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Questões de Concurso Comentadas sobre uso da vírgula em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 5.061 questões

Q3326232 Português

O texto abaixo serve de base para a questão. Portanto, leia-o, atentamente, antes de responder a cada questão.


A JABUTICABEIRA 


Um jovem se aproximou de um senhor idoso e perguntou:

- Que planta é esta que o senhor está cuidando?

- É uma jabuticabeira - respondeu o velho.

- E ela demora quanto tempo para dar frutos?

- Ah, pelo menos uns quinze anos - informou o homem.

- E o senhor espera viver tanto tempo assim? – indagou irônico, o rapaz.

- Não, não creio que viva tudo isso, pois já estou no fim da minha jornada, disse o ancião.

- Então, que vantagem você leva com isso, meu velho?

E o velhinho respondeu calmamente:

- Nenhuma, exceto a vantagem de saber que ninguém colheria jabuticabas se todos pensassem como você... Que seria de nós, se não plantássemos hoje a semente que servirá de alimento amanhã?

Não podemos estar voltados somente para nós mesmos. Temos que pensar, também, nas gerações que estão por vir.

Temos que dar nossa colaboração. Muitas medidas tomadas hoje repercutirão no futuro.

Tomara que você sinta orgulho de poder fazer, de alguma forma, parte dele e ter dado a sua contribuição.


https://mpenhahist.blogspot.com/p/textos-interessantes.html/capturado em 27/04/2024 

No período: “...que vantagem você leva com isso, meu velho?”, a vírgula foi usada para separar um
Alternativas
Q3321482 Português
Analise o excerto abaixo:
“Os preparativos para sediar a 30ª edição da Conferência das nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em novembro de 2025, devem deixar um legado histórico e transformador[...]”.
https://agenciapara.com.br/noticia/56776/obras-em-belem-para-receber-cop-30-estao-transformando-a-capital-paraense#

A expressão “em novembro de 2025” está entre vírgulas por qual motivo? 
Alternativas
Q3321177 Português
Leia o Texto I e responda à questão.

Texto I


Mulheres devem ser maioria entre médicos no País já a partir deste ano


Segundo CFM, médicas são 49,92% dos profissionais e ligeira vantagem masculina deve acabar neste ano; desde 2009, elas lideram entre egressos de cursos de Medicina


Elas representam mais de 49% dos profissionais em atuação no Brasil. Na cidade de São Paulo, já são maioria.

O número de mulheres médicas já é quase metade do total de profissionais no Brasil e elas devem superar a quantidade de homens e se tornar maioria na profissão ainda neste ano, conforme a nova edição do estudo Demografia Médica, divulgada hoje pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Segundo a pesquisa, que reúne dados atualizados até janeiro deste ano, mulheres representam hoje 49,92% dos profissionais, enquanto os homens são 50,08% do total. Em 1990, só 30% dos médicos no País eram do sexo feminino.

Há localidades do País em que as médicas já são maioria, como na cidade de São Paulo, onde elas representam 51,04% da força de trabalho da profissão, com 39.721 profissionais.

Segundo o CFM, a ligeira vantagem masculina ainda existente no cenário nacional deverá ser superada neste ano porque, desde 2009, as mulheres são maioria entre as egressas das faculdades de Medicina. Entre os profissionais com menos de 40 anos, elas já são maioria (58%). E só considerando os médicos que ingressaram no mercado em 2023, 60% eram do sexo feminino. “A minha turma da faculdade era composta majoritariamente por mulheres. De 40 alunos, só 7 eram homens”, conta a clínica-geral Laura Gomes Flores, que se formou em 2019.

Especialistas e representantes da categoria destacam que a mudança no perfil dos médicos brasileiros traz repercussões também para os pacientes. No estudo divulgado, o CFM ressalta que a evolução na composição de gênero na Medicina “traz consigo novas perspectivas e abordagens para o atendimento à saúde”.

Quanto às áreas de especialização, embora o País esteja atingindo um equilíbrio de gênero no número total de médicos, há especialidades que ainda mantêm amplo predomínio feminino ou masculino.

Estudo de 2023 da Associação Médica Brasileira (AMB) e da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) mostrou que, em dermatologia, pediatria, endocrinologia e alergia e imunologia, as mulheres chegam a mais de 70% dos especialistas. Já em áreas como urologia, ortopedia e neurocirurgia, os homens representam mais de 90% dos profissionais. As especialidades cirúrgicas, no geral, têm menos de 25% de mulheres entre seus médicos.

Para Lígia Bahia, médica e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a chamada feminização da Medicina é um fenômeno mundial impulsionado pela maior participação das mulheres no mercado de trabalho como um todo e traz um impacto positivo para o paciente ao elevar o número de profissionais do sexo feminino, que costumam ter mais habilidades relacionais, como a empatia. “Mulheres são dedicadas, costumam privilegiar a solidez e a qualidade do trabalho em detrimento da competição e valores elevados de remuneração. A presença feminina costuma ser acompanhada por compromisso e maior tempo de permanência com os pacientes”, diz a especialista.

Para o CFM, o cenário “desafia as estruturas tradicionais e as normas de gênero na Medicina, abrindo caminho para um ambiente mais inclusivo e diversificado” e “pode servir como um catalisador para abordar questões mais amplas de equidade de gênero no setor de saúde”.


Fonte: CAMBRICOLI, Fabiana. Mulheres devem ser maioria entre médicos no País já a partir deste ano. O Estado de S. Paulo, ano 145, n. 47655, 8 abr. 2024. Metrópole, p. A12. Disponível em: https://www.pressreader.com/brazil/o-estado-de-s-paulo/20240408/page/12. Acesso em: 08 abr. 2024, com adaptações. 
Observe o emprego das vírgulas no fragmento “Para Lígia Bahia, médica e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a chamada feminização da Medicina é um fenômeno mundial impulsionado pela maior participação das mulheres no mercado de trabalho” (9º§) e analise as assertivas.

I- As vírgulas foram empregadas de modo adequado para isolar o aposto “médica e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)”.
II- As vírgulas foram empregadas de modo adequado para separar elementos que exercem a mesma função sintática.
III- As vírgulas foram empregadas de modo inadequado, já que não se deve separar sujeito e verbo.
IV- As duas vírgulas poderiam ser substituídas por travessão.
V- Apenas a primeira vírgula poderia ser substituída por travessão.

É CORRETO o que se afirma apenas em: 
Alternativas
Q3320982 Português
Leia o Texto I e responda à questão.


Texto 1


O menino e o homem  


    Quando chovia, no meu tempo de menino, a casa virava um festival de goteiras. Eram pingos do teto ensopando o soalho de todas as salas e quartos. Seguia-se um corre-corre dos diabos, todo mundo levando e trazendo baldes, bacias, panelas, penicos e o que mais houvesse para aparar a água que caia e para que os vazamentos não se transformassem numa inundação. [...]  

    Naquele dia, assim que a chuva passou, fui como sempre brincar no quintal. Descalço, pouco me incomodando com a lama em que meus pés se afundavam, gostava de abrir regos para que as poças d'água, como pequeninos lagos, escorressem pelo declive do terreiro, formando o que para mim era um caudaloso rio. E me distraia fazendo descer por ele barquinhos de papel, que eram grandes caravelas de piratas. Desta vez, o que me distraiu a atenção foi uma fila de formigas a caminho do formigueiro, 14 perto do bambuzal, e que o rio aberto por mim havia interrompido. As formiguinhas iam até a margem e, atarantadas, ficavam por ali procurando um jeito de atravessar. Encostavam a cabeça umas nas outras, trocando ideias, iam e vinham, sem saber o que fazer. Algumas acabavam tão desorientadas com o imprevisto obstáculo à sua frente que recuavam caminho, atropelando as que vinham atrás e estabelecendo na fila a maior confusão.  

    Do outro lado, entre as que já haviam passado, reinava também certa confusão. Enquanto as que iam mais a frente prosseguiam a caminhada até o formigueiro, sem perceber o que acontecia a retaguarda, as ainda próximas do rio ficavam indecisas, indo e vindo por ali, junto à margem, pintando uma forma qualquer de ajudar as outras a atravessar.  

    Resolvi colaborar, apelando para os meus conhecimentos de engenharia. Em poucos instantes construí uma ponte com um pedaço de bambu aberto ao meio, e procurei orientar para ela, com um pauzinho, a fila de formigas. Estava empenhado nisso, quando senti que havia alguém em pé atras de mim. Uma voz de homem, que soou familiar aos meus ouvidos, perguntou: 

    — Que é que você está fazendo?

    Sem me voltar, tão entretido estava com as formigas, expliquei o que se passava. Logo consegui restabelecer o tráfego delas, recompondo a fila através da ponte. O homem se agachou a meu lado, dizendo que várias formigas seguiam por um caminho, uma na frente de duas, uma atrás de duas, uma no meio de duas. E perguntou: 

    — Quantas formigas eram?

    Pensei um pouco, fazendo cálculos. Naquele tempo eu achava que era bom em aritmética: uma na frente de duas faziam três; uma atrás de duas eram mais três; uma no meio de duas, mais três. 

    — Nove! - exclamei, triunfante.

    Ele começou a rir e sacudiu a cabeça, dizendo que não: eram apenas três, pois formiga só anda em fila, uma atrás da outra.

    Então perguntei a ele o que é que cai em pé e corre deitado. 

    —Cobra? — ele arriscou, enrugando a testa, intrigado.

    Foi a minha vez de achar graça:

    — Que cobra que nada! É a chuva — e comecei a rir também. 

    — Você sabe o que é que caindo no chão não quebra e caindo n'água quebra?

    —Sei: papel. 

    Gostei daquele homem: ele sabia uma porção de coisas que eu também sabia. Ficamos conversando um tempão, sentados na beirada da caixa de areia, como dois amigos, embora ele fosse cinquenta anos mais velho do que eu, segundo me disse. Não parecia. Eu também lhe contei uma porção de coisas. [...] 

    — Fernando! — berrou o papagaio, imitando mamãe: — Vem pra dentro, menino! Olha o sereno! [...]

    O homem disse que tinha de ir embora — antes queria me ensinar uma coisa muito importante:

    — Você quer conhecer o segredo de ser um menino feliz para o resto da sua vida? 

    — Quero - respondi.

    O segredo se resumia em três palavras, que ele pronunciou com intensidade, mãos nos meus ombros e olhos nos meus olhos:

    — Pense nos outros. 

    Na hora achei esse segredo meio sem graça. Só bem mais tarde vim a entender o conselho que tantas vezes na vida deixei de cumprir. Mas que sempre deu certo quando me lembrei de segui-lo, fazendo-me feliz como um menino. 

    O homem se curvou para me beijar na testa, se despedindo:

    — Quem é você? — perguntei ainda.

    Ele se limitou a sorrir, depois disse adeus com um aceno e foi-se embora para sempre. 


SABINO, Fernando. O menino e o homem. Disponível em: https://ima-rs.com.br/wp-content/uploads/2018/11/70.-ano-O-Menino-no-Espelho-Fernando-Sabino.pdf. Acesso em: 22 mar. 2024, com adaptações. 
No excerto “Seguia-se um corre-corre dos diabos, todo mundo levando e trazendo baldes, bacias, panelas, penicos e 0 que mais houvesse para aparar a água que caia”, as três últimas virgulas foram empregadas 
Alternativas
Q3320977 Português
Leia o Texto I e responda à questão.


Texto 1


O menino e o homem  


    Quando chovia, no meu tempo de menino, a casa virava um festival de goteiras. Eram pingos do teto ensopando o soalho de todas as salas e quartos. Seguia-se um corre-corre dos diabos, todo mundo levando e trazendo baldes, bacias, panelas, penicos e o que mais houvesse para aparar a água que caia e para que os vazamentos não se transformassem numa inundação. [...]  

    Naquele dia, assim que a chuva passou, fui como sempre brincar no quintal. Descalço, pouco me incomodando com a lama em que meus pés se afundavam, gostava de abrir regos para que as poças d'água, como pequeninos lagos, escorressem pelo declive do terreiro, formando o que para mim era um caudaloso rio. E me distraia fazendo descer por ele barquinhos de papel, que eram grandes caravelas de piratas. Desta vez, o que me distraiu a atenção foi uma fila de formigas a caminho do formigueiro, 14 perto do bambuzal, e que o rio aberto por mim havia interrompido. As formiguinhas iam até a margem e, atarantadas, ficavam por ali procurando um jeito de atravessar. Encostavam a cabeça umas nas outras, trocando ideias, iam e vinham, sem saber o que fazer. Algumas acabavam tão desorientadas com o imprevisto obstáculo à sua frente que recuavam caminho, atropelando as que vinham atrás e estabelecendo na fila a maior confusão.  

    Do outro lado, entre as que já haviam passado, reinava também certa confusão. Enquanto as que iam mais a frente prosseguiam a caminhada até o formigueiro, sem perceber o que acontecia a retaguarda, as ainda próximas do rio ficavam indecisas, indo e vindo por ali, junto à margem, pintando uma forma qualquer de ajudar as outras a atravessar.  

    Resolvi colaborar, apelando para os meus conhecimentos de engenharia. Em poucos instantes construí uma ponte com um pedaço de bambu aberto ao meio, e procurei orientar para ela, com um pauzinho, a fila de formigas. Estava empenhado nisso, quando senti que havia alguém em pé atras de mim. Uma voz de homem, que soou familiar aos meus ouvidos, perguntou: 

    — Que é que você está fazendo?

    Sem me voltar, tão entretido estava com as formigas, expliquei o que se passava. Logo consegui restabelecer o tráfego delas, recompondo a fila através da ponte. O homem se agachou a meu lado, dizendo que várias formigas seguiam por um caminho, uma na frente de duas, uma atrás de duas, uma no meio de duas. E perguntou: 

    — Quantas formigas eram?

    Pensei um pouco, fazendo cálculos. Naquele tempo eu achava que era bom em aritmética: uma na frente de duas faziam três; uma atrás de duas eram mais três; uma no meio de duas, mais três. 

    — Nove! - exclamei, triunfante.

    Ele começou a rir e sacudiu a cabeça, dizendo que não: eram apenas três, pois formiga só anda em fila, uma atrás da outra.

    Então perguntei a ele o que é que cai em pé e corre deitado. 

    —Cobra? — ele arriscou, enrugando a testa, intrigado.

    Foi a minha vez de achar graça:

    — Que cobra que nada! É a chuva — e comecei a rir também. 

    — Você sabe o que é que caindo no chão não quebra e caindo n'água quebra?

    —Sei: papel. 

    Gostei daquele homem: ele sabia uma porção de coisas que eu também sabia. Ficamos conversando um tempão, sentados na beirada da caixa de areia, como dois amigos, embora ele fosse cinquenta anos mais velho do que eu, segundo me disse. Não parecia. Eu também lhe contei uma porção de coisas. [...] 

    — Fernando! — berrou o papagaio, imitando mamãe: — Vem pra dentro, menino! Olha o sereno! [...]

    O homem disse que tinha de ir embora — antes queria me ensinar uma coisa muito importante:

    — Você quer conhecer o segredo de ser um menino feliz para o resto da sua vida? 

    — Quero - respondi.

    O segredo se resumia em três palavras, que ele pronunciou com intensidade, mãos nos meus ombros e olhos nos meus olhos:

    — Pense nos outros. 

    Na hora achei esse segredo meio sem graça. Só bem mais tarde vim a entender o conselho que tantas vezes na vida deixei de cumprir. Mas que sempre deu certo quando me lembrei de segui-lo, fazendo-me feliz como um menino. 

    O homem se curvou para me beijar na testa, se despedindo:

    — Quem é você? — perguntei ainda.

    Ele se limitou a sorrir, depois disse adeus com um aceno e foi-se embora para sempre. 


SABINO, Fernando. O menino e o homem. Disponível em: https://ima-rs.com.br/wp-content/uploads/2018/11/70.-ano-O-Menino-no-Espelho-Fernando-Sabino.pdf. Acesso em: 22 mar. 2024, com adaptações. 
O fragmento “Quando chovia, no meu tempo de menino, a casa virava um festival de goteiras” pode ser reescrito sem prejuízo do sentido e da correção gramatical da seguinte forma:  
Alternativas
Q3307778 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO


Vantagens da robótica nas escolas. Na era da tecnologia (...), a educação avançou além dos métodos de ensino tradicionais. A robótica educacional mudou a forma como as crianças aprendem e interagem com o conhecimento, abrindo novas possibilidades a médio e longo prazo, preparando nossos alunos para o mundo profissional futuro.


(...)


A robótica educacional é uma iniciativa interdisciplinar que integra a tecnologia e a aprendizagem prática, proporcionando um ambiente de ensino mais envolvente e eficaz. Através de atividades de construção e programação de robôs, os alunos desenvolvem habilidades importantes, como pensamento crítico, melhoria nas operações formais, resolução de problemas e trabalho em equipe.

(Disponível em: https://economizador.net.br/roboticaeducacional-futuro-criancas/> - adaptado- Acesso em 15/05/24).

A vírgula é um sinal de pontuação fundamental na língua portuguesa, utilizado para organizar e esclarecer o sentido das frases, suas funções são variadas e ajudam a garantir a clareza e a correta interpretação dos textos. Desse modo, as vírgulas empregadas ao longo do segundo parágrafo do excerto acima cumprem as funções de:



I. Isolar orações coordenadas.


II. Separar elementos em uma enumeração.


III. Caracterizar itens em uma enumeração.


IV. A vírgula é usada para separar uma locução adverbial que foi deslocada para o início da frase.


V. Isolar uma explicação, ou aposto em: “os alunos desenvolvem habilidades importantes, como pensamento crítico”.



Estão CORRETAS:

Alternativas
Q3303066 Português
Leia o texto para responder à questão.


O bem-vindo retorno das vacinas


     Depois de anos de quedas sucessivas na cobertura vacinal, o Brasil saiu, enfim, do indesejável ranking dos 20 países com mais crianças não vacinadas. A auspiciosa notícia vem do relatório divulgado recentemente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) sobre os níveis de vacinação no mundo.

    A melhora dos índices de cobertura vacinal do Brasil destoa do que acontece no panorama global – de acordo com o relatório, a taxa de imunização no mundo ficou estagnada. A título de exemplo, o número de crianças que não receberam nenhuma dose da DTP1, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, caiu de 418 mil em 2022 para 103 mil em 2023 no Brasil.

   Em abril, o Ministério da Saúde já havia apresentado dados que mostravam o aumento da cobertura vacinal no País. Na ocasião, informou que 13 dos 16 imunizantes do calendário infantil tiveram alta na adesão. Motivo suficiente, na época, para reconhecer os méritos da atual gestão da pasta, que buscou revigorar em 2023 o Programa Nacional de Imunizações.

   Não é uma vitória trivial e, portanto, deve ser comemorada. Mas mantê-la exigirá vigilância e trabalho. Por exemplo, as coberturas vacinais da maioria dos imunizantes seguem abaixo da meta. E o próprio Ministério da Saúde informou ter pesquisas segundo as quais 20% da população não confia ou confia pouco em algumas vacinas – índice que, no passado, não passava de 5%.

   Convém reconhecer que a queda na cobertura vacinal já vinha apresentando piora desde 2016, com números decrescentes entre os imunizantes do calendário infantil. Uma evidência de que só a confiança da população nas vacinas não basta. É preciso fazer campanha permanente.


(https://www.estadao.com.br/opiniao, 22.07.2024. Adaptado) 
Assinale a alternativa em que a reescrita de informações do texto atende à norma-padrão de pontuação e de regência verbal.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FGV Órgão: MinC Prova: FGV - 2024 - MinC - Atividades Técnicas de Suporte |
Q3277350 Português
Assinale a alternativa que apresenta um uso facultativo da vírgula.
Alternativas
Q3270274 Português

I. A Mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, é uma doença viral que pode se espalhar facilmente entre pessoas e animais infectados. Pode espalhar-se através de contato próximo, como toque, beijo ou sexo, bem como através de materiais contaminados como lençóis, roupas e agulhas, segundo a OMS. Os sintomas incluem febre, erupção cutânea dolorosa, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, baixa energia e gânglios linfáticos aumentados.


As vírgulas empregadas na oração destacada foram usadas para: 

Alternativas
Q3264905 Português
Focar numa pegada com resiliência (Ruy Castro)
Mas só se você 'subir o sarrafo', for 'assertivo' e tiver uma visão 'imersiva' da coisa 

        Já reparou que, a todo momento, lê-se ou se escuta que alguém "bateu o martelo"? Um desavisado achará que, pela quantidade de gente que "bate o martelo", vivemos sob uma sinfonia de marteladas. Mas é claro que, ao "bater o martelo", o sujeito apenas se decidiu por isto ou aquilo. É um martelo simbólico. E quando se diz que fulano "apostou todas as suas fichas" em alguma coisa? Significa somente que o cidadão botou suas esperanças nessa alguma coisa. Não é como no tempo dos cassinos, em que se garantia que eles tinham uma sala dos suicidas, um lugar discreto onde o jogador que perdera de verdade suas últimas fichas podia dar um tiro no ouvido sem ser incomodado. "Apostar as fichas" sem meter a mão no bolso é mole. 

        E "subir o sarrafo"? Até há pouco, usava-se "baixar o sarrafo" — ou seja, dar uma surra em alguém. O sarrafo podia ser um porrete, uma vara, um relho, quem sabe até uma cadeira. Hoje, ao contrário, o normal é "subir o sarrafo", ou seja, estabelecer uma meta mais difícil do que a que se vinha praticando. O curioso é que, quando se "sobe o sarrafo" numa prova de salto em altura, e o atleta não consegue saltá-lo, o sarrafo cai lá de cima e ninguém diz que ele "baixou o sarrafo". [...]

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2024/10/focar numa-pegada-com-resiliencia.shtml. Acesso em 09/10/2024) 
Assinale a alternativa que apresenta o motivo de a construção destacada em “‘subir o sarrafo’, ou seja, estabelecer uma meta” esteja entre virgulas.  
Alternativas
Q3255566 Português
Leia o trecho do texto "Saúde realiza oficina sobre direitos dos migrantes no SUS".

"No primeiro dia temas como igualdade de acesso a serviços públicos, inclusão socioeconômica, promoção do trabalho decente, combate a violações de direitos, governança e participação social, regularização migratória, além de interculturalidade e diversidade foram abordados."

O emprego das vírgulas serve para: 
Alternativas
Q3255438 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Comida é dinheiro vivo

Mineiro não joga comida fora. Sempre acredita que o resto pode ser usado de noite ou completar o próximo cardápio. É um ser feito de esperança. Mesmo que tenha apenas duas colheradas de um alimento, faz questão de guardar. Só se livra das migalhas, e com o coração apertado.

Geladeira de mineiro não é geladeira, mas um purgatório. Haverá a convivência de potes transparentes de diferentes dias, esperando o arremate final. Comida é dinheiro em Minas Gerais. É dinheiro vivo.

O zelo já começa com a fiscalização da refeição. Todos cuidam de todos, com um canto da mirada atenta às reações dos demais comensais.

Mãe e pai não admitem que o filho não limpe o seu prato. Mas limpar de verdade, a ponto de facilitar a vida para quem lavar as vasilhas. É uma ofensa se servir à toa. Cria-se na criança, desde cedo, uma consciência do tamanho do apetite. Não se brinca com a fome. Se esnobar uma vez pode faltar depois.

Existe o compromisso social no ato de repetir, não devendo jamais acrescentar algo que não conseguirá terminar. Aqui não se come com os olhos, mas a partir do senso de responsabilidade.

Em caso de viagem da família, o extra não vai para o lixo − a lixeira mal conhece os resíduos orgânicos. Prepara-se uma marmita ao porteiro do prédio ou ao porteiro do prédio vizinho ou a algum segurança do bairro. O povo de casa não se aquietará até encontrar alguém para levar a comidinha. Se acha que quando cai comida no chão, da boca ou do garfo, é sinal de parente passando necessidade, pense na gravidade do ato intencional de colocar fora? Será uma maldição de penúria para três gerações de sua árvore genealógica.

Nos restaurantes, a superstição mantém a escrita. A diferença é que, comendo na rua, o mineiro prefere que falte boia do que sobre. Nem é avareza, é desconfiança de que a porção para um dará para dois. Mineiro acha que o garçom está mentindo ou exagerando quando avisa que a porção é para só uma pessoa. Decide pagar para ver, e acaba tendo que completar. Nunca deixa à mesa porque sempre tem um pedido feito atrasado. Aliás, a porção para uma pessoa é, na verdade, para uma pessoa e meia.

Para se vingar da matemática injusta dos estabelecimentos, carregará tudo o que permanecer sobre a mesa, é capaz de reivindicar o embrulho de uma folha de alface, de uma azeitona, de quatro palitos de batata frita, porém não deixa nada de nada para contar a história. Apesar do gosto extravagante do pacote, como desculpa, alegará que é para o cachorro.


Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/comida-e-dinheiro-vivo-1.2223796 
Com base no texto "Comida é dinheiro vivo", de Fabrício Carpinejar, e nos conhecimentos sobre pontuação, analise as alternativas abaixo e assinale a opção correta. A alternativa correta identifica a justificativa gramatical para o uso de vírgulas na seguinte passagem:

"Mesmo que tenha apenas duas colheradas de um alimento, faz questão de guardar."
Alternativas
Q3255297 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A primeira cidade dos EUA com maioria árabe Dearborn se tornou a primeira cidade de maioria árabe dos Estados Unidos em 2023. Com cento e dez mil habitantes, ela abriga o Museu Nacional Árabe-Americano e a maior mesquita da América do Norte.

A cidade é governada por um dos poucos prefeitos árabes e muçulmanos dos Estados Unidos. Dearborn também foi a primeira cidade americana a transformar o fim do jejum do Ramadã em feriado oficial para os funcionários municipais e é um dos poucos lugares do país onde uma mesquita foi autorizada a transmitir a chamada para a prece islâmica pelos seus alto-falantes.

Por tudo isso, Dearborn oferece aos visitantes uma oportunidade tentadora de viajar ao Oriente Médio sem sair dos Estados Unidos, explorando como os árabes-americanos formaram a cidade e o país.

Segundo o curador do Museu Histórico de Dearborn, Jack Tate, a cidade era pouco mais que um terreno rural escassamente povoado até o início do século 20.

Mas tudo mudou nos anos 1920, quando o fabricante de carros e futuro magnata dos negócios Henry Ford transferiu a sede da sua companhia − a Ford − para Dearborn. 

"Naquela época, era uma comunidade pequena e monótona", explica Tate. "E, quando abriu a fábrica, pessoas vieram de todas as partes dos Estados Unidos, de todo o mundo, para trabalhar para a Ford. Foi o grande início da migração do Oriente Médio para cá."

Quando Ford criou seus famosos automóveis Modelo T, em 1908, ele precisava de pessoas para construí-los.

Ondas de trabalhadores de lugares que hoje pertencem ao Líbano, Síria, Iraque, Iêmen e aos Territórios Palestinos logo começaram a chegar à região de Detroit, em busca de novos empregos e altos salários.

No início dos anos 1920, a maior parte dos trabalhadores da linha de montagem do Modelo T da Ford era de origem árabe. E, quando Henry Ford mudou a fábrica para Dearborn, muitos dos seus funcionários o seguiram.

A mudança transformou o pacato vilarejo na sede da maior instalação industrial do mundo. E, mais do que isso, ela possibilitou que Dearborn passasse a abrigar a maior concentração de árabes-americanos dos Estados Unidos.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckr5d1k70ero.adaptado.
Quando Ford criou seus famosos automóveis Modelo T, em 1908, ele precisava de pessoas para construí-los.
Assinale a opção correta quanto à nova pontuação sem alteração do sentido original da frase.
Alternativas
Q3255014 Português
Leia o texto, verificando sua pontuação.

As discussões sobre o mundo do trabalho fazem parte do dia a dia de grande parte dos brasileiros. Contudo, embora seja um assunto de grande popularidade, muitas pessoas não sabem com clareza quais são os direitos do trabalhador. Por isso, a fim de tornar tudo mais simples, explicamos, neste artigo, quais são e como funcionam os principais direitos trabalhistas. Então, antes de mais nada, você precisa saber que quem rege esses direitos é a Consolidação das Leis do Trabalho, a famosa CLT. Assim, todo brasileiro que exerce seu ofício de carteira assinada é regido pela CLT, ou seja, é um celetista. Sobre os direitos do celetista que tratamos a seguir. Confira!
Fonte: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/saiba-quais-saoos-14-principais-direitos-trabalhistas/1183504161

Avalie as afirmações, em cada alternativa, sobre o emprego da vírgula no texto lido e indique a afirmativa incorreta.
Alternativas
Q3254391 Português
No texto jornalístico publicado em novembro de 2024 no site do Correio do Interior, há muitos casos de erro no emprego da vírgula. Identifique a única frase em que esse emprego está correto.
Alternativas
Q3253680 Português
O trecho é usado para questão gramatical.

Tive, há alguns anos, a oportunidade de trabalhar num projeto de formação na Guiné-Bissau. Um dos principais problemas de alguns dos negócios a que a formação se destinava, era a falta de recipientes de vidro para embalar os produtos produzidos localmente. Num dos casos era o sumo de caju, mas o acesso a embalagens de vidro era uma constante em mais negócios. O problema foi de fácil resolução: numa das principais discotecas de Bissau, vendia-se bastante cerveja embalada em vidro e de tara perdida. Foi, por isso, fácil arranjar quem se ocupasse da recolha das garrafas abandonadas na rua, as transportasse para Canchungo, onde uma cooperativa, vocacionada para dar apoio à comunidade local e visando estimular a capacidade de produção e gestão dos seus próprios empreendimentos, fervia as ditas garrafas para posterior tratamento e reutilização, num processo artesanal, mas eficaz, e num claro exemplo de inovação frugal.
Fonte: https://www.publico.pt/2024/04/17/azul/opiniao/princi pio-frugalismo-fim-tambem-2087161

Considere as afirmativas sobre o emprego da norma culta no texto e assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3252737 Português
Os mineiros são invencíveis em festa de casamento

Quando organizei meu casamento em Belo Horizonte, o choque cultural foi imediato: eu, gaúcho, e ela, mineira, tínhamos duas tradições muito diferentes para festas de casamento. Como os convidados estavam divididos entre os dois Estados, tivemos que escolher um único modelo.

O dilema não era escolher padrinhos ou organizar os assentos no salão, mas definir a sequência da festa. No Rio Grande do Sul, o bufê é servido no início, para que as pessoas comam antes de beber e evitem exageros. Já em Minas, a comida é servida no final, como o auge da celebração.

Travei um debate com minha noiva. Argumentei que os mais velhos precisavam comer cedo para não passarem mal. Ela discordou, dizendo que isso deixaria os convidados sonolentos e a festa terminaria antes do tempo.

Beatriz explicou com convicção: em Minas, até os mais velhos lideram a dança e ninguém abandona a festa cedo. A música abre a recepção, e a comida só aparece no final, quando os mineiros "ressuscitam" e renovam a energia. Além disso, mineiros felizes comem por três e repetem o prato várias vezes, garantindo que a festa tenha um segundo pico à meia-noite.

Cedi, é claro. E ela estava certa: nenhum mineiro caiu de bêbado ou foi embora antes do fim. Às 4h30 da manhã, eles ainda estavam dançando, contrariados por terem que sair. Enquanto isso, meus amigos gaúchos não resistiram: seis deles estavam abraçados ao vaso sanitário, já sonhando com o voo de volta.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/os-mineiros-sao-i nvenciveis-em-festa-de-casamento-1.2226330 
Analise o trecho retirado do texto:
"Às 4h30 da manhã, eles ainda estavam dançando, contrariados por terem que sair."
Sobre o uso dos sinais de pontuação nesse trecho, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3252487 Português
Sensações apocalíticas


   Na capa do jornal Estado de terça-feira, uma foto mostra Brasília submersa em fumaça densa, quase opaca. Na TV, paredões de fogo se levantam e marcham. A olho nu, a fuligem se derrama sobre a cidade; filamentos de carvão vindos no vento aterrissam como libélulas no capô do automóvel de um milhão de reais. O desastre climático é um desastre social, que castiga antes os de baixo, mas quando se impõe para valer não respeita a segregação entre as classes. Não respeita nada, cobre até os astros no céu. A Lua fica vermelha, como se obedecesse ao Apocalipse (6:12): “Inteira como sangue”.

   Sol prata, chuva preta (isso quando chove). Aumentam as internações nos hospitais. Sobem os óbitos por problemas respiratórios. O noticiário dá conta de que um território equivalente ao Estado de Roraima já virou cinza. A realidade se mostra pior do que as previsões da teoria.

   O livro A Terra Inabitável, do jornalista americano David Wallace-Wells, passava por pessimista ao ser lançado, em 2017, mas agora parece brando. Seu alerta de que o descongelamento do solo do Alasca e da Sibéria liberaria gases de efeito estufa e ressuscitaria micro-organismos capazes de desencadear epidemias desconhecidas foi superado por cenários ainda mais assustadores.

   O cientista Carlos Nobre se declarou “apavorado”. Num artigo publicado no UOL, ele retomou o adjetivo que deu título ao livro de Wallace-Wells e sentenciou: “Se a temperatura global aumentar em 4º C até 2100, grande parte do planeta, incluindo o Brasil, pode se tornar inabitável”. O Rio Solimões se reduziu a um riacho fantasma, inabitável para peixes. As metrópoles estrebucham entre dois extremos: no primeiro, inundações infectas alagam as casas com doenças e lama; no segundo, a seca ameaça matar de sede os moradores.

   Para onde quer que se olhe, proliferam os sinais de esfacelamento generalizado.


(Eugênio Bucci, Sensações Apocalíticas.
Em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 19.09.2024. Adaptado)
Considere as passagens:

•  ... uma foto mostra Brasília submersa em fumaça densa... (1 º parágrafo)
•  ... que castiga antes os de baixo... (1 º parágrafo)
•  Sobem os óbitos por problemas respiratórios. (2 º parágrafo)
•  ... a seca ameaça matar de sede os moradores. (4 º parágrafo)

De acordo com a norma-padrão e o sentido original, a reescrita de Brasília submersa em fumaça densa, o sinônimo de antes e as relações estabelecidas pelas preposições por e de são, respectivamente:
Alternativas
Q3248096 Português
Em todos os casos a seguir, emprega-se corretamente a vírgula, EXCETO em: 
Alternativas
Q3234306 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.



A Inteligência artificial deve ser para todos


Ricardo Henriques*


    A rápida evolução de novas ferramentas de inteligência artificial (IA) reforçou a preocupação com seus impactos no mercado do trabalho. Com o potencial de automatizar atividades cognitivas complexas e eliminar empregos, algo que o economista Joseph Schumpeter chamaria de destruição criativa, a IA, sobretudo a generativa, tem o poder de transformar radicalmente a relação das pessoas com o labor.

    Apesar disso, 77% dos trabalhadores brasileiros dizem não se sentir ameaçados por uma virtual substituição. A conclusão é do estudo “Avanço da Tecnologia é Ameaça ou Oportunidade às Carreiras”, de 2023, feito pela plataforma de inteligência Futuros Possíveis.

    É, no mínimo, surpreendente – para não dizer míope – essa percepção, dado que já vivemos em um contexto de flexibilização de direitos, de plataformização dos trabalhadores e de crescente substituição do humano pela máquina. Tecnologias como ChatGPT, Whisper e DALL-E 2 são capazes de realizar uma gama cada vez mais ampla de tarefas, desde manipulação e análise de texto, geração de imagens e reconhecimento de fala, inimagináveis outrora.

    Há nítidos sinais de iminente obsolescência do profissional criativo mediano e daqueles com competências abaixo desse requisito. O relatório “Artificial Intelligence Index Report 2023”, elaborado pela Universidade de Stanford, aponta que a proporção de empresas que adotaram IA, em 2022, mais do que dobrou desde 2017. Segundo as empresas, o principal resultado ao adotar soluções de IA foi a redução de custos através da automação de processos.

    Os efeitos da IA, no entanto, são heterogêneos entre países, setores e empresas. Daron Acemoglu e Pascual Restrepo argumentam, em artigo de 2018, que a automação tende a reduzir a demanda por empregos que envolvam habilidades baseadas em rotinas. Contudo, esse processo é contrabalanceado pelo aumento de produtividade via economia de custos gerada pela automação. Com isso, aumenta-se a demanda por mão de obra altamente qualificada em tarefas não automatizadas. Uma das implicações é uma possível incompatibilidade entre os requisitos solicitados pelas novas tecnologias e as habilidades ofertadas pela força de trabalho de um país, sobretudo quando o setor educacional não define políticas que acompanham essa demanda.

    Os autores mostram ainda que tal descompasso limita os ganhos de produtividade na introdução dessas novas tarefas intensivas em tecnologia. Isso acontece porque as novas competências requeridas exigem profissionais altamente qualificados e, portanto, escassos. A um só tempo, os trabalhadores com habilidades substituíveis pela automação podem enfrentar perdas substanciais, enquanto aqueles com habilidades complementares à IA podem se beneficiar, gerando aumento da desigualdade entre e no interior dos países.

    Diante dos desafios e oportunidades trazidos pela IA, é crucial implementar políticas públicas cada vez mais adaptativas. Isso inclui ofertar uma educação focada na capacidade de aprender a aprender ao longo da vida, com o desenvolvimento de competências como letramento digital profundo, pensamento crítico e criativo, resolução de problemas, adaptabilidade e comunicação para lidar com tecnologias que transformam, de forma acelerada, as organizações e seus processos de trabalho. Além disso, os sistemas de proteção social devem proteger os trabalhadores vulneráveis e os que demorarem a realizar uma transição laboral de forma a amortecer e compensar os efeitos negativos da automação no mercado de trabalho. Isso é, particularmente, importante para o contexto brasileiro e latinoamericano.

    Segundo relatório da Cepal, de 2021, o Brasil ainda se encontra em um estágio intermediário de desenvolvimento tecnológico, o mesmo do Leste Europeu e do Oriente Médio. Ou seja, ainda enfrentamos desafios de acesso à internet em diversas regiões no país. Ademais, formamos poucos profissionais em áreas como ciência da computação e investimos relativamente pouco em Pesquisa e Desenvolvimento, o que nos distancia da fronteira em inovação em IA.

    Superar essas lacunas requer um ecossistema de inovação colaborativo entre academia, empresas e governo, a fim de fortalecer o posicionamento estratégico do Brasil nessa agenda. Enfrentar as consequências da IA na contemporaneidade demanda, portanto, educação de qualidade com altas expectativas, qualificação e requalificação profissional e desenvolvimento de habilidades complementares à tecnologia, a fim de maximizar os benefícios dessa revolução tecnológica sem volta. Mas, sobretudo, requer também cuidado e compromisso ético. O avanço dessas tecnologias não pode ocorrer de maneira desregulada e sem que estejamos atentos para proteger a população mais vulnerável de possíveis impactos negativos.


*Economista, superintendente-executivo do Instituto Unibanco e professor associado da Fundação Dom Cabral.

Disponível em: https://oglobo.globo.com/economia/ricardo-henriques/coluna/2023/05/. Acesso em: jan. 2024. [Adaptado]

Considere o período abaixo.


Com o potencial de automatizar atividades cognitivas complexas e eliminar empregos, algo que o economista Joseph Schumpeter chamaria de destruição criativa, a IA, sobretudo a generativa, tem o poder de transformar radicalmente a relação das pessoas com o labor.


Em relação à pontuação, o uso de vírgula(s) está corretamente justificado na opção: 

Alternativas
Respostas
521: E
522: A
523: A
524: E
525: B
526: D
527: C
528: A
529: C
530: D
531: D
532: A
533: B
534: D
535: B
536: C
537: B
538: E
539: A
540: A