Questões de Concurso Público SAAE de Indaiatuba - SP 2026 para Engenheiro Civil - Fiscalização e Obras

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Q4352262 Português
Elisa

Eu amo os que me amam; e os que vigiam desde a manhã,
por me buscarem, achar-me-ão.
(Provérbios, VIII, 17.)

    Uma tarde – estávamos nos primeiros dias de abril – ela chegou à nossa casa. Empurrou com naturalidade o portão que vedava o acesso ao pequeno jardim, como se obedecesse a hábito antigo. Do alpendre, onde me encontrava, escapou-me uma observação desnecessária:
    – E se tivéssemos um cachorro?
  – Não me atemorizam os cães – retrucou aborrecida.
     Com alguma dificuldade (devia ser pesada a mala que carregava), subiu a escada. Antes de entrar pela porta principal, voltou-se:
  – Nem os homens tampouco.
    Surpreso por vê-la adivinhar meu pensamento, apressei-me em desfazer a situação cada vez mais embaraçosa:
    – Hoje o tempo está ruim. Se continuar assim...
    Interrompi a série de bobagens que me ocorria e, encabulado, procurei evitar o seu olhar repreensivo.
  Sorriu levemente, enquanto eu, nervoso, torcia as mãos.
    Logo a desconhecida se adaptou aos nossos hábitos. Raramente saía e nunca aparecia à janela.
    Talvez não tivesse reparado no primeiro momento em sua beleza. Bela, mesmo no desencanto, no seu meio sorriso. Alta, a pele clara, de um branco pálido, quase transparente, e uma magreza que acusava profundo abatimento. Os olhos eram castanhos, mas não desejo falar deles. Jamais me abandonaram.
    Cedo começou a engordar, a ganhar cores e, no rosto, já estampava uma alegria tranquila.
    Não nos disse o nome, de onde viera e que acontecimentos lhe abalaram a vida. Respeitávamos, entretanto, o seu segredo. Para nós era ela, simplesmente ela. Alguém que necessitava de nossos cuidados, do nosso carinho.
    Aceitei os seus longos silêncios, as suas repentinas perguntas. Uma noite, sem que eu esperasse, interrogou-me:
    – Já amou alguma vez?
    Por ser negativa a resposta, deixou transparecer a decepção. Pouco depois, abandonava a sala, sem nada acrescentar ao que dissera. Na manhã seguinte, encontramos vazio o seu quarto.
    Todos os dias, mal começava a cair a tarde, eu ia para o alpendre, à espera de que ela surgisse a qualquer momento na esquina. Minha irmã Cordélia desaprovava-me:
    - É inútil, ela não voltará. Se você estivesse menos apaixonado, não teria tanta esperança.
    Um ano após a sua fuga – estávamos novamente em abril – a vi aparecer no portão. Trazia mais triste a fisionomia, maiores as olheiras. Dos meus olhos, que se puseram alegres ao vê-la, desprendeu-se uma lágrima, e disse, esforçando-me para lhe tornar cordial a recepção:
     – Cuidado, agora temos uma cadelinha.
    – Mas o dono dela ainda é manso, não? Ou se tornou feroz na minha ausência? Estendi-lhe as mãos, que ela segurou por algum tempo. E, sem conter a minha ansiedade, indaguei:
    – Por onde andou? O que fez esse tempo todo? – Andei por aí e nada fiz. Talvez amasse um pouco – concluiu, sacudindo a cabeça com tristeza.
    A sua vida entre nós retomou o ritmo da outra vez. Mas eu estava intranquilo. Cordélia olhava-me penalizada, insinuava que eu não deveria ocultar mais a minha paixão.
     Faltava-me, contudo, a coragem e adiava a minha primeira declaração de amor.
    Meses depois, Elisa – sim, ela nos disse o nome – partiu de novo.
   E como lhe ficasse sabendo o nome, sugeri à minha irmã que mudássemos de residência. Cordélia, apegada ao extremo à nossa casa, nada objetou. Limitou-se a perguntar:
    – E Elisa? Como poderá encontrar-nos ao regressar?
    Refreei a custo a angústia e repeti completamente idiotizado:     
    – Sim, como poderá?

(RUBIÃO, M. Obra completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 161-163.)
No desfecho do conto, logo após descobrir o nome da personagem, o narrador sugere à sua irmã que mudem de residência. Considerando a dinâmica entre a passividade do narrador e a natureza cíclica da narrativa, essa proposta de mudança revela: 
Alternativas
Q4352263 Português
Elisa

Eu amo os que me amam; e os que vigiam desde a manhã,
por me buscarem, achar-me-ão.
(Provérbios, VIII, 17.)

    Uma tarde – estávamos nos primeiros dias de abril – ela chegou à nossa casa. Empurrou com naturalidade o portão que vedava o acesso ao pequeno jardim, como se obedecesse a hábito antigo. Do alpendre, onde me encontrava, escapou-me uma observação desnecessária:
    – E se tivéssemos um cachorro?
  – Não me atemorizam os cães – retrucou aborrecida.
     Com alguma dificuldade (devia ser pesada a mala que carregava), subiu a escada. Antes de entrar pela porta principal, voltou-se:
  – Nem os homens tampouco.
    Surpreso por vê-la adivinhar meu pensamento, apressei-me em desfazer a situação cada vez mais embaraçosa:
    – Hoje o tempo está ruim. Se continuar assim...
    Interrompi a série de bobagens que me ocorria e, encabulado, procurei evitar o seu olhar repreensivo.
  Sorriu levemente, enquanto eu, nervoso, torcia as mãos.
    Logo a desconhecida se adaptou aos nossos hábitos. Raramente saía e nunca aparecia à janela.
    Talvez não tivesse reparado no primeiro momento em sua beleza. Bela, mesmo no desencanto, no seu meio sorriso. Alta, a pele clara, de um branco pálido, quase transparente, e uma magreza que acusava profundo abatimento. Os olhos eram castanhos, mas não desejo falar deles. Jamais me abandonaram.
    Cedo começou a engordar, a ganhar cores e, no rosto, já estampava uma alegria tranquila.
    Não nos disse o nome, de onde viera e que acontecimentos lhe abalaram a vida. Respeitávamos, entretanto, o seu segredo. Para nós era ela, simplesmente ela. Alguém que necessitava de nossos cuidados, do nosso carinho.
    Aceitei os seus longos silêncios, as suas repentinas perguntas. Uma noite, sem que eu esperasse, interrogou-me:
    – Já amou alguma vez?
    Por ser negativa a resposta, deixou transparecer a decepção. Pouco depois, abandonava a sala, sem nada acrescentar ao que dissera. Na manhã seguinte, encontramos vazio o seu quarto.
    Todos os dias, mal começava a cair a tarde, eu ia para o alpendre, à espera de que ela surgisse a qualquer momento na esquina. Minha irmã Cordélia desaprovava-me:
    - É inútil, ela não voltará. Se você estivesse menos apaixonado, não teria tanta esperança.
    Um ano após a sua fuga – estávamos novamente em abril – a vi aparecer no portão. Trazia mais triste a fisionomia, maiores as olheiras. Dos meus olhos, que se puseram alegres ao vê-la, desprendeu-se uma lágrima, e disse, esforçando-me para lhe tornar cordial a recepção:
     – Cuidado, agora temos uma cadelinha.
    – Mas o dono dela ainda é manso, não? Ou se tornou feroz na minha ausência? Estendi-lhe as mãos, que ela segurou por algum tempo. E, sem conter a minha ansiedade, indaguei:
    – Por onde andou? O que fez esse tempo todo? – Andei por aí e nada fiz. Talvez amasse um pouco – concluiu, sacudindo a cabeça com tristeza.
    A sua vida entre nós retomou o ritmo da outra vez. Mas eu estava intranquilo. Cordélia olhava-me penalizada, insinuava que eu não deveria ocultar mais a minha paixão.
     Faltava-me, contudo, a coragem e adiava a minha primeira declaração de amor.
    Meses depois, Elisa – sim, ela nos disse o nome – partiu de novo.
   E como lhe ficasse sabendo o nome, sugeri à minha irmã que mudássemos de residência. Cordélia, apegada ao extremo à nossa casa, nada objetou. Limitou-se a perguntar:
    – E Elisa? Como poderá encontrar-nos ao regressar?
    Refreei a custo a angústia e repeti completamente idiotizado:     
    – Sim, como poderá?

(RUBIÃO, M. Obra completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 161-163.)
De acordo com as ideias textuais, analise as afirmativas a seguir.
I. O conto simboliza a condição humana de eterna espera, sugerindo que o homem é definido pelo que busca e pelo que não tem coragem de possuir.
II. Elisa representa o mistério e a transitoriedade da vida, chegando de maneira inesperada e partindo quando as coisas se estabilizam.
III. O narrador demonstra um amadurecimento emocional ao longo das sucessivas visitas de Elisa, culminando na decisão de mudar de residência como uma estratégia consciente para romper sua paralisia.
IV. Cordélia exprime uma visão racionalista do mundo ao questionar por que o narrador não se declara e a eficácia da mudança de casa.
Está correto o que se afirma apenas em 
Alternativas
Q4352264 Português
Elisa

Eu amo os que me amam; e os que vigiam desde a manhã,
por me buscarem, achar-me-ão.
(Provérbios, VIII, 17.)

    Uma tarde – estávamos nos primeiros dias de abril – ela chegou à nossa casa. Empurrou com naturalidade o portão que vedava o acesso ao pequeno jardim, como se obedecesse a hábito antigo. Do alpendre, onde me encontrava, escapou-me uma observação desnecessária:
    – E se tivéssemos um cachorro?
  – Não me atemorizam os cães – retrucou aborrecida.
     Com alguma dificuldade (devia ser pesada a mala que carregava), subiu a escada. Antes de entrar pela porta principal, voltou-se:
  – Nem os homens tampouco.
    Surpreso por vê-la adivinhar meu pensamento, apressei-me em desfazer a situação cada vez mais embaraçosa:
    – Hoje o tempo está ruim. Se continuar assim...
    Interrompi a série de bobagens que me ocorria e, encabulado, procurei evitar o seu olhar repreensivo.
  Sorriu levemente, enquanto eu, nervoso, torcia as mãos.
    Logo a desconhecida se adaptou aos nossos hábitos. Raramente saía e nunca aparecia à janela.
    Talvez não tivesse reparado no primeiro momento em sua beleza. Bela, mesmo no desencanto, no seu meio sorriso. Alta, a pele clara, de um branco pálido, quase transparente, e uma magreza que acusava profundo abatimento. Os olhos eram castanhos, mas não desejo falar deles. Jamais me abandonaram.
    Cedo começou a engordar, a ganhar cores e, no rosto, já estampava uma alegria tranquila.
    Não nos disse o nome, de onde viera e que acontecimentos lhe abalaram a vida. Respeitávamos, entretanto, o seu segredo. Para nós era ela, simplesmente ela. Alguém que necessitava de nossos cuidados, do nosso carinho.
    Aceitei os seus longos silêncios, as suas repentinas perguntas. Uma noite, sem que eu esperasse, interrogou-me:
    – Já amou alguma vez?
    Por ser negativa a resposta, deixou transparecer a decepção. Pouco depois, abandonava a sala, sem nada acrescentar ao que dissera. Na manhã seguinte, encontramos vazio o seu quarto.
    Todos os dias, mal começava a cair a tarde, eu ia para o alpendre, à espera de que ela surgisse a qualquer momento na esquina. Minha irmã Cordélia desaprovava-me:
    - É inútil, ela não voltará. Se você estivesse menos apaixonado, não teria tanta esperança.
    Um ano após a sua fuga – estávamos novamente em abril – a vi aparecer no portão. Trazia mais triste a fisionomia, maiores as olheiras. Dos meus olhos, que se puseram alegres ao vê-la, desprendeu-se uma lágrima, e disse, esforçando-me para lhe tornar cordial a recepção:
     – Cuidado, agora temos uma cadelinha.
    – Mas o dono dela ainda é manso, não? Ou se tornou feroz na minha ausência? Estendi-lhe as mãos, que ela segurou por algum tempo. E, sem conter a minha ansiedade, indaguei:
    – Por onde andou? O que fez esse tempo todo? – Andei por aí e nada fiz. Talvez amasse um pouco – concluiu, sacudindo a cabeça com tristeza.
    A sua vida entre nós retomou o ritmo da outra vez. Mas eu estava intranquilo. Cordélia olhava-me penalizada, insinuava que eu não deveria ocultar mais a minha paixão.
     Faltava-me, contudo, a coragem e adiava a minha primeira declaração de amor.
    Meses depois, Elisa – sim, ela nos disse o nome – partiu de novo.
   E como lhe ficasse sabendo o nome, sugeri à minha irmã que mudássemos de residência. Cordélia, apegada ao extremo à nossa casa, nada objetou. Limitou-se a perguntar:
    – E Elisa? Como poderá encontrar-nos ao regressar?
    Refreei a custo a angústia e repeti completamente idiotizado:     
    – Sim, como poderá?

(RUBIÃO, M. Obra completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 161-163.)
Assinale a alternativa que classifica a oração destacada corretamente.
Alternativas
Q4352265 Português
Elisa

Eu amo os que me amam; e os que vigiam desde a manhã,
por me buscarem, achar-me-ão.
(Provérbios, VIII, 17.)

    Uma tarde – estávamos nos primeiros dias de abril – ela chegou à nossa casa. Empurrou com naturalidade o portão que vedava o acesso ao pequeno jardim, como se obedecesse a hábito antigo. Do alpendre, onde me encontrava, escapou-me uma observação desnecessária:
    – E se tivéssemos um cachorro?
  – Não me atemorizam os cães – retrucou aborrecida.
     Com alguma dificuldade (devia ser pesada a mala que carregava), subiu a escada. Antes de entrar pela porta principal, voltou-se:
  – Nem os homens tampouco.
    Surpreso por vê-la adivinhar meu pensamento, apressei-me em desfazer a situação cada vez mais embaraçosa:
    – Hoje o tempo está ruim. Se continuar assim...
    Interrompi a série de bobagens que me ocorria e, encabulado, procurei evitar o seu olhar repreensivo.
  Sorriu levemente, enquanto eu, nervoso, torcia as mãos.
    Logo a desconhecida se adaptou aos nossos hábitos. Raramente saía e nunca aparecia à janela.
    Talvez não tivesse reparado no primeiro momento em sua beleza. Bela, mesmo no desencanto, no seu meio sorriso. Alta, a pele clara, de um branco pálido, quase transparente, e uma magreza que acusava profundo abatimento. Os olhos eram castanhos, mas não desejo falar deles. Jamais me abandonaram.
    Cedo começou a engordar, a ganhar cores e, no rosto, já estampava uma alegria tranquila.
    Não nos disse o nome, de onde viera e que acontecimentos lhe abalaram a vida. Respeitávamos, entretanto, o seu segredo. Para nós era ela, simplesmente ela. Alguém que necessitava de nossos cuidados, do nosso carinho.
    Aceitei os seus longos silêncios, as suas repentinas perguntas. Uma noite, sem que eu esperasse, interrogou-me:
    – Já amou alguma vez?
    Por ser negativa a resposta, deixou transparecer a decepção. Pouco depois, abandonava a sala, sem nada acrescentar ao que dissera. Na manhã seguinte, encontramos vazio o seu quarto.
    Todos os dias, mal começava a cair a tarde, eu ia para o alpendre, à espera de que ela surgisse a qualquer momento na esquina. Minha irmã Cordélia desaprovava-me:
    - É inútil, ela não voltará. Se você estivesse menos apaixonado, não teria tanta esperança.
    Um ano após a sua fuga – estávamos novamente em abril – a vi aparecer no portão. Trazia mais triste a fisionomia, maiores as olheiras. Dos meus olhos, que se puseram alegres ao vê-la, desprendeu-se uma lágrima, e disse, esforçando-me para lhe tornar cordial a recepção:
     – Cuidado, agora temos uma cadelinha.
    – Mas o dono dela ainda é manso, não? Ou se tornou feroz na minha ausência? Estendi-lhe as mãos, que ela segurou por algum tempo. E, sem conter a minha ansiedade, indaguei:
    – Por onde andou? O que fez esse tempo todo? – Andei por aí e nada fiz. Talvez amasse um pouco – concluiu, sacudindo a cabeça com tristeza.
    A sua vida entre nós retomou o ritmo da outra vez. Mas eu estava intranquilo. Cordélia olhava-me penalizada, insinuava que eu não deveria ocultar mais a minha paixão.
     Faltava-me, contudo, a coragem e adiava a minha primeira declaração de amor.
    Meses depois, Elisa – sim, ela nos disse o nome – partiu de novo.
   E como lhe ficasse sabendo o nome, sugeri à minha irmã que mudássemos de residência. Cordélia, apegada ao extremo à nossa casa, nada objetou. Limitou-se a perguntar:
    – E Elisa? Como poderá encontrar-nos ao regressar?
    Refreei a custo a angústia e repeti completamente idiotizado:     
    – Sim, como poderá?

(RUBIÃO, M. Obra completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 161-163.)
Sobre as ocorrências fonológicas e ortográficas no conto de Murilo Rubião, analise as afirmativas a seguir.
I. A palavra “desnecessária” (1º§) apresenta um dígrafo consonantal e um dígrafo vocálico; além disso, termina em um encontro vocálico que permite dupla interpretação silábica (ditongo crescente ou hiato).
II. Os termos “cadelinha” (20º§) e “alpendre” (1º§) possuem, cada um, apenas um dígrafo. No entanto, esses dígrafos possuem naturezas distintas.
III. Na palavra “fisionomia” (19º§), ocorrem dois hiatos, sendo a tonicidade da palavra localizada na penúltima sílaba, o que a classifica como uma paroxítona não acentuada graficamente.
IV. A palavra “inútil” (18º§) recebe acento gráfico pela mesma regra que justifica o acento em “provérbios” (epígrafe do texto), uma vez que ambas são paroxítonas terminadas em elementos que exigem a marcação da sílaba tônica.
Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Q4352266 Português
Elisa

Eu amo os que me amam; e os que vigiam desde a manhã,
por me buscarem, achar-me-ão.
(Provérbios, VIII, 17.)

    Uma tarde – estávamos nos primeiros dias de abril – ela chegou à nossa casa. Empurrou com naturalidade o portão que vedava o acesso ao pequeno jardim, como se obedecesse a hábito antigo. Do alpendre, onde me encontrava, escapou-me uma observação desnecessária:
    – E se tivéssemos um cachorro?
  – Não me atemorizam os cães – retrucou aborrecida.
     Com alguma dificuldade (devia ser pesada a mala que carregava), subiu a escada. Antes de entrar pela porta principal, voltou-se:
  – Nem os homens tampouco.
    Surpreso por vê-la adivinhar meu pensamento, apressei-me em desfazer a situação cada vez mais embaraçosa:
    – Hoje o tempo está ruim. Se continuar assim...
    Interrompi a série de bobagens que me ocorria e, encabulado, procurei evitar o seu olhar repreensivo.
  Sorriu levemente, enquanto eu, nervoso, torcia as mãos.
    Logo a desconhecida se adaptou aos nossos hábitos. Raramente saía e nunca aparecia à janela.
    Talvez não tivesse reparado no primeiro momento em sua beleza. Bela, mesmo no desencanto, no seu meio sorriso. Alta, a pele clara, de um branco pálido, quase transparente, e uma magreza que acusava profundo abatimento. Os olhos eram castanhos, mas não desejo falar deles. Jamais me abandonaram.
    Cedo começou a engordar, a ganhar cores e, no rosto, já estampava uma alegria tranquila.
    Não nos disse o nome, de onde viera e que acontecimentos lhe abalaram a vida. Respeitávamos, entretanto, o seu segredo. Para nós era ela, simplesmente ela. Alguém que necessitava de nossos cuidados, do nosso carinho.
    Aceitei os seus longos silêncios, as suas repentinas perguntas. Uma noite, sem que eu esperasse, interrogou-me:
    – Já amou alguma vez?
    Por ser negativa a resposta, deixou transparecer a decepção. Pouco depois, abandonava a sala, sem nada acrescentar ao que dissera. Na manhã seguinte, encontramos vazio o seu quarto.
    Todos os dias, mal começava a cair a tarde, eu ia para o alpendre, à espera de que ela surgisse a qualquer momento na esquina. Minha irmã Cordélia desaprovava-me:
    - É inútil, ela não voltará. Se você estivesse menos apaixonado, não teria tanta esperança.
    Um ano após a sua fuga – estávamos novamente em abril – a vi aparecer no portão. Trazia mais triste a fisionomia, maiores as olheiras. Dos meus olhos, que se puseram alegres ao vê-la, desprendeu-se uma lágrima, e disse, esforçando-me para lhe tornar cordial a recepção:
     – Cuidado, agora temos uma cadelinha.
    – Mas o dono dela ainda é manso, não? Ou se tornou feroz na minha ausência? Estendi-lhe as mãos, que ela segurou por algum tempo. E, sem conter a minha ansiedade, indaguei:
    – Por onde andou? O que fez esse tempo todo? – Andei por aí e nada fiz. Talvez amasse um pouco – concluiu, sacudindo a cabeça com tristeza.
    A sua vida entre nós retomou o ritmo da outra vez. Mas eu estava intranquilo. Cordélia olhava-me penalizada, insinuava que eu não deveria ocultar mais a minha paixão.
     Faltava-me, contudo, a coragem e adiava a minha primeira declaração de amor.
    Meses depois, Elisa – sim, ela nos disse o nome – partiu de novo.
   E como lhe ficasse sabendo o nome, sugeri à minha irmã que mudássemos de residência. Cordélia, apegada ao extremo à nossa casa, nada objetou. Limitou-se a perguntar:
    – E Elisa? Como poderá encontrar-nos ao regressar?
    Refreei a custo a angústia e repeti completamente idiotizado:     
    – Sim, como poderá?

(RUBIÃO, M. Obra completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 161-163.)
No desfecho do conto, após a segunda partida de Elisa, o narrador afirma: “Refreei a custo a angústia e repeti completamente idiotizado: – Sim, como poderá?”. Considerando a organização semântica do texto e a progressão dramática do protagonista, o emprego do adjetivo “idiotizado” cumpre a função de: 
Alternativas
Q4352267 Português
Elisa

Eu amo os que me amam; e os que vigiam desde a manhã,
por me buscarem, achar-me-ão.
(Provérbios, VIII, 17.)

    Uma tarde – estávamos nos primeiros dias de abril – ela chegou à nossa casa. Empurrou com naturalidade o portão que vedava o acesso ao pequeno jardim, como se obedecesse a hábito antigo. Do alpendre, onde me encontrava, escapou-me uma observação desnecessária:
    – E se tivéssemos um cachorro?
  – Não me atemorizam os cães – retrucou aborrecida.
     Com alguma dificuldade (devia ser pesada a mala que carregava), subiu a escada. Antes de entrar pela porta principal, voltou-se:
  – Nem os homens tampouco.
    Surpreso por vê-la adivinhar meu pensamento, apressei-me em desfazer a situação cada vez mais embaraçosa:
    – Hoje o tempo está ruim. Se continuar assim...
    Interrompi a série de bobagens que me ocorria e, encabulado, procurei evitar o seu olhar repreensivo.
  Sorriu levemente, enquanto eu, nervoso, torcia as mãos.
    Logo a desconhecida se adaptou aos nossos hábitos. Raramente saía e nunca aparecia à janela.
    Talvez não tivesse reparado no primeiro momento em sua beleza. Bela, mesmo no desencanto, no seu meio sorriso. Alta, a pele clara, de um branco pálido, quase transparente, e uma magreza que acusava profundo abatimento. Os olhos eram castanhos, mas não desejo falar deles. Jamais me abandonaram.
    Cedo começou a engordar, a ganhar cores e, no rosto, já estampava uma alegria tranquila.
    Não nos disse o nome, de onde viera e que acontecimentos lhe abalaram a vida. Respeitávamos, entretanto, o seu segredo. Para nós era ela, simplesmente ela. Alguém que necessitava de nossos cuidados, do nosso carinho.
    Aceitei os seus longos silêncios, as suas repentinas perguntas. Uma noite, sem que eu esperasse, interrogou-me:
    – Já amou alguma vez?
    Por ser negativa a resposta, deixou transparecer a decepção. Pouco depois, abandonava a sala, sem nada acrescentar ao que dissera. Na manhã seguinte, encontramos vazio o seu quarto.
    Todos os dias, mal começava a cair a tarde, eu ia para o alpendre, à espera de que ela surgisse a qualquer momento na esquina. Minha irmã Cordélia desaprovava-me:
    - É inútil, ela não voltará. Se você estivesse menos apaixonado, não teria tanta esperança.
    Um ano após a sua fuga – estávamos novamente em abril – a vi aparecer no portão. Trazia mais triste a fisionomia, maiores as olheiras. Dos meus olhos, que se puseram alegres ao vê-la, desprendeu-se uma lágrima, e disse, esforçando-me para lhe tornar cordial a recepção:
     – Cuidado, agora temos uma cadelinha.
    – Mas o dono dela ainda é manso, não? Ou se tornou feroz na minha ausência? Estendi-lhe as mãos, que ela segurou por algum tempo. E, sem conter a minha ansiedade, indaguei:
    – Por onde andou? O que fez esse tempo todo? – Andei por aí e nada fiz. Talvez amasse um pouco – concluiu, sacudindo a cabeça com tristeza.
    A sua vida entre nós retomou o ritmo da outra vez. Mas eu estava intranquilo. Cordélia olhava-me penalizada, insinuava que eu não deveria ocultar mais a minha paixão.
     Faltava-me, contudo, a coragem e adiava a minha primeira declaração de amor.
    Meses depois, Elisa – sim, ela nos disse o nome – partiu de novo.
   E como lhe ficasse sabendo o nome, sugeri à minha irmã que mudássemos de residência. Cordélia, apegada ao extremo à nossa casa, nada objetou. Limitou-se a perguntar:
    – E Elisa? Como poderá encontrar-nos ao regressar?
    Refreei a custo a angústia e repeti completamente idiotizado:     
    – Sim, como poderá?

(RUBIÃO, M. Obra completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 161-163.)
A respeito do processo de formação imediato (e não histórico), do vocábulo “idiotizado” (3º§), pode-se afirmar que é formado por: 
Alternativas
Q4352268 Matemática
Uma companhia de saneamento possui reservatórios de água com capacidades de 4, 8, 16, 28, 40 e 76 mil litros. Inicialmente, todos estão vazios, exceto os reservatórios de 28 e 40 mil litros que estão cheios. Considere as seguintes manipulações:
• O reservatório de 28 mil litros é usado para encher completamente os reservatórios menores de 4 e 8 mil litros;
• O reservatório de 40 mil litros abastece totalmente o reservatório de 16 mil litros; e
• O restante da água disponível nos reservatórios que não estão cheios é transferido para o grande reservatório de 76 mil litros.
De acordo com as informações, quantos mil litros faltam para completar o reservatório de 76 mil litros? 
Alternativas
Q4352269 Matemática
Uma empresa municipal de saneamento possui dois depósitos de hidrômetros. No depósito A há 6 hidrômetros novos e 4 usados; no depósito B há 3 hidrômetros novos e 7 usados. Ao escolher aleatoriamente um dos depósitos e, em seguida, um hidrômetro, qual a probabilidade de o hidrômetro escolhido ser novo? 
Alternativas
Q4352270 Matemática
Ao longo de um período de quatro meses, a Estação de Tratamento de Água (ETA) de determinado município registrou o volume mensal de água tratada para abastecimento da população. Nesse intervalo, foram tratados, ao todo, 360 mil metros cúbicos de água. Sabe-se que, no segundo mês, o volume tratado foi 20 mil metros cúbicos maior que o do primeiro mês; no terceiro mês, foi 30 mil metros cúbicos maior que o do segundo; e, no quarto mês, foi 10 mil metros cúbicos maior que o do terceiro. Nessas condições, qual foi o volume de água tratado no primeiro mês? 
Alternativas
Q4352271 Raciocínio Lógico
Em determinado município, 100 bairros recebem pelo menos um dos seguintes serviços: abastecimento de água; coleta de lixo e tratamento de esgoto. Sabe-se que 10 bairros recebem simultaneamente os três serviços; 15 bairros recebem apenas os serviços de abastecimento de água e coleta de lixo; 5 bairros recebem apenas os serviços de coleta de lixo e tratamento de esgoto; e 10 bairros recebem apenas os serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto. Além disso, o número de bairros que recebe somente o serviço de coleta de lixo é igual ao número de bairros que recebe somente o serviço de tratamento de esgoto. Sabendo-se que 71 bairros recebem o serviço de abastecimento de água, quantos bairros são atendidos por apenas um tipo de serviço?
Alternativas
Q4352272 Raciocínio Lógico
Quatro setores de uma companhia de saneamento — operação, manutenção, qualidade e gestão — possuem equipes com quantidades diferentes de funcionários. Sabe-se que a soma do número de funcionários dos setores de operação e manutenção é 18. Além disso, a soma dos funcionários dos setores de manutenção, qualidade e gestão é 30. O total de funcionários dos setores de manutenção e qualidade é 22. Por fim, sabe-se que o setor de gestão possui exatamente a metade do número de funcionários do setor de manutenção. Com base nessas informações, quantos funcionários trabalham no setor de qualidade?
Alternativas
Q4352273 Raciocínio Lógico
Seis engenheiros de determinada companhia municipal de saneamento participam de uma assembleia de planejamento operacional e deverão se sentar em uma única fileira com exatamente seis assentos numerados e distintos. Entre eles, Carlos e Patrick desejam se sentar imediatamente lado a lado. Considere que:
• Cada assento é distinto e ocupável por apenas um engenheiro;
• A posição relativa de Carlos e Patrick pode ser invertida (ou seja, Carlos pode se sentar à esquerda ou à direita de Patrick); e
• Não existem outras restrições sobre a posição dos demais engenheiros.
Nesse sentido, de quantas maneiras distintas os seis engenheiros podem se sentar nessa fileira respeitando as condições anteriores? 
Alternativas
Q4352274 Matemática
Durante um processo formal de revisão tarifária, uma empresa municipal responsável pelo abastecimento de água realizou exclusivamente algumas alterações sucessivas no valor da tarifa de água, sempre incidindo sobre o valor vigente imediatamente anterior: inicialmente, foi concedida uma redução de 15% sobre a tarifa original; em seguida, aplicou-se uma nova redução de 10% sobre o valor já reduzido; por fim, foi efetuado um reajuste de 30%, calculado, também, sobre o valor resultante da última alteração. Considerando que não houve quaisquer outras modificações no período analisado, em relação ao valor inicial da tarifa, é correto afirmar que o preço final ficou: 
Alternativas
Q4352275 Matemática
O técnico responsável pela operação de uma companhia municipal de saneamento realiza diariamente o deslocamento da central da companhia até uma estação elevatória sempre no mesmo horário programado. Observou-se que, quando o técnico viaja a uma velocidade média de 40 km/h, ele chega 15 minutos antes do horário programado; quando viaja a uma velocidade média de 60 km/h, chega 30 minutos antes do horário programado. Considerando essas informações, qual é a distância percorrida pelo técnico entre a central da companhia e a estação elevatória? 
Alternativas
Q4352276 Matemática
Na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de determinado município, os operadores atuam de forma contínua e com produtividade constante. Em uma situação operacional específica, 12 operadores conseguem tratar 240 mil litros de esgoto ao longo de 4 horas de trabalho. Mantendo-se o mesmo ritmo de produção e as mesmas condições operacionais, quantos operadores serão necessários para tratar 600 mil litros de esgoto no período de 5 horas? 
Alternativas
Q4352277 Raciocínio Lógico
Em uma companhia de saneamento, quatro técnicos analisaram relatórios de qualidade da água durante o último ano: Ana, Bruno, Carla e Daniel. Sabe-se que cada um analisou uma quantidade diferente de relatórios e, além disso:
• Ana analisou mais relatórios que Carla;
• Bruno analisou menos relatórios que Daniel; e
• Carla analisou mais relatórios que Daniel.
Com base nas informações, qual foi a segunda pessoa que mais analisou relatórios?
Alternativas
Q4352278 Noções de Informática
O SAAE de Indaiatuba adotou o Windows 11 (Configuração Padrão – Idioma Português-Brasil) nos setores administrativos para padronizar o sistema operacional dos computadores. Durante um treinamento interno, houve necessidade de explicar aos servidores as funções básicas do novo sistema operacional. O técnico informou que o Windows:
Alternativas
Q4352312 Banco de Dados
O SAAE de Indaiatuba mantém um banco de dados para armazenar informações de usuários, consumo de água e ordens de serviço. Sobre conceitos básicos de banco de dados, assinale a afirmativa INCORRETA. 
Alternativas
Q4352313 Legislação dos Municípios do Estado de São Paulo
Sávio é servidor público municipal efetivo, com oito anos de exercício de seu cargo no quadro do município de Indaiatuba. Nos últimos doze meses, a Administração constatou que Sávio teve reiteradas faltas não justificadas, totalizando dezoito ausências durante o período aquisitivo de suas férias. Considerando o número de ausências verificadas e, ainda, com base na Lei Complementar Municipal nº 45/2018, é correto afirmar que Sávio:
Alternativas
Q4352314 Legislação dos Municípios do Estado de São Paulo
Umas das competências atribuídas pela Lei Orgânica ao Município de Indaiatuba refere-se à atribuição privativa para, especialmente no perímetro urbano, prover sobre o transporte coletivo urbano, assim como o transporte individual de passageiros. Acerca da competência do Município quanto ao transporte público, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Respostas
1: A
2: D
3: C
4: B
5: C
6: A
7: D
8: C
9: A
10: C
11: B
12: A
13: A
14: B
15: C
16: B
17: A
18: D
19: A
20: C