Questões de Concurso
Comentadas sobre vícios da linguagem em português
Foram encontradas 474 questões
As figuras de linguagem são recursos utilizados por escritores/autores para dar mais expressividade ao texto. A música Monte Castelo, gravada pelo grupo Legião Urbana e composta por Renato Russo, utiliza-se de diferentes figuras de linguagem. Assinale a alternativa em que há erro na identificação da figura de linguagem apresentada na música.
Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse
a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.
É só o amor, é só o amor;
Que conhece o que é verdade;
O amor é bom, não quer o mal;
Não sente inveja ou se envaidece.
O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
[…]
Estou acordado e todos dormem todos dormem, todos dormem;
Agora vejo em parte, mas então veremos face a face.
É só o amor, é só o amor;
Que conhece o que é verdade.
Ainda que eu falasse a língua dos homens
e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada
seria.
Assinale a alternativa cuja figura de linguagem não foi classificada corretamente:
O Bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993.
No poema, a analogia feita ao homem parte da sua condição de pobreza, sendo o tratamento que lhe é dado semelhante ao de um animal. A figura de linguagem que melhor define essa analogia é:
Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.
Saúde e bem-estar dependem de relações íntimas de qualidade
Por Amanda Mont'Alvão Veloso
- asdTer dinheiro ou fama comumente é associado .... conquista de felicidade, e tais desejos já
- foram apontados como o objetivo de vida mais importante de norte-americanos nascidos nos
- anos 1980 e 1990. A dedicação e esforço no trabalho seriam o caminho para se _______ mais resultados.
- Mas uma pesquisa realizada durante 75 anos nos Estados Unidos mostrou que os ingredientes
- fundamentais para uma vida saudável e cheia de bem-estar são relações íntimas e de qualidade
- com a família, com os amigos e com a comunidade.
- asdAs conclusões do Estudo do Desenvolvimento Adulto, promovido pela Universidade de
- Harvard, foram abordadas por seu diretor, o psiquiatra e psicanalista americano Robert Waldinger,
- em uma conferência no TED 2015. “E se pudéssemos observar uma vida inteira à medida que ela
- decorre no tempo? E se pudéssemos estudar as pessoas desde a altura em que eram adolescentes
- até chegarem .... velhice para vermos o que mantém as pessoas felizes e saudáveis?”. Durante 75
- anos, a pesquisa acompanhou a vida de 724 homens, ano após ano, abordando o trabalho, a vida
- doméstica e a saúde, além de realizar exames médicos. Cerca de 60% dos pesquisados, a maioria
- já com 90 anos, ainda estão vivos e participam no estudo. Há cerca de 10 anos, o estudo passou a
- integrar também as esposas desses homens.
- asdO próximo passo, segundo Waldinger, é estudar os mais de 2000 filhos dos homens
- pesquisados. A população pesquisada foi dividida em dois grupos desde o começo, em 1938. No
- primeiro, homens que estudaram em Harvard e que, em sua maioria, lutaram na Segunda Guerra
- Mundial. Já o segundo era composto por adolescentes dos bairros mais pobres de Boston, vindos
- de algumas das famílias mais problemáticas e mais desfavorecidas da região. Os destinos desses
- homens foram variados: se tornaram operários fabris e advogados, assentadores de tijolos e
- médicos, e um deles foi presidente dos EUA.
- asdOs 75 anos de acompanhamento mostraram .... Waldinger três lições, e nenhuma delas diz
- respeito a riqueza, fama, ou a trabalhar cada vez mais. A primeira delas é que as relações sociais
- são boas para nós, e a solidão mata: “As pessoas que têm mais ligações sociais com a família, com
- amigos e com a comunidade são mais felizes, fisicamente mais saudáveis e vivem mais tempo do
- que as pessoas que têm menos relações. A experiência da solidão acaba por ser __________. As
- pessoas que são mais isoladas do que gostariam descobrem que são menos felizes, a sua saúde
- piora mais depressa na meia idade, o seu funcionamento cerebral diminui mais cedo e vivem menos
- tempo do que as pessoas que não se sentem sozinhas.”
