Questões de Concurso
Comentadas sobre variação linguística em português
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I. O texto apresenta, concomitantemente, registros de linguagem formal e informal.
II. Não se verificam marcas de oralidade na narrativa.
III. Há ironia em pelo menos uma passagem do texto.
IV. Um dos personagens reporta-se ao seu interlocutor, na segunda pessoa, como “tu”.
Estão corretas as afirmativas
Observe o fragmento abaixo de uma carta pessoal:
“Rosa: esta é a última carta que te escrevo. Brevemente embarcarei num navio que me levará a um país distante de onde não sei se voltarei. Antes de separar-nos, escrevo-te esta carta como despedida.”
O nível de linguagem utilizado nesta carta pode ser classificado
como
"Na penumbra da noite, os silêncios se entrelaçavam como fios de uma trama intricada, sussurrando segredos que se perdiam nos recantos sombrios da consciência. A lua, testemunha silente, lançava seus raios pálidos sobre os contornos obscuros da realidade."
Com base nesse contexto, assinale a alternativa correta.
I. É correto afirmar que o desencadeamento do Burnout em um docente está diretamente ligado a circunstâncias que estão dentro e fora do controle desse profissional.
II. É correto afirmar que as dificuldades de lidar com a síndrome de Burnout advém da dificuldade de identificar os motivos que levaram o docente a esse estado.
III. É correto afirmar que melhorias escolares nos âmbitos político, econômico e social poderiam impedir ou atenuar a possibilidade de desenvolvimento do Burnout em docentes.
Marque a alternativa correta:
Texto 2
Doutor Félix
Para o pensamento geral, bom advogado é aquele que participa do Tribunal do Júri Popular. Advogado bom de tribuna logo cai na graça do povo. “Viu como ele fala? Tem medo não. O promotor se levantou também e, se o juiz não entra no meio! Sei não, a coisa ficaria feia.” [...]
O público ouvia com atenção e não se ouvia um pio na assistência, mesmo porque não era galinheiro. Ninguém duvidava da condenação, mas a curiosidade era grande. O que iria fazer doutor Félix? Como iria sair daquela? Ele, sempre competente, acostumado a ganhar, na certa iria perder aquela batalha.
[...]
ISAIAS, Davi. Crônicas da Goiabeira – volume I. Goiânia: 2008. Editora
América.

Nesse comunicado há uma palavra mal-empregada, que é:
A variação linguística refere-se às diferentes modalidades do uso da língua em diferentes contextos sociais, culturais, geográficos e situacionais. Relativamente à variação diacrônica, analise as assertivas:
I. A variação diacrônica é uma modalidade de variação linguística que se refere às mudanças que ocorrem na língua ao longo do tempo, ou seja, a evolução histórica da língua.
II. A variação diacrônica envolve várias dimensões da língua, incluindo vocabulário, gramática, pronúncia e estrutura da língua.
Pode-se afirmar que:
Sou fio das mata, cantô da mão grosa
Trabaio na roça, de inverno e de estio
A minha chupana é tapada de barro
Só fumo cigarro de paia de mio
O poema não utiliza a gramática normativa. Assim, assinale a alternativa que utilize um conceito da sociolinguística para explica a linguagem utilizada no poema.
TEXTO III
Leia este capítulo de Machado de Assis na íntegra e responda ao que se pede:
“Capítulo LXXI
O senão do livro
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contracção cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...
E caem! - Folhas misérrimas do meu cipreste, heis de cair, como quaisquer outras belas e vistosas; e, se eu tivesse olhos, dar-vos-ia uma lágrima de saudade. Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não deixa olhos para chorar... Heis de cair.”
ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Antofágica,2022.
Observe a seguinte situação hipotética:
“Em uma aula sobre variabilidade linguística, o professor de Língua Portuguesa aproveita o texto acima para comparar os usos de linguagem de hoje com o uso da época de Machado de Assis, fazendo com que os alunos percebam e identifiquem algumas diferenças de emprego.” Essa diferença de uso deve ser apresentada aos alunos como uma variante, eminentemente:
Papos
- Me disseram...
