Questões de Concurso
Comentadas sobre vícios da linguagem em português
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A intensa busca da perfeição
Nos enganaram. É isso mesmo. Nem tudo termina em beijo. Quase nada, na verdade. E por que que insistimos que sim? Talvez eu não devesse atribuir a dúvida a todos nós. Só a mim mesma já está de bom tamanho.
Faço parte da massa de pessoas viciadas em comédias românticas do tipo água-com-açúcar. Sabe que aqueles filmes podem fazer um mal e tanto? Tudo é sempre tão perfeito, tão maravilhoso! E, claro, no meio do filme há sempre uma crise entre o casal e, no último quarto, no final, tudo começa a se ajeitar. Tudo caminhando para o grande final. O beijo! A câmera fecha no casal se beijando na chuva ou na praia, ou entre as flores. Ou ainda todas as anteriores ao mesmo tempo.
O cara é sempre bonito, gostoso, simpático, sorridente, carinhoso, cheiroso, bom cozinheiro, bemvestido, inteligente - todas as variáveis existentes. A moça é sempre maravilhosa, determinada, inteligente, bem-humorada, bem-vestida, delicada, meiga, romântica - e todas as outras variáveis existentes. Então, só o que posso concluir é que, afinal, nos enganaram.
Nem todas somos maravilhosas, meigas, determinadas e tudo o mais ao mesmo tempo. E, acreditem, nem todos eles são lindos, gostosos e - ao mesmo tempo - inteligentes, simpáticos e tudo o mais... E aí, como é que fica a vida real? Como é que nos mostram tudo isso e, depois - como se fosse um belo prêmio de consolação - nos dão isso. Acho que acabo de descobrir por que os filmes românticos terminam quando o casal dá o beijo definitivo. É porque, a partir daí, começa a realidade. E eles não vão querer nos mostrar a realidade. Não vende.
Daí, por que esses filmes podem fazer um mal e tanto. Ficamos esperando a perfeição. E ela deve ser realmente como nos filmes. Não aceitamos qualquer amostra barata. E então, um tem mau hálito, outro uma barriguinha, outro usa meia de ursinho, outro é um pouco lerdo, outro usa aparelho, outro gosta do É o Tchan! E, se por acaso vocês saem – se é que se chega a tal ponto - nada de passeios ao luar, velas, beijos debaixo da chuva. No dia seguinte, nada de telefonemas, mensagens ou e-mails apaixonados, nem mesmo - muito menos - flores.
Então, quando parei para pensar nisso, depois de uma maratona de três desses retratos da perfeição, achei que talvez devêssemos nunca mais assistir a eles. Greve às comédias românticas! Mas, no fim, acho que isso não resolveria. Devemos, isso sim, deixar de ser tão covardes. Levantar do sofá, desligar a TV e dar a cara a tapa. É tão cômodo sentar e dizer "nada é bom o bastante para mim" e não correr o risco de se machucar. Nada mais perfeito do que um amor de verdade, com todas as suas falhas e imperfeições. Com todas as brigas, encontros e desencontros, mau hálito e meias de ursinho. Sabe por quê? Porque, no fim, descobrimos que somos perfeitos pelo simples fato de não o sermos.
Annita Veslasque. Publicado no jornal Estado de Minas 29.03.2005
A última passagem do texto “Porque, no fim, descobrimos que somos perfeitos pelo simples fato de não o sermos.” encerra um recurso de estilo; esse recurso é uma:
Leia a frases a seguir.
A __________ é uma figura de linguagem que consiste na substituição de uma palavra por outra em razão de haver entre elas uma relação de interdependência, de inclusão ou de implicação.
Marque a opção que preenche CORRETAMENTE a lacuna.
Leia o texto.
Tinha dezessete anos; pungia-me um buçozinho que eu forcejava por fazer bigode. Os olhos, vivos e resolutos, eram a minha feição verdadeiramente máscula. Como ostentasse certa arrogância, não se distinguia bem se era uma criança com fumos de homem, se um homem com ares de menino. Ao cabo era um lindo garção*, lindo e audaz, que entrava na vida de botas e esporas, chicote na mão e sangue nas veias, cavalgando um corcel nervoso, rijo, veloz, como o corcel das antigas baladas, que o romantismo foi buscar ao castelo medieval, para dar com ele nas ruas do nosso século. O pior é que o estafaram a tal ponto, que foi preciso deitá-lo à margem, onde o realismo veio achar, comido de lazeira e vermes, e, por compaixão, o transportou para os seus livros.
Sim, eu era esse garção bonito, airoso, abastado; e facilmente se imagina que mais de uma dama inclinou diante de mim a fronte pensativa, ou levantou para mim os olhos cobiçosos. De todas, porém, a que me cativou foi uma … uma … uma que não sei se diga; este livro é casto, ao menos na intenção; na intenção ele é castíssimo. Mas vá lá; ou se há de dizer tudo ou nada. A que me cativou foi uma dama espanhola, Marcela, a “linda Marcela”, como lhe chamavam os rapazes do tempo. E tinham razão os rapazes. Era filha de hortelão da Astúrias; disse-mo ela mesma, num dia de sinceridade, porque a opinião aceita é que nascera de um letrado de Madri, vítima da invasão francesa, ferido, encarcerado, espingardeado, quando ela tinha apenas doze anos.
Cosas de España. Quem quer que fosse, porém, o pai, letrado ou hortelão, a verdade é que Marcela não possuía a inocência rústica, e mal chegava a entender a moral do código. Era boa moça, lépida, sem escrúpulos, um pouco tolhida pela austeridade do tempo, que não lhe permitia arrastar pelas ruas os seus estouvamentos e berlindas; luxuosa, impaciente, amiga do dinheiro e de rapazes. Naquele ano, morria de amores por um certo Xavier, sujeito abastado e tísico, – uma pérola.