- asdA segunda lição mostrou que o que importa é a qualidade de nossas relações íntimas: "Viver
- no meio de conflitos é muito prejudicial para a saúde. Os casamentos altamente conflituosos, por
- exemplo, sem grande _________, revelam-se muito maus para a saúde, pior talvez do que um
- divórcio. Viver no meio de relações boas, calorosas, é protetor.” O estudo mostrou que o grau de
- satisfação que os homens sentiam nas suas relações foi decisivo para um envelhecimento mais feliz
- e saudável. “As pessoas que se sentiam mais satisfeitas com as suas relações, aos 50 anos, foram
- as mais felizes aos 80 anos”. “Os nossos homens e mulheres mais felizes disseram, aos 80 anos,
- que nos dias em que tinham mais dores físicas a sua disposição continuava feliz. Mas .... pessoas
- que tinham relações infelizes, nos dias em que tinham mais dores físicas, elas eram reforçadas pelo
- sofrimento emocional”.
- asdA terceira e última lição é que as boas relações protegem não só o corpo, como também o
- cérebro: “Uma relação bem estabelecida com outra pessoa, aos 80 anos, é protetora. As pessoas
- que têm relações em que sentem que podem contar com outra pessoa em alturas de necessidade
- mantêm uma memória mais viva durante mais tempo. As pessoas com relações em que sentem
- que não podem contar com o outro são as que experimentam um declínio de memória mais precoce.
- As boas relações não têm que ser sempre fáceis. Alguns dos nossos octogenários podem discutir
- dia sim, dia não. Mas enquanto sentirem que podem contar um com o outro, quando as coisas
- aquecem, essas discussões não se fixam na memória.”
- asdPelas lições aprendidas, a tal felicidade parece fácil, não? Waldinger tem uma resposta para
- isso: somos seres humanos e lidar com a família e com os amigos é algo complicado, que dura a
- vida toda. “O que gostaríamos mesmo é de uma receita rápida, qualquer coisa que possamos
- arranjar que nos dê uma via boa e a mantenha dessa forma. As relações são conturbadas e
- complicadas.”
- asdPara se apoiar em boas relações, ele sugere atitudes cotidianas e acessíveis, como substituir
- a TV por tempo com as pessoas, fazer passeios, animar uma relação amorosa adormecida e falar
- com algum familiar com quem não se fala há anos. “Essas contendas familiares têm um efeito
- terrível na pessoa que guarda rancores”.
Texto adaptado para esta prova: http://super.abril.com.br/comportamento/saude-e-bem-estar-dependem-de-relacoes-
intimas-de-qualidade
Na frase ‘As pessoas que têm mais ligações sociais com a família, com amigos e com a comunidade são mais felizes, fisicamente mais saudáveis e vivem mais tempo do que as pessoas que têm menos relações’ (l. 25-27), qual a figura de linguagem que está sendo empregada?
Leia o texto 2 para responder às questões de 06 a 10.
Texto 2
Arqueologia Machadiana do Rio de Janeiro
Toda grande cidade tem seu cronista por excelência, aquele que melhor a define e caracteriza,
de forma explícita ou não. Londres, por exemplo, teve em Charles Dickens seu mais perfeito
tradutor, o homem que soube da maneira mais incisiva desvendar cada mistério de suas ruas e
bairros. O mesmo pode ser creditado a Kafka com Praga, Fernando Pessoa com Lisboa e
05 Joyce com Dublin. Esses autores não descreveram uma cidade idealizada ou maquiada, mas
sim as mostravam como de fato eram, ao mesmo tempo belas e ásperas, quase que um
personagem a mais em suas obras. Essa persona de concreto e asfalto, o pano de fundo de
uma ou de várias obras que vai aos poucos ficando cada vez mais denso até se inserir
substantivamente em um romance, pode também ser o Rio de Janeiro que Machado de Assis
10 tão bem conheceu. É nas obras do criador de Brás Cubas que um Rio fin-de-siècle melhor se
descortina e é melhor caracterizado. Poucos usaram e abusaram da Cidade Maravilhosa como
Machado, fazendo seus personagens se inserirem de tal forma à paisagem que cada um de
seus livros bem poderia servir de um guia para um Rio que, para muitos, infelizmente não
existe mais. Mas se essa cidade ficou no passado, o guia para ela pode ser encontrado na
15 forma de Rio de Assis (Editora Casa da Palavra), uma interessante viagem até a grande
metrópole brasileira do século XIX concebida pela designer Aline Carrer e um dos mais belos
lançamentos do ano passado.
