Questões de Concurso Sobre termos integrantes da oração: predicativo do sujeito e predicativo do objeto em português

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Q4443489 Português
    Conhecer o funcionamento da escrita alfabética para ler e escrever significa, principalmente, perceber as relações bastante complexas que se estabelecem entre os sons da fala (fonemas) e as letras da escrita (grafemas), o que envolve o despertar de uma consciência fonológica da linguagem. Ocorre que essas relações não são tão simples quanto as cartilhas as fazem parecer. Não há regularidades nessas relações, e elas são construídas por convenção. 

    De certa maneira, a história da escrita ilustra isso. Podemos datar as primeiras escritas da época das cavernas, quando os povos nômades deixavam pictogramas em suas paredes, que, enquanto desenhos, representavam, com suas propriedades concretas, animais, ações, perigos existentes no entorno. 

    Com o desenvolvimento do comércio, foi preciso simplificar esses desenhos. Mesmo ainda representando os objetos, esses pictogramas simplificados — os ideogramas, até hoje utilizados na escrita chinesa e japonesa, por exemplo — vão perdendo sua relação de representação icônica do objeto, tornando-se mais e mais convencionais.

    Por volta de 3.000 a. C., tanto pictogramas quanto ideogramas passaram a ser utilizados com valor fonético, cada signo representando uma sílaba. A passagem do signo-imagem ao signo-som (silabário) e o formato cuneiforme simplificado facilitaram sua expansão, e a escrita passou a cumprir funções mais ambiciosas.

    A humanidade levou milênios para inventar a relação entre um grafismo e um som, deslocando-se da representação do significado das palavras para o isolamento de um som do significante das mesmas. Também para a criança, esse não é um processo simples e breve de associação som-grafia. É um processo mais ou menos longo e bastante complexo de construção de conhecimento sobre essas convenções.  

Roxane Rojo. Letramentos múltiplos, escola e inclusão social.
São Paulo: Parábola Editorial, 2009, p. 61-62 (com adaptações). 


Julgue o item seguinte, relativo a aspectos gramaticais do texto apresentado. 
No primeiro parágrafo, o vocábulo "simples" classifica-se sintaticamente como predicativo do sujeito. 
Alternativas
Q4436754 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


'Descansar não é perder tempo': como saber relaxar aumenta a produtividade no trabalho


uma sociedade em que a hiperprodutividade e o estresse foram romantizados como sinônimos de sucesso, especialistas insistem que a verdadeira chave para um desempenho sustentável reside na melhoria da qualidade do descanso.


María José García Rubio, professora da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Internacional de Valência (VIU), pertencente à Planeta Formación y Universidades, destacou a importância do sono reparador diante da cultura da atividade ininterrupta.


Segundo especialista, o cérebro não é uma máquina, mas um órgão biológico que "precisa de pausas" para consolidar o aprendizado e manter a atenção. "Paradoxalmente, quanto mais ignoramos o descanso, menos produtivos e criativos somos", afirmou ela.


A neurociência e a psicologia demonstraram que parar na hora certa e dormir o suficiente não é preguiça, mas sim a "base de um desempenho duradouro".


"Descansar não é perder tempo: é dar ao cérebro a oportunidade de se reorganizar, se limpar e repor suas energias", acrescentou García.


O sono, especialmente em suas fases profunda e REM, desempenha um papel essencial no processamento de informações, permitindo que as conexões neurais se fortaleçam e que informações irrelevantes sejam filtradas.


Portanto, o descanso insuficiente ou interrompido tem consequências rápidas: lapsos de memória, lentidão de raciocínio e perda de precisão nas decisões.


A especialista destaca que acordar sentindo-se cansado, irritado, com dificuldade de concentração ou com "esquecimento frequente" são sinais claros de má qualidade do sono.
Considere a estrutura morfológica e sintática dos termos em destaque na frase adaptada do texto a seguir.

A especialista destaca que acordar sentindo-se cansado, irritado, com dificuldade de concentração ou com esquecimento frequente são sinais claros de má qualidade do sono."

Assinale a alternativa CORRETA quanto à classificação e à função sintática das palavras destacadas.
Alternativas
Q4434260 Português

Leia o texto a seguir.


        Uma flor, o Quincas Borba. Nunca em minha infância, nunca em toda a minha vida, achei um menino mais gracioso, inventivo e travesso. Era a flor, e não já da escola, senão de toda a cidade. A mãe, viúva, com alguma cousa de seu, adorava o filho e trazia-o amimado, asseado, enfeitado, com um vistoso pajem atrás, um pajem que nos deixava gazear a escola, ir caçar ninhos de pássaros, ou perseguir lagartixas nos morros do Livramento e da Conceição, ou simplesmente arruar, à toa, como dous peraltas sem emprego.


ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê Editorial, 1998. p. 94.


Releia o trecho “A mãe, viúva, com alguma cousa de seu, adorava o filho e trazia-o amimado, asseado, enfeitado, com um vistoso pajem atrás”. Nesse trecho, considerando a construção em torno da forma verbal “trazia-o”, o pronome oblíquo “o” e os termos “amimado, asseado, enfeitado” exercem, respectivamente, as funções sintáticas de

Alternativas
Q4432150 Português
POR QUE BURROS SÃO ASSOCIADOS A PESSOAS QUE NÃO SÃO INTELIGENTES?

Arthur de Souza Pereira, de Barreiras (BA)


      Provavelmente, pela dificuldade em domar esses animais. Os comportamentos dos burros são diferentes em relação aos dos cavalos, o que torna o tratamento mais desafiador. Um exemplo: enquanto os cavalos fogem quase imediatamente de uma situação de perigo, burros e jumentos param e analisam a situação antes de agir. (Vale diferenciar os animais: jumento é da espécie Equus asinus , enquanto burros e mulas são híbridos do cruzamento entre uma égua e um jumento macho). O estigma já aparece nas Fábulas de Esopo, que datam dos séculos 5 e 6 a.C. Nas histórias, os burros representavam personagens vaidosos, teimosos e ingênuos. A associação entre esses animais e a falta de inteligência também existe em outras línguas, como inglês e espanhol. De toda forma, a expressão é injusta: cavalos, jumentos, burros e mulas armazenam memória de longo prazo, têm relações sociais complexas e podem ser adestrados para executar tarefas detalhadas.


Por que burros são associados a pessoas que não são inteligentes?
Superinteressante, São Paulo, ed. 489, p. 62, jul. 2026. Seção Oráculo.
No início do texto, no trecho "Os comportamentos dos burros são diferentes em relação aos dos cavalos, o que torna o tratamento mais desafiador", as palavras em destaque classificam-se morfológica e sintaticamente, correta e respectivamente, como: 
Alternativas
Q4427928 Português
Em alguns enunciados, a mesma estrutura superficial admite análises sintáticas distintas, e a função exercida por um termo depende do sentido que se atribui à frase. Considerando essa relação entre sintaxe e sentido, associe as funções sintáticas da primeira coluna aos termos destacados nos enunciados da segunda coluna, observando, quando houver, a leitura indicada entre parênteses.

Coluna I
1.Complemento nominal.
2.Adjunto adnominal.
3.Predicativo do objeto.
4.Predicativo do sujeito. 

Coluna II
(__) "A avaliação da professora foi criteriosa." (leitura em que a professora é quem avaliou)
(__) "A avaliação da professora foi criteriosa." (leitura em que a professora é quem foi avaliada)
(__) "Os pais consideraram inovadora a proposta da escola."
(__) "A coordenadora saiu da reunião preocupada."

Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo.
Alternativas
Q4426574 Português
Sobre o período “Apesar de o motorista ter dirigido rápido, a passageira chegou atrasada a seu destino.”, é correto afirmar: 
Alternativas
Q4426519 Português

K ENTRE NÓS


     Gesiel, desculpe te escrever assim, uma carta aberta, no meio do jornal. Sei que talvez cause algum transtorno: comentários de vizinhos, brincadeiras de colegas, parentes ligando, atravancando sua quarta-feira, mas não se preocupe, alguém já disse que “a crônica produz a notoriedade e garante o esquecimento”: hoje, somos famosos, amanhã, estaremos Vasconcellos Prata. Não nos conhecemos. Meu nome é Antônio de Góes. O seu é Gesiel Mariano de Barros – pelo menos, é o que está escrito na correspondência bancária que recebo aqui em casa, todo mês. É estranho, pois moro em Cotia e você, segundo sugerem os envelopes, em Duque de Caxias. Mais estranho ainda é que aí em Duque de Caxias haja uma rua com o mesmo nome da minha, uma casa com o mesmo número, num bairro quase homônimo: Residencial Par, o seu, Residencial Park, o meu – mas, se o correio não repara nem que vivemos em cidades diferentes, imagina se vai notar esse minúsculo K, perdido na vastidão do Brasil?


     Pois eu reparo, todo mês. Pego a correspondência, vejo seu nome no envelope, penso “ih, carta pro Gesiel, de novo...” e digo a mim mesmo: de hoje não passa! Vou ligar pro banco, avisar do equívoco, resolver a situação – mas sou um fraco, Gesiel. Quantas vezes não digo que vou começar uma natação, um romance, abrir uma previdência privada? Pobres de minhas artérias, de minha produção, de minha velhice. Pobre de você, cujas cartas vão parar na fruteira da sala, uma fruteira que nunca viu mangas ou carambolas e vive abarrotada de folhetos de dedetizadoras, cardápios de pizzarias, clipes, tampas de Bic e dois anos de seus – suponho, pois nunca abri – extratos bancários.


     Dois anos que sofro um pouquinho, toda noite, antes de dormir, pensando em você aí, no Residencial Par, em Duque de Caxias, brigando com o banco, pelo telefone. “O mais importante e bonito do mundo”, contudo, como disse um amigo, outro dia, citando Guimarães Rosa, “é que as pessoas ainda não foram terminadas. (...) Afinam ou desafinam”. Pois, semana passada, resolvi afinarme um pouquinho. Tive um desses surtos civilizatórios: arrumei gavetas, mandei fazer barra nas calças, chamei o homem pra ver a infiltração do banheiro, peguei suas cartas na fruteira e, finalmente, liguei para o banco.


     Sabe o que me disseram? Que para regularizar a situação, só com o seu CPF. “Moça, como eu vou ter o CPF do Gesiel?! Eu não conheço o Gesiel! Vocês conhecem! Ele tem conta aí: Gesiel Mariano de Barros, é só conferir!”. Ela resmungou, disse que ia ver o que dava para fazer, mas pelo jeito, não viu: ontem chegou mais uma de suas cartas, só me restando, portanto, escrever esta crônica e torcer para que, antes de forrar obra ou cobrir defunto, ela passe por você.


     Vamos torcer. Ah, e se por acaso estiverem chegando aí cartas para um certo Antônio, favor mandar para seu mesmo endereço, só que em Cotia e colocando um K depois do Par. Sem pressa: não sei como está sua situação bancária, mas com este que vos escreve, pelo menos, você tem 24 meses de crédito. Abraço, Gesiel, e boa Páscoa.


Antônio Prata, Folha de São Paulo Online, 27/03/2013.

“[...] hoje, somos famosos, amanhã, estaremos Vasconcellos Prata.”



O termo demarcado se trata de um:

Alternativas
Q4419121 Português
Halden, a utopia

Uma cadeia que impressionaria estrangeiros é a de Halden, no sul da Noruega, perto da fronteira com a Suécia.
Em 2014, uma TV finlandesa levou o ex-diretor de prisões de Nova York, James Conway, a uma visita a Halden.
“Não acho que seja possível ser mais progressista e liberal, a não ser que entreguem as chaves da prisão aos presos”, foi sua avaliação após conhecer o lugar.
O programa de TV mostra a oficina onde os presos trabalham, cheia de serras e de objetos metálicos, além de facas afiadas que ficam na cozinha.
“Não é preciso mais fazer um bolo para levar esses objetos para uma prisão”, brinca Conway.
No estúdio musical - onde há guitarras, teclados e uma bateria -, o funcionário americano se pergunta se não é um pouco “além do limite” oferecer todas essas comodidades aos condenados.
"Isso é a utopia das prisões. É a melhor prisão que possa imaginar, caso seja um detento, claro”, acrescentou.
Mesmo que seja uma prisão de segurança máxima, rodeada por um muro, Halden está longe de ser um presídio convencional.
E a maioria dos prisioneiros noruegueses vivem, ao menos no começo de suas condenações, em instalações que a maioria reconheceria como cadeias: espaços com grades nas janelas em que os prisioneiros passam a maior parte do dia fechados em celas.

Reabilitação

“A maioria dos presos começa a cumprir suas penas em prisões de alta segurança”, explicou Jan-Erik Sandlie, subdiretor do sistema prisional da Noruega.
“Logo se considera uma transferência a uma prisão de menor segurança, com a ideia de criar uma transição gradual da prisão à liberdade”, acrescentou.
E até o final da sentença os presos também podem ser transferidos a casas de adaptação, que permitem uma existência mais parecida com a vida normal. Nesta fase os detentos podem ter algumas “concessões”, como viagens para casa.
“Queremos que todos os presos tenham a maior preparação possível para uma vida comum quando sejam colocados em liberdade”, disse Tom Eberhardt, da prisão de Bastoey.

Críticas

O sistema tem sido alvo de críticas, pois muitos o consideram demasiadamente brando. Mas é difícil argumentar que não funcione.
Quando os presos deixam a cadeia, a maioria se mantém fora das grades. A taxa de reincidência criminal na Noruega é de 20%, a mais baixa do mundo.
Em outros países, como o Reino Unido, chega a 46%, e nos EUA, 76% das pessoas que deixam a prisão voltam nos cinco anos seguintes.
Há ainda a economia que significa não ter tantas pessoas em cadeias.
“Autoridades dos EUA e do Reino Unido talvez deveriam se perguntar o que aconteceu com milhões de dólares e de libras esterlinas que gastaram trancando gente atrás de todas essas cercas e muros”, afirmou Eberhardt.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160317_prisoes_noruega_tg. Acess
“O sistema tem sido alvo de críticas, pois muitos o consideram demasiadamente brando.”
Nesse contexto, a palavra brando desempenha função sintática de:
Alternativas
Q4418999 Português
Texto 1 - De volta à Lua, contemplamos uma Terra em risco


    Nasci em 1957, ano do Sputnik, primeiro satélite artificial lançado pela então União Soviética, dando início à corrida espacial.

   Cresci viajando para Ubatuba, quando quase tudo lá era mato. Conheci a maioria das praias de ônibus e a pé, por trilhas e pinguelas. Só em 1965 meus pais compraram o primeiro carro, um Fusca 1959.

   Foi em Ubatuba que vi, ou tentei ver, o pouso da Apollo 11 na Lua, nas férias de julho de 1969. A TV em branco e preto do vizinho era pequena e só chuvisco, e mais imaginei do que enxerguei quando Neil Armstrong deu o pequeno passo para um homem e um salto gigante para a humanidade. Meio às cegas, acreditei. Tornei-me entusiasta da ciência e da tecnologia, mas também amante da natureza, em contato com a Mata Atlântica que se atira da serra ao oceano.

   Queria ser astronauta, depois médico, biólogo —acabei jornalista. Entrei na Folha de São Paulo como redator em 1986, ano do cometa Halley e de duas tragédias, a do ônibus espacial Challenger e a da usina nuclear soviética Chernobyl.

   Escrever sobre ciência e tecnologia foi escolha natural, com foco em biologia. O ano de 1988 trouxe o assassinato do seringueiro Chico Mendes e manchetes no mundo todo sobre queimadas que podiam ser flagradas por satélites herdeiros do Sputnik.

   Aprendi com Antonio Donato Nobre que era balela a história de uma Amazônia pulmão verde da Terra. Mas, também, que o carbono nela estocado agravaria o efeito estufa se a destruição continuasse galopando e sua biomassa virasse fumaça.

 Gato escaldado, após 38 anos e quase 500 mil quilômetros quadrados de floresta derrubados, desacelerei a produção de reportagens sobre desmatamento e mudança climática. Ainda abordo o tema em colunas, mas já sem a ilusão de que eventos mastodônticos à moda da COP30 possam reverter a crise do clima.

   A humanidade, ou melhor, países e populações pobres enfrentam e enfrentarão tempos bicudos. Não posso deixar de pensar nisso ao ler notícias sobre o sobrevoo da Lua pela Artemis 2 e ao ver as lindas fotos que os astronautas enviam do céu.

  Espero que os tripulantes, incólumes, deem muitas palestras e sirvam de exemplos para crianças e jovens se entusiasmarem com ciência, como há 57 anos. Se as tecnologias dela derivadas estão a castigar o planeta, será também crucial investigação metódica responsável para tirarmos o pé do lodo climático.

   Faço minhas as palavras ressabiadas de Gilberto Gil em 1967, na canção "Lunik 9", sonda soviética que rondou a Lua: "Lá se foi [o homem] buscando a esperança que aqui já se foi / Nos jornais, manchetes, sensação, reportagens, fotos, conclusão:/ A Lua foi alcançada afinal, muito bem / Confesso que estou contente também".


Texto de Marcelo Leite (adaptado)12.abr.2026. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloleite/2026/04/- acesso em 12 de abril de 2026. 

Analise os itens sobre o que se afirma acerca da morfossintaxe do excerto: “Mas, também, que o carbono nela estocado agravaria o efeito estufa se a destruição continuasse galopando e sua biomassa virasse fumaça.”



I. “se” é um elemento coesivo formal, classificado como conjunção subordinativa integrante.


II. A vírgula foi omitida, inadequadamente, entre as expressões “continuasse galopando” e “e sua biomassa”.


III. “Fumaça” é, sintaticamente, classificada como predicativo do sujeito.


IV. “Mas, também” pode ser substituído, sem modificar o sentido no contexto, por “e”.



Estão corretos os itens: 

Alternativas
Q4405158 Português
Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

Ei, Ardoca

    O barulhar seco e cortante do trem irritava os ouvidos de Ardoca. O atrito da máquina nos trilhos ecoava constantemente no fundo de seus tímpanos. Aos domingos, dentro de casa, no silêncio da mulher, nas vozes e brincadeiras dos filhos, ele ouvia o grito arranhado do aço espichado sobre o solo. Grito lancinante e cortante debaixo do comboio pesadão que parecia massacrar a linha férrea inerte. Ardoca nascera quase que dentro daquela máquina. Sua mãe, moradora do subúrbio, fazia a viagem diária rumo ao trabalho. Ela grávida, ele estufando na barriga materna respondia aos solavancos do trem com chutes internos. Depois, cá fora, no mundo, no colo da mãe, acordava e chorava durante todo o tempo da viagem. Cresceu em meio aos solavancos, ao empurra-empurra, aos gritos dos camelôs, às rezas dos crentes, às vozes dos bêbados, aos lamentos e cochilos dos trabalhadores e trabalhadoras cansados. Assistiu inúmeras vezes, como testemunha cega e muda, a assaltos, assassinatos, tráfico e uso de droga nos vagões superlotados. Acada viagem, Ardoca mais estranhava e desacostumava à vida do trem. Queria viajar com o mesmo descuido de alguns que jogavam porrinha ou dormiam durante o percurso, mas permanecia sempre desesperadamente acordado. Estava sempre atento, tenso, como se o trem, a qualquer momento, pudesse autocolidir, se autoembarafunhar, fazendo com que o último vagão se fechasse em círculo sobre o primeiro e soltasse tudo pelos ares.
    E foi então, que em uma tarde, Ardoca caminhou com passos lentos em direção à estação. Era sábado. O movimento menor de passageiros não garantiu porém a possibilidade de um lugar vazio. Ele se sentia cansado por todos os dias, todos os trabalhos, e por toda a vida. Entrou na fila para a compra do bilhete. O funcionário deu-lhe o troco. Ardoca com um gesto recusou. Olhou o trem, a composição pareceu-lhe mais longa ainda. Subiu com dificuldades, encostou-se à parede do vagão e depois lentamente foi escorregando o corpo até chegar ao chão. Algumas pessoas riram. Alguém gritou que o homem estava bêbado. Outro completou a observação dizendo que o dinheiro do pobre não dava para o alimento, mas dava para a cachaça. O trem continuava parado, mas a barulheira sobre os trilhos alcançava e feria os ouvidos de Ardoca. Ele sorria um pouco. Um suor frio escorria sobre a sua face. Um grupo de crentes cantava olhando para ele como se quisesse comovê-lo. Aleluiavam aos altos brados um Senhor que, segundo eles, falava em silêncio aos homens. Ardoca abandonava o corpo, que pendia lentamente para um lado. O passageiro do banco próximo encolheu o pé. Um camelô que vendia água pulou por cima dele para atender uma pessoa. Ardoca respirava com dificuldade, debaixo do negro de sua pele, um tom amarelo desbotado aparecia. Uma mulher levantou, comprou um copo d'água e deu-lhe de beber, tentando reanimá-lo. Os crentes continuavam bradando o hino. O vendedor de água, buscando um espaço para fazer valer a sua fala, anunciava o seu produto em altíssima voz. O trem parado continuava mortificando os ouvidos fragilizados de Ardoca. Enquanto isso, sua vida ia se aprofudando mais e mais no dissentir de tudo. Ele buscava a respiração lá no fundo. A mulher que lhe socorreu parecia querer chorar. Neste momento entrou no vagão um passageiro correndo e gritando. Desesperado, empurrou as pessoas buscando passagem em direção ao rapaz desfalecido, chamando por ele
     — Ei, Ardoca! Ei, Ardoca!
    Rapidamente o tomou no colo, desceu do trem e o depositou no banco da estação. Acomposição iniciou lentamente a partida. Cá de dentro, a mulher que se condoera de Ardoca e alguns outros passageiros ainda puderam ver. Aquele que o socorrera estava a meter a mão nos bolsos de Ardoca e a arrancar-lhe os sapatos e o relógio que ele trazia no pulso. Ardoca estava sendo assaltado. A mulher fez menção de descer, mas a máquina ganhou velocidade e partiu. Não era preciso porém nem dor, nem lágrimas. O outro podia levar os poucos pertences de Ardoca. Podia tomar-lhe tudo. Ardoca não tinha mais nada, nem a vida. Naquela tarde, ainda no trabalho ele resolvera tudo. Num gesto desesperado e solitário bebera lentamente um veneno e decidira levantar para morrer no trem. O outro levava os pertences de alguém que já despertencia à vida e jazia no banco da estação.
     O barulho da máquina sobre os trilhos entoava uma música réquiem de descanso eterno para Ardoca. Amém.

Fonte:Evaristo, Conceição. Olhos d'água. 1. ed. – Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. 
Os verbos se distinguem em “predicadores” e “não-predicadores”. No período abaixo, os verbos em destaque são ditos “predicadores”, por fazerem suas próprias exigências quanto à presença ou ausência de complemento, ao contrário de “querer”, usado como “verbo auxiliar”, portanto, “não-predicador”. 
“[...] (Ardoca) queria viajar com o mesmo descuido de alguns que jogavam porrinha ou dormiam durante o percurso, mas permanecia sempre desesperadamente acordado.[...]” 
Observe o emprego dos verbos em destaque nas frases indicadas em cada uma das alternativas. Depois, assinale a alternativa que traz CORRETAMENTE um verbo que faz o mesmo tipo de exigência feita pelo verbo “PERMANECER”.
Alternativas
Q4405155 Português
Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

Ei, Ardoca

    O barulhar seco e cortante do trem irritava os ouvidos de Ardoca. O atrito da máquina nos trilhos ecoava constantemente no fundo de seus tímpanos. Aos domingos, dentro de casa, no silêncio da mulher, nas vozes e brincadeiras dos filhos, ele ouvia o grito arranhado do aço espichado sobre o solo. Grito lancinante e cortante debaixo do comboio pesadão que parecia massacrar a linha férrea inerte. Ardoca nascera quase que dentro daquela máquina. Sua mãe, moradora do subúrbio, fazia a viagem diária rumo ao trabalho. Ela grávida, ele estufando na barriga materna respondia aos solavancos do trem com chutes internos. Depois, cá fora, no mundo, no colo da mãe, acordava e chorava durante todo o tempo da viagem. Cresceu em meio aos solavancos, ao empurra-empurra, aos gritos dos camelôs, às rezas dos crentes, às vozes dos bêbados, aos lamentos e cochilos dos trabalhadores e trabalhadoras cansados. Assistiu inúmeras vezes, como testemunha cega e muda, a assaltos, assassinatos, tráfico e uso de droga nos vagões superlotados. Acada viagem, Ardoca mais estranhava e desacostumava à vida do trem. Queria viajar com o mesmo descuido de alguns que jogavam porrinha ou dormiam durante o percurso, mas permanecia sempre desesperadamente acordado. Estava sempre atento, tenso, como se o trem, a qualquer momento, pudesse autocolidir, se autoembarafunhar, fazendo com que o último vagão se fechasse em círculo sobre o primeiro e soltasse tudo pelos ares.
    E foi então, que em uma tarde, Ardoca caminhou com passos lentos em direção à estação. Era sábado. O movimento menor de passageiros não garantiu porém a possibilidade de um lugar vazio. Ele se sentia cansado por todos os dias, todos os trabalhos, e por toda a vida. Entrou na fila para a compra do bilhete. O funcionário deu-lhe o troco. Ardoca com um gesto recusou. Olhou o trem, a composição pareceu-lhe mais longa ainda. Subiu com dificuldades, encostou-se à parede do vagão e depois lentamente foi escorregando o corpo até chegar ao chão. Algumas pessoas riram. Alguém gritou que o homem estava bêbado. Outro completou a observação dizendo que o dinheiro do pobre não dava para o alimento, mas dava para a cachaça. O trem continuava parado, mas a barulheira sobre os trilhos alcançava e feria os ouvidos de Ardoca. Ele sorria um pouco. Um suor frio escorria sobre a sua face. Um grupo de crentes cantava olhando para ele como se quisesse comovê-lo. Aleluiavam aos altos brados um Senhor que, segundo eles, falava em silêncio aos homens. Ardoca abandonava o corpo, que pendia lentamente para um lado. O passageiro do banco próximo encolheu o pé. Um camelô que vendia água pulou por cima dele para atender uma pessoa. Ardoca respirava com dificuldade, debaixo do negro de sua pele, um tom amarelo desbotado aparecia. Uma mulher levantou, comprou um copo d'água e deu-lhe de beber, tentando reanimá-lo. Os crentes continuavam bradando o hino. O vendedor de água, buscando um espaço para fazer valer a sua fala, anunciava o seu produto em altíssima voz. O trem parado continuava mortificando os ouvidos fragilizados de Ardoca. Enquanto isso, sua vida ia se aprofudando mais e mais no dissentir de tudo. Ele buscava a respiração lá no fundo. A mulher que lhe socorreu parecia querer chorar. Neste momento entrou no vagão um passageiro correndo e gritando. Desesperado, empurrou as pessoas buscando passagem em direção ao rapaz desfalecido, chamando por ele
     — Ei, Ardoca! Ei, Ardoca!
    Rapidamente o tomou no colo, desceu do trem e o depositou no banco da estação. Acomposição iniciou lentamente a partida. Cá de dentro, a mulher que se condoera de Ardoca e alguns outros passageiros ainda puderam ver. Aquele que o socorrera estava a meter a mão nos bolsos de Ardoca e a arrancar-lhe os sapatos e o relógio que ele trazia no pulso. Ardoca estava sendo assaltado. A mulher fez menção de descer, mas a máquina ganhou velocidade e partiu. Não era preciso porém nem dor, nem lágrimas. O outro podia levar os poucos pertences de Ardoca. Podia tomar-lhe tudo. Ardoca não tinha mais nada, nem a vida. Naquela tarde, ainda no trabalho ele resolvera tudo. Num gesto desesperado e solitário bebera lentamente um veneno e decidira levantar para morrer no trem. O outro levava os pertences de alguém que já despertencia à vida e jazia no banco da estação.
     O barulho da máquina sobre os trilhos entoava uma música réquiem de descanso eterno para Ardoca. Amém.

Fonte:Evaristo, Conceição. Olhos d'água. 1. ed. – Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. 
No Texto I, há uma presença marcante de adjetivos, alguns dos quais referidos ao personagem Ardoca. Analise os contextos em que os adjetivos se apresentam nas frases a seguir e indique a função sintática assumida por eles.
I- “Assistiu inúmeras vezes, como testemunha CEGA e MUDA, a assaltos, assassinatos, tráfico e uso de droga nos vagões superlotados”.
II- “Estava sempre ATENTO, TENSO, como se o trem, a qualquer momento, pudesse autocolidir”.
III- “Ele se sentia CANSADO por todos os dias, todos os trabalhos, e por toda a vida”.
Os adjetivos em destaque têm, respectivamente, as funções de: 
Alternativas
Q4392963 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Mistérios e segredos de textos medievais revelados graças à IA


Nas profundezas dos arquivos da Biblioteca Vaticana, um misterioso livro manuscrito, repleto de símbolos estranhos, permaneceu inédito por mais de quatrocentos anos. Suas páginas ocultavam remédios secretos para males do corpo humano, conforme texto gravado na contracapa. Tais práticas de cura eram mantidas em segredo na época devido ao risco de suscitar acusações de bruxaria. Conhecido como Cifra Borg, o manuscrito de quatrocentas e oito páginas apresenta-se codificado com trinta e quatro símbolos, algumas letras romanas e uma capa em árabe, sem a existência de qualquer chave conhecida para a decodificação de seu conteúdo. O desgaste do tempo em algumas páginas complicava ainda mais a leitura. Contudo, por meio do aprendizado de máquina, pesquisadores conseguiram decifrar o código e descobriram milhares de tratamentos incomuns, como o consumo de vinho tinto de alta qualidade ou a fermentação de noz-moscada em massa para combater a disenteria. Uma especialista em linguística computacional de uma universidade sueca, integrante da equipe responsável pela decifração, comparou o processo a um trabalho de detetive no qual cada símbolo e padrão aproxima os especialistas de um mundo histórico perdido.

Mesmo com o auxílio tecnológico, o processo de decodificação foi trabalhoso. Atualmente, a equipe lidera esforços para utilizar a inteligência artificial na decodificação de documentos históricos com maior eficiência, o que pode revelar informações valiosas do passado. Estimativas indicam que cerca de um por cento do material mantido em arquivos e bibliotecas mundiais encontra-se total ou parcialmente codificado, havendo registros que remontam à Grécia e à Roma antigas.

Em conjunto, esses documentos ocultam dados diplomáticos, rituais de sociedades secretas, conhecimentos médicos, obras literárias e detalhes do cotidiano preservados em segredo. Trata-se de informações ausentes das narrativas históricas tradicionais cuja revelação possui o potencial de reescrever o conhecimento sobre figuras célebres ou períodos inteiros. Um exemplo recente envolveu a descoberta de cartas codificadas escritas pela rainha da Escócia durante seu aprisionamento na Inglaterra, as quais expuseram seu envolvimento em conspirações para retomar o trono e a relação tensa com seu filho, o futuro rei inglês.

Embora algumas codificações antigas sejam simples — como a Cifra Borg, que emprega a substituição direta de cada símbolo por uma única letra romana —, outras apresentam alta complexidade. Em diversos casos, o idioma original é desconhecido, e símbolos sem significado são inseridos deliberadamente para induzir a erros. Adicionalmente, múltiplos símbolos podem representar uma mesma letra, exigindo intenso trabalho de tentativa e erro. Uma especialista em criptografia de um instituto francês de pesquisa em ciência da computação e sua equipe levaram seis meses para decifrar a chave de uma carta de quinhentos anos de um imperador do Sacro Império. A correspondência revelou o temor do monarca quanto a um complô de assassinato articulado por um mercenário italiano a serviço do rei francês.

Uma docente de uma universidade norueguesa utilizou uma plataforma digital de transcrição automática para processar uma carta secreta enviada por um nobre ao chanceler sueco em 1637, durante a Guerra dos Trinta Anos. O sistema, treinado em diversos idiomas e estilos de escrita, identifica blocos de texto e converte os caracteres para o meio digital. Na carta do nobre, parcialmente codificada com números separados por pontos, a ferramenta obteve bom desempenho; o texto alertava sobre conspiradores entre os próprios aliados protestantes da Suécia, o que forçara o remetente a realizar retiradas estratégicas no conflito.

Embora plataformas existentes enfrentem dificuldades diante de símbolos inventados ou feições astrológicas, os pesquisadores desenvolvem, no âmbito de um projeto multinacional de decodificação, uma ferramenta própria treinada em uma ampla variedade de repertórios simbólicos. Quando a transcrição é concluída, softwares especializados utilizam algoritmos para determinar a estrutura do código. Em cifragens simples, a análise baseia-se na frequência de surgimento dos símbolos em comparação à estrutura do idioma.

Paralelamente, a equipe sueca investiga formas de dispensar a etapa de transcrição, promovendo a decodificação direta a partir de fotografias das páginas dos documentos originais. O método foi testado com sucesso na Cifra Copiale, um manuscrito de cento e cinco páginas sobre os rituais de uma sociedade secreta alemã do século dezoito. Ao treinar o sistema com amostras de escrita e suas respectivas traduções, a tecnologia decifrou com precisão trechos inéditos, demonstrando utilidade para casos em que o idioma de origem é desconhecido.

A compilação de acervos criptografados pelo projeto de pesquisa também visa reunir volumes de dados suficientes para o treinamento de modelos computacionais, contornando a escassez desse tipo de material em comparação aos grandes modelos de linguagem convencionais.

Com base nesses avanços, a equipe criou uma ferramenta digital que combina algoritmos de decodificação, reconhecimento de imagens e modelos de linguagem treinados em textos históricos. O sistema documenta o raciocínio utilizado e explica a plausibilidade das soluções encontradas para evitar a geração de interpretações falsas. Ao ser testado com a Cifra Borg, o sistema traduziu e decodificou um trecho de quinhentos símbolos em pouco mais de vinte e nove minutos, apresentando desempenho veloz também diante de outros documentos históricos complexos.

A aplicação dessas ferramentas promete expandir a velocidade e a escala das pesquisas, permitindo a abordagem de documentos históricos até então tidos como indecifráveis, bem como o estudo de sistemas de escrita antigos ainda não compreendidos.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c36le795lywo.adaptado. 
Embora algumas codificações antigas sejam simples — como a Cifra Borg, que emprega a substituição direta de cada símbolo por uma única letra romana —, outras apresentam alta complexidade.
Com base na predicação verbal e nas funções sintáticas presentes no trecho, associe os elementos da Coluna 1 às respectivas análises da Coluna 2.

Coluna 1

1."sejam simples"
2."simples"
3."emprega"
4."apresentam"

Coluna 2

(__)Verbo transitivo direto que integra predicado verbal e apresenta como complemento "alta complexidade".
(__)Predicativo do sujeito "algumas codificações antigas" em estrutura formada com verbo de ligação.
(__)Estrutura que constitui predicado nominal, formada por verbo de ligação e predicativo do sujeito.
(__)Verbo transitivo direto que integra predicado verbal e apresenta como complemento "a substituição direta de cada símbolo por uma única letra romana".

Assinale a alternativa com a associação correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q4381905 Português
Assinale a alternativa em que o verbo destacado é classificado como verbo de ligação: 
Alternativas
Q4379472 Português


(Disponível em: cnnbrasil.com.br/comportamento/cultura/quando-jogar-videogame-deixa-de-ser-so-diversao/ – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Considerando a análise sintática do fragmento retirado do texto “O ponto de atenção não é o jogo em si”, analise as assertivas a seguir:
 I. “O ponto de atenção” exerce a função de sujeito simples da oração, tendo o substantivo “ponto” como núcleo.
II. A forma verbal “é” atua como verbo de ligação, e “o jogo em si” exerce a função de predicativo do sujeito.
III. O segmento “não é o jogo em si” constitui um predicado verbal, cujo núcleo significativo se encontra no verbo.
IV. Por estar ligado ao verbo sem preposição, a expressão “o jogo em si” pode ser classificada como objeto direto de “é”, concomitantemente à sua função de predicativo do sujeito.
Quais estão corretas?
Alternativas
Q4376528 Português
Assinale a oração que apresenta predicado nominal: 
Alternativas
Q4360621 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


A cafonice do Brasil


Muito se fala sobre etarismo, uma palavra que até pouco tempo ninguém sabia que existia. Em alguns países orientais os mais velhos são reverenciados como pessoas sábias. Mas no Brasil não importa quanto sucesso você fez ou o quanto contribuiu com algo: quando chega numa certa idade todo mundo tem que seguir a cartilha do envelhecer. Especialmente se você é mulher. Caso não siga a cartilha, ou seja, não atenda às expectativas impostas pela sociedade de envelhecer dentro dos padrões da moralidade, se prepare pra zerar o dicionário de xingamentos machistas e misóginos.


O que se viu nesses últimos dias, com tantos julgamentos sobre o corpo e as roupas da Xuxa em seu show "O Último Voo da Nave", diz muito sobre nós. Digo "nós" porque boa parte dessa cartilha e fiscalização muitas vezes vem das próprias mulheres. Das que se escondem nos comentários até as ditas "influencers da moral" que fingem um discurso de crítica social só pra lacrar e ganhar likes em cima das atitudes de outras mulheres. A internet virou um refúgio de gente frustrada que arrumou um lugar pra destilar ódio disfarçado de opinião, usando o moralismo e a política pra angariar pessoas igualmente frustradas e desinformadas.


Mulheres reféns dos padrões, com seus procedimentos e magreza extrema, que se acham revolucionárias por julgarem corpos alheios. A verdadeira cafonice do Brasil. E o mais triste: ver outras mulheres curtindo, comentando e se sentindo importantes porque alguém destilou todo o preconceito que elas não tiveram coragem de mostrar.


Enquanto isso, nas escolas, meninas seguem fazendo bullying com as outras, os pais permanecem omissos e os educadores seguem preocupados com a relação violenta entre elas. Tenho uma filha adolescente e vejo claramente como a rivalidade feminina começa cedo. Comentários maldosos sobre os corpos das outras, adjetivos num tom pejorativo, exclusão de grupos, falta de empatia e dificuldade de aceitar quem é diferente. Muitas vezes com meninos incentivando tudo de camarote. Já falei pra minha filha que, cada vez que as meninas brigam entre si, os meninos se sentem mais à vontade pra julgá-las. Um grupo de meninas unidas é o melhor antídoto contra qualquer dominação.


Feminicídio, voto feminino sendo ameaçado, crianças sendo abusadas, violência doméstica e vocês, caras amigas, gastam tempo e voz falando do corpo de outra mulher?


Xuxa lotou, aos 63 anos, um estádio por duas noites com pessoas 40+ relembrando uma época e a própria história. Era uma comemoração. E o olhar pro deslize foi o que ficou? Que olhar adoentado é esse, caras amigas, que ignora uma superprodução e foca na virilha de alguém que resolveu envelhecer celebrando a vida? O que isso traz de bom pra alguém? Qual o exemplo que vocês querem deixar pra esse mundo? Não só para as meninas mas também para os meninos que se sentem no direito de criticar o corpo feminino e achar isso normal.


Porque o elogio também é uma forma de transformação. Seus filhos aprendem gentileza com vocês e é assim que, futuramente, vão saber viver relações gentis. As críticas que viralizam não servirão em nada pra criar seres humanos melhores e nem ajudam a sociedade a entender que os corpos das meninas não pertencem aos homens.


Espero que os likes preencham a alma dessas pessoas e façam valer a pena uma existência tão medíocre. Gastar uma vida diminuindo quem vive e envelhece com as mesmas dores que você é de uma pequenez de espírito sem tamanho.


[...]
Considere o período: "Um grupo de meninas unidas é o melhor antídoto contra qualquer dominação." A respeito da estrutura sintática da oração, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4349247 Português

Texto CB1A1


    Admito que a tendência do progresso mecânico é realmente tornar a vida segura e agradável. Isso pode ser questionado, pois, a qualquer momento, o efeito de alguma recente invenção mecânica pode parecer seu exato oposto. Vejamos, por exemplo, a transição do cavalo para o veículo a motor. À primeira vista, poderíamos dizer, considerando o número enorme de mortes no trânsito, que o carro a motor não tende a fazer a vida mais segura. Mais ainda, é preciso ser tão durão para ser piloto de corridas off-road quanto para ser campeão de rodeios ou montar um puro-sangue no Grande Prêmio. Mesmo assim, a tendência de todas as máquinas é se tornarem mais seguras e mais fáceis de manejar. 


    O perigo dos acidentes desapareceria se decidíssemos atacar seriamente nosso problema de planejamento das estradas, o que faremos mais cedo ou mais tarde; e, enquanto isso, o carro a motor evoluiu até o ponto em que qualquer pessoa que não seja cega é capaz de dirigi-lo depois de algumas aulas. Mesmo agora, é preciso muito menos coragem e habilidade para dirigir um carro razoavelmente bem do que para montar a cavalo razoavelmente bem; daqui a vinte anos, talvez não seja necessária nenhuma coragem ou habilidade. Portanto, deve-se dizer que, considerando-se a sociedade como um todo, o resultado da transição do cavalo para o carro tem sido tornar a humanidade mais frouxa, flácida.


    E agora alguém apresenta outra invenção — o avião, por exemplo, que não parece, à primeira vista, tornar a vida mais segura. Os primeiros homens que voaram em aviões eram superlativamente corajosos, e até hoje é preciso ter nervos excelentes para ser piloto. Mas aqui entra em ação a mesma tendência que acabo de mencionar. O avião, tal como o carro, se tornará à prova de erros; pois um milhão de engenheiros estão trabalhando, de maneira quase inconsciente, nessa direção. E por fim — é este o objetivo, embora talvez nunca seja atingido — teremos um avião cujo piloto não precisa de mais habilidade ou coragem que um bebê em seu carrinho. E todo o progresso mecânico segue, e deve seguir, nessa direção. Uma máquina evolui tornando-se mais eficiente, isto é, mais à prova de erros; portanto, o objetivo do progresso mecânico é um mundo à prova de erros e à prova de tolos — o que pode, ou não, significar um mundo habitado por tolos. 


George Orwell. O caminho para Wigan Pier. Tradução: Isa Mara Lando.

São Paulo: Companhia das Letras, 2010 [primeira publicação: 1937] (com adaptações). 




Julgue o item que se segue, relativo a aspectos linguísticos do texto CB1A1.

No período "Admito que a tendência do progresso mecânico é realmente tornar a vida segura e agradável." (primeiro parágrafo), os termos "mecânico", "segura" e "agradável" exercem a mesma função sintática.
Alternativas
Q4345106 Português
Texto de referência para responder à questão.


O sonho lunar e as urgências terrestres

[...]


    Durante décadas, a expressão "vender terreno na Lua" foi sinônimo universal de golpe, o exemplo máximo do estelionato praticado por vigaristas contra incautos sonhadores. Oferecer a posse do inalcançável era a definição clássica de enganação. Por isso, não deixa de ser curioso — e, até certo ponto, irônico — o anúncio da SpaceX, empresa comandada pelo trilionário Elon Musk, de que a prioridade de seus esforços espaciais se voltará para a construção de uma cidade na Lua.

    [...]

     Para além do deslumbramento com foguetes reutilizáveis e bases pressurizadas, o anúncio de Elon Musk provoca a sociedade a uma reflexão ética sobre o destino dos recursos globais e a própria natureza das aspirações. Além de todos os problemas da sociedade, guerras e conflitos cada vez mais tensos e a aceleração da crise climática, que já impõe perdas irreversíveis a populações inteiras, observa-se uma desconexão gritante de prioridades.

    O investimento maciço na colonização da Lua, um local totalmente hostil e inóspito à vida, num momento em que a governança global falha em garantir o básico — água, alimento e segurança — para bilhões de pessoas, soa como uma dissonância cognitiva em escala planetária. Busca-se oxigênio na Lua enquanto deixa-se o ar irrespirável na Terra.

    Não se trata de negar o valor da exploração espacial. A ciência, a tecnologia de materiais e as telecomunicações devem muito à corrida para o cosmos. Mas é gritante o contraste entre a sofisticação da engenharia necessária para manter a vida no vácuo espacial e a incapacidade política de garantir a sobrevivência digna em ecossistemas abundantes na Terra.

    Há, além disso, um perigo moral quando a colonização de outros mundos passa a ser vendida — implícita ou explicitamente — como um "plano B" para uma elite ou como uma rota de fuga de um planeta que nós mesmos estamos exaurindo, conforme o próprio Musk já avisou que pretende. A fascinação por morar em cidades dentro de redomas de vidro em Marte ou na Lua não pode servir de cortina de fumaça para o fracasso na gestão da Terra.

    Antes da autoproclamação de que somos uma espécie multiplanetária, há o dever inadiável de provar que somos capazes de ser uma espécie sustentável. De que adianta exportar a presença humana para as estrelas se levarmos na bagagem os mesmos vícios de desigualdade, predação e negligência que ameaçam a casa original?

    O sonho de caminhar em outros mundos é legítimo e inspirador, mas ele não deve atropelar a responsabilidade presente. A Lua pode esperar; a fome, a crise climática e as guerras que assolam este pálido ponto azul, não. A verdadeira fronteira a ser conquistada não está a 384 mil quilômetros de distância, mas aqui mesmo, na resolução das mazelas que ainda nos prendem ao chão. Antes de olharmos para o céu com cobiça imobiliária, precisamos resolver a Terra com urgência humanitária.


https://www.correiobraziliense.com.br/Acesso em: 14 fev.2026.
“(...) o anúncio de Elon Musk provoca a sociedade a uma reflexão ética “

Sobre o predicado da oração acima, analise os itens a seguir.

I. Apresenta dois complementos verbais.
II. Trata-se de predicado verbo-nominal.
III. É composto por verbo de ligação.
IV. Apresenta predicativo.

Está correto o que se informa em:
Alternativas
Q4344538 Português

Leia o texto e responda as questões:


Como é a bola mais antiga do mundo — que viajou até Miami para Brasil x Escócia


A bola, que se acredita ter sido produzida entre 1540 e 1570, foi encontrada em castelo Stirling, na Escócia, na década de 1970


        A bola de futebol mais antiga de que se tem notícia no mundo viajou de Stirling, na Escócia, para a Flórida, nos Estados Unidos, para participar das atividades em torno da partida decisiva da Escócia contra o Brasil pela Copa do Mundo.


        A bola, que se acredita ter sido produzida entre 1540 e 1570, foi descoberta na década de 1970, presa entre vigas no Castelo de Stirling.


        Ela ficará em exposição no Museu Coral Gables até sábado (27/06) e também será exibida durante a partida entre Brasil e Escócia nesta quarta-feira (24/06), a partir das 19h (horário de Brasília).


        A peça foi emprestada ao museu pela Stirling Smith Art Gallery and Museum, onde é a principal atração de uma coleção com mais de 40 mil itens.


        A bola, reconhecida pelo Guinness World Records, o livro dos recordes, como a mais antiga do mundo, tem aproximadamente o tamanho de um melão pequeno.


        Ela é feita de gomos de couro espesso que envolvem uma bexiga de porco.


        A peça foi datada do período de James 5º da Escócia e da jovem Mary Stuart, rainha da Escócia no século 16, que viveu nos aposentos do castelo durante a infância. "Alguém na década de 1540 deve ter chutado a bola tão alto que ela ficou presa no teto. A cronologia coincide com o período em que Mary, rainha dos escoceses, vivia no castelo e, claro, a bola foi encontrada nos aposentos da rainha", explica Aiofe McKenna, curadora do Stirling Smith.


        "Não podemos afirmar isso com certeza, mas gostamos de imaginar que Mary brincou com esta bola", acrescenta McKenna.


        Registros históricos mostram que uma versão antiga do futebol já era popular na Escócia desde o século 15.


        "As pessoas gostavam de jogar futebol tanto quanto hoje, mas o esporte era bem diferente e muito mais violento", conta McKenna.


(https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/06/24/como-ea-bola-mais-antiga-do-mundo-que-viajou-ate-miami-para-brasil-xescocia.ghtml) 

Na oração “O livro é fantástico.”, a palavra em destaque pode ser classificada como:
Alternativas
Respostas
1: C
2: E
3: A
4: E
5: E
6: E
7: D
8: D
9: E
10: C
11: D
12: C
13: B
14: A
15: B
16: D
17: C
18: E
19: A
20: A