Questões de Concurso Sobre não definido

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Q4382852 Não definido
O texto contextualiza a questão. Leia-o atentamente.


A Gramática: conhecimento e ensino


    Uma das perguntas que um professor de língua pátria se faz constantemente é, com certeza, o que significa, em termos operacionais, gramática, e, a partir daí, o que representa, em sala de aula, ensinar gramática.

    Não é necessária muita argumentação para que se assegure que ensinar eficientemente a língua – e, portanto, a gramática – é, acima de tudo, propiciar e conduzir a reflexão sobre o funcionamento da linguagem, e de uma maneira, afinal, óbvia: indo pelo uso linguístico, para chegar aos resultados de sentido. Afinal, as pessoas falam – exercem a linguagem, usam a língua – para produzir sentidos, e, desse modo, estudar gramática é, exatamente, pôr sob exame o exercício da linguagem, o uso da língua, afinal, a fala. 

    Isso significa que a escola não pode criar no aluno a falsa e estéril noção de que falar e ler ou escrever não têm nada que ver com gramática.

     E volto ao primeiro ponto, o que constitui a chave da questão, que é a noção do que seja gramática, e, então, do que seja a atividade de “ensinar” gramática.

     [...] 

    Falar e escrever bem é, acima de tudo, ser bem-sucedido na interação. E isso ocorre de maneiras bastante diferentes, como diferentes forem as situações de comunicação e as funções privilegiadamente ativadas: é levar alguém a agir, se era isso o que o falante pretendia (e agir do modo como ele pretendia), é fazer alguém acreditar, se isso era o necessário no momento (e, como o que está em questão não é a ética, podemos até dizer: acreditar “entendendo”, se isso convinha, ou até acreditar “não entendendo”, se era o que convinha), e assim por diante; ou é, afinal, por exemplo, obter apenas fruição do interlocutor, se a predominância da “função poética” era pretendida.


(NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática: conhecimento e ensino. In: Língua Portuguesa em debate. José Carlos de Azeredo (Org.). Ed. Vozes Ltda. Fragmento.)
Sobre os efeitos de sentido em relação ao tipo de sujeito é correto afirmar que ainda que haja explicitação do sujeito, o uso de termos genéricos contribui para que o grau de comprometimento do enunciado diminua. Tal ocorrência pode ser observada nos trechos:

I. “que um professor de língua pátria se faz” (1º§)
II. “para que se assegure que ensinar eficientemente a língua” (2º§)
III. “Afinal, as pessoas falam – exercem a linguagem, usam a língua” (2º§)

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q4382851 Não definido
O texto contextualiza a questão. Leia-o atentamente.


A Gramática: conhecimento e ensino


    Uma das perguntas que um professor de língua pátria se faz constantemente é, com certeza, o que significa, em termos operacionais, gramática, e, a partir daí, o que representa, em sala de aula, ensinar gramática.

    Não é necessária muita argumentação para que se assegure que ensinar eficientemente a língua – e, portanto, a gramática – é, acima de tudo, propiciar e conduzir a reflexão sobre o funcionamento da linguagem, e de uma maneira, afinal, óbvia: indo pelo uso linguístico, para chegar aos resultados de sentido. Afinal, as pessoas falam – exercem a linguagem, usam a língua – para produzir sentidos, e, desse modo, estudar gramática é, exatamente, pôr sob exame o exercício da linguagem, o uso da língua, afinal, a fala. 

    Isso significa que a escola não pode criar no aluno a falsa e estéril noção de que falar e ler ou escrever não têm nada que ver com gramática.

     E volto ao primeiro ponto, o que constitui a chave da questão, que é a noção do que seja gramática, e, então, do que seja a atividade de “ensinar” gramática.

     [...] 

    Falar e escrever bem é, acima de tudo, ser bem-sucedido na interação. E isso ocorre de maneiras bastante diferentes, como diferentes forem as situações de comunicação e as funções privilegiadamente ativadas: é levar alguém a agir, se era isso o que o falante pretendia (e agir do modo como ele pretendia), é fazer alguém acreditar, se isso era o necessário no momento (e, como o que está em questão não é a ética, podemos até dizer: acreditar “entendendo”, se isso convinha, ou até acreditar “não entendendo”, se era o que convinha), e assim por diante; ou é, afinal, por exemplo, obter apenas fruição do interlocutor, se a predominância da “função poética” era pretendida.


(NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática: conhecimento e ensino. In: Língua Portuguesa em debate. José Carlos de Azeredo (Org.). Ed. Vozes Ltda. Fragmento.)
Considerando que o emprego dos sinais de pontuação é de extrema importância, assinale a reescrita que mantém a correção gramatical do trecho: “Falar e escrever bem é, acima de tudo, ser bem-sucedido na interação.” (5º §)
Alternativas
Q4382850 Não definido
O texto contextualiza a questão. Leia-o atentamente.


A Gramática: conhecimento e ensino


    Uma das perguntas que um professor de língua pátria se faz constantemente é, com certeza, o que significa, em termos operacionais, gramática, e, a partir daí, o que representa, em sala de aula, ensinar gramática.

    Não é necessária muita argumentação para que se assegure que ensinar eficientemente a língua – e, portanto, a gramática – é, acima de tudo, propiciar e conduzir a reflexão sobre o funcionamento da linguagem, e de uma maneira, afinal, óbvia: indo pelo uso linguístico, para chegar aos resultados de sentido. Afinal, as pessoas falam – exercem a linguagem, usam a língua – para produzir sentidos, e, desse modo, estudar gramática é, exatamente, pôr sob exame o exercício da linguagem, o uso da língua, afinal, a fala. 