[...]
ROLLEMBERG, Marcello. Arqueologia machadiana do Rio de Janeiro. Revista Cult. São Paulo: Editora Bregantini, ago. 2000, p. 21- 23.
Figuras de linguagem – por meio dos mais diferentes mecanismos – ampliam o significado de palavras e expressões, conferindo novos sentidos ao texto em que são usadas. É muito importante saber identificar as diversas figuras de linguagem, pois desta forma é possível interpretar melhor os diferentes tipos de textos.
A denominada figura de linguagem referente ao termo “[...] Rio de Assis [...]” (linha 15) é
Em: “Estou morando na terra da garoa.”, a figura de linguagem existente na frase é:
A figura de linguagem que se explicita em " Estou morta de cansada. " é conhecida como :
TEXTO II
A árvore e a árvore
Por vezes, caminhando pelas ruas da cidade, tenho a impressão de que as árvores conversam entre si. O diálogo das árvores nem sempre é ouvido pelos ouvidos, por causa do bulício das ruas, do rumor dos veículos e da zoeira das pessoas. E de madrugada, quando os últimos bêbados se recolhem trôpegos fugindo da aurora, e a brisa matinal leva o sono do rosto das operárias que marcham em direção às fábricas; é nesse momento fluido e tênue que pode ser captado o sussurro das árvores, em meio aos pipilos dos pardais alvoroçados.
E lá estavam as duas árvores a conversar:
— Bom dia, dona Magnólia!
— Bom dia, dona Cássia!
— Dormiu bem?
— Mais ou menos. Esta noite o bem-te-vi, meu inquilino, cismou de acordar e ficou discutindo com a bem- te-vi, no meu galho lá em cima.
— Não diga! Discutindo o quê?
— O papo de sempre, ora essa. Estavam reclamando do custo de vida.
— Ué, mas passarinho também tem esse problema? Pensei que essa preocupação fosse apenas manha dos empregados da Prefeitura que vêm cortar nossa copa todos os anos.
— Qual nada! Passarinho voa azucrinado. A própria bem-te-vi se lastima de que o galho onde eles moram quase não tem folhas; de noite ela molha a cabecinha no sereno. Ficou resfriada, a pobrezinha.
— Então por que eles não se mudam?
— Mudar para onde?
— Ali adiante há um ipê-amarelo com vagas para passarinhos.
— Pois sim. A senhora não viu a placa no tronco? Só há um galhinho vago, muito do mixuruco, e mesmo assim só se aceitam casais de passarinhos sem filhotes.
— Sem filhotes?
— Sem filhotes.
— Mas isso é um absurdo!
— Concordo, mas vai- se fazer o quê? Se até casas de tijolo são alugadas apenas para casais sem filhos. Fazem isso com as pessoas, vão ter consideração para com passarinho?
— Escute, e ali na quaresmeira do outro quarteirão?
— Ah, lá o aluguel é caríssimo. Só mora sabiá-de-papo-amarelo e periquito verde.
— Cruz-credo! — Falou bem. Está tudo pela hora da morte pros passarinhos.
— Mas ouvi dizer que alguns têm boa mordomia...
— Ah, os canários-da-terra... Grande vantagem! Têm alpiste importado, ovo cozido, verdurinha fresca todos os dias, mas, em compensação, vivem presos na gaiola.
— Perderam a liberdade.
— Desaprenderam até de voar!
— Não é à toa que o bairro está cheio de chupim.
— Claro, dona Magnólia. Chupim sempre se ajeita. Quem manda tico- tico ser bobo?
— Reparou que ninguém acaba com chupim? Eles estão em tucum, paineira, sibipiruna.
— Tem chupim até no pau-ferro.
— Se adaptam a qualquer lugar. Bichinho aproveitador está ali. Sabe quando vão acabar com os chupins aqui na zona? .
— Quando, dona Magnólia?
— Dia de São Nunca. E enquanto isso, os bem-te- vis que se danem.
— Ainda mais agora, com o aumento dos impostos.
— Vai ser um horror.
— Horror mesmo.
— Não sei como eles não se revoltam.
— Revoltam nada. Bem-te-vi só sabe dizer: "Bem te vi! Bem te vi!". Viu, e daí? Que adianta ver? As árvores também vêem cada uma, mas não adianta reclamar.
— Houve o caso daquela andorinha, está esquecendo?
— A tolinha. Só porque morava em beiral, achava que podia modificar a situação. Uma andorinha só não muda coisa alguma. Bastou chegar aqui o tucano, deitou falação, disse que fazia e aprontava, tudo se amoitou.
— Aquele tucano foi demais. Verde-amarelo, e bom de bico!
— É, dona Magnólia, mas qualquer dia a árvore cai, não cai?
— Sei lá. Ainda bem que a Prefeitura vai mandar plantar mais cem mil árvores na cidade. Só assim para resolver o problema da moradia dos passarinhos.
— Tomara mesmo. Avise o bem-te-vi para ele aguentar a barra mais um pouco. Quem sabe, um dia, a bem-te-vi possa botar os ovinhos em paz.
— Deus a ouça, dona Cássia.
— Amém, dona Magnólia...
(DIAFÉRIA.Lourenço.Em A morte sem colete. 4a ed. São Paulo:
Moderna, 1983.)
Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a:
Leia o texto 1 para responder às questões de 01 a 05.
Texto 1
As tarefas da educação
Rubem Alves
colunista da Folha de S.Paulo
____ Resumindo: são duas, apenas duas, as tarefas da educação. Como acho que as
explicações conceituais são difíceis de aprender e fáceis de esquecer, eu
caminho sempre pelo caminho dos poetas, que é o caminho das imagens. Uma boa imagem é inesquecível. Assim,
em vez explicar o que disse, vou mostrar o que disse por meio de uma imagem.
5____ O corpo carrega duas caixas. Na mão direita, mão da destreza e do trabalho, ele leva
uma caixa de ferramentas. E na mão esquerda, mão do coração, ele leva uma caixa de
brinquedos. Ferramentas são melhorias do corpo. Os animais não precisam de ferramentas
porque seus corpos já são ferramentas. Eles lhes dão tudo aquilo de que necessitam para
sobreviver.
10____ Como são desajeitados os seres humanos quando comparados com os animais! Veja,
por exemplo, os macacos. Sem nenhum treinamento especial eles tirariam medalhas de ouro na
ginástica olímpica. E os saltos das pulgas e dos gafanhotos!
____ Já prestou atenção na velocidade das formigas? Mais velozes a pé, proporcionalmente,
que os bólidos de F-1! O voo dos urubus, os buracos dos tatus, as teias das aranhas, as
15 conchas dos moluscos, a língua saltadora dos sapos, o veneno das taturanas, os dentes dos
castores.
____ Nossa inteligência se desenvolveu para compensar nossa incompetência corporal.
Inventou melhorias para o corpo: porretes, pilões, facas, flechas, redes, barcos, jegues,
bicicletas, casas... Disse Marshall MacLuhan corretamente que todos os "meios" são extensões
20 do corpo. É isso que são as ferramentas, meios para viver. Ferramentas aumentam a nossa
força, nos dão poder. Sem ser dotado de força de corpo, pela inteligência o homem se
transformou no mais forte de todos os animais, o mais terrível, o maior criador, o mais
destruidor. O homem tem poder para transformar o mundo num paraíso ou num deserto.
____ A primeira tarefa de cada geração, dos pais, é passar aos filhos, como herança, a caixa
25 de ferramentas. Para que eles não tenham de começar da estaca zero. Para que eles não
precisem pensar soluções que já existem. Muitas ferramentas são objetos: sapatos, escovas,
facas, canetas, óculos, carros, computadores. Os pais apresentam tais ferramentas aos seus
filhos e lhes ensinam como devem ser usadas. Com o passar do tempo, muitas ferramentas,
muitos objetos e muitos de seus usos se tornam obsoletos. Quando isso acontece, eles são
30 retirados da caixa. São esquecidos por não terem mais uso. As meninas não têm de aprender a
torrar café numa panela de ferro, e os meninos não têm de aprender a usar arco-e-flecha para
encontrar o café da manhã. Somente os velhos ainda sabem apontar os lápis com um
canivete...
