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Questões de Concurso Sobre vícios da linguagem em português

Foram encontradas 542 questões

Q532000 Português

                                             Educação Infantil e Avaliação


      (1§) Há muitos anos, a educação infantil era tida como um espaço aonde a criança ia para brincar, se divertir, passar o tempo, ter oportunidade de conviver com crianças da mesma idade. Porém, a educação infantil conquistou seu espaço de valorização e respeito, podendo ser vista como construtora das primeiras aprendizagens sociais e intelectuais do sujeito, através das experiências em que este vive no espaço escolar.

      (2§) Mesmo tendo conquistado seu espaço, podemos ver até hoje que a avaliação nesse contexto escolar não é tida com a seriedade que deveria. Não podemos avaliar com tabelas prontas, que envolvem aspectos do cotidiano da criança, nem tampouco pelas produções e registros escritos, mas devemos avaliar continuamente, ou seja, numa avaliação que envolva o aluno como um todo e não fragmentado em partes.

      (3§) Nessa perspectiva, os relatórios descritivos são a melhor forma de organizar dados referentes ao desenvolvimento das crianças nas creches e pré-escolas. O professor consciente, preparado, não vê o relatório como um formato trabalhoso de avaliar, mas como um instrumento de suporte para a especificidade do exercício de sua profissão. É uma forma de se auto avaliar, refletir sobre as estratégias utilizadas, identificando com responsabilidade o que funciona e o que pode ser modificado.

      (4§) Para que o relatório seja eficiente, é necessário dispor de tempo para fazer pequenas anotações diárias sobre o comportamento, a participação, o envolvimento, o equilíbrio psicológico, dentre outros, de cada aluno durante as aulas.

      (5§) Através do relatório, o professor demonstra o quão trabalhosa é a sua lida com as crianças, em razão dos detalhes que são citados no mesmo – no dia tal, a aluna ajudou o colega a vestir a blusa, já apresenta uma coordenação motora desenvolvida, pois conseguiu passar os fios do alinhavo corretamente.

      (6§) Com isso, os pais vão tendo noção das atividades desenvolvidas, bem como percebendo a importância de cada uma delas para o desenvolvimento da criança, seja motor, cognitivo, afetivo ou social.


                        (http://educador.brasilescola.com/orientacoes/educacao-infantil-avaliacao.htm. Acesso: 13/10/2013.

                                                                                                                                                                     Adaptado.) 

Esta é a definição de redundância, de acordo com o dicionário eletrônico Houaiss:


Imagem associada para resolução da questão


Qual destes trechos, retirados do artigo, apresenta um exemplo de redundância?

Alternativas
Ano: 2012 Banca: FEPESE Órgão: UFFS Prova: FEPESE - 2012 - UFFS - Revisor de Texto |
Q2916848 Português

Leia as recomendações contidas no texto abaixo para, em seguida, responder à questão proposta.

“O revisor deve respeitar o estilo do autor. Sua contribuição no sentido de aprimorar o estilo do texto que lhe foi confiado não deve levar em conta valores subjetivos, nem sua própria forma de expressão […] O revisor deve buscar, sim, medidas que tornem o texto do outro estilisticamente mais perfeito pela identificação e eliminação dos vícios de linguagem (ressalvados os intencionais, usados no texto literário, por exemplo) e de outros desvios da norma culta, cuidando sempre para que as alterações feitas não interfiram na carga semântica do discurso.” (Lúcia Locatelli Flôres)

Os excertos abaixo, exceto um, apresentam vícios de linguagem que comprometem o estilo. Assinale-o.

Alternativas
Q2755246 Português

Na sentença: “Ele é um anjo”, tem-se a figura de linguagem denominada de:

Alternativas
Q2748470 Português
not valid statement found
Considerando os objetivos e as finalidades do texto Homo Connectus, pode-se afirmar que a função da linguagem predominante nele é
Alternativas
Q2734378 Português

Polícia acha Cézanne roubado na Sérvia


A polícia de Belgrado, na Sérvia, conseguiu recuperar um quadro pintado por Paul Cézanne que havia sido roubado em Zurique, na Suíça. Autoridades francesas foram chamadas e confirmaram a autenticidade da obra, avaliada em US$ 110 milhões.

O Estado de São Paulo, 16 abr 2012, p. A14.


Analise o título da notícia e a primeira frase do texto.


1. Há ambiguidade, quanto à informação sobre o lugar em que o quadro foi roubado.

2. Tanto o título quanto a matéria estão perfeitamente claros para o leitor.

3. O título “Valiosa pintura de Paul Cézanne é roubado” traduziria com clareza a notícia apresentada.


Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.


Alternativas
Q756962 Português

Leia a oração abaixo.

Joana foi à Prefeitura Municipal para resolver algumas pendências.


Assinale a alternativa que apresenta o mesmo vício de linguagem da oração acima.

Alternativas
Q501505 Português
Em “Ele desceu para baixo agora mesmo.”, o Vício de Linguagem expresso é
Alternativas
Q501449 Português
Assinale a alternativa em que não se verifica pleonasmo (vicioso ou estilístico).
Alternativas
Q261650 Português
Leia o texto abaixo e responda às questões de 17 a 30.

Imagem 002.jpg

A alternativa em que a duplicidade de regência verbal documentada é INACEITÁVEL no português culto é a seguinte:

Alternativas
Ano: 2011 Banca: FUNDATEC Órgão: CRMV-RS Prova: FUNDATEC - 2011 - CRMV-RS - Advogado |
Q2955418 Português

Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.


Vivissecção: ciência ou barbárie?

Aurélio Munhoz*


01 ___A palavra complicada usada no título deste artigo justifica uma explicação inicial. Em sentido restrito,

02 vivissecção é a prática (cuja origem é atribuída ao médico romano de origem grega Cláudio Galenao, no

03 século I d.C) de se dissecar animais vivos para estudar sua anatomia e fisiologia. Em sentido amplo, o

04 termo define todos os experimentos realizados em animais vivos.

05 ___Tanto em um caso quanto no outro, porém, os resultados são sempre os mesmos: dor e sofrimento.

06 É isso o que acontece nas câmaras de torturas – _________ chamadas de laboratórios – de universidades

07 públicas e privadas, indústrias (sobretudo de produtos farmacêuticos e cosméticos) e institutos de pesquisa.

08 ___Nelas, animais vivos – mamíferos, em especial – são submetidos a um rol ________ de experiências,

09 cujo espaço restrito deste artigo não nos permite detalhar. Citemos algumas: a _________ de membros

10 sadios para a implantação de próteses produzidas com novos materiais supostamente úteis aos seres

11 humanos, a injeção de substâncias tóxicas no corpo ou a aplicação de produtos químicos na pele para a

12 verificação dos seus efeitos e, ainda, a fixação de instrumentos em órgãos internos (como o crânio) para o

13 monitoramento das suas atividades diante de choques elétricos ou de novas drogas.

14 ___Tudo em nome da Ciência – e, de forma velada, do dinheiro. Porque, não se iluda, este é o pano de

15 fundo do debate. Ainda que fosse justificável a necessidade de se torturar e mutilar animais em nome da

16 Ciência, o que é discutível, não o é fazê-lo em nome do dinheiro. Por isso, a vivissecção é, sem dúvida, a

17 maior das questões da Bioética.

18 ___Não por acaso. Não há _________ oficiais sobre o número de animais mortos neste gênero de

19 barbárie moderna, mas os PhDs alemães Milly Schar-Manzoli e Max Heller, no livro Holocausto, estimam

20 que a máquina de dinheiro que move esta fábrica de horrores chega a consumir extraordinários

21 quatrocentos milhões de animais em todo o mundo, anualmente.

22 ___Não se diga, seguindo a cartilha maquiavélica, que os fins justificam os meios. No livro Alternativas ao

23 uso de animais vivos na Educação, o biólogo paulista Sérgio Greif relaciona uma longa lista de alternativas

24 eficazes à vivissecção, que esvaziam os discursos de que este tipo de prática é necessário: modelos e

25 simuladores mecânicos ou de computador, realidade virtual, acompanhamento clínico em pacientes reais,

26 auto-experimentação não-invasiva, estudo anatômico de animais mortos por causas naturais, além dos

27 filmes e vídeos interativos.

28 ___Apoiadas por cientistas, pesquisadores, políticos e até executivos de grandes empresas privadas,

29 instituições sérias como a InterNiche (International Networtk of Individuals and Campaigns for a Humane

30 Education) e a British Union for the Abolition of Vivisection (organização que existe desde o final do século

31 19) têm uma coleção de bem fundamentados _________ contrários a este tipo de prática.