- Disseram-me.
- Hein?
- O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.
- Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é “digo-te”?
- O quê?
- Digo-te que você...
- O “te” e o “você” não combinam.
- Lhe digo?
- Também não. O que você ia me dizer?
- Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?
- Partir-te a cara.
- Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.
- É para o seu bem.
- Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...
- O quê?
- O mato.
- Que mato?
- Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?
- Eu só estava querendo…
- Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo é elitismo!
- Se você prefere falar errado...
- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?
- No caso... não sei.
- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
- Esquece.
- Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o certo é "esquece" ou “esqueça”? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.
- Depende.
- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-loias se o soubesses, mas não sabes-o.
- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que me dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.
- Por quê?
- Porque, com todo este papo, esqueci-lo.
Luis Fernando Verissimo. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
A situação retratada no texto, de correções sobre a fala de uma das personagens, demonstra uma atribuição de valores à forma culta da linguagem, em detrimento da forma coloquial. Tal atribuição é evidenciada no trecho:
https://www.diarionline.com.br/?s=noticia&id=134679
A fala do personagem Chico Bento (último balão) reproduz uma variante linguística recorrente na fala de brasileiros, pertencentes a determinadas regiões do país. Essa estrutura caracteriza-se por variantes:
I. O texto se encontra redigido de acordo com a variedade formal da língua.
II. O autor emprega, em várias situações, vocábulos pertinentes à variedade coloquial.
III. A abordagem do autor estigmatiza a inteligência artificial, uma vez que ele demonstra ter ojeriza a tal tipo de inteligência.
IV. Um alerta é evidente, no texto, para que as pessoas não se deixem dominar pela inteligência artificial, embora ela traga benefícios à humanidade.
V. Essa tecnologia deverá ser usada para um possível controle dos fins dos tempos.
Estão corretos apenas os itens:
Morfologia é a parte da gramática que estuda as palavras, desde a sua estrutura e formação até as suas formas de flexão. As palavras se organizam em dez categorias, que são conhecidas como classes de palavras. As classes gramaticais se organizam em 10 classificações, sendo 6 variáveis: substantivo, verbo, adjetivo, artigo, numeral, pronome, substantivo, verbo. E 4 classes invariáveis em gênero e em número: advérbio, conjunção, interjeição, preposição.
(Morfologia - Língua Portuguesa - Toda Matéria (todamateria.com.br))
Nesse contexto, analise o fragmento textual seguinte, com o código V (Verdadeiro) ou F (Falso):
"Na linguagem coloquial brasileira, o verbo constrói-se, em tal acepção, de preferência, com objeto direto (cf.: assistir o jogo, um filme), e escritores modernos têm dado acolhida à regência gramaticalmente condenada. Enquanto na linguagem padrão, escrevem-se textos científicos, técnicos usando o jargão de cada profissão, portanto, evitando-se o coloquialismo, buscando sempre predominância da linguagem culta − padrão". (...) (Adaptado)
(BAGNO, M. A. A língua de Eulália: novela sociolinguística. S. Paulo. Contexto. 2000, p. 107-108).
(__)A frase nominal (não oracional): "Na linguagem coloquial brasileira" − é formada, respectivamente, por contração prepositiva, substantivo e adjetivos.
(__)No segmento: "o verbo constrói-se, em tal acepção, de preferência, com objeto direto" − temos, respectivamente: artigo definido, substantivo, verbo e pronome posposto ao verbo; as vírgulas separam expressão entre o verbo e seu complemento indireto.
(__)Todos os termos da série: "se"; "em"; "de" são invariáveis em gênero e em número.
(__)Entre os componentes do período: "técnicos usando o jargão de cada profissão, portanto, evitando-se o coloquialismo", - temos: verbos na forma nominal do gerúndio, duas vírgulas separando um termo coesivo - "portanto" − entre duas orações.
Marque a alternativa com a opção correta.