____ Outras ferramentas são puras habilidades. Andar, falar, construir. Uma habilidade
35 extraordinária que usamos o tempo todo, mas de que não temos consciência, é a capacidade
de construir, na cabeça, as realidades virtuais chamadas mapas. Para nos entendermos na
nossa casa, temos de ter mapas dos seus cômodos e mapas dos lugares onde as coisas estão
guardadas. Fazemos mapas da casa. Fazemos mapas da cidade, do mundo, do universo. Sem
mapas, seríamos seres perdidos, sem direção.
40____ A ciência é, ao mesmo tempo, uma enorme caixa de ferramentas e, mais importante
que suas ferramentas, um saber de como se fazem as ferramentas. O uso das ferramentas
científicas que já existem pode ser ensinado. Mas a arte de construir ferramentas novas, para
isso há de saber pensar. A arte de pensar é a ponte para o desconhecido. Assim, tão
importante quanto a aprendizagem do uso das ferramentas existentes — coisa que se pode
45 aprender mecanicamente — é a arte de construir ferramentas novas. Na caixa das ferramentas,
ao lado das ferramentas existentes, mas num compartimento separado, está a arte de pensar.
____ (Fico a pensar: o que as escolas ensinam? Elas ensinam as ferramentas existentes ou
a arte de pensar, chave para as ferramentas inexistentes? O problema: os processos de
avaliação sabem como testar o conhecimento das ferramentas. Mas que procedimentos adotar
50 para avaliar a arte de pensar?)
____ Assim, diante da caixa de ferramentas, o professor tem de se perguntar: "Isso que estou
ensinando é ferramenta para quê? De que forma pode ser usado? Em que aumenta a
competência dos meus alunos para cada um viver a sua vida?". Se não houver resposta, pode
estar certo de uma coisa: ferramenta não é.
55____ Mas há uma outra caixa, na mão esquerda, a mão do coração. Essa caixa está cheia de
coisas que não servem para nada. Inúteis. Lá estão um livro de poemas da Cecília Meireles, a
"Valsinha" de Chico Buarque, um cheiro de jasmim, um quadro de Monet, um vento no rosto,
uma sonata de Mozart, o riso de uma criança, um saco de bolas de gude... Coisas inúteis. E, no
entanto, elas nos fazem sorrir. E não é para isso que se educa? Para que nossos filhos saibam
sorrir? Na próxima vez, a gente abre a caixa dos brinquedos...
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u855.shtm>. Acesso em: 10 mar. 2016. (Adaptado)
“A arte do pensar é a ponte para o desconhecido” (linha 43).
A palavra ponte constitui um exemplo de:
Leia o texto 1 para responder às questões de 01 a 05.
Texto 1
As tarefas da educação
Rubem Alves
colunista da Folha de S.Paulo
____ Resumindo: são duas, apenas duas, as tarefas da educação. Como acho que as
explicações conceituais são difíceis de aprender e fáceis de esquecer, eu
caminho sempre pelo caminho dos poetas, que é o caminho das imagens. Uma boa imagem é inesquecível. Assim,
em vez explicar o que disse, vou mostrar o que disse por meio de uma imagem.
5____ O corpo carrega duas caixas. Na mão direita, mão da destreza e do trabalho, ele leva
uma caixa de ferramentas. E na mão esquerda, mão do coração, ele leva uma caixa de
brinquedos. Ferramentas são melhorias do corpo. Os animais não precisam de ferramentas
porque seus corpos já são ferramentas. Eles lhes dão tudo aquilo de que necessitam para
sobreviver.
10____ Como são desajeitados os seres humanos quando comparados com os animais! Veja,
por exemplo, os macacos. Sem nenhum treinamento especial eles tirariam medalhas de ouro na
ginástica olímpica. E os saltos das pulgas e dos gafanhotos!
____ Já prestou atenção na velocidade das formigas? Mais velozes a pé, proporcionalmente,
que os bólidos de F-1! O voo dos urubus, os buracos dos tatus, as teias das aranhas, as
15 conchas dos moluscos, a língua saltadora dos sapos, o veneno das taturanas, os dentes dos
castores.
____ Nossa inteligência se desenvolveu para compensar nossa incompetência corporal.
Inventou melhorias para o corpo: porretes, pilões, facas, flechas, redes, barcos, jegues,
bicicletas, casas... Disse Marshall MacLuhan corretamente que todos os "meios" são extensões
20 do corpo. É isso que são as ferramentas, meios para viver. Ferramentas aumentam a nossa
força, nos dão poder. Sem ser dotado de força de corpo, pela inteligência o homem se
transformou no mais forte de todos os animais, o mais terrível, o maior criador, o mais
destruidor. O homem tem poder para transformar o mundo num paraíso ou num deserto.
____ A primeira tarefa de cada geração, dos pais, é passar aos filhos, como herança, a caixa
25 de ferramentas. Para que eles não tenham de começar da estaca zero. Para que eles não
precisem pensar soluções que já existem. Muitas ferramentas são objetos: sapatos, escovas,
facas, canetas, óculos, carros, computadores. Os pais apresentam tais ferramentas aos seus
filhos e lhes ensinam como devem ser usadas. Com o passar do tempo, muitas ferramentas,
muitos objetos e muitos de seus usos se tornam obsoletos. Quando isso acontece, eles são
30 retirados da caixa. São esquecidos por não terem mais uso. As meninas não têm de aprender a
torrar café numa panela de ferro, e os meninos não têm de aprender a usar arco-e-flecha para
encontrar o café da manhã. Somente os velhos ainda sabem apontar os lápis com um
canivete...
____ Outras ferramentas são puras habilidades. Andar, falar, construir. Uma habilidade
35 extraordinária que usamos o tempo todo, mas de que não temos consciência, é a capacidade
de construir, na cabeça, as realidades virtuais chamadas mapas. Para nos entendermos na
nossa casa, temos de ter mapas dos seus cômodos e mapas dos lugares onde as coisas estão
guardadas. Fazemos mapas da casa. Fazemos mapas da cidade, do mundo, do universo. Sem
mapas, seríamos seres perdidos, sem direção.
40____ A ciência é, ao mesmo tempo, uma enorme caixa de ferramentas e, mais importante
que suas ferramentas, um saber de como se fazem as ferramentas. O uso das ferramentas
científicas que já existem pode ser ensinado. Mas a arte de construir ferramentas novas, para
isso há de saber pensar. A arte de pensar é a ponte para o desconhecido. Assim, tão
importante quanto a aprendizagem do uso das ferramentas existentes — coisa que se pode
45 aprender mecanicamente — é a arte de construir ferramentas novas. Na caixa das ferramentas,
ao lado das ferramentas existentes, mas num compartimento separado, está a arte de pensar.
____ (Fico a pensar: o que as escolas ensinam? Elas ensinam as ferramentas existentes ou
a arte de pensar, chave para as ferramentas inexistentes? O problema: os processos de
avaliação sabem como testar o conhecimento das ferramentas. Mas que procedimentos adotar
50 para avaliar a arte de pensar?)
____ Assim, diante da caixa de ferramentas, o professor tem de se perguntar: "Isso que estou
ensinando é ferramenta para quê? De que forma pode ser usado? Em que aumenta a
competência dos meus alunos para cada um viver a sua vida?". Se não houver resposta, pode
estar certo de uma coisa: ferramenta não é.
55____ Mas há uma outra caixa, na mão esquerda, a mão do coração. Essa caixa está cheia de
coisas que não servem para nada. Inúteis. Lá estão um livro de poemas da Cecília Meireles, a
"Valsinha" de Chico Buarque, um cheiro de jasmim, um quadro de Monet, um vento no rosto,
uma sonata de Mozart, o riso de uma criança, um saco de bolas de gude... Coisas inúteis. E, no
entanto, elas nos fazem sorrir. E não é para isso que se educa? Para que nossos filhos saibam
sorrir? Na próxima vez, a gente abre a caixa dos brinquedos...
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u855.shtm>. Acesso em: 10 mar. 2016. (Adaptado)
O corpo carrega duas caixas. Na mão direita, mão da destreza e do trabalho, ele leva uma caixa de ferramentas (linhas 5-6).
