pela mão e falava, mas o alvoroço das moças era mais alto que a sua voz. Uma delas (quem seria?) apaixonou-se por meus cabelos louros e, naquela tarde em que aqui estive, penteou-me tantas vezes!

     Quando minha mãe abaixou-se para me beijar e partir, quase chorei na frente das moças. Depois esqueci. Elas brincaram comigo, me deram lanche, me deixaram correr no gramado.

      Olho a casa e penso que a gente que mora lá embaixo, na ladeira, deve andar a inventar coisas, a dizer que ela é mal-assombrada. Triste, coitada. Triste é o que ela é.

     Sei que ninguém mais vem cá e esta roseira deve saber também, mas, sem qualquer vaidade, continua a expor as suas rosas. Quanto àquele canteiro, que as rolinhas estão ciscando, era de crisântemos, mas não se usa mais essa flor.

    O casarão está em ruínas. Nada mais dá ideia de abandono do que esta janela de vidros quebrados ou aquela fonte sem repuxo. Já não há os crisântemos de outrora, a fonte, as moças na varanda, seu riso.

      Tudo é silêncio, tudo é quietude. Somente os pássaros. Os pássaros e as lembranças.

     Pela tarde, à hora do crepúsculo (hoje todos os crepúsculos terminam aqui) minha mãe veio me buscar. Quase a vejo caminhando, a sorrir para mim. Tão moça e tão linda (conta-se que, no seu tempo, foi a mais bonita aluna do Colégio Sion), ela me acenava com um embrulho na mão; o presente que prometera, caso me comportasse bem.

      A alegria que senti ao revê-la! Lembro-me que corri em sua direção e tão afoito, que caí de peito na relva, como um mergulho. O pão com geleia que uma das moças me dera caiu também e lá ficou esquecido.

   Não chorei. Contive as lágrimas como contenho agora, enquanto vou descendo pelo mesmo caminho. Vou devagar, porém. Já não há nem a pressa, nem a alegria de então.


Sérgio Porto, in Antologia Escolar de Crônicas
Quanto à separação silábica, marque a opção correta: 
Alternativas
Q4330819 Não definido
Memórias da Casa Velha


        Vou subindo a ladeira calçada de pedras velhas irregulares e escorregadias, ladeada de casas velhas, de paredes desbotadas. Tudo é silêncio e, não fosse aquela mulher, também velha e desbotada, que me espia triste do alto de uma janela, diria que ninguém mora mais aqui, que todos se foram, que muitos morreram e que outros se mudaram.

    Quando chego à última curva, a respiração se faz difícil pelo esforço da subida, mas sinto-me recompensado ao avistar o grande portão aberto em arco. Reconheço-o facilmente, embora suas grades estejam enferrujadas e não brancas, como antigamente.

      Até há pouco chovia. Agora um sol alegre ilumina a copa das árvores, vence a folhagem e espeta seus raios na relva. Mesmo assim, quando entro, sinto a terra úmida debaixo dos meus sapatos.

     Há quantos anos entrei por esta mesma alameda? Vinte, vinte e cinco? Talvez. Lembro-me que ficara impressionado com a majestade do jardim. Seria ele mais belo então? Mais tratado era, por certo. Agora, abandonado, tudo aquilo que perdeu em simetria, em colorido, ganhou em placidez, em santidade. Sim, penso que estou a entrar numa catedral vazia, enquanto caminho devagar, olhando em torno.

     Antes havia marrecos neste laguinho: agora, folhas mortas boiam, sem pressa de chegar à outra margem. Aliás, não eram somente marrecos. Lembro-me de dois cisnes a me olharem espantados, sem compreenderem que aquele menino também os via pela primeira vez. 

   "Um dia um cisne morrerá, por certo‖ quando li o soneto de Salusse, numa antologia de parnasianos, lembreime imediatamente do casal de cisnes que vivia neste lago.

      Se o cisne vivo nunca mais nadou, não sei. Sei que os bichos se foram todos. Apenas os pássaros continuam a usufruir deste jardim. Ouço o chilrear de centenas deles sobre a minha cabeça e, sem me importar com isso, vou subindo na direção da casa.

     Foi o vento na minha nuca ou foi de pura saudade que me veio este tremor? Lá está a varanda grande, cingida de trepadeiras. Minha mãe me segurava pela mão e falava, mas o alvoroço das moças era mais alto que a sua voz. Uma delas (quem seria?) apaixonou-se por meus cabelos louros e, naquela tarde em que aqui estive, penteou-me tantas vezes!

     Quando minha mãe abaixou-se para me beijar e partir, quase chorei na frente das moças. Depois esqueci. Elas brincaram comigo, me deram lanche, me deixaram correr no gramado.

      Olho a casa e penso que a gente que mora lá embaixo, na ladeira, deve andar a inventar coisas, a dizer que ela é mal-assombrada. Triste, coitada. Triste é o que ela é.

     Sei que ninguém mais vem cá e esta roseira deve saber também, mas, sem qualquer vaidade, continua a expor as suas rosas. Quanto àquele canteiro, que as rolinhas estão ciscando, era de crisântemos, mas não se usa mais essa flor.

    O casarão está em ruínas. Nada mais dá ideia de abandono do que esta janela de vidros quebrados ou aquela fonte sem repuxo. Já não há os crisântemos de outrora, a fonte, as moças na varanda, seu riso.

      Tudo é silêncio, tudo é quietude. Somente os pássaros. Os pássaros e as lembranças.

     Pela tarde, à hora do crepúsculo (hoje todos os crepúsculos terminam aqui) minha mãe veio me buscar. Quase a vejo caminhando, a sorrir para mim. Tão moça e tão linda (conta-se que, no seu tempo, foi a mais bonita aluna do Colégio Sion), ela me acenava com um embrulho na mão; o presente que prometera, caso me comportasse bem.

      A alegria que senti ao revê-la! Lembro-me que corri em sua direção e tão afoito, que caí de peito na relva, como um mergulho. O pão com geleia que uma das moças me dera caiu também e lá ficou esquecido.

   Não chorei. Contive as lágrimas como contenho agora, enquanto vou descendo pelo mesmo caminho. Vou devagar, porém. Já não há nem a pressa, nem a alegria de então.


Sérgio Porto, in Antologia Escolar de Crônicas
As aspas empregadas na passagem “Um dia um cisne morrerá, por certo” (6º parágrafo) justificam-se, pois:
Alternativas
Q4330820 Não definido
Memórias da Casa Velha


        Vou subindo a ladeira calçada de pedras velhas irregulares e escorregadias, ladeada de casas velhas, de paredes desbotadas. Tudo é silêncio e, não fosse aquela mulher, também velha e desbotada, que me espia triste do alto de uma janela, diria que ninguém mora mais aqui, que todos se foram, que muitos morreram e que outros se mudaram.

    Quando chego à última curva, a respiração se faz difícil pelo esforço da subida, mas sinto-me recompensado ao avistar o grande portão aberto em arco. Reconheço-o facilmente, embora suas grades estejam enferrujadas e não brancas, como antigamente.

      Até há pouco chovia. Agora um sol alegre ilumina a copa das árvores, vence a folhagem e espeta seus raios na relva. Mesmo assim, quando entro, sinto a terra úmida debaixo dos meus sapatos.

     Há quantos anos entrei por esta mesma alameda? Vinte, vinte e cinco? Talvez. Lembro-me que ficara impressionado com a majestade do jardim. Seria ele mais belo então? Mais tratado era, por certo. Agora, abandonado, tudo aquilo que perdeu em simetria, em colorido, ganhou em placidez, em santidade. Sim, penso que estou a entrar numa catedral vazia, enquanto caminho devagar, olhando em torno.

     Antes havia marrecos neste laguinho: agora, folhas mortas boiam, sem pressa de chegar à outra margem. Aliás, não eram somente marrecos. Lembro-me de dois cisnes a me olharem espantados, sem compreenderem que aquele menino também os via pela primeira vez. 

   "Um dia um cisne morrerá, por certo‖ quando li o soneto de Salusse, numa antologia de parnasianos, lembreime imediatamente do casal de cisnes que vivia neste lago.

      Se o cisne vivo nunca mais nadou, não sei. Sei que os bichos se foram todos. Apenas os pássaros continuam a usufruir deste jardim. Ouço o chilrear de centenas deles sobre a minha cabeça e, sem me importar com isso, vou subindo na direção da casa.

     Foi o vento na minha nuca ou foi de pura saudade que me veio este tremor? Lá está a varanda grande, cingida de trepadeiras. Minha mãe me segurava pela mão e falava, mas o alvoroço das moças era mais alto que a sua voz. Uma delas (quem seria?) apaixonou-se por meus cabelos louros e, naquela tarde em que aqui estive, penteou-me tantas vezes!

     Quando minha mãe abaixou-se para me beijar e partir, quase chorei na frente das moças. Depois esqueci. Elas brincaram comigo, me deram lanche, me deixaram correr no gramado.

      Olho a casa e penso que a gente que mora lá embaixo, na ladeira, deve andar a inventar coisas, a dizer que ela é mal-assombrada. Triste, coitada. Triste é o que ela é.

     Sei que ninguém mais vem cá e esta roseira deve saber também, mas, sem qualquer vaidade, continua a expor as suas rosas. Quanto àquele canteiro, que as rolinhas estão ciscando, era de crisântemos, mas não se usa mais essa flor.

    O casarão está em ruínas. Nada mais dá ideia de abandono do que esta janela de vidros quebrados ou aquela fonte sem repuxo. Já não há os crisântemos de outrora, a fonte, as moças na varanda, seu riso.

      Tudo é silêncio, tudo é quietude. Somente os pássaros. Os pássaros e as lembranças.

     Pela tarde, à hora do crepúsculo (hoje todos os crepúsculos terminam aqui) minha mãe veio me buscar. Quase a vejo caminhando, a sorrir para mim. Tão moça e tão linda (conta-se que, no seu tempo, foi a mais bonita aluna do Colégio Sion), ela me acenava com um embrulho na mão; o presente que prometera, caso me comportasse bem.

      A alegria que senti ao revê-la! Lembro-me que corri em sua direção e tão afoito, que caí de peito na relva, como um mergulho. O pão com geleia que uma das moças me dera caiu também e lá ficou esquecido.

   Não chorei. Contive as lágrimas como contenho agora, enquanto vou descendo pelo mesmo caminho. Vou devagar, porém. Já não há nem a pressa, nem a alegria de então.


Sérgio Porto, in Antologia Escolar de Crônicas
Assinale a alternativa em o vocábulo é proparoxítono:
Alternativas
Q4330821 Não definido
Memórias da Casa Velha


        Vou subindo a ladeira calçada de pedras velhas irregulares e escorregadias, ladeada de casas velhas, de paredes desbotadas. Tudo é silêncio e, não fosse aquela mulher, também velha e desbotada, que me espia triste do alto de uma janela, diria que ninguém mora mais aqui, que todos se foram, que muitos morreram e que outros se mudaram.

    Quando chego à última curva, a respiração se faz difícil pelo esforço da subida, mas sinto-me recompensado ao avistar o grande portão aberto em arco. Reconheço-o facilmente, embora suas grades estejam enferrujadas e não brancas, como antigamente.

      Até há pouco chovia. Agora um sol alegre ilumina a copa das árvores, vence a folhagem e espeta seus raios na relva. Mesmo assim, quando entro, sinto a terra úmida debaixo dos meus sapatos.

     Há quantos anos entrei por esta mesma alameda? Vinte, vinte e cinco? Talvez. Lembro-me que ficara impressionado com a majestade do jardim. Seria ele mais belo então? Mais tratado era, por certo. Agora, abandonado, tudo aquilo que perdeu em simetria, em colorido, ganhou em placidez, em santidade. Sim, penso que estou a entrar numa catedral vazia, enquanto caminho devagar, olhando em torno.

     Antes havia marrecos neste laguinho: agora, folhas mortas boiam, sem pressa de chegar à outra margem. Aliás, não eram somente marrecos. Lembro-me de dois cisnes a me olharem espantados, sem compreenderem que aquele menino também os via pela primeira vez. 

   "Um dia um cisne morrerá, por certo‖ quando li o soneto de Salusse, numa antologia de parnasianos, lembreime imediatamente do casal de cisnes que vivia neste lago.

      Se o cisne vivo nunca mais nadou, não sei. Sei que os bichos se foram todos. Apenas os pássaros continuam a usufruir deste jardim. Ouço o chilrear de centenas deles sobre a minha cabeça e, sem me importar com isso, vou subindo na direção da casa.

     Foi o vento na minha nuca ou foi de pura saudade que me veio este tremor? Lá está a varanda grande, cingida de trepadeiras. Minha mãe me segurava pela mão e falava, mas o alvoroço das moças era mais alto que a sua voz. Uma delas (quem seria?) apaixonou-se por meus cabelos louros e, naquela tarde em que aqui estive, penteou-me tantas vezes!

     Quando minha mãe abaixou-se para me beijar e partir, quase chorei na frente das moças. Depois esqueci. Elas brincaram comigo, me deram lanche, me deixaram correr no gramado.

      Olho a casa e penso que a gente que mora lá embaixo, na ladeira, deve andar a inventar coisas, a dizer que ela é mal-assombrada. Triste, coitada. Triste é o que ela é.

     Sei que ninguém mais vem cá e esta roseira deve saber também, mas, sem qualquer vaidade, continua a expor as suas rosas. Quanto àquele canteiro, que as rolinhas estão ciscando, era de crisântemos, mas não se usa mais essa flor.

    O casarão está em ruínas. Nada mais dá ideia de abandono do que esta janela de vidros quebrados ou aquela fonte sem repuxo. Já não há os crisântemos de outrora, a fonte, as moças na varanda, seu riso.

      Tudo é silêncio, tudo é quietude. Somente os pássaros. Os pássaros e as lembranças.

     Pela tarde, à hora do crepúsculo (hoje todos os crepúsculos terminam aqui) minha mãe veio me buscar. Quase a vejo caminhando, a sorrir para mim. Tão moça e tão linda (conta-se que, no seu tempo, foi a mais bonita aluna do Colégio Sion), ela me acenava com um embrulho na mão; o presente que prometera, caso me comportasse bem.

      A alegria que senti ao revê-la! Lembro-me que corri em sua direção e tão afoito, que caí de peito na relva, como um mergulho. O pão com geleia que uma das moças me dera caiu também e lá ficou esquecido.

   Não chorei. Contive as lágrimas como contenho agora, enquanto vou descendo pelo mesmo caminho. Vou devagar, porém. Já não há nem a pressa, nem a alegria de então.


Sérgio Porto, in Antologia Escolar de Crônicas
Assinale a alternativa em que o vocábulo apresenta o mesmo som do /x/ que na palavra “expor”: 
Alternativas
Q4330822 Não definido
Memórias da Casa Velha


        Vou subindo a ladeira calçada de pedras velhas irregulares e escorregadias, ladeada de casas velhas, de paredes desbotadas. Tudo é silêncio e, não fosse aquela mulher, também velha e desbotada, que me espia triste do alto de uma janela, diria que ninguém mora mais aqui, que todos se foram, que muitos morreram e que outros se mudaram.

    Quando chego à última curva, a respiração se faz difícil pelo esforço da subida, mas sinto-me recompensado ao avistar o grande portão aberto em arco. Reconheço-o facilmente, embora suas grades estejam enferrujadas e não brancas, como antigamente.

      Até há pouco chovia. Agora um sol alegre ilumina a copa das árvores, vence a folhagem e espeta seus raios na relva. Mesmo assim, quando entro, sinto a terra úmida debaixo dos meus sapatos.

     Há quantos anos entrei por esta mesma alameda? Vinte, vinte e cinco? Talvez. Lembro-me que ficara impressionado com a majestade do jardim. Seria ele mais belo então? Mais tratado era, por certo. Agora, abandonado, tudo aquilo que perdeu em simetria, em colorido, ganhou em placidez, em santidade. Sim, penso que estou a entrar numa catedral vazia, enquanto caminho devagar, olhando em torno.

     Antes havia marrecos neste laguinho: agora, folhas mortas boiam, sem pressa de chegar à outra margem. Aliás, não eram somente marrecos. Lembro-me de dois cisnes a me olharem espantados, sem compreenderem que aquele menino também os via pela primeira vez. 

   "Um dia um cisne morrerá, por certo‖ quando li o soneto de Salusse, numa antologia de parnasianos, lembreime imediatamente do casal de cisnes que vivia neste lago.

      Se o cisne vivo nunca mais nadou, não sei. Sei que os bichos se foram todos. Apenas os pássaros continuam a usufruir deste jardim. Ouço o chilrear de centenas deles sobre a minha cabeça e, sem me importar com isso, vou subindo na direção da casa.

     Foi o vento na minha nuca ou foi de pura saudade que me veio este tremor? Lá está a varanda grande, cingida de trepadeiras. Minha mãe me segurava pela mão e falava, mas o alvoroço das moças era mais alto que a sua voz. Uma delas (quem seria?) apaixonou-se por meus cabelos louros e, naquela tarde em que aqui estive, penteou-me tantas vezes!

     Quando minha mãe abaixou-se para me beijar e partir, quase chorei na frente das moças. Depois esqueci. Elas brincaram comigo, me deram lanche, me deixaram correr no gramado.

      Olho a casa e penso que a gente que mora lá embaixo, na ladeira, deve andar a inventar coisas, a dizer que ela é mal-assombrada. Triste, coitada. Triste é o que ela é.

     Sei que ninguém mais vem cá e esta roseira deve saber também, mas, sem qualquer vaidade, continua a expor as suas rosas. Quanto àquele canteiro, que as rolinhas estão ciscando, era de crisântemos, mas não se usa mais essa flor.

    O casarão está em ruínas. Nada mais dá ideia de abandono do que esta janela de vidros quebrados ou aquela fonte sem repuxo. Já não há os crisântemos de outrora, a fonte, as moças na varanda, seu riso.

      Tudo é silêncio, tudo é quietude. Somente os pássaros. Os pássaros e as lembranças.

     Pela tarde, à hora do crepúsculo (hoje todos os crepúsculos terminam aqui) minha mãe veio me buscar. Quase a vejo caminhando, a sorrir para mim. Tão moça e tão linda (conta-se que, no seu tempo, foi a mais bonita aluna do Colégio Sion), ela me acenava com um embrulho na mão; o presente que prometera, caso me comportasse bem.

      A alegria que senti ao revê-la! Lembro-me que corri em sua direção e tão afoito, que caí de peito na relva, como um mergulho. O pão com geleia que uma das moças me dera caiu também e lá ficou esquecido.

   Não chorei. Contive as lágrimas como contenho agora, enquanto vou descendo pelo mesmo caminho. Vou devagar, porém. Já não há nem a pressa, nem a alegria de então.


Sérgio Porto, in Antologia Escolar de Crônicas
Assinale a opção em que há vocábulo corretamente grafado:
Alternativas
Q4330823 Não definido
Memórias da Casa Velha


        Vou subindo a ladeira calçada de pedras velhas irregulares e escorregadias, ladeada de casas velhas, de paredes desbotadas. Tudo é silêncio e, não fosse aquela mulher, também velha e desbotada, que me espia triste do alto de uma janela, diria que ninguém mora mais aqui, que todos se foram, que muitos morreram e que outros se mudaram.

    Quando chego à última curva, a respiração se faz difícil pelo esforço da subida, mas sinto-me recompensado ao avistar o grande portão aberto em arco. Reconheço-o facilmente, embora suas grades estejam enferrujadas e não brancas, como antigamente.

      Até há pouco chovia. Agora um sol alegre ilumina a copa das árvores, vence a folhagem e espeta seus raios na relva. Mesmo assim, quando entro, sinto a terra úmida debaixo dos meus sapatos.

     Há quantos anos entrei por esta mesma alameda? Vinte, vinte e cinco? Talvez. Lembro-me que ficara impressionado com a majestade do jardim. Seria ele mais belo então? Mais tratado era, por certo. Agora, abandonado, tudo aquilo que perdeu em simetria, em colorido, ganhou em placidez, em santidade. Sim, penso que estou a entrar numa catedral vazia, enquanto caminho devagar, olhando em torno.

     Antes havia marrecos neste laguinho: agora, folhas mortas boiam, sem pressa de chegar à outra margem. Aliás, não eram somente marrecos. Lembro-me de dois cisnes a me olharem espantados, sem compreenderem que aquele menino também os via pela primeira vez. 

   "Um dia um cisne morrerá, por certo‖ quando li o soneto de Salusse, numa antologia de parnasianos, lembreime imediatamente do casal de cisnes que vivia neste lago.

      Se o cisne vivo nunca mais nadou, não sei. Sei que os bichos se foram todos. Apenas os pássaros continuam a usufruir deste jardim. Ouço o chilrear de centenas deles sobre a minha cabeça e, sem me importar com isso, vou subindo na direção da casa.

     Foi o vento na minha nuca ou foi de pura saudade que me veio este tremor? Lá está a varanda grande, cingida de trepadeiras. Minha mãe me segurava pela mão e falava, mas o alvoroço das moças era mais alto que a sua voz. Uma delas (quem seria?) apaixonou-se por meus cabelos louros e, naquela tarde em que aqui estive, penteou-me tantas vezes!

     Quando minha mãe abaixou-se para me beijar e partir, quase chorei na frente das moças. Depois esqueci. Elas brincaram comigo, me deram lanche, me deixaram correr no gramado.

      Olho a casa e penso que a gente que mora lá embaixo, na ladeira, deve andar a inventar coisas, a dizer que ela é mal-assombrada. Triste, coitada. Triste é o que ela é.

     Sei que ninguém mais vem cá e esta roseira deve saber também, mas, sem qualquer vaidade, continua a expor as suas rosas. Quanto àquele canteiro, que as rolinhas estão ciscando, era de crisântemos, mas não se usa mais essa flor.

    O casarão está em ruínas. Nada mais dá ideia de abandono do que esta janela de vidros quebrados ou aquela fonte sem repuxo. Já não há os crisântemos de outrora, a fonte, as moças na varanda, seu riso.

      Tudo é silêncio, tudo é quietude. Somente os pássaros. Os pássaros e as lembranças.

     Pela tarde, à hora do crepúsculo (hoje todos os crepúsculos terminam aqui) minha mãe veio me buscar. Quase a vejo caminhando, a sorrir para mim. Tão moça e tão linda (conta-se que, no seu tempo, foi a mais bonita aluna do Colégio Sion), ela me acenava com um embrulho na mão; o presente que prometera, caso me comportasse bem.

      A alegria que senti ao revê-la! Lembro-me que corri em sua direção e tão afoito, que caí de peito na relva, como um mergulho. O pão com geleia que uma das moças me dera caiu também e lá ficou esquecido.

   Não chorei. Contive as lágrimas como contenho agora, enquanto vou descendo pelo mesmo caminho. Vou devagar, porém. Já não há nem a pressa, nem a alegria de então.


Sérgio Porto, in Antologia Escolar de Crônicas
 Das opções abaixo, assinale aquela que apresenta termo destacado classificado INCORRETAMENTE: 
Alternativas
Q4330825 Não definido
Maria tinha uma quantidade de bombons. Comeu um e deu metade do que sobrou para Ana. Comeu mais um e deu metade do que restou para João. Maria ficou ainda com quatro bombons. Quantos bombons ela tinta inicialmente?
Alternativas
Q4330827 Não definido
Se pelo menos um X é Y e todo Y é Z, então:
Alternativas
Q4330828 Não definido

Com relação à Lei Orgânica do Município de Serraria-PB, responda á questão.

Marque a alternativa CORRETA

   Ao Município de Serraria-PB compete prover a tudo quanto diga respeito ao seu peculiar interesse e ao bem-estar de sua população, cabendo-lhe privativamente, dentre outras, as seguintes atribuições: 
Alternativas
Q4330829 Não definido

Com relação à Lei Orgânica do Município de Serraria-PB, responda á questão.

Julgue as questões abaixo e marque a alternativa correta

    Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondose ao Poder Público Municipal e a coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para presentes e futuras gerações.

      Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público Municipal de Serraria-PB:

I- controlar a produção comercialização e ao emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;
II- preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;
III - proteger a fauna e a flora, vedadas na forma da lei as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoque a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade.

Está(ão) correta(s)
Alternativas
Q4330830 Não definido

Considere a charge abaixo


Imagem associada para resolução da questão




Com relação ao Analfabetismo no Brasil é correto afirmar:

Alternativas
Q4330831 Não definido
Marque a alternativa CORRETA
Apelidada de superministério, mediante a fusão dos ministérios da Fazenda, do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, da Indústria, Comércio Exterior e Serviços e parte do Ministério do Trabalho como políticas de emprego, foi anunciado pelo então presidente eleito Jair Bolsonaro como Titular do Ministério da Economia do Brasil. Esse Ministro é:
Alternativas
Respostas
1: B
2: E
3: A
4: B
5: A
6: D
7: D
8: A
9: B
10: C
11: A
12: A
13: C
14: D
15: B
16: E
17: D
18: E
19: A
20: B