    Isso significa que a escola não pode criar no aluno a falsa e estéril noção de que falar e ler ou escrever não têm nada que ver com gramática.

     E volto ao primeiro ponto, o que constitui a chave da questão, que é a noção do que seja gramática, e, então, do que seja a atividade de “ensinar” gramática.

     [...] 

    Falar e escrever bem é, acima de tudo, ser bem-sucedido na interação. E isso ocorre de maneiras bastante diferentes, como diferentes forem as situações de comunicação e as funções privilegiadamente ativadas: é levar alguém a agir, se era isso o que o falante pretendia (e agir do modo como ele pretendia), é fazer alguém acreditar, se isso era o necessário no momento (e, como o que está em questão não é a ética, podemos até dizer: acreditar “entendendo”, se isso convinha, ou até acreditar “não entendendo”, se era o que convinha), e assim por diante; ou é, afinal, por exemplo, obter apenas fruição do interlocutor, se a predominância da “função poética” era pretendida.


(NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática: conhecimento e ensino. In: Língua Portuguesa em debate. José Carlos de Azeredo (Org.). Ed. Vozes Ltda. Fragmento.)
Considerando os 1º e 2º parágrafos do texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) Os questionamentos citados no 1º§ são abordados no 2º§ na expressão do ponto de vista da autora.
( ) A articulista mostra-se contrária à tipologia argumentativa referente à abordagem de assuntos relevantes.
( ) A autora utiliza como recurso da argumentação, na introdução do texto, a exposição de questionamentos próprios a respeito da temática textual.
( ) Os questionamentos apresentados na introdução do texto são perguntas diretas, retóricas e objetivas, cujo propósito é propiciar ao interlocutor a possibilidade de refletir acerca do assunto em questão.

A sequência está correta em
Alternativas
Q4382849 Não definido
O texto contextualiza a questão. Leia-o atentamente.


A Gramática: conhecimento e ensino


    Uma das perguntas que um professor de língua pátria se faz constantemente é, com certeza, o que significa, em termos operacionais, gramática, e, a partir daí, o que representa, em sala de aula, ensinar gramática.

    Não é necessária muita argumentação para que se assegure que ensinar eficientemente a língua – e, portanto, a gramática – é, acima de tudo, propiciar e conduzir a reflexão sobre o funcionamento da linguagem, e de uma maneira, afinal, óbvia: indo pelo uso linguístico, para chegar aos resultados de sentido. Afinal, as pessoas falam – exercem a linguagem, usam a língua – para produzir sentidos, e, desse modo, estudar gramática é, exatamente, pôr sob exame o exercício da linguagem, o uso da língua, afinal, a fala. 

    Isso significa que a escola não pode criar no aluno a falsa e estéril noção de que falar e ler ou escrever não têm nada que ver com gramática.

     E volto ao primeiro ponto, o que constitui a chave da questão, que é a noção do que seja gramática, e, então, do que seja a atividade de “ensinar” gramática.

     [...] 

    Falar e escrever bem é, acima de tudo, ser bem-sucedido na interação. E isso ocorre de maneiras bastante diferentes, como diferentes forem as situações de comunicação e as funções privilegiadamente ativadas: é levar alguém a agir, se era isso o que o falante pretendia (e agir do modo como ele pretendia), é fazer alguém acreditar, se isso era o necessário no momento (e, como o que está em questão não é a ética, podemos até dizer: acreditar “entendendo”, se isso convinha, ou até acreditar “não entendendo”, se era o que convinha), e assim por diante; ou é, afinal, por exemplo, obter apenas fruição do interlocutor, se a predominância da “função poética” era pretendida.


(NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática: conhecimento e ensino. In: Língua Portuguesa em debate. José Carlos de Azeredo (Org.). Ed. Vozes Ltda. Fragmento.)
De acordo com o emprego e contexto em que as palavras aparecem no texto é possível identificar diferentes classificações e funções. Considerando a afirmação anterior, analise o emprego da palavra “se” nos trechos destacados a seguir:

I. “Uma das perguntas que um professor de língua pátria se faz [...]” – conjunção coordenativa
II. “Não é necessária muita argumentação para que se assegure [...]” – índice de indeterminação do sujeito
III. “[...] é levar alguém a agir, se era isso o que o falante pretendia [...]” – conjunção subordinativa

A correspondência está correta apenas em
Alternativas
Q4382848 Não definido
O texto contextualiza a questão. Leia-o atentamente.


A Gramática: conhecimento e ensino


    Uma das perguntas que um professor de língua pátria se faz constantemente é, com certeza, o que significa, em termos operacionais, gramática, e, a partir daí, o que representa, em sala de aula, ensinar gramática.

    Não é necessária muita argumentação para que se assegure que ensinar eficientemente a língua – e, portanto, a gramática – é, acima de tudo, propiciar e conduzir a reflexão sobre o funcionamento da linguagem, e de uma maneira, afinal, óbvia: indo pelo uso linguístico, para chegar aos resultados de sentido. Afinal, as pessoas falam – exercem a linguagem, usam a língua – para produzir sentidos, e, desse modo, estudar gramática é, exatamente, pôr sob exame o exercício da linguagem, o uso da língua, afinal, a fala. 

    Isso significa que a escola não pode criar no aluno a falsa e estéril noção de que falar e ler ou escrever não têm nada que ver com gramática.

     E volto ao primeiro ponto, o que constitui a chave da questão, que é a noção do que seja gramática, e, então, do que seja a atividade de “ensinar” gramática.

     [...] 

    Falar e escrever bem é, acima de tudo, ser bem-sucedido na interação. E isso ocorre de maneiras bastante diferentes, como diferentes forem as situações de comunicação e as funções privilegiadamente ativadas: é levar alguém a agir, se era isso o que o falante pretendia (e agir do modo como ele pretendia), é fazer alguém acreditar, se isso era o necessário no momento (e, como o que está em questão não é a ética, podemos até dizer: acreditar “entendendo”, se isso convinha, ou até acreditar “não entendendo”, se era o que convinha), e assim por diante; ou é, afinal, por exemplo, obter apenas fruição do interlocutor, se a predominância da “função poética” era pretendida.


(NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática: conhecimento e ensino. In: Língua Portuguesa em debate. José Carlos de Azeredo (Org.). Ed. Vozes Ltda. Fragmento.)
“A ordem das palavras na frase não é aleatória. Algumas inversões podem tornar o enunciado agramatical; outras podem alterar totalmente o seu sentido.” Em relação ao assunto tratado no texto, a afirmativa anterior está:
Alternativas
Q4382847 Não definido
O texto contextualiza a questão. Leia-o atentamente.


A Gramática: conhecimento e ensino


    Uma das perguntas que um professor de língua pátria se faz constantemente é, com certeza, o que significa, em termos operacionais, gramática, e, a partir daí, o que representa, em sala de aula, ensinar gramática.

    Não é necessária muita argumentação para que se assegure que ensinar eficientemente a língua – e, portanto, a gramática – é, acima de tudo, propiciar e conduzir a reflexão sobre o funcionamento da linguagem, e de uma maneira, afinal, óbvia: indo pelo uso linguístico, para chegar aos resultados de sentido. Afinal, as pessoas falam – exercem a linguagem, usam a língua – para produzir sentidos, e, desse modo, estudar gramática é, exatamente, pôr sob exame o exercício da linguagem, o uso da língua, afinal, a fala. 

    Isso significa que a escola não pode criar no aluno a falsa e estéril noção de que falar e ler ou escrever não têm nada que ver com gramática.

     E volto ao primeiro ponto, o que constitui a chave da questão, que é a noção do que seja gramática, e, então, do que seja a atividade de “ensinar” gramática.

     [...] 

    Falar e escrever bem é, acima de tudo, ser bem-sucedido na interação. E isso ocorre de maneiras bastante diferentes, como diferentes forem as situações de comunicação e as funções privilegiadamente ativadas: é levar alguém a agir, se era isso o que o falante pretendia (e agir do modo como ele pretendia), é fazer alguém acreditar, se isso era o necessário no momento (e, como o que está em questão não é a ética, podemos até dizer: acreditar “entendendo”, se isso convinha, ou até acreditar “não entendendo”, se era o que convinha), e assim por diante; ou é, afinal, por exemplo, obter apenas fruição do interlocutor, se a predominância da “função poética” era pretendida.


(NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática: conhecimento e ensino. In: Língua Portuguesa em debate. José Carlos de Azeredo (Org.). Ed. Vozes Ltda. Fragmento.)
Pode-se afirmar que o título do texto indica:
Alternativas
Q4382846 Não definido
O texto contextualiza a questão. Leia-o atentamente.


A Gramática: conhecimento e ensino


    Uma das perguntas que um professor de língua pátria se faz constantemente é, com certeza, o que significa, em termos operacionais, gramática, e, a partir daí, o que representa, em sala de aula, ensinar gramática.

    Não é necessária muita argumentação para que se assegure que ensinar eficientemente a língua – e, portanto, a gramática – é, acima de tudo, propiciar e conduzir a reflexão sobre o funcionamento da linguagem, e de uma maneira, afinal, óbvia: indo pelo uso linguístico, para chegar aos resultados de sentido. Afinal, as pessoas falam – exercem a linguagem, usam a língua – para produzir sentidos, e, desse modo, estudar gramática é, exatamente, pôr sob exame o exercício da linguagem, o uso da língua, afinal, a fala. 

    Isso significa que a escola não pode criar no aluno a falsa e estéril noção de que falar e ler ou escrever não têm nada que ver com gramática.

     E volto ao primeiro ponto, o que constitui a chave da questão, que é a noção do que seja gramática, e, então, do que seja a atividade de “ensinar” gramática.

     [...] 

    Falar e escrever bem é, acima de tudo, ser bem-sucedido na interação. E isso ocorre de maneiras bastante diferentes, como diferentes forem as situações de comunicação e as funções privilegiadamente ativadas: é levar alguém a agir, se era isso o que o falante pretendia (e agir do modo como ele pretendia), é fazer alguém acreditar, se isso era o necessário no momento (e, como o que está em questão não é a ética, podemos até dizer: acreditar “entendendo”, se isso convinha, ou até acreditar “não entendendo”, se era o que convinha), e assim por diante; ou é, afinal, por exemplo, obter apenas fruição do interlocutor, se a predominância da “função poética” era pretendida.


(NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática: conhecimento e ensino. In: Língua Portuguesa em debate. José Carlos de Azeredo (Org.). Ed. Vozes Ltda. Fragmento.)
Partindo do pressuposto de que a coesão textual é imprescindível para que haja conexão entre os enunciados permitindo a comunicação, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4382845 Não definido
    [...]
    E Cordulina, botando a vergonha de lado, com o Duquinha no quadril – que as privações tinham desensinado de andar, e agora mal engatinhava – dirigia-se às casas, pedindo um leitinho para dar ao filho, um restinho de farinha ou de goma pra fazer uma papa...
     A pobre da burra, que vinham sustentando Deus sabe como, com casca de pau e sabugos de monturo, foi emagrecendo, descarnando, até ficar uma dura armação de ossos, envolvida num couro sujo, esburacado de vermelho.
    Chico Bento julgou melhor trocá-la por qualquer cinco mil réis, do que ser forçado a abandoná-la por aí, meio morta, em algum pedaço de caminho.
(QUEIROZ, Rachel de. O Quinze. 33. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1984. Fragmento.)

Escritores como Rachel de Queiroz optaram por retratar as misérias humanas, principalmente, no sertão do Nordeste, conforme observado no fragmento anterior. O referido grupo pode ser reconhecido como autores pertencentes à: 
Alternativas
Q4382844 Não definido
“Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando- -me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.”

(Machado de Assis. Dom Casmurro. Disponível em: www.dominiopublico. gov.br. Com adaptações.)

O trecho anterior dá início ao romance Dom Casmurro, obra de Machado de Assis. Considerando a estética literária a qual pertence esta obra, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q4382843 Não definido
Como caíram tantas águas,
nublou-se o horizonte,
nublou-se a floresta, nublou-se o vale.

Cecília Meireles
in Mar Absoluto

A repetição das palavras no início de cada verso da estrofe destacada é um recurso estilístico que:
Alternativas
Q4382842 Não definido
Amor adiado

[...]
Excomungado dos teus beijos
resta-me o singular destino
de pingar pétala a pétala
toda a geografia cuidadosamente recortada
à imagem incerta das nossas veias
e mesmo assim existir
inventar o amor
com dálias murchas de amargura.
[...]

(MUTEIA, Hélder. Verdade dos mitos. Moçambique: Associação dos Escritores Moçambicanos.)

O tema apresentado pelo moçambicano Hélder Muteia é universal; seu texto pode ser reconhecido como pertencente ao gênero lírico considerando: 
Alternativas
Q4382841 Não definido
Alguns elementos tais como narrador, personagem, espaço, tempo e enredo contribuem para a construção de textos narrativos. Identifique e assinale a afirmativa correta sobre tais elementos.
Alternativas
Q4382840 Não definido
Q25.png (427×190)
(Arte Jornal da USP sobre foto Wikimedia Commons – CC. Disponível em: https://jornal.usp.br/cultura/memorias-postumas-de-bras-cubasobserva-a-condicao-humana/.)

A inscrição na lápide da imagem é uma referência à dedicatória no romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, publicado pela primeira vez em 1880:

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas memórias póstumas.”

Outro trecho do livro:

“Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta- -feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns 64 anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de 300 contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos.”

De acordo com os trechos destacados, pode-se afirmar que o foco narrativo:
Alternativas
Q4382839 Não definido
Texto para responder à questão.


Poesia e Prosa


Pode-se escrever em prosa ou em verso.

Quando se escreve em prosa,

a gente enche a linha do caderno até o fim,

antes de passar para a outra linha.

E assim por diante até o fim da página.

Em poesia não: a gente muda de linha antes do fim,

deixando um espaço em branco antes de ir para a linha seguinte.

Essas linhas incompletas se chamam de versos.

Acho que o espaço em branco é para o leitor poder ficar pensando.

Pensando bem no que o poeta acabou de dizer.

Algumas vezes, lendo um verso, a gente tem de 

voltar aos versos de trás para entender

melhor o que ele quer dizer.

Principalmente quando há uma rima, isto é,

uma palavra com o mesmo som de outra lida há pouco.

Então a gente vai procurá-la para ver se é isso mesmo.

A prosa é como trem, vai sempre em frente.

A poesia é como o pêndulo dos relógios de parede de

antigamente,

que ficava balançando de um lado para outro.

Embora balançasse sempre no mesmo lugar,

o pêndulo não marcava sempre a mesma hora.

Avançava de minuto a minuto,

registrando a passagem das horas: 1, 2, 3, até 12.

Também a poesia vai marcando,

na passagem da vida, cada minuto importante dela.

De tanto ir e vir de um verso a outro,

de uma rima a outra,

a gente acaba decorando um poema e guardando-o na

memória.

E quando vê acontecer alguma coisa parecida

com um poema que já leu, a gente logo se recorda dele.

Geralmente, a prosa entra por um ouvido e sai pelo outro.

A poesia, não: entra pelo ouvido e fica no coração.


(PAES, José Paulo. Vejam como eu sei escrever. São Paulo: Ática, 2003.)
É possível identificar no poema o emprego de expressões metafóricas na produção de sentidos que refletem a intencionalidade textual proposta. Em relação à assertiva anterior, é correto afirmar que:
Alternativas
Q4382838 Não definido
Texto para responder à questão.


Poesia e Prosa


Pode-se escrever em prosa ou em verso.

Quando se escreve em prosa,

a gente enche a linha do caderno até o fim,

antes de passar para a outra linha.

E assim por diante até o fim da página.

Em poesia não: a gente muda de linha antes do fim,

deixando um espaço em branco antes de ir para a linha seguinte.

Essas linhas incompletas se chamam de versos.

Acho que o espaço em branco é para o leitor poder ficar pensando.

Pensando bem no que o poeta acabou de dizer.

Algumas vezes, lendo um verso, a gente tem de 

voltar aos versos de trás para entender

melhor o que ele quer dizer.

Principalmente quando há uma rima, isto é,

uma palavra com o mesmo som de outra lida há pouco.

Então a gente vai procurá-la para ver se é isso mesmo.

A prosa é como trem, vai sempre em frente.

A poesia é como o pêndulo dos relógios de parede de

antigamente,

que ficava balançando de um lado para outro.

Embora balançasse sempre no mesmo lugar,

o pêndulo não marcava sempre a mesma hora.

Avançava de minuto a minuto,

registrando a passagem das horas: 1, 2, 3, até 12.

Também a poesia vai marcando,

na passagem da vida, cada minuto importante dela.

De tanto ir e vir de um verso a outro,

de uma rima a outra,

a gente acaba decorando um poema e guardando-o na

memória.

E quando vê acontecer alguma coisa parecida

com um poema que já leu, a gente logo se recorda dele.

Geralmente, a prosa entra por um ouvido e sai pelo outro.

A poesia, não: entra pelo ouvido e fica no coração.


(PAES, José Paulo. Vejam como eu sei escrever. São Paulo: Ática, 2003.)
A partir do conceito de que a linguagem é uma prática social humana de interação entre sujeitos, pode-se reconhecer que o poema de José Paulo Paes apresenta como características em relação às funções da linguagem:

I. Uso de expressões que indicam a significação de algo.
II. Mensagem voltada para a própria linguagem: verbal e não verbal.
III. Com a finalidade de persuasão, o eu lírico dirige-se diretamente ao interlocutor.
IV. Emprego de recursos linguísticos que favorecem a manutenção do contato comunicativo.

Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Q4382837 Não definido
    Um outro conviva se levantou. [...]
    Esvaziou o copo cheio de vinho, e com a barba nas mãos alvas, com os olhos de verde-mar fixos, falou:
    — Sabeis, uma mulher levou-me à perdição. Foi ela quem me queimou a fronte nas orgias, e desbotou-me os lábios no ardor dos vinhos e na moleza de seus beijos, quem me fez devassar pálido as longas noites de insônia nas mesas de jogo, e na doidice dos abraços convulsos com que ela me apertava o seio! [...]
(AZEVEDO, Álvares de. Noite na taverna. In: BUENO, Alexei (Org.). Obra completa de Álvares de Azevedo. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. Fragmento.)

Álvares de Azevedo, um dos grandes nomes do Romantismo no Brasil, apresenta no fragmento destacado:
Alternativas
Q4382836 Não definido
    [...] Algum tempo se passou sem que nenhum jornal falasse nesse volume [...] Depois acordaram todos ao mesmo tempo, e o autor dos primeiros cantos se viu exaltado muito acima do seu merecimento. O mais conceituado dos escritores portugueses – Alexandre Herculano – falou desse volume com expressões bem lisonjeiras e esse artigo causou muita impressão em Portugal e Brasil.
    Mas já nesse tempo o povo tinha adotado o poeta, repetindo e cantando em todos os ângulos do Brasil. [...]
(DIAS, Gonçalves. Apud: CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira. 6. ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1981. Fragmento.)

Considerando o fragmento anterior e a estética literária à qual pertence o seu autor, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q4382835 Não definido
O texto contextualiza a questão. Leia-o atentamente.


A diversidade valorizada


Valorizar a realidade do outro é o movimento mais revolucionário dos nossos tempos.


    A humanidade, como um todo, às vezes parece um ébrio que avança cambaleante, que titubeia à esquerda, deambula à direta, retrocede meio passo e, aos poucos, avança imprecisamente. Talvez se assemelhe melhor a um infante, quiçá a um bebê, que, inseguro, busca firmar seus passos e a quem a queda se apresenta não como mandatária, mas como experiência. 

    Todos nós, relutantes e amedrontados, transformamos a nossa realidade num lar, onde nos aconchegamos, repousamos e alardeamos ser este o nosso espaço possível, o único seguro. Fora deste “nosso lar” nada existe – e, se existir, é perigoso, é uma ameaça que precisa ser eliminada.

    Mas será que para trombetear que nosso lar é acolhedor precisamos exorcizar os lares alheios? Quando guturalmente explicitamos que nosso espaço é possível, estamos negando que outros existam? Cada pessoa se depara com algo que gostaria de negar, precisa ver o que não gostaria de reconhecer e é colocada próxima daquilo de que gostaria de manter distância: o outro, a outra.

    O “outro” impõe sua existência, está às vistas, circula na proximidade. Como vamos lidar com isso? Ou, ainda, como estamos percebendo este outro, esta outra? A realidade do outro e da outra não é mono, mas polissêmica; não é rotina, mas festejo; não é única, mas diversa. Assim, a diversidade se introduz como hóspede inoportuna, com galhardia imprópria. Desfila a si mesma, desarticulando nossa insegura e medrosa rotina.

    O momento exige que o infante ébrio firme seus passos, encare o percurso, sorria desafiante e acalente um sonho. Deve- -se festejar a diversidade, não apenas suportar sua presença; torná-la laudável, não um infortúnio imposto; anunciá-la abertamente, não a tratando como hóspede indesejada. Para isso, uma transformação se impõe e é preciso pôr em prática um vasto e generoso escambo, ir para a vida disposto a trocar o resultado pela paz interior, o falo pelo afeto, o linear pelo cíclico, a lógica pelo fenômeno, a colheita pelo plantio, a certeza pela dúvida, a razão pela vivência.

    A diversidade elogiada se revela sorrateira e cativante nas suas múltiplas dobras, num convite claro para que a humanidade visualize a si mesma, encare-se como totalidade e não exclua de si a sua essência: o diverso. Negar a diversidade é impossível, por isso é que pessoas e povos com projetos de dominação forjam teorias – com alcunha de ciência ou nome de algum deus – que fazem classificações de “superiores” e “inferiores”. Desta forma, o modo de lidar com a diversidade se torna sutil e perverso. Seria, por acaso, tão difícil perceber que dizer que o “outro” é inferior carrega a lógica da dominação?

    O relato sobre a diversidade laudável se torna extenso, mas também pode ser sucintamente apresentado, desde que sejam abandonados esquemas mentais de negação do(a) outro(a). Se esse passo for dado, a diversidade surge resplandecente, como joia desejada, que contabiliza para o tesouro da humanidade.

    Invertendo esse sonho, a pobreza se torna nosso legado, pois, quando uma cultura desaparece, junto some uma maneira de interpretar a realidade; quando um idioma para de ser falado, cessa junto um jeito de expressar a palavra “mundo”; quando uma religião finda, empobrecem as sendas da humanidade na busca pelo sagrado; quando uma etnia é ocultada, é o olhar de todos que fica embaçado; quando uma expressão de gênero é perseguida, a humanidade revela sua própria infelicidade. Por fim, quando um humano é discriminado por aqueles que detêm o poder, todos correm riscos, pois o poder muda de mãos, mas a sua lógica, nunca.

    Passamos de uma pauta pessoal para uma pauta política e coletiva, porque, quando se acalenta que um simples fragmento de diversidade possa ser excluído, dá-se a dica e a permissão para nossa própria exclusão. Sim, negar a diversidade é a mais sutil e astuta agenda dos ditadores de plantão. Os regimes autoritários não podem permitir que o diverso exista, já que cultuam a si mesmos. Eles precisam suplantar o outro, para fazer reluzir a própria egolatria. Preferem o espelho à janela e, mesmo com olhos abertos, só enxergam a própria face.

    Valorizar a diversidade é o movimento mais revolucionário dos nossos tempos, o mais democrático dos impulsos, a empreitada mais transformadora. Valorizar a diversidade é raciocinar a partir da premissa de que todos contam. O pão acumulado em uma mesa e que falta na mesa do outro é injusto; o religioso que se apresenta como o único representante do sagrado é mentiroso; o modelo de família trazido como o único verdadeiro é falso; o líder que se apregoa como a única opção é um usurpador; a etnia que se infla de superior é insegura; o padrão de afeto que precisa se impor é decepcionante.

    Que a diversidade ecoe em nossos ouvidos como a música predileta. Que ela ocupe nossos pensamentos como nossos melhores sonhos. E que, vigilantes, possamos escrutinar nosso cotidiano, para que nunca, nem no menor aceno, possamos afastá-la. Em última instância, a diversidade é o reflexo da vida, que misteriosamente desliza à nossa frente em muitas formas, desvelando seu mistério.


(SANCHES, Mário Antonio. A diversidade valorizada. O Estado de São Paulo. Em: 18/09/2021. Disponível em: https://opiniao.estadao.com.br/ noticias/espaco-aberto,a-diversidade-valorizada,70003842411.)
“Que a diversidade ecoe em nossos ouvidos como a música predileta. Que ela ocupe nossos pensamentos como nossos melhores sonhos. E que, vigilantes, possamos escrutinar nosso cotidiano, para que nunca, nem no menor aceno, possamos afastá-la.” (11º§) O emprego das formas verbais “ecoe”, “ocupe” e “possamos” (nas duas ocorrências) indica que as ações propostas: 
Alternativas
Q4382834 Não definido
O texto contextualiza a questão. Leia-o atentamente.


A diversidade valorizada


Valorizar a realidade do outro é o movimento mais revolucionário dos nossos tempos.


    A humanidade, como um todo, às vezes parece um ébrio que avança cambaleante, que titubeia à esquerda, deambula à direta, retrocede meio passo e, aos poucos, avança imprecisamente. Talvez se assemelhe melhor a um infante, quiçá a um bebê, que, inseguro, busca firmar seus passos e a quem a queda se apresenta não como mandatária, mas como experiência. 

    Todos nós, relutantes e amedrontados, transformamos a nossa realidade num lar, onde nos aconchegamos, repousamos e alardeamos ser este o nosso espaço possível, o único seguro. Fora deste “nosso lar” nada existe – e, se existir, é perigoso, é uma ameaça que precisa ser eliminada.

    Mas será que para trombetear que nosso lar é acolhedor precisamos exorcizar os lares alheios? Quando guturalmente explicitamos que nosso espaço é possível, estamos negando que outros existam? Cada pessoa se depara com algo que gostaria de negar, precisa ver o que não gostaria de reconhecer e é colocada próxima daquilo de que gostaria de manter distância: o outro, a outra.

    O “outro” impõe sua existência, está às vistas, circula na proximidade. Como vamos lidar com isso? Ou, ainda, como estamos percebendo este outro, esta outra? A realidade do outro e da outra não é mono, mas polissêmica; não é rotina, mas festejo; não é única, mas diversa. Assim, a diversidade se introduz como hóspede inoportuna, com galhardia imprópria. Desfila a si mesma, desarticulando nossa insegura e medrosa rotina.

    O momento exige que o infante ébrio firme seus passos, encare o percurso, sorria desafiante e acalente um sonho. Deve- -se festejar a diversidade, não apenas suportar sua presença; torná-la laudável, não um infortúnio imposto; anunciá-la abertamente, não a tratando como hóspede indesejada. Para isso, uma transformação se impõe e é preciso pôr em prática um vasto e generoso escambo, ir para a vida disposto a trocar o resultado pela paz interior, o falo pelo afeto, o linear pelo cíclico, a lógica pelo fenômeno, a colheita pelo plantio, a certeza pela dúvida, a razão pela vivência.

    A diversidade elogiada se revela sorrateira e cativante nas suas múltiplas dobras, num convite claro para que a humanidade visualize a si mesma, encare-se como totalidade e não exclua de si a sua essência: o diverso. Negar a diversidade é impossível, por isso é que pessoas e povos com projetos de dominação forjam teorias – com alcunha de ciência ou nome de algum deus – que fazem classificações de “superiores” e “inferiores”. Desta forma, o modo de lidar com a diversidade se torna sutil e perverso. Seria, por acaso, tão difícil perceber que dizer que o “outro” é inferior carrega a lógica da dominação?

    O relato sobre a diversidade laudável se torna extenso, mas também pode ser sucintamente apresentado, desde que sejam abandonados esquemas mentais de negação do(a) outro(a). Se esse passo for dado, a diversidade surge resplandecente, como joia desejada, que contabiliza para o tesouro da humanidade.

    Invertendo esse sonho, a pobreza se torna nosso legado, pois, quando uma cultura desaparece, junto some uma maneira de interpretar a realidade; quando um idioma para de ser falado, cessa junto um jeito de expressar a palavra “mundo”; quando uma religião finda, empobrecem as sendas da humanidade na busca pelo sagrado; quando uma etnia é ocultada, é o olhar de todos que fica embaçado; quando uma expressão de gênero é perseguida, a humanidade revela sua própria infelicidade. Por fim, quando um humano é discriminado por aqueles que detêm o poder, todos correm riscos, pois o poder muda de mãos, mas a sua lógica, nunca.

    Passamos de uma pauta pessoal para uma pauta política e coletiva, porque, quando se acalenta que um simples fragmento de diversidade possa ser excluído, dá-se a dica e a permissão para nossa própria exclusão. Sim, negar a diversidade é a mais sutil e astuta agenda dos ditadores de plantão. Os regimes autoritários não podem permitir que o diverso exista, já que cultuam a si mesmos. Eles precisam suplantar o outro, para fazer reluzir a própria egolatria. Preferem o espelho à janela e, mesmo com olhos abertos, só enxergam a própria face.

    Valorizar a diversidade é o movimento mais revolucionário dos nossos tempos, o mais democrático dos impulsos, a empreitada mais transformadora. Valorizar a diversidade é raciocinar a partir da premissa de que todos contam. O pão acumulado em uma mesa e que falta na mesa do outro é injusto; o religioso que se apresenta como o único representante do sagrado é mentiroso; o modelo de família trazido como o único verdadeiro é falso; o líder que se apregoa como a única opção é um usurpador; a etnia que se infla de superior é insegura; o padrão de afeto que precisa se impor é decepcionante.

    Que a diversidade ecoe em nossos ouvidos como a música predileta. Que ela ocupe nossos pensamentos como nossos melhores sonhos. E que, vigilantes, possamos escrutinar nosso cotidiano, para que nunca, nem no menor aceno, possamos afastá-la. Em última instância, a diversidade é o reflexo da vida, que misteriosamente desliza à nossa frente em muitas formas, desvelando seu mistério.


(SANCHES, Mário Antonio. A diversidade valorizada. O Estado de São Paulo. Em: 18/09/2021. Disponível em: https://opiniao.estadao.com.br/ noticias/espaco-aberto,a-diversidade-valorizada,70003842411.)
A coesão sequencial é um recurso utilizado nos textos com o propósito de articular as ideias apresentadas, atribuindo sequência lógica aos enunciados. Portanto, configura-se como um elemento fundamental para a coerência do texto. No entanto, frequentemente, enunciados são construídos sem a presença desses elementos, como ocorreu nesta passagem do texto. Releia-a.

“Deve-se festejar a diversidade, não apenas suportar sua presença; torná-la laudável, não um infortúnio imposto; anunciá-la abertamente, não a tratando como hóspede indesejada.” (5º§)

Embora não apresente elementos coesivos sequenciadores, é possível estabelecer uma relação de sentido entre as orações destacadas e as anteriores. Qual conector melhor articularia essas orações no período e qual seu valor sintático-semântico? 
Alternativas
Q4382833 Não definido
O texto contextualiza a questão. Leia-o atentamente.


A diversidade valorizada


Valorizar a realidade do outro é o movimento mais revolucionário dos nossos tempos.


    A humanidade, como um todo, às vezes parece um ébrio que avança cambaleante, que titubeia à esquerda, deambula à direta, retrocede meio passo e, aos poucos, avança imprecisamente. Talvez se assemelhe melhor a um infante, quiçá a um bebê, que, inseguro, busca firmar seus passos e a quem a queda se apresenta não como mandatária, mas como experiência. 

    Todos nós, relutantes e amedrontados, transformamos a nossa realidade num lar, onde nos aconchegamos, repousamos e alardeamos ser este o nosso espaço possível, o único seguro. Fora deste “nosso lar” nada existe – e, se existir, é perigoso, é uma ameaça que precisa ser eliminada.

    Mas será que para trombetear que nosso lar é acolhedor precisamos exorcizar os lares alheios? Quando guturalmente explicitamos que nosso espaço é possível, estamos negando que outros existam? Cada pessoa se depara com algo que gostaria de negar, precisa ver o que não gostaria de reconhecer e é colocada próxima daquilo de que gostaria de manter distância: o outro, a outra.

    O “outro” impõe sua existência, está às vistas, circula na proximidade. Como vamos lidar com isso? Ou, ainda, como estamos percebendo este outro, esta outra? A realidade do outro e da outra não é mono, mas polissêmica; não é rotina, mas festejo; não é única, mas diversa. Assim, a diversidade se introduz como hóspede inoportuna, com galhardia imprópria. Desfila a si mesma, desarticulando nossa insegura e medrosa rotina.

    O momento exige que o infante ébrio firme seus passos, encare o percurso, sorria desafiante e acalente um sonho. Deve- -se festejar a diversidade, não apenas suportar sua presença; torná-la laudável, não um infortúnio imposto; anunciá-la abertamente, não a tratando como hóspede indesejada. Para isso, uma transformação se impõe e é preciso pôr em prática um vasto e generoso escambo, ir para a vida disposto a trocar o resultado pela paz interior, o falo pelo afeto, o linear pelo cíclico, a lógica pelo fenômeno, a colheita pelo plantio, a certeza pela dúvida, a razão pela vivência.

    A diversidade elogiada se revela sorrateira e cativante nas suas múltiplas dobras, num convite claro para que a humanidade visualize a si mesma, encare-se como totalidade e não exclua de si a sua essência: o diverso. Negar a diversidade é impossível, por isso é que pessoas e povos com projetos de dominação forjam teorias – com alcunha de ciência ou nome de algum deus – que fazem classificações de “superiores” e “inferiores”. Desta forma, o modo de lidar com a diversidade se torna sutil e perverso. Seria, por acaso, tão difícil perceber que dizer que o “outro” é inferior carrega a lógica da dominação?

    O relato sobre a diversidade laudável se torna extenso, mas também pode ser sucintamente apresentado, desde que sejam abandonados esquemas mentais de negação do(a) outro(a). Se esse passo for dado, a diversidade surge resplandecente, como joia desejada, que contabiliza para o tesouro da humanidade.

    Invertendo esse sonho, a pobreza se torna nosso legado, pois, quando uma cultura desaparece, junto some uma maneira de interpretar a realidade; quando um idioma para de ser falado, cessa junto um jeito de expressar a palavra “mundo”; quando uma religião finda, empobrecem as sendas da humanidade na busca pelo sagrado; quando uma etnia é ocultada, é o olhar de todos que fica embaçado; quando uma expressão de gênero é perseguida, a humanidade revela sua própria infelicidade. Por fim, quando um humano é discriminado por aqueles que detêm o poder, todos correm riscos, pois o poder muda de mãos, mas a sua lógica, nunca.

    Passamos de uma pauta pessoal para uma pauta política e coletiva, porque, quando se acalenta que um simples fragmento de diversidade possa ser excluído, dá-se a dica e a permissão para nossa própria exclusão. Sim, negar a diversidade é a mais sutil e astuta agenda dos ditadores de plantão. Os regimes autoritários não podem permitir que o diverso exista, já que cultuam a si mesmos. Eles precisam suplantar o outro, para fazer reluzir a própria egolatria. Preferem o espelho à janela e, mesmo com olhos abertos, só enxergam a própria face.

    Valorizar a diversidade é o movimento mais revolucionário dos nossos tempos, o mais democrático dos impulsos, a empreitada mais transformadora. Valorizar a diversidade é raciocinar a partir da premissa de que todos contam. O pão acumulado em uma mesa e que falta na mesa do outro é injusto; o religioso que se apresenta como o único representante do sagrado é mentiroso; o modelo de família trazido como o único verdadeiro é falso; o líder que se apregoa como a única opção é um usurpador; a etnia que se infla de superior é insegura; o padrão de afeto que precisa se impor é decepcionante.

    Que a diversidade ecoe em nossos ouvidos como a música predileta. Que ela ocupe nossos pensamentos como nossos melhores sonhos. E que, vigilantes, possamos escrutinar nosso cotidiano, para que nunca, nem no menor aceno, possamos afastá-la. Em última instância, a diversidade é o reflexo da vida, que misteriosamente desliza à nossa frente em muitas formas, desvelando seu mistério.


(SANCHES, Mário Antonio. A diversidade valorizada. O Estado de São Paulo. Em: 18/09/2021. Disponível em: https://opiniao.estadao.com.br/ noticias/espaco-aberto,a-diversidade-valorizada,70003842411.)
É sabido que as aspas não são usadas apenas como um recurso normativo de pontuação, já que podem apresentar diversas funções discursivas, a depender das intenções pretendidas e das ideias que o autor de um texto deseja veicular. Observe o excerto a seguir:

“...por isso é que pessoas e povos com projetos de dominação forjam teorias (...) que fazem classificações de ‘superiores’ e ‘inferiores’.” (6º§)

Nesse contexto, o uso das aspas nos termos “superiores” e “inferiores” sinaliza para o interlocutor a presença de:
Alternativas
Respostas
10721: A
10722: A
10723: D
10724: B
10725: A
10726: C
10727: B
10728: D
10729: B
10730: D
10731: C
10732: A
10733: B
10734: B
10735: A
10736: A
10737: A
10738: A
10739: B
10740: A