* rapaz, moço
(Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas. Excerto)
No primeiro parágrafo do texto temos a presença de figuras de linguagem.
Assinale a alternativa que apresenta uma delas.
Identifique se há vício de linguagem presente nas frases abaixo:
1. A polícia não interviu na briga entre os correligionários.
2. Nunca ouviu-se dizer sobre tamanha discórdia.
3. Ele realmente encarou de frente seu adversário.
4. Você fica gastando o que não pode.
5. Partido Regenerador e Partido Histórico se desentenderam por causa da sua má conduta.
Assinale a alternativa que apresenta corretamente os vícios de linguagem de cima para baixo.
Leia o gênero textual a seguir:
Analise as proposições e marque a alternativa adequada.
I- O ponto de partida do humor na charge acontece em razão da homonímia causada pela palavra “porca”.
II- A compreensão do diálogo entre os personagens se dá por conta da paronímia revelada pelo termo “porca”.
III- A ambiguidade no texto, poderia ser evitada, tendo em vista o contexto linguístico e situacional, porém, o equívoco é aceitável, por se tratar de um gênero humorístico.
É CORRETO afirmar apenas:
Os vícios de linguagem são desvios da norma-padrão da língua portuguesa que provocam problemas ou ruídos no processo comunicativo. Leia as orações abaixo e assinale a alternativa CORRETA:
I.Os filmes do Tarantino são muito trash, apesar de vintage. As pessoas fingem que gostam porque é cool.
II.Zilma ouve somente música gospel.
III.Eu acabei de chegar na sua casa.
IV.Walter ordenou que as crianças entrassem para dentro de casa.
No texto, o autor fala de “ambiguidade cômica”.
Assinale a alternativa correta sobre ambiguidade.
O problema de construção de sentido no parágrafo acima é:
Leia o texto.
Marcela
Gastei trinta dias para ir do Rocio Grande ao coração de Marcela, não já cavalgando o corcel do cego desejo, mas o asno da paciência, a um tempo manhoso e teimoso. (…)
Teve duas fases a nossa paixão, ou ligação, ou qualquer outro nome, que eu de nomes não curo; teve a fase consular e a fase imperial. Na primeira, que foi curta, regemos o Xavier e eu, sem que ele jamais acreditasse dividir comigo o governo de Roma; mas, quando a credulidade não pôde resistir à evidência, o Xavier depôs as insígnias, e eu concentrei todos os poderes na minha mão: foi a fase cesariana. Era o meu universo; mas, ai triste! não o era de graça. Foi-me preciso coligir dinheiro, multiplicá-lo, inventá-lo. Primeiro explorei as larguezas de meu pai; ele dava-me tudo o que lhe pedia, sem repreensão, sem demora, sem frieza; dizia a todos que eu era rapaz e que ele o fora também. Mas a tal extremo chegou o abuso, que ele restringiu um pouco as franquezas, depois mais, depois mais. Então recorri a minha mãe, e induzi-a a desviar alguma cousa (sic), que me dava às escondidas. Era pouco; lancei mão de um recurso último: entrei a sacar sobre a herança de meu pai, a assinar obrigações, que devia resgatar um dia com usura. Machado de Assis.
Memórias Póstumas de Brás Cubas. Excerto.
Coluna 1 Vícios de Linguagem
1. cacofonia
2. ambiguidade
3. barbarismo
4. solecismo de concordância
5. arcaísmo
Coluna 2 Frases
( ) A sirigaita, que se dirigia ao toucador, sentou à beira da cômoda.
( ) Assustado, o inimigo fidagal gritou: – Esteje preso!
( ) Na vez passada, ela tinha muitos dólares na bolsa.
( ) Me faça o favor de descobrir onde haviam mais agentes penitenciários do que presos.
( ) Prefeitura começa a pagar prejuízo de motoristas com buracos de rua.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
As frases a seguir apresentam redundâncias desnecessárias.
Assinale a opção que indica a frase que é redigida de forma adequada, evitando-se esse problema.
Naquela cidade, entre flores e pessoas, haviam pássaros cantando e a cidade estava tranquila. Essa tranquilidade, normal para aquela cidade acabou quando aconteceu um incêndio. Havia um garoto, ele viu o incêndio do prédio. Todos ficaram angustiados com essa calamidade e propuseram que se espalhassem cartazes de alerta em toda a cidade, já que o motivo do incêndio fora a negligência de sua administração.
Dentre os cartazes propostos, encontra-se estes:
1. É necessário a vistoria semanal dos extintores de incêndio. 2. Busca-se, para contratação imediata bombeiros habilitados ao combate de incêndios. 3. Os condôminos, que não informarem a administração de seu prédio qualquer problema com a fiação será multado caso seja constatado problema devido à isso.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ), considerando a norma culta.
( ) No texto, há um vício de linguagem que pode influenciar a interpretação da frase em que se encontra. ( ) No cartaz 2, encontra-se um erro de concordância verbal. Outro, ferindo a mesma regra, encontra-se no texto que antecede os cartazes. ( ) O cartaz 1 está correto quanto à grafia. ( ) Os cartazes 2 e 3 apresentam a mesma inadequação quanto ao uso da vírgula e o cartaz 3 apresenta, ainda, uma inadequação de concordância do verbo com seu sujeito. ( ) O texto que antecede a apresentação dos cartazes apresenta duas inadequações quanto à concordância verbal; mas, no que diz respeito ao uso da vírgula, está adequado.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
A ambiguidade pode ser um problema textual, mas muitas vezes ela é intencionalmente produzida para que a expressão se torne mais efetiva, pela junção de dois sentidos.
A frase publicitária abaixo que NÃO apela para uma ambiguidade é: