Texto CB2A1
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS),
aproximadamente 60% do total de mortes relatadas no mundo e
46% da carga global de doenças foram atribuídos às doenças
crônicas não transmissíveis em 2001. Projeções da OMS para
2020 apontavam que essas doenças responderiam por 58% da
carga global de doenças no mundo. Peritos em dieta, nutrição e
prevenção de doenças crônicas reconhecem que, embora mais
pesquisas sejam ainda necessárias para elucidar alguns
mecanismos da relação entre componentes da dieta e
desenvolvimento dessas doenças, a atual evidência científica
disponível oferece forte comprovação do papel da dieta na
prevenção e no controle da morbidade atribuída às doenças
crônicas não transmissíveis. Comportamentos alimentares podem
não somente influenciar o estado de saúde presente, como
também determinar se mais tarde em sua vida o indivíduo irá
desenvolver ou não alguma doença como câncer, doenças
cardiovasculares e diabetes.
O consumo insuficiente de frutas, legumes e verduras está
entre os dez principais fatores de risco para a carga total global
de doença em todo o mundo. Esses alimentos são importantes na
composição de uma dieta saudável, pois são fontes de
micronutrientes, fibras e de outros componentes com
propriedades funcionais. Ademais, frutas e hortaliças têm baixa
densidade energética, isto é, poucas calorias em relação ao
volume do alimento consumido, o que favorece a manutenção
saudável do peso corporal.
Um estudo sobre a distribuição e a evolução da
disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil entre os anos
de 1974 e 2003 verificou que frutas e hortaliças correspondiam a
apenas 2,3% das calorias totais da dieta, ou seja, a
aproximadamente um terço do recomendado pela OMS.
Constatou-se, ainda, que, atualmente, menos da metade dos
indivíduos no Brasil consome frutas diariamente e menos de um
terço da população relata o consumo diário de hortaliças.
No campo das políticas de alimentação e nutrição, a
promoção do consumo de frutas, legumes e verduras ocupa
posição de destaque entre as diretrizes de promoção de
alimentação saudável. A Estratégia Global sobre Alimentação
Saudável, Atividade Física e Saúde, elaborada pela OMS,
recomenda o aumento do consumo de frutas, legumes e verduras
entre as recomendações para prevenção de doenças crônicas. No
cenário nacional, o Ministério da Saúde do Brasil recomenda o
consumo diário de três porções de frutas e três porções de
legumes e verduras em seu Guia Alimentar, enfatizando a
importância de variar o consumo desses alimentos nas refeições
ao longo da semana.
Para orientar e encorajar a implementação de políticas
públicas para o aumento da frequência de consumo de frutas,
legumes e verduras, é preciso conhecer não somente a frequência
de consumo da população, mas também os fatores associados ao
seu consumo.
Internet:<https://www.scielo.br> (com adaptações).