Questões de Concurso Comentadas sobre principais autores em pedagogia

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Q3925297 Pedagogia

Texto I

A importância do ato de ler


Me parece indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje; dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio, processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado - e até gostosamente - a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.


Ao ir escrevendo este texto, ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a “leitura” do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da “palavramundo”.


A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me movia - e até onde não sou traído pela memória -, me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando, re-crio, e re-vivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. Me vejo então na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós - à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para riscos e aventuras maiores.


A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço - o sítio das avencas de minha mãe -, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto [...] se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia apreendendo no meu trato com eles nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais.


Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam no canto dos pássaros - o do sanhaçu, o do olha-pro-caminho-quem-vem, o do bem-te-vi, o do sabiá; na dança das copas das árvores sopradas por fortes ventanias que anunciavam tempestades, trovões, relâmpagos; as águas da chuva brincando de geografia: inventando lagos, ilhas, rios, riachos. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam também no assobio do vento, nas nuvens do céu, nas suas cores, nos seus movimentos; na cor das folhagens, na forma das folhas, no cheiro das flores - das rosas, dos jasmins -, no corpo das árvores, na casca dos frutos. Na tonalidade diferente de cores de um mesmo fruto em momentos distintos: o verde da manga-espada verde, o verde da manga- -espada inchada; o amarelo esverdeado da mesma manga amadurecendo, as pintas negras da manga mais além de madura. [...]


FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 23. ed. São Paulo: Cortez, 1989. p. 6-7.

No Texto I, Paulo Freire tece uma sutil crítica à ideia de “escolarização”: “Primeiro, a ‘leitura’ do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da ‘palavramundo’.” (parágrafo 2)


De acordo com o pressuposto defendido pelo educador, que atividade de leitura literária seria adequada ao conceito de “palavramundo” nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental?

Alternativas
Q3925296 Pedagogia

Texto I

A importância do ato de ler


Me parece indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje; dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio, processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado - e até gostosamente - a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.


Ao ir escrevendo este texto, ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a “leitura” do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da “palavramundo”.


A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me movia - e até onde não sou traído pela memória -, me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando, re-crio, e re-vivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. Me vejo então na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós - à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para riscos e aventuras maiores.


A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço - o sítio das avencas de minha mãe -, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto [...] se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia apreendendo no meu trato com eles nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais.


Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam no canto dos pássaros - o do sanhaçu, o do olha-pro-caminho-quem-vem, o do bem-te-vi, o do sabiá; na dança das copas das árvores sopradas por fortes ventanias que anunciavam tempestades, trovões, relâmpagos; as águas da chuva brincando de geografia: inventando lagos, ilhas, rios, riachos. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam também no assobio do vento, nas nuvens do céu, nas suas cores, nos seus movimentos; na cor das folhagens, na forma das folhas, no cheiro das flores - das rosas, dos jasmins -, no corpo das árvores, na casca dos frutos. Na tonalidade diferente de cores de um mesmo fruto em momentos distintos: o verde da manga-espada verde, o verde da manga- -espada inchada; o amarelo esverdeado da mesma manga amadurecendo, as pintas negras da manga mais além de madura. [...]


FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 23. ed. São Paulo: Cortez, 1989. p. 6-7.

No Texto I, Paulo Freire compreende o ato da leitura como um processo que
Alternativas
Q3925105 Pedagogia
Para Henri Wallon, a construção do "Eu" ocorre através de conflitos. O estágio que emerge por volta dos 3 anos de idade, caracterizado pela oposição sistemática ao adulto, uso do pronome "eu" e necessidade de autoafirmação, constitui a crise do: 
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Q3925103 Pedagogia
Na Epistemologia Genética de Jean Piaget, o desenvolvimento cognitivo ocorre através da busca pela estabilidade das estruturas mentais. O mecanismo autorregulador central que balanceia os processos de assimilação do novo objeto e a acomodação dos esquemas prévios é tecnicamente denominado: 
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Q3925090 Pedagogia
Um psicopedagogo, ao identificar que um aluno não compreende o princípio de conservação de quantidades, está diante de uma característica típica do estágio de desenvolvimento cognitivo denominado, por Piaget, como: 
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Q3925088 Pedagogia
Para Piaget, o processo de auto-regulação que leva a criança a reestruturar seu pensamento diante de novas informações, buscando um equilíbrio cognitivo superior, é conhecido como:
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Q3925058 Pedagogia
A concepção crítico-social dos conteúdos, defendida por Libâneo, influenciou práticas da Orientação Educacional brasileira. Segundo essa abordagem, o papel do orientador na mediação das relações escolares deve priorizar: 
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Q3924407 Pedagogia
Segundo a classificação de Piaget, a brincadeira em que a criança repete ações por puro prazer funcional, sem representação simbólica, é característica do estágio: 
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Q3924382 Pedagogia
Segundo Jean Piaget, existem diferentes formas de a criança adquirir conhecimento. O processo mental específico pelo qual a criança extrai informações não das propriedades físicas dos objetos (como cor ou peso), mas das ações coordenadas que exerce sobre eles (como contar fichas da esquerda para a direita e vice-versa, percebendo que a soma permanece a mesma), é conceituado tecnicamente como abstração: 
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Q3924125 Pedagogia
O pedagogo francês Célestin Freinet desenvolveu uma pedagogia centrada no trabalho, na cooperação e na livre expressão da criança. A técnica pedagógica criada por ele, que consiste na troca regular de cartas, desenhos e materiais entre turmas de escolas diferentes e distantes, visando dar função social real à escrita e ampliar o horizonte cultural dos alunos, é a:
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Q3923778 Pedagogia
A teoria sociointeracionista enfatiza papel da cultura e interação social no desenvolvimento cognitivo. O conceito que define distância entre nível de desenvolvimento real (resolução independente) e nível de desenvolvimento potencial (resolução com mediação) foi formulado por:
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Q3923666 Pedagogia
A abordagem crítico-emancipatória da Educação Física, desenvolvida na década de 1990, propõe superação do ensino tecnicista através da problematização do movimento e autonomia dos educandos. O teórico brasileiro que fundamentou essa concepção pedagógica é: 
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Q3923481 Pedagogia
A concepção de educação que entende o processo educativo como um instrumento de conscientização para a transformação social, conforme proposto por Paulo Freire, denomina-se: 
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Q3923440 Pedagogia
A Teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel postula que a construção do conhecimento ocorre quando uma nova informação se conecta de modo substantivo e não arbitrário a um aspecto relevante da estrutura cognitiva prévia do aluno. Esse conhecimento específico preexistente, que serve de "ancoradouro" para o novo saber, é tecnicamente denominado:
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Q3923438 Pedagogia
No estágio pré-operatório descrito por Piaget, o pensamento da criança apresenta características peculiares. A tendência infantil de atribuir vida, sentimentos, intenções e consciência a objetos inanimados ou fenômenos da natureza é tecnicamente denominada: 
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Q3923388 Pedagogia
A prática educativa exige que o professor supere a curiosidade ingênua em direção à curiosidade epistemológica. Paulo Freire afirma que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção, exigindo do docente uma postura constante de: 
Alternativas
Q3919610 Pedagogia
Segundo a perspectiva histórico-cultural de Vygotsky, a aprendizagem ocorre de forma mais significativa quando:  
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Q3919590 Pedagogia
Segundo a perspectiva histórico-cultural de Vygotsky, a aprendizagem ocorre de forma mais significativa quando: 
Alternativas
Q3919390 Pedagogia
Segundo a perspectiva histórico-cultural de Vygotsky, a aprendizagem ocorre de forma mais significativa quando: 
Alternativas
Q3919330 Pedagogia
Segundo a perspectiva histórico-cultural de Vygotsky, a aprendizagem ocorre de forma mais significativa quando:  
Alternativas
Respostas
261: D
262: B
263: D
264: A
265: D
266: E
267: C
268: D
269: A
270: D
271: C
272: C
273: B
274: E
275: A
276: C
277: D
278: D
279: D
280: D