32 ___Provando que a preocupação com o tema não é delírio das organizações de defesa dos animais, a

33 grande maioria das escolas de medicina dos EUA (maior berço científico do planeta) não usa animais. Entre

34 elas, as consagradíssimas Harvard Medical School e Columbia University College of Physicians and

35 Surgeons. Baseiam-se, entre outras coisas, em estudos que comprovam que 51,5% das drogas lançadas

36 entre 1976 e 1985 ofereciam riscos aos seres humanos não previstos nos testes.

37 ___Já em Israel, a El Al (principal linha aérea do País) se recusa a transportar primatas para serem

38 usados em experiências. , a vivissecção é proibida em todas as instituições federais de ensino. O

39 argumento que utilizam para justificar esta atitude, com o qual encerra-se este artigo, é uma primorosa lição

40 de humanidade. “É mais importante ensinar aos alunos israelenses a compaixão pelos animais porque este

41 sentimento certamente criará maior compaixão por seres humanos”.


(*In: www.anda.jor.br/2011/06/19/vivisseccao-ciencia-ou-barbarie (Acessado em 19 de junho de 2011))

Assinale a alternativa cujas palavras completam correta e respectivamente as lacunas do texto (l. 06, 08, 09, 18 e 31).

Alternativas
Q2894855 Português

Leia o texto “ Cigarra, Formiga & Cia” , de José Paulo Paes, para responder às questões de 1 a 6.


Cansadas dos seus papéis fabulares, a cigarra e a formiga resolveram associar-se para reagir contra a estereotipia a que haviam sido condenadas.

Deixando de parte atividades mais lucrativas, a formiga empresou a cigarra. Gravou-lhe o canto em discos e saiu a vendê-los de porta em porta. A aura de mecenas a redimiu para sempre do antigo labéu de utilitarista sem entranhas.

Graças ao mecenato da formiga, a cigarra passou a ter comida e moradia no inverno. Já ninguém a poderia acusar de imprevidência boêmia.

O desfecho desta refábula não é róseo. A formiga foi expulsa do formigueiro por lhe haver traído as tradições de pragmatismo à outrance e a cigarra teve de suportar os olhares de desprezo com que o comum das cigarras costuma fulminar a comercialização da arte.


[PAES, José Paulo Paes. Socráticas , BETA, pg. 490]

Releia: “ O desfecho desta refábula não é róseo.” Este trecho apresenta um exemplo de linguagem figurada, isto é, conotativa, da qual se depreende a seguinte figura de linguagem:

Alternativas
Q2880748 Português
not valid statement found

Na expressão ―bufando como um touro‖, o autor faz uso de uma figura de linguagem ou estilo, que é classificada como:

Alternativas
Ano: 2011 Banca: TJ-SC Órgão: TJ-SC Prova: TJ-SC - 2011 - TJ-SC - Engenheiro Civil |
Q1635841 Português
Indique a alternativa que NÃO apresenta vício de linguagem (barbarismo):
Alternativas
Ano: 2011 Banca: FEPESE Órgão: Prefeitura de Tijucas - SC
Q1225223 Português
Assinale a alternativa com a frase que não apresenta vício de linguagem.
Alternativas
Ano: 2011 Banca: MPE-PB Órgão: MPE-PB Prova: MPE-PB - 2011 - MPE-PB - Promotor de Justiça |
Q707145 Português
Não ocorrem vícios de linguagem em:
Alternativas
Q95484 Português
Assinale a alternativa correta acerca do texto III.
Alternativas
Ano: 2010 Banca: IF-PR Órgão: IF-PR Prova: IF-PR - 2010 - IF-PR - Assistente Administrativo |
Q3005593 Português

Imagem associada para resolução da questão


Nessa resposta, é possível reconhecer o uso de:

Alternativas
Q2964504 Português

Leia com atenção ao poema de autoria de Vinícius de Moraes a seguir:

TERNURA

Eu te peço perdão por te amar de repente

Embora o meu amor

seja uma velha canção nos teus ouvidos

Das horas que passei à sombra dos teus gestos

Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos

Das noites que vivi acalentando

Pela graça indizível d

os teus passos eternamente fugindo

Trago a doçura

dos que aceitam melancolicamente.

E posso te dizer que o grande afeto

que te deixo

Não traz o exaspero das lágrimas

nem a fascinação das promessas

Nem as misteriosas palavras

dos véus da alma...

É um sossego, uma unção,

um transbordamento de carícias

E só te pede que te repouses quieta,

muito quieta

E deixes que as mãos cálidas da noite

encontrem sem fatalidade

o olhar estático da aurora.

Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes ­ Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar ­ Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.

O trecho “ E posso te dizer que o grande afeto que te deixo (...) É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias” contém um exemplo de:

Alternativas
Q2943547 Português

RECOMEÇOS PASSADOS E PRESENTES


01 ____ Em 2010 completam-se 100 anos da morte de Joaquim Nabuco e Brasília faz cinquenta anos. São duas efemérides

02 que dizem dos destinos da pátria de forma semelhante – ambas têm a ver com recomeços, ou tentativas de recomeço. Lembrar

03 de Nabuco é lembrar da abolição da escravatura, movimento do qual ele foi talvez o principal dos agentes, e com certeza o

04 mais elegante. Com a abolição pretendeu-se um recomeço. Com Brasília, 72 anos depois da abolição, pretendeu-se outro. Era a

05 aurora de um país destemido, porque avançava por sertões ignotos; dinâmico, porque ousara um empreendimento que só em

06 sonho outros ousariam; justo, porque na nova capital as diferenças de classe e de hierarquia se dissolveriam na homogeneidade

07 das superquadras e das vias expressas; e moderno, porque os terrenos baldios daquele naco do Planalto Central seriam

08 preenchidos por uma arquitetura de riscos deslumbrantemente avançados.

09 ____ Joaquim Nabuco (1849-1910) forma, com José Bonifácio, o Patriarca da Independência (1763-1838), a dupla de

10 maiores estadistas da história do Brasil. Eles merecem esse título não só pelo que fizeram, mas também pela ideia geral que os

11 movia – a ideia rara, lúcida e generosa de construção de uma nação. José Bonifácio está fora das datas redondas que serão

12 lembradas neste ano, mas é outro que personifica um recomeço – merece uma carona neste texto, por isso. Ele personifica a

13 independência, assim como Nabuco personifica a abolição. Ambos venceram, no sentido de que, em grande parte pelas

14 manobras de Bonifácio, o Brasil em 1822 se tornou independente, assim como, em grande parte pela pregação de Nabuco, a

15 escravidão foi legalmente abolida em 1888. Ambos perderam, porém, no que propunham como sequência necessária de tais

16 objetivos.

17 ____ Bonifácio ousou querer dotar o jovem estado brasileiro de um povo. Ora, um povo não podia ser formado por uma

18 sociedade dividida entre senhores e escravos. Daí que, três gerações antes de Nabuco, ele já propusesse a abolição da

19 escravidão. Falaram mais alto os interesses dos traficantes e dos senhores de escravos. Nabuco, se pegou a fortaleza escravista

20 já mais desgastada, pronta para o assalto final, não teve êxito na segunda parte de sua pregação: a distribuição de terras entre os

21 antigos escravos (ele dizia que a questão da “democratização do solo” era inseparável da emancipação) e o investimento num

22 sistema de educação abrangente o bastante para abrigá-los. Tal qual o de José Bonifácio, o recomeço pretendido por Nabuco

23 ficou pela metade.

24 ____ Que dizer do recomeço representado por Brasília? Há versões segundo as quais, entre os motivos que levaram o

25 presidente Juscelino Kubitschek a projetá-la, estaria a estratégia de fugir da pressão popular presente numa metrópole como o

26 Rio de Janeiro. Uma espúria síndrome de Versalhes contaminaria, desse modo, as nobres razões oficiais para a mudança da

27 capital. Mais perverso que a eventual mancha de origem, no entanto, é o destino que estava reservado à “capital da esperança”.

28 Meros quatro anos depois de inaugurada, ela viraria, com seu isolamento dos grandes centros e suas avenidas tão propícias à

29 investida dos tanques, a capital dos sonhos da ditadura militar. Hoje, é identificada com a corrupção e a tramoia. Pode ser

30 injusto. Falta demonstrar que, em outra cidade, a corrupção e a tramoia teriam curso menos desimpedido. Não importa. Para a

31 desgraça de Brasília, o estigma grudou-lhe na pele.

32 ____ “Falo, falo, e não digo o essencial”, costumava escrever Nelson Rodrigues. O essencial é o seguinte: nunca antes neste

33 país houve um governo tão imbuído da ideia de que veio para recomeçar a história. Embalado por um lado em seus próprios

34 mitos, e por outro em festivos, se não interesseiros, louvores internacionais, chega a esta quadra acreditando que preside a uma

35 inédita mudança de estruturas, na ordem interna, ao mesmo tempo em que é premiado com uma promoção pela comunidade

36 internacional. Assim como ocorreu pelo menos duas vezes, em décadas recentes – com o “desenvolvimentismo” de JK e com o

37 “milagre econômico” dos militares –, propaga-se a ideia de que “desta vez vai”. A noção de que se está reinaugurando o país

38 traz o duplo prejuízo de poder ser interpretada como um embuste, de um lado, e induzir ao autoengano, de outro. Não há

39 refundação possível. Raras são as oportunidades de recomeço. O poder das continuidades é sempre maior.

40 ____ P.S.: É ano novo. Bom recomeço, para quem acredita neles.


TOLEDO, R. P. Recomeços Passados e Presentes. Veja. São Paulo, ed. 2146, ano 43, n. 1, p. 102, 06 jan. 2010.

A construção “Era a aurora de um país destemido” (𝓁. 4-5) contém a seguinte figura de linguagem:

Alternativas
Q2903488 Português

Leia o texto a seguir e responda às questões de nº 01 a 10.

A ARTE DE MORRER


Num artigo publicado na semana passada na Folha de São

Paulo, Ruy Castro narrou as extraordinárias circunstâncias da mor-

te do advogado Henrique Gandelman, um especialista em direitos

autorais que, entre outros feitos, dedicou anos à tarefa de trazer os

5 direitos sobre a obra de Villa-Lobos, desencaminhados mundo afo-

ra, para o espólio do artista. “Foi um trabalho de amor, poucos ama-

vam tanto Villa-Lobos”, escreve Ruy Castro. Gandelman, que estu-

dou música na juventude, era, além de defensor dos direitos, um

profundo conhecedor da obra do grande compositor brasileiro. No

10 dia 24 de setembro, ele ia dar uma palestra no Museu Villa-Lobos,

no Rio de Janeiro, e receber uma homenagem. Enquanto, no ca-

marim, esperava a hora de se apresentar, o sistema de som come-

çou a tocar a Floresta Amazônica. Gandelman, de mãos dadas com

a mulher, comentou: “Fico sempre arrepiado de ouvir isso. O Villa é

15 mesmo o maior”. E mais não disse, nem lhe foi perguntado. Soltou

um suspiro e caiu morto. Aneurisma. Tinha 80 anos.

É o caso de dizer, para cunhar uma expressão nova, que “a

vida imita a arte”.

Ruy Castro chamou a morte de Gandelman de “a morte ideal”.

20 O advogado morreu sob o impacto de uma emoção estética, e não

uma emoção estética qualquer, mas da obra predileta, ou uma das

obras prediletas, do artista predileto. Os santos morrem, ou morri-

am, com antevisões do paraíso. Santa Teresa de Ávila morreu di-

zendo: “Chegou enfim a hora, Senhor, de nos vermos face a face”.

25 São Francisco disse: "Seja bem-vinda, irmã morte”. A morte ideal,

na era dos santos, era acompanhada pelo transe mística. Numa

era laica, de valores racionalistas, como a nossa, a arte substitui 0

misticismo no provimento de uma elevação espiritual compatível

com esse momento grave entre todos que é o momento da morte.

30__O som de Villa-Lobos substitui a citara dos anjos que os místicos

começavam a ouvir na iminência da morte. Mas não é só nisso que a

morte ideal do homem de hoje se diferencia da do antigo. Morte ide-

al, hoje, é a morte repentina, sem dor, sem remédios e sem UTI, De

preferência, tão repentina que poupe até da consciência de que se

35 está morrendo. Os santos morriam tão conscientes da morte que até:

podiam saudar sua chegada. Antes deles, Sócrates morreu despe-

dindo-se dos amigos e filosofando sobre a morte. Para os gregos,

era a morte ideal. Em nosso tempo, um valor altamente apreciado é

a morte que nos poupe da angústia, ou do susto, ou do pânico, de

40 saber que se está morrendo. É uma espécie de ludíbrio que aplicamos

na morte. O.k., você chegou. Mas nem nos demos conta disso.

A visita foi humilhada por um anfitrião que nem olhou para a sua cara,

(Roberto Pompeu de Toledo, Revista Veja, 7 de outubro de 2009, com adaptações)

Constitui expressão de coesão referencial anafórica o emprego da expressão:

Alternativas
Respostas
501: A
502: E
503: A
504: C
505: A
506: D
507: E
508: E
509: D
510: C
511: B
512: D
513: C
514: D
515: A
516: B
517: B
518: D
519: B
520: C