Questões de Concurso Público UNIFESSPA 2018 para Redator
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“Nenhum enunciado em geral pode ser atribuído apenas ao locutor: ele é produto da interação dos interlocutores e, num sentido mais amplo, o produto de toda esta situação social complexa, em que ele surgiu”
(Mikhail Bakhtin, apud Todorov, 1981, p. 50).
Sobre a concepção interacional (dialógica) do texto, segundo o teórico russo Mikhail Bakhtin, é correto afirmar:
“(...) é na totalidade da experiência considerada, preenchida e esquecida que cada pessoa é verdadeiramente diferente das outras no mundo. Nenhuma pessoa vê os mesmos eventos do mesmo modo em sua vida”
(Ray Bradbury, 1990, p. 53).
A frase do escritor norte-americano Ray Bradbury expressa um dos sistemas de conhecimento para o processamento textual. Trata-se do
“Para mim prima é mesmo que irmã, a gente respeita, mas Bela, sei lá!, tinha uns rompantes que até me assustavam. Naquela noite, por exemplo. Eu me embalava distraidíssimo na rede. Desde menino que durmo pouco, a Bela estava careca de saber e quando menos espero quem é que vejo diante de mim? A Bela. A Bela dormia de pijama, minha tia achava camisão indecente, que pijama protege, a menina pode se mexer à vontade, frioleiras de velha. Pois a Bela me aparece apenasmente de blusa de pijama! Não entendi, francamente. E se não estivesse como estava acordado, poderia até imaginar que sonhava: a Bela ali de pijama decepado. Só para provocar como me provocou, que logo fiquei agitadíssimo, me virando e revirando na rede, e a Bela feita uma estátua, nem uma palavra dizia, à espera eu acho de atitude minha, mas cadê coragem?, que conforme disse prima é irmã, e de irmã não se olha coxa, não se olha bunda, irmã pode ficar pelada que a gente nem enxerga peitinho, cabelinho, nada”
(Haroldo Maranhão, 1986, p. 7).
A cena descrita pelo escritor Haroldo Maranhão carrega inferências definidoras de um contexto. Sobre tal elemento da comunicação textual, é correto afirmar:
“E agora, José? A festa acabou? Já não há mais PT? Não, José, de tudo isso fica uma grande lição: não é a direita que inviabiliza a esquerda. Esta tem sido vítima de sua própria incoerência, inclusive quando se elege por um programa de mudanças e adota uma política econômica de ajuste fiscal que trava o desenvolvimento, restringindo investimentos públicos e privados”
(Frei Betto, no jornal Folha de S. Paulo, em julho de 2005).
Acima, Frei Betto retoma um texto clássico da literatura brasileira para discorrer criticamente sobre as esquerdas, o PT e um de seus líderes. O fenômeno textual presente no trecho do artigo referido é a
“Língua e gramática não se equivalem e, por isso, o ensino de línguas não pode constituir-se apenas de lições de gramática.”
Com base na afirmação da professora Irandé Antunes, considere as frases abaixo.
I Todo falante, para ser eficaz, precisa saber, em cada situação, que tipo de vocabulário empregar e deve procurar, ainda, reconhecer os diferentes contextos de enunciação.
II A eficácia do discurso requer também que se saiba que relações estabelecer, que integrações operar, de maneira a garantir a unidade, a harmonia ou a coerência.
III Gramática e língua são fundamentais e interdependentes no processo da comunicação. Sem gramática, não há língua.
Está(ão) correto(s)
“Apenas 53 candidatos que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no ano passado obtiveram nota mil na Redação. Em relação a 2014, a queda é de quase 80%. Os resultados individuais dos estudantes foram divulgados nesta quinta-feira (18), pelo Ministério da Educação (MEC).
Em 2014, 250 candidatos conseguiram nota mil. Em 2015, foram 104, e em 2016, 77. Para Maria Inês Fini, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), não se pode comparar os dados. "As populações que fazem o exame são totalmente diferentes"
(Publicado no portal LeiaJá).
Nos dois parágrafos acima, é possível identificar o gênero textual jornalístico denominado
“Os meios de comunicação defendem interesses, cobram providências, criticam instituições. Posicionam-se diante dos leitores e das autoridades. Dada a importância de que se revestem, alguns textos publicados são escritos em linguagem cuidada, em língua de terno e gravata. Erros podem custar a cabeça do autor. Não por acaso, profissionais mais velhos e experientes, conhecedores da política interna da casa, respondem pela editoria de Opinião”
(Dad Squarisi e Arlete Salvador, 2012, p. 76).
As autoras falam, acima, do gênero textual jornalístico denominado
“Minha mulher e eu temos o segredo para fazer um casamento durar. Duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa bebida e um bom companheirismo. Ela vai às terças-feiras e eu, às quintas. Nós também dormimos em camas separadas: a dela é em Fortaleza e a minha, em São Paulo. Eu levo minha mulher a todos os lugares, mas ela sempre acha o caminho de volta. Perguntei a ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento. ‘Em algum lugar que eu não tenha ido há muito tempo!’, ela disse. Então, sugeri a cozinha. Nós sempre andamos de mãos dadas. Se eu soltar, ela vai às compras! Lembrem-se: o casamento é a causa número 1 para o divórcio. Estatisticamente, 100% dos divórcios começam com o casamento.”
O texto acima, de Luis Fernando Veríssimo, publicado no jornal O Estado de S. Paulo, é uma crônica porque
O Manual da Folha de S. Paulo define assim o nariz de cera: “Parágrafo introdutório que retarda a entrada no assunto específico do texto. É sinal de prolixidade incompatível com jornalismo”. Leia o texto abaixo, escrito com nariz de cera.
“A astronomia já viveu grandes revoluções em sua história. Das esferas de cristal, que sustentavam os astros em seus postos fixos, à revolução de Nicolau Copérnico (1473 1543) e às elipses de Johannes Kepler (1571- 1630), muitos séculos de observação foram necessários para mudar a imagem do céu. O século 20 não poderia fugir à regra. Uma descoberta anunciada na semana passada pela revista britânica Nature confirma o padrão. Astrônomos do Observatório Austral Europeu (ESO, na sigla em inglês) detectaram o primeiro planeta fora do Sistema Solar”
(Publicado no jornal O Estado de S. Paulo).
É correto afirmar que o texto fere o princípio da
Em “A arte da reportagem, volume 1” (Igor Fuser, 1996), o apresentador da obra, Eugênio Bucci, escreve que “a reportagem tem a necessária pretensão de iluminar o significado, de apontar uma direção acima do caos dos eventos cotidianos". Para alcançar esse objetivo, o repórter deve obedecer a determinadas regras. Quanto a essas regras, analise os itens seguintes.
I Entender o que tem a narrar.
II Apresentar, como na literatura, ações e sujeitos fictícios que amplifiquem a dimensão das histórias.
III Ordenar o caos de informações que recebe de diferentes fontes.
IV Encadear os fatos de maneira lógica e coerente.
V Construir textos com recursos estilísticos capazes de seduzir o leitor.
Estão corretos
O presidente Michel Temer concedeu entrevista coletiva a jornalistas, em Moscou, na Rússia, e afirmou que a crise política não atrapalha o avanço econômico do Brasil. Ele citou o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) após dois anos de queda. “Tanto não atrapalha que vocês vejam que neste primeiro trimestre houve um aumento de 1% no PIB e os indicativos são todos no sentido de que este aumento vai continuar”, disse o presidente, após um seminário de captação de investimentos russos para o Brasil.
(Fonte: EBC, Agência Brasil, 20/06/2017).
Em jornalismo, entrevista coletiva é aquela em que a fonte fala
“Se a notícia é o gênero básico do jornalismo, a reportagem é o seu gênero nobre, o gênero jornalístico por excelência. O principal objetivo de uma reportagem é informar com profundidade e exaustividade, contando uma história”
(Jorge Pedro Sousa, 2001, p. 259).
Com base no texto acima, é correto afirmar:
“Somos uma sociedade sufocada por palavras desnecessárias, construções circulares, afetações pomposas e jargões sem nenhum sentido. (...) Porém, o segredo da boa escrita é despir cada frase até deixá-la apenas com seus componentes essenciais”
(William Zinsser, 2006, p.19).
Sobre o conceito do escritor William Zinsser, considere as afirmativas abaixo.
I A literatura acadêmica é curta e grossa no capítulo em que ensina a escrever uma notícia. O texto, pregam os teóricos, deve começar respondendo, logo de cara, a seis perguntas fundamentais: O quê? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê? Em jornais, rádios, televisões e na novíssima internet, as notícias são apresentadas nesse formato.
II Enxugue o texto. Em jargão jornalístico, enxugar significa diminuir, cortar, mandar pras cucuias palavras e informações desnecessárias. Comece agora. Você ignorou a orientação para restringir-se a duas linhas? Passe a tesoura sem dó nem piedade.
III Faça uma introdução ao assunto que será relatado já na abertura do texto. Use o máximo de informações possíveis para orientar o leitor sobre o fato que será informado. Faça-o com estilo literário, recorrendo ao máximo de palavras possível.
IV Evite dividir o texto em partes (unidades, parágrafos). Escreva parágrafos longos, para mostrar ao leitor seu pleno conhecimento sobre o assunto.
V O leitor só consegue dominar determinado número de palavras antes que seus olhos peçam uma pausa. Se a frase for muito longa, ele se sentirá perdido, sem capacidade de compreender-lhe o completo significado. A frase curta tem duas vantagens. Uma: diminui o número de erros. Com ela, tropeçamos menos nas conjunções, nas vírgulas e nas concordâncias. A outra: torna o texto mais claro.
Estão corretas
“Enquanto gênero jornalístico, a notícia é, essencialmente, um pequeno enunciado informativo, um discurso sobre um acontecimento. Representa também informação nova, atual e de interesse geral. É o gênero básico do jornalismo”
(Jorge Pedro Sousa, 2001, p. 231).
Sobre o texto da notícia, é correto afirmar:
“Lide – Palavra aportuguesada do inglês ‘lead’, conduzir, liderar. O jornalismo usa o termo para resumir a função do primeiro parágrafo: introduzir o leitor no texto e prender sua atenção”
(Manual de Redação do jornal Estado de S. Paulo, organizado e editado por Eduardo Martins).
Sobre o lide, é correto afirmar:
“O jornalista que for escrever para a TV deve lembrar que estará contando uma história para alguém, como se estivesse conversando com essa pessoa. Com essa ideia na cabeça, fica mais fácil escrever um texto que deve ser assimilado, instantaneamente, por milhões de telespectadores”
(Vera Íris Paternostro, 1999, p. 78).
Com base na afirmação acima, o recurso para melhor se construir o texto jornalístico de TV é a
O release é uma das ferramentas mais importantes da assessoria de imprensa. Considerando sua natureza e finalidade, é correto afirmar que se trata de um texto
O release tem função específica na comunicação. Na rotina da assessoria de imprensa, o uso dessa ferramenta deve seguir princípios para atingir o máximo de eficiência. Com base nesse pressuposto, é correto afirmar:
“Voltando bêbado de uma noite de autógrafos, joguei para o ar setenta e três contos; as folhas se espalharam por todo o quarto. No dia seguinte a dona da pensão jogou fora a papelada suja de vômito. Quando acordei corri à lata de lixo, mas já era tarde; o caminhão tinha passado. Na sarjeta ainda encontrei o começo de uma história. Descrevia dores muito íntimas. Deixei ali mesmo, com a esperança de que algum curioso a lesse.”
O trecho acima, do conto “Os contistas”, do escritor Moacyr Scliar, revela a característica do texto literário denominada prosa
A filha de 15 anos mostrou para a mãe, uma senhora de 55, a mensagem que recebeu pelo Twitter de um amigo de escola: “Axo q estou gostando mto d vc”. Indignada, a senhora criticou o candidato a namorado: “Esse rapaz precisa estudar português”. Considerando a situação, é correto afirmar: