Questões de Concurso
Comentadas sobre uso dos conectivos em português
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Para que Literatura (Olga de Sá)
Nesta época de tanta ciência e tecnologia, para que publicar textos de Literatura? Quem por eles se interessaria?
As perguntas sobre os grandes temas da vida humana se tecem nos poemas e nas obras de ficção. A Literatura, já o disse de outra maneira Roland Barthes, não responde às perguntas, fechando-as; porque as amplia, multiplica suas respostas. Não pretende atingir nenhuma “verdade”; pretende abrir nossa mente para as inúmeras percepções de mundo, que existem nos universos mentais das pessoas.
Mas do que precisamos, dizem os homens práticos, é de soluções, respostas, de expedientes úteis, de resolver os problemas da cidade e do campo.
Então para que Literatura? Para levantar questões fundamentais, abrir nosso mundo pequenino, feito de minúsculos fatos do dia a dia, ao grande painel de reflexão humana. Vivemos em Lorena, mas podemos transitar em Londres, Paris, Estados Unidos, Rússia, Antártida, Terra do Fogo, Noruega, Índia, no planeta Marte, nas Galáxias infinitas, enfim, no Cosmos. Sem perder o pé na realidade.
A leitura é o meio que temos de conviver com valores e ideias de outros universos, no espaço e no tempo, inacessíveis, de outro modo, à experiência humana. [...]
Por que não Literatura? Por que não Poesia? A poesia é o que criamos de mais próximo do núcleo da realidade do ser. Parecendo etérea e desvinculada de nossas metas pragmáticas, a poesia, no entanto, nos dá o mundo em lágrimas e em risos, em vida e em morte, em angústia e esperança, o mundo em dimensões de humano. O poema recupera o ritmo das coisas, capta o alento e a respiração do todo, e os exprime em “palavras-coisas” essenciais.
Por vezes, a poesia invade nossa vida sob forma de uma criança, um palhaço, um bêbado, um louco. Sob a forma de flor, de bicho, de árvore, de fogo, de beleza, enfim. Se isso acontecer, se formos capazes de reconhecer o rosto de nossa irmã-poesia nos pequenos ou breves encontros com as coisas, então estamos salvos do tédio e do desespero.
Cada um de nós, enquanto se torna receptivo aos grandes temas da Literatura – o amor e a morte, a liberdade e o destino, o absurdo e o racional, a iniquidade e a justiça, a angústia e o medo, o desespero e a esperança, a beleza e o grotesco -, poderá encontrar em si o diálogo com as profundezas do ser e o silêncio diante do mistério.
Para que Literatura? Para termos o direito ao sonho e a garantia da realidade.
(SÁ, Olga de. Introdução. In: GUIMARÃES, Ruth. Contos de cidadezinha. Centro Cultural Teresa d´Ávila, 1996).
Texto I:
PorAgência Brasil - 05/06/26 - 09h32min Em Brasil
Apesar de avanços recentes no mercado de trabalho, com queda nos índices de desemprego e resultados positivos no aumento da renda dos trabalhadores, as mulheres negras jovens continuam registrando os piores resultados em indicadores como taxa de desocupação, informalidade, desalento e rendimento.
O resultado faz parte de um relatório da Rede Multiatores MUDE com Elas, elaborado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), a partir de dados da PNAD Contínua 2025, pesquisa do IBGE que analisa o mercado de trabalho no país.
Segundo o levantamento, mesmo com melhorias em índices de educação formal e renda, ainda existem desigualdades estruturais no mercado de trabalho brasileiro para mulheres com idades entre 14 e 29 anos.
Entre os 14 e os 17 anos, a taxa de desocupação de mulheres negras chega a 24,7%, índice 1,4 vez superior à dos homens brancos da mesma faixa etária. Na faixa de 18 a 24 anos, apontada pelos pesquisadores como momento-chave de transição entre escola e trabalho, a desigualdade se intensifica para uma desocupação de 16,5% para elas, 1,6 vez maior do que a dos homens brancos
O segmento posterior, entre 25 e 29 anos, tem uma taxa de desocupação de mulheres negras de 10,3%, quase o dobro da observada entre mulheres brancas e 2,8 vezes a dos homens brancos.
“O mercado de trabalho melhorou, mas não melhorou de forma igual para todas as pessoas. Isso evidencia que o problema não está apenas no acesso à educação, mas também nos mecanismos estruturais de exclusão que continuam operando no mercado de trabalho e na sociedade brasileira. Envolvem racismo estrutural, segregação territorial, desigualdade no acesso às redes de oportunidade, discriminação nos processos de contratação e promoção, além da sobrecarga histórica do trabalho de cuidado”, aponta a coordenadora da Rede Multiatores pelo Ceert, Shirley Santos.
A pesquisadora destaca que o território também influencia diretamente as oportunidades, pois moradoras de regiões periféricas enfrentam maiores obstáculos relacionados à mobilidade urbana, acesso à infraestrutura, qualidade dos serviços públicos e redes profissionais.
A diferença também se reflete na renda e no acesso ao trabalho formal. Em 2025, o rendimento médio das mulheres negras correspondeu a apenas 46,5% do rendimento dos homens brancos, uma diferença de 53,5% que permanece praticamente inalterada nos últimos anos.
A informalidade entre jovens negras é de 39,1%, cerca de 10% acima da registrada entre jovens brancas. O único segmento mais fragilizado nesse indicador é o dos jovens homens negros, para os quais esse índice chega a 44,2%.
As dificuldades se refletem no desalento, que é a condição de quem desiste de procurar trabalho. As mulheres negras são 38,7% dos jovens desalentados do país, enquanto os homens negros somam 36,1%. Na faixa de 25 a 29 anos, a participação das mulheres negras atinge 44,2%.
Quando a análise recai somente sobre a Região Metropolitana de São Paulo, a desigualdade se repete: jovens mulheres negras recebem, em média, R$ 2.236, enquanto homens brancos chegam a R$ 3.926. Entre 25 e 29 anos, a desigualdade aumenta, com rendimentos de R$ 2.569 para mulheres negras e R$ 5.323 para homens brancos.
“Os microdados permitem observar parte dessas desigualdades quando cruzamos raça, gênero, renda, escolaridade e território. Mas a experiência acumulada pelas organizações da sociedade civil também é fundamental para compreender dimensões que muitas vezes os dados quantitativos não conseguem capturar integralmente, como os mecanismos subjetivos de exclusão e os impactos cotidianos do racismo institucional”, complementa Shirley.
[...]
Disponível em: https://istoe.com.br/desemprego-entre-mulheres-negras-jovens-chega-a-247-aponta-estudo. Acesso em: 06 jun. 2026.
Texto I:
PorAgência Brasil - 05/06/26 - 09h32min Em Brasil
Apesar de avanços recentes no mercado de trabalho, com queda nos índices de desemprego e resultados positivos no aumento da renda dos trabalhadores, as mulheres negras jovens continuam registrando os piores resultados em indicadores como taxa de desocupação, informalidade, desalento e rendimento.
O resultado faz parte de um relatório da Rede Multiatores MUDE com Elas, elaborado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), a partir de dados da PNAD Contínua 2025, pesquisa do IBGE que analisa o mercado de trabalho no país.
Segundo o levantamento, mesmo com melhorias em índices de educação formal e renda, ainda existem desigualdades estruturais no mercado de trabalho brasileiro para mulheres com idades entre 14 e 29 anos.
Entre os 14 e os 17 anos, a taxa de desocupação de mulheres negras chega a 24,7%, índice 1,4 vez superior à dos homens brancos da mesma faixa etária. Na faixa de 18 a 24 anos, apontada pelos pesquisadores como momento-chave de transição entre escola e trabalho, a desigualdade se intensifica para uma desocupação de 16,5% para elas, 1,6 vez maior do que a dos homens brancos
O segmento posterior, entre 25 e 29 anos, tem uma taxa de desocupação de mulheres negras de 10,3%, quase o dobro da observada entre mulheres brancas e 2,8 vezes a dos homens brancos.
“O mercado de trabalho melhorou, mas não melhorou de forma igual para todas as pessoas. Isso evidencia que o problema não está apenas no acesso à educação, mas também nos mecanismos estruturais de exclusão que continuam operando no mercado de trabalho e na sociedade brasileira. Envolvem racismo estrutural, segregação territorial, desigualdade no acesso às redes de oportunidade, discriminação nos processos de contratação e promoção, além da sobrecarga histórica do trabalho de cuidado”, aponta a coordenadora da Rede Multiatores pelo Ceert, Shirley Santos.
A pesquisadora destaca que o território também influencia diretamente as oportunidades, pois moradoras de regiões periféricas enfrentam maiores obstáculos relacionados à mobilidade urbana, acesso à infraestrutura, qualidade dos serviços públicos e redes profissionais.
A diferença também se reflete na renda e no acesso ao trabalho formal. Em 2025, o rendimento médio das mulheres negras correspondeu a apenas 46,5% do rendimento dos homens brancos, uma diferença de 53,5% que permanece praticamente inalterada nos últimos anos.
A informalidade entre jovens negras é de 39,1%, cerca de 10% acima da registrada entre jovens brancas. O único segmento mais fragilizado nesse indicador é o dos jovens homens negros, para os quais esse índice chega a 44,2%.
As dificuldades se refletem no desalento, que é a condição de quem desiste de procurar trabalho. As mulheres negras são 38,7% dos jovens desalentados do país, enquanto os homens negros somam 36,1%. Na faixa de 25 a 29 anos, a participação das mulheres negras atinge 44,2%.
Quando a análise recai somente sobre a Região Metropolitana de São Paulo, a desigualdade se repete: jovens mulheres negras recebem, em média, R$ 2.236, enquanto homens brancos chegam a R$ 3.926. Entre 25 e 29 anos, a desigualdade aumenta, com rendimentos de R$ 2.569 para mulheres negras e R$ 5.323 para homens brancos.
“Os microdados permitem observar parte dessas desigualdades quando cruzamos raça, gênero, renda, escolaridade e território. Mas a experiência acumulada pelas organizações da sociedade civil também é fundamental para compreender dimensões que muitas vezes os dados quantitativos não conseguem capturar integralmente, como os mecanismos subjetivos de exclusão e os impactos cotidianos do racismo institucional”, complementa Shirley.
[...]
Disponível em: https://istoe.com.br/desemprego-entre-mulheres-negras-jovens-chega-a-247-aponta-estudo. Acesso em: 06 jun. 2026.
Sobre o uso de “Apesar de”, analise as assertivas a seguir.
I- Apresenta uma informação que poderia suscitar uma expectativa de melhora generalizada das condições de trabalho, contrariada por informação subsequente. II- Contribui para a progressão temática do texto. III- Poderia ser substituída por “uma vez que”, sem alteração significativa de sentido.
É CORRETO o que se afirma em:
“Segundo especialistas ouvidos pelo G1, um dos principais impactos da atualização da NR-1 é evitar o adoecimento do trabalhador por questões de saúde mental.”
I. “A norma (...) amplia a fiscalização sobre empresas com altos índices de afastamentos por transtornos mentais.”
II. “Segundo especialistas, as profissões mais afetadas têm em comum vínculos mais frágeis, pressão por metas, jornadas extensas e maior exposição a riscos [...]”
Leia o Texto I para responder à questão.
Texto I
O governo agora é obrigado a escrever bem. Por lei.
O que não significa, é claro, que os jargões e o juridiquês vão desaparecer do setor público brasileiro da noite para o dia. Entenda as origens psicológicas e históricas da má comunicação.
Em novembro de 2025, o governo federal aprovou a Política Nacional de Linguagem Simples. Ela obriga os órgãos públicos a escrever de maneira clara e concisa em formulários, contratos, portais de internet, apps e outros textos que o cidadão precisa entender para, por exemplo, marcar um exame no SUS, matricular uma criança na escola ou pagar a conta de luz. A norma recomenda evitar termos estrangeiros que não sejam de uso corrente, começar os textos com a informação mais importante, sem enrolação, e preferir a voz ativa (por exemplo: “Collor confiscou as poupanças” em vez de “as poupanças foram confiscadas por Collor”). Outras orientações são escolher palavras comuns, de uso cotidiano, evitar jargões e juridiquês e redigir frases curtas, em ordem direta: opte por “as margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico” em vez do original “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heroico o brado retumbante”.
Uma máquina pública que se expressa com clareza é um pré-requisito para uma democracia saudável. 29% da população brasileira acima de 15 anos é analfabeta funcional: até sabe ler e escrever, mas não consegue, de fato, interpretar um texto.
Mundo afora, há esforços parecidos. Em junho de 2023, a Organização Internacional de Normalização (ISO) – aquela que emite a certificação ISO 9001 – publicou a primeira norma internacional de Linguagem Simples. A Colômbia aprovou sua legislação sobre o tema em 2014. Nos EUA, em que uma norma desse tipo vigora desde 2010, uma ONG chamada Centro para Linguagem Simples organiza um concurso anual de redação em repartições públicas.
Infelizmente, tudo que esses conselhos têm de velhos eles têm de ignorados. Só nos EUA, falhas de comunicação custam US$ 1,2 trilhão por ano às empresas. Em um levantamento com 251 gestores, eles estimaram que suas equipes perdem, em média, 7,47 horas por semana por causa de falhas de comunicação. Um outro estudo, feito no Reino Unido, concluiu que o trabalhador médio torra cinco horas por semana esclarecendo o conteúdo de e-mails e mensagens. Uma enquete com 547 empresários revelou que 54% se incomodam com os jargões em suas leituras cotidianas.
O que torna esses dados preocupantes é que, em geral, ninguém escreve com o objetivo de não se fazer entender. Se todo mundo tenta ser claro, por que existem textos ruins por toda parte? A resposta tem duas camadas. A primeira é psicológica: nós temos vieses cognitivos – bugs de percepção e raciocínio – que nos tornam propensos a escrever mal. A segunda é social: como o vizir egípcio já sabia, falar “bonito” e rebuscado é uma forma de a elite se diferenciar do povo, e esse preconceito deixou uma herança estilística.
Nem só de boas intenções, porém, nascem os textos ruins. Às vezes, eles são herméticos por escolha. Vide o Hino Nacional, já citado acima. A letra é obra de Osório Duque-Estrada, um poeta parnasiano e bacharel de Direito da USP. Ele pertencia à elite que fundou a República – e era o tipo de brasileiro que, no começo do século 20, escrevia rebuscado de propósito. Em 1907, quando mais de 70% da população brasileira era analfabeta, Osório se opôs a uma reforma ortográfica que ajudaria no ensino do português dizendo que “a corrente erudita há de reagir sempre contra o elemento popular e inconsciente e perturbador da pureza e das boas normas da linguagem”.
Diante de um histórico desses, é uma boa não depositar muitas esperanças na Lei Nacional de Linguagem Simples. Ela é um texto, não um milagre. Eliminar os vícios de linguagem do governo brasileiro exigiria uma equipe de redatores grande, caríssima e com paciência essencialmente infinita para dialogar com todos os burocratas. Porém, o simples fato de que essa norma existe é um passo na direção certa. Com algumas décadas de incentivo à boa escrita em Brasília, talvez seja possível espantar o fantasma parnasiano. E tornar o Brasil mais democrático não só na prática, mas também no discurso.
Fonte: VAIANO, Bruno. Superinteressante. 15 de maio de 2026. Página 6. Disponível em: https://www.pressreader.com/brazil/superinteressante/20260515/page/6. Acesso em: 11 jun. 2026 [Adaptado].
A- “Porém, o simples fato de que essa norma existe é um passo na direção certa” (7º parágrafo)
B - “tornar o Brasil mais democrático não só na prática, mas também no discurso” (7º parágrafo)
C - “Nem só de boas intenções, porém, nascem os textos ruins” (6º parágrafo)
I. Reiteração de um mesmo item lexical.
II. Paralelismo de estruturas sintáticas, com itens lexicais diferentes.
III. Paráfrase.
IV. Recursos fonológicos segmentados e/ou suprassegmentais.
V. Uso de conjunções e contrajunções.
Quais estão corretos?
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Pipas esquecidas
Faço todos os dias o mesmo percurso, mas nunca tinha olhado para a copa daquela árvore, hoje nua por causa da poda de inverno; talvez por isso pouco atraente para mim... Vinha caminhando, sentindo o vento refrescar meu corpo úmido de suor, quando um barulho diferente me fez diminuir a marcha
Então percebi que ele vinha do alto, de algum lugar bem em cima de mim
Fiquei um momento a contemplá-la
Um pedaço de linha ainda pendia dela, enroscada na árvore... E de pronto aquela sensação de tristeza foi tomando conta de mim
ALDUNATE, Paz. Pipas esquecidas. Folha de Londrina. Disponível em <https://www.folhadelondrina.com.br/folha-2/cronicas---pipas-esquecidas-619121.html>.
A palavra destacada no trecho acima introduz o sentido de:
TEXTO II
O Dilema do Algoritmo e a Essência Humana
Vivemos um momento de transição sem precedentes. A ascensão vertiginosa da Inteligência Artificial (IA) Generativa não é apenas uma evolução tecnológica, mas um divisor de águas que nos obriga a redefinir o conceito de trabalho e, talvez, de humanidade. Enquanto entusiastas celebram a eficiência robótica, críticos alertam para a erosão da subjetividade.
O problema central não reside na ferramenta em si, mas naquilo a que nos propomos enquanto sociedade: estamos substituindo o esforço criativo pela conveniência do comando automatizado. Quando delegamos a escrita de um poema ou a criação de uma arte a um código, perdemos o processo, o erro e a angústia — elementos que são, essencialmente, a alma da produção humana.
Ademais, a regência de nossas vidas parece estar sendo entregue a algoritmos opacos. É urgente que as instituições públicas e privadas assistam ao desenvolvimento dessa tecnologia com olhar atento e ético. Não podemos permitir que a busca pelo lucro desenfreado silencie a voz humana. Afinal, a máquina pode processar dados, mas nunca sentirá a satisfação de uma descoberta genuína. Este é o desafio da nossa era: domar a técnica sem se deixar domesticar por ela.
(Autor desconhecido)
Leia o texto a seguir:
"Embora a tecnologia tenha ampliado o acesso à informação, muitos indivíduos ainda enfrentam dificuldades para selecionar conteúdos confiáveis. Por isso, a formação de leitores críticos torna-se cada vez mais necessária." Com base nas classes de palavras e seus empregos no texto, analise as afirmativas abaixo:
I - A palavra embora exerce a função de conjunção e introduz uma ideia de concessão.
II - A palavra muitos é um pronome indefinido que acompanha o substantivo "indivíduos".
III - A palavra ainda é um advérbio que expressa circunstância de tempo.
IV - A expressão por isso atua como uma preposição responsável por indicar finalidade.
É CORRETO o que se afirma em:
Texto CG1A1
Um dos
temas correntes da psicologia dos preços é que as avaliações de valor monetário
têm muito em comum com julgamentos sensoriais, como os relativos a peso,
brilho, altura, calor, frio ou intensidade de odores. O estudo das percepções
sensoriais é conhecido como psicofísica. Nos anos 1800, os psicofísicos
mostraram que as pessoas são muito sensíveis às diferenças e não tão sensíveis
a valores absolutos. Digamos que você esteja diante de duas maletas idênticas,
uma com 12 kg e outra com 13 kg; nesse caso, basta levantá-las para saber qual
é a mais pesada. Porém, sem uma balança, é difícil saber se qualquer uma das
malas atenderia ao limite de 16 kg de uma companhia aérea.
O mesmo
tipo de desconhecimento se aplica em relação aos preços. Este fato
importantíssimo passa quase despercebido. Isso acontece porque vivemos nossas
vidas sob uma nuvem midiática de preços e valores de mercado. Como nos
lembramos do que as coisas “deveriam” custar, somos induzidos a pensar que
temos um sentido infalível de valor. Os consumidores são como uma pessoa com
problemas de visão que consegue se virar em um ambiente familiar porque
memorizou onde estão os móveis. Isso é uma compensação; nada tem a ver com
acuidade visual.
De vez
em quando, recebemos alguma dica do quanto o sentido do preço é míope. Qualquer
um que já tenha vendido artigos pessoais sabe como é difícil atribuir um preço
justo a produtos usados. “Este CD antigo da Tribe Called Quest deve valer o
dobro deste da Alanis Morissette. Só não sei se o CD da Tribe deveria ser
vendido por US$ 10 ou US$ 0,10”.
Em um
artigo de 2003, os economistas Dan Ariely, George Loewenstein e Drazen Prelec
chamaram esta curiosa combinação de “convicção e incerteza de arbitrariedade
coerente”. As avaliações relativas são estáveis e coerentes, enquanto os
valores em dólares podem ser descontroladamente arbitrários. A venda de artigos
pessoais revela uma verdade que talvez não tenhamos coragem de admitir em
transações comerciais: os preços são números inventados que nem sempre envolvem
muita convicção.
Os
números que fazem nosso mundo girar não são tão sólidos, imutáveis e
logicamente fundamentados quanto aparentam. Na nova psicologia dos preços, os
valores são escorregadios e incertos, tão fluidos quanto os reflexos nos
espelhos de um parque de diversões.
William Poundstone. Preço: o mito do valor justo e como tirar vantagem disso. Tradução:
Adriana Rieche. 1.ª ed. Rio de
Janeiro: Best Business, 2015 [recurso digital] (com adaptações).