No trecho em destaque, o autor utilizou como estratégia para a construção de seu enunciado a figura de linguagem
Leia o seguinte fragmento:
É fato real: eu gosto de escrever palavras da mesma forma que gosto de ler textos. Isso é comum em várias pessoas de vários países do mundo. O hábito da leitura de textos deveria ser regra geral no mundo, pois existe uma multidão de pessoas que nunca tocaram num livro. Há muitos anos atrás conheci um general do exército que tinha uma filha que toda vez que via um livro abria um sorriso nos lábios, como se a leitura fosse seu habitat natural. Mas recentemente ela morreu logo depois de se casar com seu marido. Eu fui ao enterro para dar meus sentidos pêsames ao viúvo da falecida. Ele então me encarou de frente e eu pude ver labaredas de fogo saindo de seus olhos quando ele gritou alto: Vai....bem...! Depois disso saí pra fora e nunca mais compareci pessoalmente na casa dele.
Christian Gurtner em 03/09/08
Disponível em: http://www.escribacafe.com/
A partir do fragmento acima responda as questões 02 e 03.
As expressões “fato real, multidão de pessoas, habitat natural, há muitos anos atrás, encarou de frente, saí pra fora, comparecer pessoalmente” são classificadas numa figura de linguagem denominada:
Instrução: As questões 11 a 20 referem-se ao texto abaixo.
- _____Todo mundo teve ao menos uma namorada esquisita,
- comigo não foi diferente. Beber é trivial, bebe-se por
- prazer, para comemorar, para esquecer, para suportar
- a vida, mas beber para ficar de ressaca nunca tinha
- visto. Essa era Stela, ela bebia em busca do lado escuro
- do porre. Acreditava que precisava desse terremoto
- orgânico para seu reequilíbrio espiritual.
- _____Sua ressaca era diferente, não como a nossa, tingida
- de culpa pelo excesso. A dela era almejada, portanto
- com propriedades metafísicas. Nem por isso passava
- menos mal, sofria muito, o desconforto era visível,
- pungente. Tomava coisas que poucos profissionais
- do copo se arriscariam, destilados das marcas mais
- diabo. Ou então era revés de um vinho da Serra com
- nome de Papa, algo que nem ao menos rolha tinha,
- era de tampinha. Bebida que, com sua qualidade,
- desonrava, simultaneamente, os vinhos e o pontífice.
- _____Não era masoquismo. Acompanhando suas
- peregrinações etílicas, cheguei a outra conclusão: ela
- realmente precisava daquilo. Stela inventara uma
- religião do Santo Daime particular, caseira, sabia que
- era preciso passar pelo inferno para vislumbrar o céu.
- Os porres eram uma provação cósmica, um ordálio
- voluntário, um encontro reverencial com o sagrado.
- _____Depois da devastação do pileque, ela ficava melhor.
- Uma lucidez calma a invadia, sua beleza readquiria os
- traços que a marcavam, seus olhos voltavam ao
- brilho que me encantara. Tinha mergulhado no poço
- da existência e reavaliado seus rumos. Durante dias a
- paz reinava entre nós e entre ela e o mundo.
- _____Mas bastava uma nova dúvida em sua vida, uma
- decisão a tomar, e ela requisitava mais um inferno para
- se repensar. A rotina era extenuante. Quem aguenta uma
- mulher que, em vez de falar sobre a vida, mergulha
- num porre xamânico? Mas o amor perdoa. Lá estava
- eu ajudando-a a levantar-se de mais uma triste
- manguaça. Fiquei expert em reidratar e reanimar mortos,
- em contornar enxaquecas siderais e em amparar dengues
- existenciais
- _____Amava Stela pela inusitada maneira de consultar o
- destino. Triste era o desencontro. Eu cansado por
- cuidá-la depois de uma noite mal dormida, servindo de
- enfermeiro, e ela radiante, prenha da energia que a
- purgação lhe rendera.
