Questões de Concurso
Sobre trabalho e serviço social em serviço social
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Analise as afirmativas a seguir no que se refere ao processo de contrarreforma na saúde e os rebatimentos no Sistema Único de Saúde, de acordo com Soares (2020).
I. O ajuste estrutural do Estado realiza-se num processo de expansão e ampliação dos serviços de saúde e dos direitos sociais conquistados, estando fundamentado na racionalidade dominante do capitalismo contemporâneo. Tal racionalidade traz em seu bojo novos elementos da racionalidade instrumental burguesa e da classe operária, agregados a novos conteúdos que reforçam a lógica de produção e reprodução do capital nestes tempos de crise.
II. Os serviços de saúde tornam-se cada vez mais espaços de supercapitalização e relevante fonte de maximização do capital. As diversas formas de capital, em tempos de dominância financeira, conectam a cadeia de mercadorias e serviços desde o espaço da produção e comercialização até as finanças: indústria de medicamentos e equipamentos médico-hospitalares, sistema público de saúde, redes de hospitais, clínicas, farmácias, planos privados de saúde, seguros saúde, bolsa de valores, linhas de crédito e financiamento bancários, entre outros.
III. A partir dos anos 2000, inicia-se o processo de contrarreforma do Estado brasileiro e seus primeiros impactos sobre o recém-criado SUS. Desde então, o projeto privatista na saúde vem conquistando hegemonia, defendendo propostas semelhantes as do Banco Mundial e da Organização Mundial de Saúde, que ganha destaque como importante formulador e divulgador da racionalidade da contrarreforma.
IV. Na década de 1990, de uma maneira geral, esse período constituiu-se para o SUS e para a política de saúde um momento de tensionamento entre a implantação do SUS e a sua racionalidade político-emancipatória diante da racionalidade instrumental burguesa, retomando a sua hegemonia num Estado historicamente desigual e autocrático.
Estão CORRETAS
Nesse sentido, analise as questões a seguir quanto à tese do sincretismo e da prática indiferenciada.
I. Netto (1992) propõe-se a elucidar o estatuto teórico da profissão e identificar a especificidade da prática profissional até a década de 60 do século XX, considerando uma dupla determinação: as demandas sociais e a reserva de forças teóricas e prático- sociais acumuladas pelos assistentes socais, capazes ou não de responder às requisições externas. Esse percurso tem como centro o sincretismo, traço transversal da natureza do serviço social, desdobrando-se na caracterização da prática profissional e dos seus parâmetros científicos e ideológicos.
II. De acordo com Netto (1992), o sincretismo nos parece ser o fio condutor da afirmação e desenvolvimento do Serviço Social como profissão, seu núcleo organizativo e sua norma de atuação[...] Sincretismo foi um princípio constitutivo do Serviço Social.
III. O autor considera que o sincretismo figura como a essência da totalidade do ser social, na natureza da profissão na sociedade burguesa madura, apresentando uma natureza crítico-dialética.
IV. Restringir o universo de análise do Serviço Social às formas reificadas de manifestação dos processos sociais, ainda que esse procedimento possa prevalecer no universo profissional, denuncia a mistificação, mas não elucida a natureza sócio-histórica dessa especialização do trabalho para além do universo alienado, em que se realiza e se mostra encoberta no sincretismo. Em outros termos, o esforço de desvendamento, ainda que essencial, torna-se parcial e inconcluso.
Estão CORRETAS
A partir disso, examine as questões a seguir, no que se refere às formas de gestão do trabalho denominados como fordismo e acumulação flexível e relacione com a atuação do assistente social no campo da saúde pública para cada um desses modelos e períodos.
I. Fordismo- a afirmação da industrialização por meio da formação de um amplo parque industrial abrigado em um discurso nacionalista trouxe a modernidade ao país. A industrialização endógena e financiada por um capital exógeno fez com que o Brasil vivenciasse um amplo processo de crescimento dos seus centros urbanos. Essa mesma industrialização trouxe consigo as mazelas de um trabalho de fábrica, conflitos urbanos e a criação de políticas de controle da força de trabalho. Para o Serviço Social, isso representou a necessidade de criação de práticas ―modernas‖, a exigência de uma racionalidade burocrático-administrativa e a inserção do seu trabalho em estruturas institucionais complexas do ponto de vista organizacional.
II. Acumulação Flexível: as instituições de porte estavam correlacionadas à chegada dos grandes projetos industriais, principalmente aqueles que trouxeram a promessa do desenvolvimento econômico, invertendo o perfil populacional do Brasil rural para o Brasil urbano. Modelos americanizados de políticas públicas funcionalistas entravam em discussão, colocando o cerne do debate profissional do assistente social na clássica divisão caso/grupo/comunidade.
III. Fordismo: o grande hospital traz consigo a gestão do trabalho em um formato semelhante ao concebido dentro da grande fábrica. Atendimentos em massa, cirurgias em massa, internações contabilizadas pelo seu gasto financeiro, leitos em série e atendimentos sequenciais sem tempo de parada. Desta forma, aos poucos molda-se uma rotina também para aquele trabalho que não deveria ser considerado rotineiro. O Serviço Social criou e reproduziu normas institucionais de forma mecanizada para todos aqueles que o procuravam.
IV. Acumulação Flexível: a especialidade técnica na saúde pública criou equipes que não interagem. São profissionais compartimentalizados, como se a vida fosse a junção de conhecimentos sobre pedaços do corpo humano. Criaram se novos indicadores para compreender as políticas de saúde. Isso não foi uma peculiaridade brasileira, mas internacional.
Estão CORRETAS
Silva (2020) analisa em seu texto a dinâmica da neoliberalização e os ataques à seguridade social no Brasil. Sobre esse tema, analise as questões históricas e contemporâneas indicadas abaixo:
I. O neoliberalismo surgiu logo após a Segunda Guerra Mundial, na região da Europa ocidental e da América do Norte. Um dos principais idealizadores dessa reação foi Friedrich August Von Hayek, que em 1944 publicou o livro chamado O Caminho da Servidão, no qual defendia que a intervenção estatal levaria ao totalitarismo e prejudicaria a liberdade do mercado e dos comércios.
II. No Brasil, a neoliberalização, desde os anos 1990, vem se expressando por meio de um movimento caracterizado pela formação de governos neoliberais ortodoxos, seguidos de governos que adotaram a versão social-liberal, mas que preserva os princípios econômicos e morais do neoliberalismo, e pelo retorno e fortalecimento de uma vertente ortodoxa ou ultraneoliberal, com o início de governos de extrema direita, que demonstram não haver mais espaço para a conciliação de classes.
III. Desde os anos 1990, apesar das resistências dos sujeitos progressistas, medidas recessivas e contrarreformistas têm sido formuladas e adotadas pelos governos (ultra) neoliberais e atingem, de forma trágica, a seguridade social, o seu caráter público, universal, democrático e descentralizado, fundamental para a garantia dos direitos à saúde, previdência e assistência social, como também impedem a construção e incorporação de novos direitos sociais.
IV. Behring e Boschetti (2006) apontam no atual padrão de proteção social uma difícil coexistência entre inovação e conservadorismo e/ou entre universalização e hegemonia neoliberal, tendo em vista que, apesar de as forças progressistas lutarem pela realização de reformas democráticas, muitas contra tendências se opõem a essa possibilidade.
Estão CORRETAS
A partir dessa perspectiva, analise as afirmativas abaixo:
I. O conhecimento, na concepção burguesa das ciências sociais, está fragmentado e é acentuado pela falta de diálogo entre as áreas, o que, consequentemente, colabora para a compreensão do homem e da sociedade como partes isoladas da dinâmica social e da tecedura histórica.
II. As ciências sociais têm dificuldades de se afirmar diante da ciência moderna, pela sua ineficiência em apresentar respostas práticas. O seu modo específico de produzir conhecimento é questionado pelo pragmatismo dos filisteus capitalistas, os quais só objetivam as ciências que buscam os resultados para o avanço das forças produtivas.
III. Uma das características das ciências sociais é edificar uma proposta que tem suas premissas no pensamento crítico, o qual põe em cheque o ‗metabolismo social‘. Dessa forma, o modo de sistematizar a realidade social tem que passar, necessariamente, pelo crivo da crítica, tendo por base um diagnóstico da sociedade burguesa, a qual não se sustenta, principalmente pelas suas ‗bases objetivas de produção e distribuição da riqueza‘.
IV. O conhecimento em especial dentro da Universidade não pode ser considerado fragmentado, considerando que são instituições essencialmente de pesquisa, com neutralidade na sistematização do saber.
Estão CORRETAS
I. O Serviço Social não consegue contribuir no processo de produção do valor e da mais-valia, considerando que seu trabalho está ligado, exclusivamente, ao fornecimento de serviços sociais.
II. O trabalho do assistente social tem um efeito nas condições materiais e sociais daqueles cuja sobrevivência depende do trabalho.
III. O Serviço Social interfere na reprodução social da força de trabalho por meio dos serviços sociais previstos em programas, a partir dos quais se trabalha nas áreas de saúde, educação, condições habitacionais, entre outras.
IV. O Serviço Social tem também um efeito que não é material, mas é socialmente objetivo. Tem uma objetividade que não é material, mas é social.
Está CORRETO o que se afirma em
I. Para garantir uma sintonia do Serviço Social com os tempos atuais, é necessário romper com uma visão endógena, focalista, uma visão “de dentro” do Serviço Social, prisioneira em seus muros internos. Alargar os horizontes, olhar para mais longe, para o movimento das classes sociais e do Estado em suas relações com a sociedade; não para perder ou diluir as particularidades profissionais, mas, ao contrário, para iluminá-las com maior nitidez.
II. Entender a profissão como um tipo de trabalho da sociedade. Há muito tempo, desde os anos de 1980, vem-se afirmando que o Serviço Social é uma especialização do trabalho, uma profissão particular inscrita na divisão social e técnica do trabalho coletivo da sociedade.
III. Tratar o Serviço Social como trabalho supõe privilegiar a produção e a reprodução da vida social, como determinantes na constituição da materialidade e da subjetividade das “classes que vivem do trabalho”, nos termos de Antunes.
IV. O Assistente Social dispõe de um Código de ética profissional e atua amplamente como profissional liberal, possibilitando autonomia plena no desenvolvimento de suas ações, no atendimento às necessidades sociais da classe trabalhadora assalariada e na distribuição de riquezas socialmente produzidas.
Está CORRETO o que se afirma apenas em
Quanto à concepção teórica sobre a questão social, de acordo com a autora Carmelita Yasbek, analise as afirmativas abaixo:
I. Ao tratar da concepção de questão social, Yasbek (2004) apresenta um diferencial na sua compreensão, privilegiando categorias como pobreza, subalternidade e exclusão social, que, segundo a autora, são resultantes desses processos que permeiam, de forma profunda, a vida das classes sociais, em especial a vida das classes subalternas na realidade atual.
II. Yasbek (2005) parte da matriz marxista, já que considera a questão social como antagonismo e conflitos de classes, determinados pela desigualdade estrutural própria da sociedade capitalista.
III. Yasbek (2005) substituiu o termo questão social por exclusão social, com o intuito de dar amplitude às iniqüidades da sociedade atual, sob o julgo da dominação econômica neoliberal.
IV Yasbek (2005) considera a questão social ineliminável na sociedade capitalista. Todavia, defende um sistema de proteção social no molde do Welfere State-que considera em crise, mas não liquidado- que possa viabilizar políticas sociais consistentes.
Está CORRETO o que se afirma apenas em
I. Netto (1992) parte da concepção de Cerqueira Filho (1982) e Carvalho e Iamamoto (1993) para explicar a questão social como um conjunto de problemas econômicos, políticos e sociais determinado pelo surgimento da classe operária e sua inserção no próprio processo de produção e reprodução capitalista, relacionado aos conflitos próprios da relação entre capital e trabalho e, dessa forma, sua origem se inscreve na passagem do capitalismo concorrencial ao capitalismo dos monopólios, no final do século XIX, na Europa Ocidental.
II. Netto (1992) estabelece automaticamente em sua análise a relação da questão social e o Serviço Social. Para o autor, há uma indissociabilidade natural na constituição do Serviço Social e as expressões da questão social.
III. Na leitura de Netto (1992), falar da questão social é tratar de uma origem progressista, em especial, na fase de emergência na Europa. Isso se deveu ao fato da questão social ter sido originada com a Revolução Francesa, para o enfrentamento dos males sociais causados pelo processo de desenvolvimento da economia euro-ocidental, considerada fase selvagem do capitalismo industrial.
IV. A questão social é colocada no seu terreno específico, a do antagonismo entre capital e trabalho, nos confrontos entre seus representantes. É colocada, porém, como objeto de intervenção revolucionária por agentes que se auto organizam, preocupados com a consciência dos fins e a ciência dos meios [...] (NETTO, 1992).
Está CORRETO o que se afirma apenas em
I O trabalho dos assistentes sociais se desenvolve independentemente das circunstâncias históricas e sociais que o determinam e se desenvolve de maneira é intrínseca, atendendo as demandas da sociedade atual pós-moderna.
II. Nos serviços de saúde, a inserção dos assistentes sociais no conjunto dos processos de trabalho destinados a produzir serviços para a população é mediatizada pelo reconhecimento social da profissão e por um conjunto de necessidades que se definem e se redefinem a partir das condições históricas sob as quais a saúde pública se desenvolveu no Brasil.
III. As atuais contradições, presentes no processo de racionalização/reorganização do SUS, constituem-se no principal vetor das demandas ao Serviço Social, ou seja, as necessidades da população confrontam-se com o conteúdo e a forma de organização dos serviços. Nesse sentido, ao atender às necessidades imediatas e mediatas da população, o Serviço Social na saúde interfere e cria um conjunto de mecanismos que incidem sobre as principais contradições do sistema de saúde pública no Brasil.
IV. Apesar das tensões no SUS, não é possível constatar, na atuação profissional do assistente social nas instituições, o redimensionamento das atividades, permanecendo com as mesmas demandas do ponto de vista qualitativo e quantitativo, assim como o compromisso com o projeto ético-político profissional.
Está CORRETO o que se afirma apenas em
( ) Predomínio do capital monetário e seu impulso avassaladoramente expropriador.
( ) Redução da concentração e centralização do capital.
( ) Presença de propriedade capitalista altamente nacionalizada e difusa.
( ) Captura de todos os recursos disponíveis e todas as atividades humanas para a sua transformação em forma de produção e extração de valor.
( ) Domínio do capital mercantil e o impacto das biotecnologias sob a racionalidade da maximização do lucro.
Diante dessas afirmações, marque a alternativa que contém a sequência CORRETA:
I- O exercício profissional é necessariamente polarizado pela trama de suas relações e interesses sociais. Participa tanto dos mecanismos de exploração e dominação quanto, ao mesmo tempo e pela mesma atividade, dá resposta às necessidades de sobrevivência das classes trabalhadoras e da reprodução do antagonismo dos interesses sociais.
II- O Serviço Social é uma profissão regulamentada através de estatutos legais e éticos que indicam uma autonomia teóricometodológica, técnica e ético-política na condução do exercício profissional. Contudo, o exercício da profissão é tensionado pela compra e venda da força de trabalho especializada do assistente social, enquanto trabalhador assalariado, determinante fundamental na autonomia do profissional, carregando assim essa atividade os constrangimentos do trabalho alienado.
III- Apossibilidade de imprimir uma direção social ao exercício profissional decorre da autonomia de que dispõe o assistente social, resguardada pela legislação profissional. Essa autonomia é independente da correlação das forças econômica, política e cultural em nível societário, e se expressa, de forma particular, nos distintos espaços ocupacionais construídos na relação com sujeitos sociais.
Está(ão) CORRETO(s):
(Disponível em:https://www.abepss.org.br/arquivos/anexos/o-servi co-social-na-cena-contemporanea-201608060403123057450.pdf)
I.Os espaços ocupacionais do assistente social têm lugar no Estado - nas esferas do poder executivo, legislativo e judiciário.
II.Em empresas privadas capitalistas, em organizações da sociedade civil sem fins lucrativos e na assessoria a organizações e movimentos sociais.
III.Os espaços ocupacionais do assistente social têm lugar apenas no Estado, não podendo atuar nas esferas do poder executivo, legislativo e judiciário.
IV.Esses distintos espaços são dotados de racionalidades e funções distintas na divisão social e técnica do trabalho, porquanto implicam relações sociais de natureza particular, capitaneadas por diferentes sujeitos sociais, que figuram como empregadores (o empresariado, o Estado, associações da sociedade civil e, especificamente, os trabalhadores).
Qual(is) alternativa(s) está(ao) CORRETA(S)?
Como desdobramento das metamorfoses do mundo do trabalho, a partir dos anos 1980, uma nova ortodoxia econômica assumiu o lugar do Keynesianismo no mundo ocidental. Trata-se do que ficou conhecido como __________________ por ser, de fato, o liberalismo econômico revisitado e adaptado aos tempos atuais do capitalismo globalizado e da produção flexível.
A sentença se refere a (ao):
As atividades econômicas de menores rendimentos médios (agropecuária, construção civil e serviços domésticos) são as que proporcionalmente possuem mais ocupados de cor ou raça preta ou parda e pessoas do sexo feminino. No cômputo geral, em 2017, os brancos ganhavam em média 72,5% mais do que pretos ou pardos e os homens ganhavam, em média, 29,7% mais que as mulheres (IBGE, 2018, p. 28).
Observando os dados acima, na perspectiva de uma teoria social crítica, de acordo com Josiane (2019), entende-se que: