Questões de Concurso Sobre uso dos conectivos em português

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Q1309059 Português

Leia o texto abaixo e responda a questão.


O uso da expressão pelo autor “ainda” na frase abaixo tem como objetivo principal: “No Brasil, as desigualdades de gênero estão ainda nas raízes do sofrimento físico e mental das mulheres.” (linhas 1 a 3)
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Q1304788 Português

Leia o texto e responda a questão.

Nem a Rosa, Nem o Cravo

    As frases perdem seu sentido, as palavras perdem sua significação costumeira, como dizer das árvores e das flores, dos teus olhos e do mar, das canoas e do cais, das borboletas nas árvores, quando as crianças são assassinadas friamente pelos nazistas? Como falar da gratuita beleza dos campos e das cidades, quando as bestas soltas no mundo ainda destroem os campos e as cidades?
    Já viste um loiro trigal balançando ao vento? É das coisas mais belas do mundo, mas os hitleristas e seus cães danados destruíram os trigais e os povos morrem de fome. Como falar, então, da beleza, dessa beleza simples e pura da farinha e do pão, da água da fonte, do céu azul, do teu rosto na tarde? Não posso falar dessas coisas de todos os dias, dessas alegrias de todos os instantes. Porque elas estão perigando, todas elas, os trigais e o pão, a farinha e a água, o céu, o mar e teu rosto. (...) Sobre toda a beleza paira a sombra da escravidão. É como u’a nuvem inesperada num céu azul e límpido. Como então encontrar palavras inocentes, doces palavras cariciosas, versos suaves e tristes? Perdi o sentido destas palavras, destas frases, elas me soam como uma traição neste momento. 
    (...) 
    Mas eu sei todas as palavras de ódio e essas, sim, têm um significado neste momento. Houve um dia em que eu falei do amor e encontrei para ele os mais doces vocábulos, as frases mais trabalhadas. Hoje só o ódio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo. Só o ódio ao fascismo, mas um ódio mortal, um ódio sem perdão, um ódio que venha do coração e que nos tome todo, que se faça dono de todas as nossas palavras, que nos impeça de ver qualquer espetáculo – desde o crepúsculo aos olhos da amada – sem que junto a ele vejamos o perigo que os cerca.
    Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperança. Jamais os livros diriam coisas belas, nunca mais seria escrito um verso de amor. Sobre toda a beleza do mundo, sobre a farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar, sobre teus olhos também, se debruçaria a desonra que é o nazifascismo, se eles tivessem conseguido dominar o mundo. Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras doces e frases cariciosas. Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte. Não encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas encontrarás um punhal ou um fuzil, encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza, contra aqueles que amam as trevas e a desgraça, a lama e os esgotos, contra esses restos de podridão que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!

(AMADO, Jorge. Folha da Manhã, 22/04/1945.)

Observa-se, no texto, uma recorrência do emprego do vocábulo “como”. Assinale a opção que apresenta um emprego desse vocábulo com valor semântico diferente dos demais:
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Q1302399 Português
PERDIDOS NO ESPAÇO

    Quando foi deflagrada, há mais de cinco décadas, a corrida espacial parecia anunciar o começo de uma nova era.
    Ao colocar o primeiro satélite em órbita (1957) e repetir o feito com uma nave tripulada (1961), a então União Soviética não apenas levava a competição mundial entre dois modelos - capitalismo e socialismo- a uma nova fronteira simbólica. Imaginava-se, nos dois lados do grande confronto, que o futuro estava no espaço, como estivera antes na exploração dos oceanos e na navegação aérea.
     Assim desafiados, os Estados Unidos mobilizaram recursos necessários para liderar a competição e enviar, a partir de 1969, sucessivos pares de astronautas à Lua. Passados tantos anos, o encerramento do programa de ônibus espaciais, com a conclusão do voo orbital da Atlantis ontem, sugere um balanço do ciclo pioneiro. 
    É notório que as expectativas, infladas pela excitação ideológica da Guerra Fria, não se confirmaram. O próprio investimento nos programas espaciais já declinava desde que a dissolução do império soviético fez os gastos parecerem exorbitantes como nunca.
    Americanos e russos, entretanto, enviaram missões não tripuladas a todos os planetas do Sistema Solar. Embora exista água líquida (e talvez formas rudimentares de vida) num satélite de Júpiter (Europa) e noutro de Saturno (Encélado), essas viagens nada revelaram de promissor do ângulo prático.
     A utilização econômica do espaço remoto, para não dizer sua ocupação demográfica, continua mera fantasia. As distâncias são incomensuráveis; os custos, astronômicos.
    Onde a competição espacial gerou resultados palpáveis, tecnológicos e econômicos, foi na dimensão menos espetacular das vizinhanças do planeta, a faixa de 36 mil quilômetros em que trafegam milhares de satélites artificiais.
    Essa rede, que viabilizou o enorme progresso das telecomunicações nestas décadas, também deu impulso a avanços em áreas como meteorologia e eletrônica. Torna-se um problema conforme se acumulam objetos cuja órbita um dia decairá até que se desfaçam em atrito com a atmosfera, nem sempre de forma segura.
    A exploração do espaço continuará porque o desejo de conhecer é inextinguível. Seu desenrolar, porém, será mais lento e realista. Nossa condição parece ser solitária (há décadas varremos os céus na busca de sinais que possamos interpretar como inteligentes...); não falta razão para nos voltarmos mais para a Terra e seus graves problemas do que para “os abismos do espaço infinito”.
Considerando a coesão e coerência textual, no fragmento: “Embora exista água líquida (e talvez formas rudimentares de vida) num satélite de Júpiter (Europa) e noutro de Saturno (Encélado), essas viagens nada revelaram de promissor do ângulo prático.” As palavras ‘Embora’ e ‘essas’, respectivamente, estabelecem uma:
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Q1302380 Português

O maniqueísmo que nos alimenta e o amor que nos falta

Sérgio Pardellas

    Acordamos e logo somos tragados pelo maniqueísmo. A política nacional está empanturrada dele — um mal que não escolhe governos, muito menos ideologias. Maniqueu, filósofo do século III, cuja doutrina afirma existir o dualismo entre dois princípios opostos — o bem e o mal, o certo e o errado —, transbordaria de orgulho dos súditos que amealhou. A lógica binária é capaz de corromper até o “fundo insubornável do ser” de que dizia Ortega y Gasset. Não raro, a queda-debraço retórica gira em torno de “quem está do lado correto da história”. Não demora e alguém avoca para si o monopólio da virtude. Logo, o oponente é a encarnação do que há de mais desgraçado no mundo. Muitas vezes, a polarização faz lembrar um museu de grandes novidades. O tempo não para e o argumento, outrora música para os ouvidos de um, passa a embalar a valsa do outro.

    Nem o dinamarquês Soren Kierkegaard ousaria produzir uma catástrofe tão perfeita. Como o exemplo vem de cima e a sociedade segue no mesmo compasso da política, aquilo a que assistimos são relações pessoais descompassadas. Não é preciso recorrer a exemplos do cotidiano. Eles pululam, semana a semana, e encontram-se debaixo do nosso nariz. O aroma é desagradável. Falta empatia, colocar-se no lugar do outro, entender e tocar a alma alheia. Em suma, a política está colérica e os relacionamentos nas redes sociais ou mesmo fora delas são o seu retrato mais bemacabado. Um triste retrato de chorar lágrimas de esguicho. No ambiente amistoso ou não das mesas de bar não falávamos o que regurgitamos nesses ambientes. Conforme questionava Monteiro Lobato em A luz do baile, “como (o que mudou), se era a mesma gente?”.

    Se é certo que opinar sobre tudo virou um fetiche dos tempos modernos, também é lícito afirmar que falta escrúpulo de delicadeza no lançamento de pareceres definitivos, quando não rasos e injuriosos, sobre o outro. Aliás, todos parecem ter prontos na cartola juízos sobre os mais diversos temas na hora de pressupor prevalência sobre terceiros. É a tal superioridade moral erigida tanto pelo Fla quanto pelo Flu. Nessa disputa infértil sobre quem paira acima de quem, a língua se transformou no açoite do que não somos, porque não é possível que nascemos para chicotearmos uns aos outros sem pensarmos em que posturas tão cáusticas irão degenerar.

    É necessário descer ao inferno do autoconhecimento e desvelar a própria alma, de que falava Eric Voegelin. É preciso oferecer ao outro o que gostaríamos de receber. Mas nem as crianças, nem os idosos, nem os desvalidos, nem sequer o luto dos que sofrem, expressão máxima da dignidade humana, são respeitados mais. A urgência deve ser o amor ao próximo, não o ódio sem proximidade. A reação é do instinto humano, mas no ambiente álgido de hoje muitos contraatacam sem serem importunados pelo simples prazer de atingir alguém. Ou mesmo por puro comportamento de manada — uma maneira estranha de ser aceito ou mesmo aplaudido em suas bolhas, em geral, formadas por pessoas que abominam o contraditório. Lançada em 1981, a célebre canção “Under Pressure”, da banda britânica “Queen”, nunca foi tão atual: “Insanity laughs, under pressure we’re breaking (A insanidade ri, sob pressão estamos cedendo). Can’t we give ourselves one more chance (Não podemos dar a nós mesmos mais uma chance) Why can’t we give love that one more chance. (Por que não podemos dar ao amor mais uma chance?) Why can’t we give love?” (Por que não podemos dar amor?).

     O filósofo e humanista francês Michel de Montaigne dedicou talvez o mais belo de seus ensaios ao amigo Étienne de La Boétie, falecido em 1563, aos 32 anos. Quando indagado sobre a ligação afetiva de ambos, Montaigne sacou uma das justificativas mais doces e profundas que a humanidade já produziu: “porque era ele, porque era eu”. O texto levava o título “De l’amitié: Sobre a Amizade”. Mas bem que poderia se chamar “Sobre o amor”, aquele que tanto nos falta.

Considerando o princípio de coesão textual, aponte a alternativa em que as palavras destacadas dos fragmentos, a seguir, estão relacionadas respectivamente à ideia indicada.

Logo, o oponente é a encarnação do que há de mais desgraçado no mundo.”

Ou mesmo por puro comportamento de manada — uma maneira estranha de ser aceito ou mesmo aplaudido em suas bolhas..."

Mas bem que poderia se chamar “Sobre o amor”, aquele que tanto nos falta.”

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Q1299289 Português
O poder dos ultrajovens

     “Se, na conjuntura, o poder jovem cambaleia, vem aí, com força total, o poder ultrajovem”, escreveu Carlos Drummond de Andrade no final dos anos 1960, em uma crônica que versava sobre o embate de um pai com a filhinha em torno de uma __________. Ele insistia, ela ignorava. Ele repetia, ela se mantinha firme em seu propósito. Ele tergiversava, ela o lembrava do que queria. Ela ganhou por coerência. Ele perdeu por não entender a dinâmica dos tempos. A premissa é mais atual do que nunca. A força do poder ultrajovem é inexorável.
     De acordo com pesquisas __________, se depender da geração que tem por volta dos 20 anos, estão encrencados os hotéis, as lojas de departamentos, as cadeias de restaurantes, a indústria automobilística, o comércio de diamantes, a produção de guardanapos e de canudinhos.
     Eles resolvem a vida (para o bem e para o mal) pelo celular. “Eles se tornam personagens de suas próprias vidas, preocupados com narrativas, contextos, motivações. Estão sempre esperando pelo terceiro ato – que nunca chega”, disse um estudo da Box1824, conduzido pelos pesquisadores Sean Monahan e Sophie Secaf, nos Estados Unidos, sobre o que chamaram de GenExit, a geração que opta por experimentar novas possibilidades identitárias, mais livres e menos deterministas.
     A principal distinção dos ultrajovens é a necessidade de estar conectado o tempo todo. Os smartphones são sua porta de acesso ao mundo; 43% dos jovens não vão ao banheiro sem seus celulares. O aparelho é tão importante que 42% deles afirmam que deixariam de ir à academia se não pudessem levá-lo.
     A fixação por smartphones atinge outras faixas etárias, mas, no caso dos ultrajovens, deu origem à “era da distração”. A fartura de dispositivos conectados à internet está reduzindo cada vez mais a capacidade de concentração. 
     Marci encara a tal distração como resultado da falta de tempo ocioso. Os “nativos digitais” não se enfadam, porque estão sob constante estímulo. Se estão na fila do mercado, não precisam “esperar”; é só sacar o celular e responder a uma mensagem ou dar uma conferida nas notificações das redes sociais e pronto: a fila andou rapidinho.

https://epoca.globo.com... - adaptado. 
Em “Ele não passou na prova, porque não estudou.”, o termo sublinhado pode ser substituído, sem alteração de sentido, por:
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Q1291142 Português
Após a aprovação da emenda que limita os gastos públicos, decidiu-se que a saúde terá tratamento diferenciado, mas este ponto tem gerando embates entre governistas e oposição desde que foi lançado o projeto de emenda constitucional. Para 2017, a saúde terá 15% da Receita Corrente Líquida, que é o somatório arrecadado pelo governo federal, deduzido das transferências obrigatórias previstas na Constituição. A partir de 2018, a área passará a seguir o critério da inflação (IPCA).

Imagem associada para resolução da questão
O período acima poderia ser reescrito da seguinte maneira:
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Q1290625 Português

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. 

Todo dia é dia de falar sobre George Orwell

(Henrique Balbi – Revista Época – 11/09/2019 – Disponível em: https://epoca.globo.com/ - disponível)

Na linha 18, o nexo linguístico “Embora” possui valor __________ e poderia ser substituído por ___________, desde que ___________ alterações no período.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
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Q1290038 Português

Leia o poema abaixo para responder a questão.


Moraliza o poeta nos ocidentes do sol a inconstância dos bens do mundo

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,

Depois da Luz se segue a noite escura,

Em tristes sombras morre a formosura,

Em contínuas tristezas a alegria.


Porém se acaba o Sol, por que nascia?

Se formosa a Luz é, por que não dura?

Como a beleza assim se transfigura?

Como o gosto da pena assim se fia?


Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,

Na formosura não se dê constância,

E na alegria sinta-se tristeza.


Começa o mundo enfim pela ignorância,

E tem qualquer dos bens por natureza

A firmeza somente na inconstância.


In: MATOS, Gregório de. Obra poética. Org. James Amado. Prep. e notas Emanuel Araújo. Apres. Jorge Amado. 3.ed. Rio de Janeiro: Record, 1992

Assinale a palavra que substitui, sem prejuízo semântico, a palavra destacada no verso: “Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza.”:
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Q1290033 Português
Vacina contra dengue já terá testes em fevereiro. Butantã fará análises em 13 cidades; Alckmin disse que 250 municípios terão mutirão contra “Aedes” e um mapa virtual indicará criadouros.

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou nesta sexta-feira, 29, que os testes com a vacina da dengue, que está sendo elaborada pelo Instituto Butantã, vão começar no próximo mês. A vacina teve a última fase para testes em humanos liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro do ano passado e será testada em 13 cidades, entre elas São Paulo, Manaus, Belo Horizonte e Recife.
"Já estamos há anos, no Instituto Butantã, trabalhando para ter a vacina contra a dengue. Já teve a fase um, a fase dois e a última fase, que é a três, nós esperamos agora, no mês de fevereiro, fazer as primeiras vacinações de voluntários no Hospital das Clínicas contra os quatro tipos de vírus com apenas uma dose", disse o governador. Ao todo, 17 mil pessoas de todo o País devem participar do estudo em 14 centros de pesquisa. Mas, a estimativa é de que a vacina seja distribuída na rede pública apenas em 2018.
Alckmin informou ainda que 250 municípios receberão um mutirão e que um mapa interativo será implantando no site da Secretaria Estadual de Saúde para receber denúncias sobre focos do Aedes aegypti." No sábado passado, iniciamos pelos 20 municípios de maior incidência e, amanhã, teremos um mutirão em 250 municípios do Estado de São Paulo. No caso dos profissionais (que vão participar), passaremos a pagar diária aos sábados para ganhar tempo e aumentar ao máximo o número de visitas", disse.
O ESTADO DE S. PAULO. São Paulo, 30 jan. 2016. P. 18
Assinale a alternativa que substitui, sem perca de sentido, o termo em destaque no trecho: “Mas, a estimativa é de que a vacina seja distribuída na rede pública apenas em 2018.”:
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Q1287238 Português
Exposição no Palácio dos Bandeirantes convida a viajar
para o passado 

     A exposição “Arte e história nas coleções públicas paulistas”, em cartaz no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, convida o visitante a passear pelo passado. São mais de 200 peças trazidas do Museu Paulista (mais conhecido como Museu do Ipiranga), da Pinacoteca do Estado e do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo. Uma coleção de ferros de passar roupa, uma carruagem do século XIX, mobiliário da elite paulista e telas de pintores como Benedito Calixto e Antonio Ferrigno contam episódios da história do Brasil desde os tempos coloniais. É a primeira vez que uma exposição reúne peças dos três mais antigos acervos culturais paulistas num único espaço. 
     Para ajudar os visitantes ____ viajar para o passado, a exposição começa com uma apresentação do grupo de teatro do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente. Vestidos ____ moda do século XIX, cerca de 20 atores interpretam personagens típicos do Brasil _____ vésperas da Independência: escravos, capitães do mato, padeiros portugueses, aristocratas indolentes, polemistas da imprensa e sinhás. Alguns personagens históricos também entram em cena, como a escritora negra Maria Firmina dos Reis, o jornalista Manoel Bastos Tigre e Dona Leopoldina, mulher de Dom Pedro I. 
     Os personagens conversam sobre dilemas do Brasil de 1822: uma escrava exige sua liberdade e o senhor diz que razões econômicas impedem a Abolição; uma portuguesa maldiz as ideias independentistas de certos brasileiros; um menino jornaleiro anuncia notícias da época. A pecinha termina com o grito “Independência ou morte!”, bradado por um Dom Pedro de no máximo 6 anos de idade. 
     Depois da apresentação, os atores passeiam pela exposição com os visitantes. Boa parte do espaço da exposição é dedicada ____ iconografia produzida sobre os bandeirantes, que foram glorificados em pinturas acadêmicas e bucólicas. No início do XX, membros da elite paulista costumavam encomendar obras de arte de temática bandeirante para o Museu do Ipiranga. A exposição tenta problematizar os bandeirantes e lembra as brutalidades cometidas por eles contra populações indígenas. Mas a história que os quadros contam é outra: paulistas orgulhosos, com barbas longas e chapéus de aba larga, índios sempre em segundo plano. 

https://epoca.globo.com... - adaptado. 
Em relação ao texto, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
(  ) Em “São mais de 200 peças trazidas do Museu Paulista (mais conhecido como Museu do Ipiranga)” (primeiro parágrafo), a palavra sublinhada poderia ser substituída por “mas” sem alteração de sentido.
(  ) Em “A exposição 'Arte e história nas coleções públicas paulistas', em cartaz no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, convida o visitante a passear pelo passado.” (primeiro parágrafo), o sujeito do verbo sublinhado é “Palácio dos Bandeirantes”. 
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Q1287049 Português
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

YouTube, o paraíso da publicidade infantil

Texto especialmente adaptado para esta prova.
Daniel Salgado, Revista Época, 07/12/2018. Disponível em: https://epoca.globo.com
Na linha 25, tem-se a conjunção “Ainda que”, que expressa o sentido de _____________, podendo ser substituída por ____________, desde que _______ alterações nas formas verbais.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
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Q1286683 Português
No trecho “Caso ela venha, não irei viajar.”, a palavra sublinhada introduz circunstância de:
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Q1281265 Português
Assinale a alternativa que poderia substituir o nexo coesivo ‘porém’ (l.08) sem causar problemas de semântica ou sintaxe.
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Q1278570 Português

    O casamento, para ela, era isso: quarenta e oito anos de opressão, de humilhações, de vexames. Um verdadeiro tirano, o marido dela, um homem autoritário que lhe dava ordens sem cessar e que a ridicularizava na frente de todo o mundo: minha mulher é um desastre, proclamava, não faz nada direito.

    E ela? Ela calava. Jamais protestara. Até os filhos se indignavam com aquela passividade: você não pode se deixar dominar dessa maneira, diziam, você tem de fazer alguma coisa. Ela suspirava, resignada, não dizia nada.

    Mas estava, sim, resolvida a se vingar. Sua vingança seria cruel e requintada, uma vingança capaz de indenizá-la por uma vida de sofrimentos. Só faltava descobrir a maneira de fazê-lo.

    A ideia lhe ocorreu quando, uma manhã, o marido perguntou se ela não vira seu cachimbo. Entre parênteses, gostava muito disso, de fumar cachimbo. Verdade que a ela o cheiro deixava tonta; mas ele pouco estava ligando. Entre a mulher e o cachimbo prefiro o cachimbo, costumava dizer, entre gargalhadas. Mas então ele tinha esquecido onde deixara o cachimbo − sinal de que a memória lhe falhava. E ela resolveu tirar proveito disso. Para quê? Para enlouquecer o marido. Exatamente: enlouquecê-lo. Era o mínimo a que podia almejar.

    E aí começou o jogo. Onde está o cachimbo, perguntava ele. Ali onde você o colocou, dizia ela, em cima do televisor.

    Ele ficava perplexo: eu coloquei o cachimbo em cima do televisor? E por que teria feito isso, se ali não é lugar de cachimbo? Quanto mais perturbado ele ficava, mais ela se entusiasmava. Era como uma gata brincando com um camundongo, um camundongo triste e desamparado. Você não viu o meu cachimbo? Está ali na prateleira, onde você o deixou. Eu? Eu deixei o cachimbo na prateleira? A coisa ia num crescendo, a angústia dele aumentando sempre. Ela já tinha o final planejado: um dia o cachimbo sumiria para sempre. E quando ele perguntasse ela responderia: você o jogou fora. O que seria um golpe... mortal? Mortal.

    Só que ele morreu antes disso. Um ataque do coração, provavelmente. Ela chorou muito: em parte porque tinha pena dele, em parte porque não pudera consumar sua vingança. Mas aí teve uma ideia: colocar o cachimbo no caixão. Para atormentá-lo pela eternidade afora. Procurou o cachimbo, mas não o achou. Simplesmente não conseguia lembrar de onde o colocara. Ali, em alguma parte da casa, estava o maldito objeto. Só que ela não o encontrava. E isto significava que jamais teria paz. Que aquela lembrança a torturaria até a morte.

(SCLIAR, Moacir. O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2002, p. 113-114)

Mas aí teve uma ideia: colocar o cachimbo no caixão. Para atormentá-lo pela eternidade afora. (7º parágrafo)


O termo sublinhado acima introduz ideia de

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Ano: 2019 Banca: FEPESE Órgão: SAP-SC Prova: FEPESE - 2019 - SAP-SC - Agente Penitenciário |
Q1278271 Português
Texto
O mundo: um espaço construído

O mundo, para Hannah Arendt, não é simplesmente o que nos rodeia, mas um espaço construído pelo trabalho e constituído pela ação. Construções e artefatos garantem aos seres humanos um lugar duradouro no meio da vida e da natureza, onde tudo aparece e desaparece, isto é, vida e morte se alternam constantemente. Nesse espaço construído, os seres humanos podem criar formas de convivência e interação que vão além da preocupação com a mera sobrevivência ou continuidade da espécie, embora as necessidades básicas não deixem de existir e precisem ser supridas antes de termos a possibilidade de participar no mundo.

Arendt distingue entre a atividade humana que se preocupa com as necessidades vitais – o labor – e as atividades que dizem respeito ao mundo humano – o trabalho, a ação e o pensamento. O labor corresponde a uma das condições da nossa existência na Terra: a vida. Para cuidar da nossa vida, precisamos satisfazer nossas necessidades, assim como o faz também qualquer outra espécie de seres vivos. Para satisfazer a fome, por exemplo, produzimos alimentos que, em seguida, consumimos. Esse ciclo de produção e consumo, originariamente ligado aos processos biológicos, na modernidade, extrapola cada vez mais a satisfação das necessidades meramente biológicas e se estende a outras. Não consumimos apenas alimentos, mas estilos de vida, produtos “culturais”, emoções, imagens. Contudo, embora o processo de produção e consumo seja cada vez mais exacerbado, a lógica que lhe é inerente continua sendo a mesma: a satisfação das necessidades sejam essas biológicas ou não.

O trabalho, por sua vez, está relacionado à mundanidade do ser humano, isto é, à necessidade de construir um espaço duradouro no meio de uma natureza onde tudo aparece e desaparece constantemente. Assim, o ser humano fabrica artefatos, objetos de uso e espaços que não se destinam ao consumo imediato, mas que lhe possam ser úteis e que lhe garantem uma estabilidade para ter um lar que ele não possui por natureza. A ação é a atividade mais especificamente humana. O que nos impele a agir é a condição da pluralidade dos seres humanos. A ação diz respeito à convivência entre seres humanos, que são singulares, mas não vivem no singular e sim no plural, ou seja, com outros. Essa é a característica fundamental da existência humana.

A pluralidade possibilita aos seres humanos constituírem um âmbito de ação no qual cada um pode se revelar em atos e palavras, o que não faria sentido de modo isolado, mas ganha sua relevância numa esfera que se estabelece entre as pessoas. É com suas ações que as pessoas constantemente criam e recriam o “espaço-entre” e, assim, estabelecem um mundo comum. A comunicação é fundamental para que possamos estabelecer algo compartilhado por todos. É por meio dela que a subjetividade de nossas percepções adquire uma objetividade. Assim, a existência de uma diversidade de pontos de vista é constitutiva para o mundo comum, que partilhamos com nossos contemporâneos, mas também com aqueles que nos anteciparam e com os que darão continuidade à nossa ação depois de nós.

ALMEIDA, Vanessa Sievers de. Educação e liberdade em Hannah Arendt. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 34, n.3, p. 465-479, set./ dez. 2008. [Adaptado]
Assinale a alternativa correta, com base no texto.
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Q1277484 Português
Atenção: Para responder a questão, considere o texto abaixo.

1     Tenho um sonho que, acho, nunca realizarei: gostaria de ter um restaurante. Mais precisamente: gostaria de ser um cozinheiro. As cozinhas são lugares que me fascinam, mágicos: ali se prepara o prazer. O cozinheiro deve ser psicólogo, conhecedor dos segredos da alma e do corpo. Mas não sei cozinhar. Acho que devido a isso que escrevo. Escrevo como quem cozinha.
2     A relação entre cozinhar e escrever tem sido frequentemente reconhecida pelos escritores. É a própria etimologia que revela a origem comum de cozinheiros e escritores. Nas suas origens, sabor e saber são a mesma coisa. O verbo latino “sapare” significa, a um só tempo, tanto saber quanto ter sabor. Os mais velhos haverão de se lembrar que, num português que não se fala mais, usava- -se dizer de uma comida que ela “sabia bem”.
3     Suponho que Roland Barthes também tivesse uma secreta inveja dos cozinheiros. Se assim não fosse, como explicar a espantosa revelação com que termina um dos seus mais belos textos, A lição? Confessa que havia chegado para ele o momento do esquecimento de todos os saberes sedimentados pela tradição e que agora o que lhe interessava era “o máximo possível de sabor”. Ele queria escrever como quem cozinha – tomava os cozinheiros como seus mestres.
4     A leitura tem de ser uma experiência de felicidade. Por isso que Jorge Luis Borges aconselhou aos seus estudantes que só lessem o que fosse prazeroso: “Se os textos lhes agradam, ótimo. Caso contrário, não continuem, pois a leitura obrigatória é uma coisa tão absurda quanto a felicidade obrigatória”.
5     Esta é a razão por que eu gostaria de ser cozinheiro. É mais fácil criar felicidade pela comida que pela palavra... Os pratos de sua especialidade, os cozinheiros os sabem de cor. Basta repetir o que já foi feito. Mas é justamente isso que está proibido ao escritor. O escritor é um cozinheiro que a cada semana tem de inventar um prato novo. Cada semana que começa é uma angústia, representada pelo vazio de folhas de papel em branco que me comandam: “Escreva aqui uma coisa nova que dê prazer!” Escrever é um sofrimento. A cada semana sinto uma enorme tentação de parar de escrever. Para sofrer menos.

(Adaptado de: ALVES, Rubem. “Escritores e cozinheiros”. O retorno e terno. Campinas: Papirus, 1995, p. 155-158) 
Sem prejuízo do sentido e da correção gramatical, o termo sublinhado pode ser substituído pelo que se encontra entre parênteses em
Alternativas
Q1277481 Português
Atenção: Para responder a questão, considere o texto abaixo.

1     Tenho um sonho que, acho, nunca realizarei: gostaria de ter um restaurante. Mais precisamente: gostaria de ser um cozinheiro. As cozinhas são lugares que me fascinam, mágicos: ali se prepara o prazer. O cozinheiro deve ser psicólogo, conhecedor dos segredos da alma e do corpo. Mas não sei cozinhar. Acho que devido a isso que escrevo. Escrevo como quem cozinha.
2     A relação entre cozinhar e escrever tem sido frequentemente reconhecida pelos escritores. É a própria etimologia que revela a origem comum de cozinheiros e escritores. Nas suas origens, sabor e saber são a mesma coisa. O verbo latino “sapare” significa, a um só tempo, tanto saber quanto ter sabor. Os mais velhos haverão de se lembrar que, num português que não se fala mais, usava- -se dizer de uma comida que ela “sabia bem”.
3     Suponho que Roland Barthes também tivesse uma secreta inveja dos cozinheiros. Se assim não fosse, como explicar a espantosa revelação com que termina um dos seus mais belos textos, A lição? Confessa que havia chegado para ele o momento do esquecimento de todos os saberes sedimentados pela tradição e que agora o que lhe interessava era “o máximo possível de sabor”. Ele queria escrever como quem cozinha – tomava os cozinheiros como seus mestres.
4     A leitura tem de ser uma experiência de felicidade. Por isso que Jorge Luis Borges aconselhou aos seus estudantes que só lessem o que fosse prazeroso: “Se os textos lhes agradam, ótimo. Caso contrário, não continuem, pois a leitura obrigatória é uma coisa tão absurda quanto a felicidade obrigatória”.
5     Esta é a razão por que eu gostaria de ser cozinheiro. É mais fácil criar felicidade pela comida que pela palavra... Os pratos de sua especialidade, os cozinheiros os sabem de cor. Basta repetir o que já foi feito. Mas é justamente isso que está proibido ao escritor. O escritor é um cozinheiro que a cada semana tem de inventar um prato novo. Cada semana que começa é uma angústia, representada pelo vazio de folhas de papel em branco que me comandam: “Escreva aqui uma coisa nova que dê prazer!” Escrever é um sofrimento. A cada semana sinto uma enorme tentação de parar de escrever. Para sofrer menos.

(Adaptado de: ALVES, Rubem. “Escritores e cozinheiros”. O retorno e terno. Campinas: Papirus, 1995, p. 155-158) 
As cozinhas são lugares que me fascinam, mágicos: ali se prepara o prazer. (1º parágrafo)
Na frase acima, sem prejuízo para as relações de sentido estabelecidas no texto, o sinal de dois-pontos pode ser substituído por 
Alternativas
Q1277480 Português
Atenção: Para responder a questão, considere o texto abaixo.

1     Tenho um sonho que, acho, nunca realizarei: gostaria de ter um restaurante. Mais precisamente: gostaria de ser um cozinheiro. As cozinhas são lugares que me fascinam, mágicos: ali se prepara o prazer. O cozinheiro deve ser psicólogo, conhecedor dos segredos da alma e do corpo. Mas não sei cozinhar. Acho que devido a isso que escrevo. Escrevo como quem cozinha.
2     A relação entre cozinhar e escrever tem sido frequentemente reconhecida pelos escritores. É a própria etimologia que revela a origem comum de cozinheiros e escritores. Nas suas origens, sabor e saber são a mesma coisa. O verbo latino “sapare” significa, a um só tempo, tanto saber quanto ter sabor. Os mais velhos haverão de se lembrar que, num português que não se fala mais, usava- -se dizer de uma comida que ela “sabia bem”.
3     Suponho que Roland Barthes também tivesse uma secreta inveja dos cozinheiros. Se assim não fosse, como explicar a espantosa revelação com que termina um dos seus mais belos textos, A lição? Confessa que havia chegado para ele o momento do esquecimento de todos os saberes sedimentados pela tradição e que agora o que lhe interessava era “o máximo possível de sabor”. Ele queria escrever como quem cozinha – tomava os cozinheiros como seus mestres.
4     A leitura tem de ser uma experiência de felicidade. Por isso que Jorge Luis Borges aconselhou aos seus estudantes que só lessem o que fosse prazeroso: “Se os textos lhes agradam, ótimo. Caso contrário, não continuem, pois a leitura obrigatória é uma coisa tão absurda quanto a felicidade obrigatória”.
5     Esta é a razão por que eu gostaria de ser cozinheiro. É mais fácil criar felicidade pela comida que pela palavra... Os pratos de sua especialidade, os cozinheiros os sabem de cor. Basta repetir o que já foi feito. Mas é justamente isso que está proibido ao escritor. O escritor é um cozinheiro que a cada semana tem de inventar um prato novo. Cada semana que começa é uma angústia, representada pelo vazio de folhas de papel em branco que me comandam: “Escreva aqui uma coisa nova que dê prazer!” Escrever é um sofrimento. A cada semana sinto uma enorme tentação de parar de escrever. Para sofrer menos.

(Adaptado de: ALVES, Rubem. “Escritores e cozinheiros”. O retorno e terno. Campinas: Papirus, 1995, p. 155-158) 
A leitura tem de ser uma experiência de felicidade. Por isso que Jorge Luis Borges aconselhou aos seus estudantes que só lessem o que fosse prazeroso... (4º parágrafo)
Sem prejuízo do sentido e da correção gramatical, as frases acima articulam-se em um único período em: 
Alternativas
Q1277479 Português
Atenção: Para responder a questão, considere o texto abaixo.

1     Tenho um sonho que, acho, nunca realizarei: gostaria de ter um restaurante. Mais precisamente: gostaria de ser um cozinheiro. As cozinhas são lugares que me fascinam, mágicos: ali se prepara o prazer. O cozinheiro deve ser psicólogo, conhecedor dos segredos da alma e do corpo. Mas não sei cozinhar. Acho que devido a isso que escrevo. Escrevo como quem cozinha.
2     A relação entre cozinhar e escrever tem sido frequentemente reconhecida pelos escritores. É a própria etimologia que revela a origem comum de cozinheiros e escritores. Nas suas origens, sabor e saber são a mesma coisa. O verbo latino “sapare” significa, a um só tempo, tanto saber quanto ter sabor. Os mais velhos haverão de se lembrar que, num português que não se fala mais, usava- -se dizer de uma comida que ela “sabia bem”.
3     Suponho que Roland Barthes também tivesse uma secreta inveja dos cozinheiros. Se assim não fosse, como explicar a espantosa revelação com que termina um dos seus mais belos textos, A lição? Confessa que havia chegado para ele o momento do esquecimento de todos os saberes sedimentados pela tradição e que agora o que lhe interessava era “o máximo possível de sabor”. Ele queria escrever como quem cozinha – tomava os cozinheiros como seus mestres.
4     A leitura tem de ser uma experiência de felicidade. Por isso que Jorge Luis Borges aconselhou aos seus estudantes que só lessem o que fosse prazeroso: “Se os textos lhes agradam, ótimo. Caso contrário, não continuem, pois a leitura obrigatória é uma coisa tão absurda quanto a felicidade obrigatória”.
5     Esta é a razão por que eu gostaria de ser cozinheiro. É mais fácil criar felicidade pela comida que pela palavra... Os pratos de sua especialidade, os cozinheiros os sabem de cor. Basta repetir o que já foi feito. Mas é justamente isso que está proibido ao escritor. O escritor é um cozinheiro que a cada semana tem de inventar um prato novo. Cada semana que começa é uma angústia, representada pelo vazio de folhas de papel em branco que me comandam: “Escreva aqui uma coisa nova que dê prazer!” Escrever é um sofrimento. A cada semana sinto uma enorme tentação de parar de escrever. Para sofrer menos.

(Adaptado de: ALVES, Rubem. “Escritores e cozinheiros”. O retorno e terno. Campinas: Papirus, 1995, p. 155-158) 
Caso contrário, não continuem, pois a leitura obrigatória é uma coisa tão absurda quanto a felicidade obrigatória. (4o parágrafo)
O termo sublinhado acima introduz, no contexto, noção de 
Alternativas
Q1277478 Português
Atenção: Para responder a questão, considere o texto abaixo.

1     Tenho um sonho que, acho, nunca realizarei: gostaria de ter um restaurante. Mais precisamente: gostaria de ser um cozinheiro. As cozinhas são lugares que me fascinam, mágicos: ali se prepara o prazer. O cozinheiro deve ser psicólogo, conhecedor dos segredos da alma e do corpo. Mas não sei cozinhar. Acho que devido a isso que escrevo. Escrevo como quem cozinha.
2     A relação entre cozinhar e escrever tem sido frequentemente reconhecida pelos escritores. É a própria etimologia que revela a origem comum de cozinheiros e escritores. Nas suas origens, sabor e saber são a mesma coisa. O verbo latino “sapare” significa, a um só tempo, tanto saber quanto ter sabor. Os mais velhos haverão de se lembrar que, num português que não se fala mais, usava- -se dizer de uma comida que ela “sabia bem”.
3     Suponho que Roland Barthes também tivesse uma secreta inveja dos cozinheiros. Se assim não fosse, como explicar a espantosa revelação com que termina um dos seus mais belos textos, A lição? Confessa que havia chegado para ele o momento do esquecimento de todos os saberes sedimentados pela tradição e que agora o que lhe interessava era “o máximo possível de sabor”. Ele queria escrever como quem cozinha – tomava os cozinheiros como seus mestres.
4     A leitura tem de ser uma experiência de felicidade. Por isso que Jorge Luis Borges aconselhou aos seus estudantes que só lessem o que fosse prazeroso: “Se os textos lhes agradam, ótimo. Caso contrário, não continuem, pois a leitura obrigatória é uma coisa tão absurda quanto a felicidade obrigatória”.
5     Esta é a razão por que eu gostaria de ser cozinheiro. É mais fácil criar felicidade pela comida que pela palavra... Os pratos de sua especialidade, os cozinheiros os sabem de cor. Basta repetir o que já foi feito. Mas é justamente isso que está proibido ao escritor. O escritor é um cozinheiro que a cada semana tem de inventar um prato novo. Cada semana que começa é uma angústia, representada pelo vazio de folhas de papel em branco que me comandam: “Escreva aqui uma coisa nova que dê prazer!” Escrever é um sofrimento. A cada semana sinto uma enorme tentação de parar de escrever. Para sofrer menos.

(Adaptado de: ALVES, Rubem. “Escritores e cozinheiros”. O retorno e terno. Campinas: Papirus, 1995, p. 155-158) 
Atente para as afirmações abaixo.
I. No 5o parágrafo, o autor sustenta o ponto de vista de que cozinhar é mais fácil do que escrever. II. O termo sublinhado em Escrevo como quem cozinha (1o parágrafo) expressa noção de modo. III. Ao defender o pressuposto de que as profissões de cozinheiro e escritor compartilham características em comum, o autor baseia-se nos argumentos de Jorge Luis Borges, conforme explicitado no 4o parágrafo. IV. Ao construir a argumentação, o autor apresenta já no 1o parágrafo a ideia que irá contestar a seguir, qual seja, a de que o escritor conhece melhor os segredos da alma e do corpo do que o cozinheiro.
Está correto o que se afirma APENAS em
Alternativas
Respostas
2301: B
2302: C
2303: C
2304: D
2305: D
2306: B
2307: D
2308: B
2309: D
2310: D
2311: C
2312: A
2313: D
2314: E
2315: C
2316: C
2317: B
2318: E
2319: C
2320: B