- _____Stela era irredutível no seu método terapêutico,
- dizia que só nesse estado se encontrava com o melhor
- de seu ser. Reiterava que era mais sábia durante o
- martírio. Insistia que, sóbria, em seu estado normal,
- sofria de um otimismo injustificado que lhe turvava a
- realidade. Seu lema era: “Só na ressaca enxergamos o
- mundo como ele é”.
- _____Um dia, sem muitas palavras, Stela foi embora.
- Alguma ressaca oracular deve ter lhe dito que eu não
- era bom para seu futuro. Não a culpo.
Adaptado de: CORSO, M. O valor da ressaca. Zero Hora, n. 18489,
02/04/2016. Disponível em: http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a5711255.xml&template=3916.dwt&edition=28691§ion=4572. Acessado em 02/04/2016.
Assinale a alternativa em que o trecho extraído do texto NÃO contém expressão com sentido metafórico.
Leia o trecho da música “Exagerado” de Cazuza:
"Eu nunca mais vou respirar
Se você não me notar
Eu posso até morrer de fome
Se você não me amar."
Qual figura de linguagem é predominante nesse trecho?
Quais são, respectivamente, a figura sintática e o fenômeno semântico que ocorrem na oração “As cobras não comem o milho, mas sim as galinhas.”?
Senhas
Adriana Calcanhoto
Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
[...]
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem
[...]
Disponível em: <https://www.letras.mus.br/adriana-calcanhotto/66697/>. Acesso em: 26 jul. 2016
O fragmento da canção estrutura-se pelo recurso da repetição de uma mesma expressão no início dos versos. Esse recurso é chamado de
O sino de ouro
Contaram-me que, no fundo do sertão de Goiás, numa localidade de cujo nome não estou certo, mas acho que é Porangatu, que fica perto do rio de Ouro e da serra de Santa Luzia, ao sul da serra Azul – mas também pode ser Uruaçu, junto do rio das Almas e da serra do Passa Três ( minha memória é traiçoeira e fraca; eu esqueço os nomes das vilas e a fisionomia dos irmãos; esqueço os mandamentos e as cartas e até a amada que amei com paixão) – mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja pequena, me contaram que aí tem – coisa bela e espantosa – um grande sino de ouro.
Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor – nem Chartres, nem Colônia, nem São Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.
É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus – gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões – eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro.
Quando vem o forasteiro de olhar aceso de ambição e propõe negócios, fala em estradas, bancos, dinheiro, obras, progresso, corrução – dizem que esses goianos olham o forasteiro com um olhar lento e indefinível sorriso e guardam um modesto silêncio. O forasteiro de voz alta e fácil não compreende; fica, diante daquele silêncio, sem saber que o goiano está quieto, ouvindo bater dentro de si, com um som de extrema pureza e alegria, seu particular sino de ouro. E o forasteiro parte, e a povoação continua pequena, humilde e mansa, mas louvando a Deus com sino de ouro. Ouro que não serve para perverter, nem o homem nem a mulher, mas para louvar a Deus.
E se Deus não existe não faz mal. O ouro do sino de ouro é neste mundo o único ouro de alma pura, o ouro no ar, o ouro da alegria. Não sei se isso acontece em Porangatu, Uruaçu ou outra cidade do sertão. Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.
O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão.
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas – 31ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010.)
“... por nossa culpa e miséria e pecado e corrução, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão.” (6º§) O excerto constitui um exemplo de figura de linguagem denominada
Leia o seguinte poema, de autoria de Mário Quintana, para responder às questões 1 a 6:
“A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais…”
O emprego da palavra “cruz” no segundo verso da poesia caracteriza uma figura de linguagem. Que figura de linguagem é essa?
O texto a seguir refere-se às próximas três questões.
A instabilidade das cousas do mundo. (Gregório de Matos Guerra).
Nasce o sol, e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o Mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
Considerando o texto, analise os itens a seguir:
I - Na 1ª estrofe temos antíteses nas palavras sol/noite(v.1); claro/escuro(v.2).
II - O hipérbato aparece no 3º verso: “Em tristes sonhos morre a formosura.”
III - Há elipse no 4º verso: “Em contínuas tristezas a alegria.”
IV - Há paradoxo em: “E na alegria sinta-se tristeza.”
Está correto o que se afirma em:
Indique a alternativa que apresenta o vício de linguagem barbarismo: